Have We Met, o novo disco do alter ego de Dan Bejar, Destroyer, sairá no último dia deste mês – e ele mostra mais uma de suas canções, depois de apresentar “It Doesn’t Just Happen” e “Crimson Tide” no ano passado, criando uma boa atmosfera de expectativa para o novo disco. “Cue Synthesizer” mantém a atmosfera anos 80 dos dois primeiros singles, mas pesa a mão e soa ainda mais pop.
O baú póstumo de David Bowie está longe de ver seu fim – e na data que completaria 73 anos, sua gravadora Parlophone começa a mostrar o disco que está preparando para o Record Store Day em abril. A apresentação ao vivo na BBC chamada de ChangesNowBowie foi gravada em novembro de 1996 enquanto Bowie preparava-se para comemorar seu aniversário no ano seguinte numa apresentação no Madison Square Garden (quando o especial foi ao ar na emissora inglesa). No show, Bowie contou com uma banda formada por Gail Ann Dorsey, Reeves Gabrels e Mark Plati, que releu clássicos de sua carreira enquanto era entrevistado pela apresentadora Mary Anne Hobbs e recebia os parabéns de nomes como Scott Walker, Robert Smith, Damon Albarn e Bono Vox.
O disco será lançado em edição limitada em abril (a ordem das faixas vem abaixo) e a faixa recém-revelada também faz parte do EP digital Is It Any Wonder?, que será dissecado nas próximas semanas e conterá cinco faixas também inéditas de diferentes fases de sua carreira.
“The Man Who Sold The World”
“The Supermen”
“Andy Warhol”
“Repetition’
“Lady Stardust”
“White Light/White Heat”
“Shopping For Girls”
“Quicksand”
“Aladdin Sane”
Crucial na transição do punk para o pós-punk, o grupo inglês Wire está vindo com novo álbum agora em janeiro e segue desafiando paradigmas. Mind Hive (já em pré-venda) teve dois singles lançados (“Cactused” e “Primed and Ready”, ouça abaixo) e mantém a tradição do grupo por discutir política numa esfera pop, embora em canções não tão curtas quanto sua era de ouro, na virada dos anos 70 para os anos 80, como já havia feito no disco mais recente, o ótimo Silver/Lead, de 2017. Mas a sonoridade – punk e barulhenta – ganhou uma fina camada eletrônica que dá toda uma nova cara para o grupo.
A capa e o nome das músicas do disco vêm abaixo:
“Be Like Them”
“Cactused”
“Primed and Ready”
“Off the Beach”
“Unrepentant”
“Shadows”
“Oklahoma”
“Hung”
“Humming”
O vocalista do R.E.M., Michael Stipe, aproveitou seu aniversário de sessenta anos completos no último dia 4 para apresentar seu segundo single solo. Depois de “Your Capricious Soul“, “Drive to the Ocean” segue suas preocupações com a tragédia climática (arrecadando fundos das vendas do single em seu site para a ONG Pathway to Paris) e o desloca para um terreno musical novo, embora a canção comece com um ar de Leonard Cohen que ainda conversa com seu trabalho em sua antiga banda, que pendurou as chuteiras há oito anos. Mas a partir de um minuto e meio, ela toma um lindo caminho inesperado, sobrepondo beats eletrônicos, referências à música global e ares ambient.
Feliz ano novo! Vamos começar bem o ano se acabando de dançar? É a primeira edição das Noites Trabalho Sujo de 2020, que acontece na Trackers, que agora fica em Pinheiros, pertinho do Metrô Fradique Coutinho. No som, você sabe, aquela mistura deliciosa de hits de todas as épocas que faço com meus compadres – desta vez, só Danilo Cabral marca presença, pois Luiz Pattoli está recarregando as baterias. E tome música eletrônica e hip hop, música brasileira e soul music, rock clássico e dance music, funk e indie rock. Vamos lá? Só precisa mandar o nome pro email noitestrabalhosujo@gmail.com porque só entra quem mandar o nome pra lista!
Noites Trabalho Sujo @ Trackers Pinheiros
Sábado, 11 de janeiro de 2020
A partir das 23h45
No som: Alexandre Matias e Danilo Cabral
Trackers Pinheiros. Rua dos Pinheiros, 1243.
R$ 20,00
Entrada: R$ 20, só com nome na lista pelo email noitestrabalhosujo@gmail.com. Aniversariantes da semana não pagam para entrar (avise quando enviar o nome no email, por favor)
Ao lançar o quarto single (“Lost In Yesterday”, abaixo) do álbum The Slow Rush, que vê à luz do dia em um mês, o Tame Impala finalmente aproxima-se de uma sonoridade mais reconhecível, especialmente com o disco mais recente, Currents.
Embora seu Hyperspace, lançado no ano passado, tenha ficado aquém das expectativas até em comparação a seus outros discos mais introspectivos, o disco inspirou alguns artistas a debruçar sobre o mesmo após seu lançamento. Primeiro foi Dev Hynes, o Blood Orange, quem assumiu a direção do clipe de “Uneventful Days” e agora a mesma faixa é submetida a um remix bem retrô assinado pela cantora e compositora Annie Clark, que conhecemos como St. Vincent – e foi ela quem deu o primeiro passo, como explicou ao escrever sobre sua versão.
“Acho que eu estava ouvindo muito Herbie (Hancock) dos anos 70 e War na época e pensando no quanto de funk eu também tenho por dentro. Eu mandei pro Beck e ele curtiu, mas disse que “deveria ser 3 bpm mais rápido”. E sabe o que? ELE TINHA RAZÃO. Fez toda a diferença no groove.” Realmente, a nova versão traz a faixa justamente para o universo de groove retrô que o próprio Beck acalentava nos anos 70.
Autor de um dos melhores discos de 2019 (o ótimo Lógos), o rapper paulista Nill é o primeiro nome a apresentar-se na Sexta Trabalho Sujo em 2020, a partir das 21h, no no Estúdio Bixiga (mais informações aqui). Vamos lá?
O violão bate pesado enquanto Kiko Dinucci abre os trabalhos de 2020 anunciando em primeira mão seu segundo disco solo, para o Trabalho Sujo. “Olodé”, primeira faixa que mostra de Rastilho, disco que lança em fevereiro, é uma boa amostra do novo trabalho, extremo distante de seu primeiro disco solo, o punk Cortes Curtos. “Olodé, Odé Lonan, Odé Asiwaju”, canta em iorubá (“Chefe dos caçadores, caçador de caminhos, caçador chefe”. Refeita as pazes com o violão (“não briguei com nenhum instrumento”, ele me corrige), ele o leva de volta ao terreiro sozinho, com poucas participações além de sua voz e suas cordas – como o cativante coro que repete as frases neste primeiro single. “É uma música que compus em homenagem aos orixás caçadores, em especial pra Oxosi, mas que pode ser também pra Logun Edé ou Ogun”, ele me explica. “A canção representa muito bem o clima do disco, agressivo e rítmico. Como se fosse a antítese da imagem mítica do violão macio servindo como cama pra uma canção bonita. No disco o violão é o destaque, está na frente, acima da voz, chega dando rabo-de-arraia, atropelando.”
“Eu senti saudade do violão depois de passar pelo trator guitarrístico que foi o Cortes Curtos”, continua, falando sobre o disco lançado em 2017 que gravou em formato power trio com Marcelo Cabral e Sérgio Machado. “Queria revisitar a minha maneira de tocar, riffs de baixo meio gambri marroquino, ataques de agudo em contraponto. Queria dedicar um disco a esse jeito de tocar. Já tinha exercitado isso no Duo Moviola, no Metá Metá e não queria deixar essa maneira de me expressar lá atrás. O disco foi uma forma de revisitar essa onda também. Esse violão vem muito da minha limitação técnica, eu sonhava em tocar aqueles choros fodões e quebrava a cara, então fui dando o meu jeito. Tenho uma relação afetiva com o violão, foi o meu primeiro instrumento, me acompanhou na infância, na adolescência punk remendado com durex, nas rodas de samba. Me acompanhou nos períodos mais importantes da minha formação.”
Quando eu pergunto sobre uma possível briga com o instrumento, ele explica melhor. “O que acontece é que em um determinado momento eu senti muito a limitação timbrística do violão, um violão é sempre um violão. Então voltei a tocar guitarra pra explorar pedais e outros timbres. Geralmente o violão é um instrumento que ocupa muito espaço na música brasileira, faz baixos, harmonia, ritmo, melodias, carrega a canção nas costas. Tocando guitarra elétrica eu exercitei outros jeitos de ocupar espaço, às vezes com menos notas, com menos responsabilidade que o violão. Teve essa fase do Metá Metá pro MetaL MetaL, do Passo Torto pro Passo Elétrico. Exercitei com a guitarra do Rodrigo Campos uma espécie de teia melódica e rítmica que foi importante para discos como o Encarnado da Juçara Marçal e A Mulher do Fim do Mundo da Elza Soares. Depois do Cortes Curtos eu passei os últimos três anos muito interessado em sintetizadores e samplers. Estou sempre nessa procura, muito até pela minha limitação técnica como músico. Agora voltei pro violão. O que junta todas essas fases é a característica rítmica. O jeito com que eu me aproximo da música é muito baseado na percussão, só que sem tocar instrumento de percussão.”
O repertório do disco é quase todo novo – apenas duas músicas já haviam sido compostas anteriormente. Até que, ao quebrar o pé num acidente de skate no ano passado, ele resolveu tirar o disco da cartola. “Tive que ficar de molho um tempo e pensei: agora eu vou ter que fazer esse disco. Já tinha vontade de fazer, mas precisei, digamos, de um empurrãozinho”, ri. “O disco foi gravado em três dias, no começo de setembro de 2019, por André Magalhães e Bruno Buarque, que o mixaram em mais três dias no começo de novembro. Foi gravado e mixado na fita, cem porcento analógico, na unha, sem edição ou overdub de violão, os takes de violão são de apenas um track, é sempre um violão sozinho tocando”. Além de Kiko, o disco conta com poucas participações especiais: Ava Rocha, Juçara Marçal e Ogi, além do coro formado por Dulce Monteiro, Gracinha Menezes e Maraísa.
As influências são clássicos da música brasileira. “Eu tava a fim daquele som do Sergio Ricardo na trilha do Deus e o Diabo Na Terra Do Sol, do Glauber Rocha, aqueles ecos que também estão no Geraldo Vandré de Requiém Para Matraga que estão no filme Bacurau, do Kleber Mendonça e Juliano Dornelles, e originalmente no filme A Hora e a Vez de Augusto Matraga, do Roberto Santos. Aquele som do disco do Pedro Santos eu gosto muito também. E Eu ficava pensando naqueles ecos dos filmes do Zé do Caixão. O Bruno e o André usaram os delays e reverbs analógicos. Eu ficava mostrando esses sons pros caras.” Ele também cita mestres como Dorival Caymmi, Baden Powell, Rosinha de Valença, João Bosco, Nelson Cavaquinho, Gilberto Gil e Edu Lobo como referências nestas composições. O show de lançamento acontecerá dia 15 de fevereiro, no teatro do Sesc Pompeia. “Ao vivo deve ser bem parecido com o disco, talvez mais rápido e agressivo. O show tem que ser mais que o disco, tem que ter um grauzinho a mais”, conta. “Quero levar a formação do disco para os palcos sempre que possível, quando não der, farei sozinho.”