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Vida Fodona #628: Em tempo de quarentena

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É sério.

Letrux – “Vai Brotar”
Bruno Schiavo – “Havaianas Déja Vu”
Billie Elliot – “No Time to Die”
Talking Heads – “Life During Wartime”
Gal Costa – “Cultura e Civilização”
Walter Franco – “Partir do Alto / Animal Sentimental”
Pavement – “Gold Soundz”
Lulina – “Cantor Pop dos Sonhos”
Ana Frango Elétrico – “Torturadores”
Spoon – “Rhthm & Soul”
Jupiter Apple – “Exactly”
Ultramagnetic MCs – “Ease Back”
Kaytranada + Kali Uchis – “10%”
Isaac Hayes – “I’ll Never Fall In Love Again”
Pulp – “Dishes”
Massive Attack – “Dissolved Girl”

#CliMatias: O que fazer nestes dias de quarentena

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Uma das minhas primeiras decisões de ano novo foi matar o #CliMatias, hashtag que eu mantinha no Instagram como uma espécie de saudação do dia: uma foto do céu e uma frase que remetesse ao clima – seja interior ou exterior – do dia que começava. Matei a seção como parte da minha decisão de abandonar as redes sociais até o fim do ano, sacrificando o sacerdócio diário para me ver livre destas atualizações.

Mas veio a pandemia e com ela a necessidade de entrar em confinamento, uma autoquarentena voluntária para não esperar que as autoridades brasileiras comecem a tomar alguma providência. Aos poucos as pessoas têm se conscientizado que o problema é grave e resolvi criar um programa em vídeo – tanto no IGTV do Instagram quanto num segundo canal do YouTube – para dar dicas do que fazer nestes dias de isolamento social. As dicas vão desde livros, filmes, séries e discos para curtir no tempo livre como dicas para não enlouquecer ou cair em depressão uma vez recluso num mesmo ambiente. O programa é diário e vai ao ar sempre de manhã – e aqui neste mesmo post vou colocando as dicas do dia bem como os links para os itens que indico – além das sugestões dos convidados, que sempre tento trazer.

Assista a todos aqui.

Cancelando todos os shows

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A epidemia é série e não dá pra brincar com isso, por isso adiamos todas as apresentações ao vivo que faríamos nos lugares onde trabalho como curador: isso quer dizer que suspendemos as temporadas do Kastrup e da Juçara no Centro da Terra, não teremos Sexta Trabalho Sujo no Estúdio Bixiga que teria Atônito e Thiago França (como acabou não acontecendo na sexta passada, que teria o Antiprisma) nem vamos ter a volta do Trabalho Sujo Apresenta na Unibes Cultural, com Chico Bernardes e Luiza Brina. Outro show suspenso foi a estreia do projeto Trilha Sonora Original do Filme Deságua, do Mombojó, com quem estou trabalhando como diretor artístico, que aconteceria na próxima sexta. As atividades todas foram suspensas e retornarão quando a situação voltar a se normalizar, possivelmente retomando a partir de onde havia parado. É cortar na carne, mas é preciso fazer isso.

O lance é saber o que vamos ver o que fazer agora.

A Linha D’Água de Carla Boregas e Maurício Takara

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Maurício Takara e Carla Boregas hoje fazem parte da mesma banda, o Rakta, mas sua relação musical começou há muito mais tempo. “Conheço o Maurício há uns quinze anos”, me explica Carla pelo telefone, falando sobre a parceria que agora se materializa em disco. Linha D’Água aproxima os trabalhos solos dos dois para o mesmo centro, explorando tanto a percussão misturada com eletrônica que o baterista do Hurtmold apresenta como M. Takara, como as paisagens ruidosas provocadas pelo projeto solo de Carla, que leva seu nome. O disco está saindo pelo selo Desmonta e foi lançado em primeira mão no Trabalho Sujo.

“A nossa ideia de tocar juntos é anterior ao Rakta”, continua a baixista, que toca apenas sintetizadores no novo projeto. “Uma vez, eu fui tocar no aniversário no Estúdio Fita Crepe, o Maurício tocou na mesma noite e depois do meu set ele veio me falar que queria fazer alguma coisa juntos, que ele queria tocar bateria com alguém que estava fazendo o que eu fiz naquela noite, que foi um set de drones.”

O resultado é um disco com estruturas que foram desenvolvidas a partir de apresentações ao vivo, quase sempre improvisadas. “A gente vem desenvolvendo coisas que tem trabalhado até hoje”, ela prossegue. “Neste processo, a gente foi lapidando a ideia, que era o Maurício tocando bateria e um sintetizador e eu tocando dois sintetizadores, sendo que ele controla um dos meus sintetizadores através da bateria. E o disco foi sendo concebido enquanto fazíamos esses shows, a sessão sempre era um improviso e nessa miniturnê que a gente fez pela Península Ibérica no ano passado, quando tocamos na Espanha, em Portugal e nas Ilhas Canárias, a gente fez oito shows na sequência e fomos lapidando melhor essas ideias. Depois em seis horas de estúdio a gente gravou o disco, no Rocha. Parte do disco já estava composto, em termos de estrutura, mas mesmo assim tudo foi muito orgânico, desde a concepção, a composição até a gravação, pelo fato de que um complementa o outro também.”

Ela explica que o nome poético do disco nasceu na biologia e na marinha. “Eu gosto de guardar nomes pras coisas, escuto um termo e, quando ele me marca, acho que posso usar aquele termo ou palavra depois. Esses são os melhores nomes”, teoriza Carla. “Quem me contou sobre essa expressão foi minha amiga Patrícia, linha d’água é uma parte do olho, essa linhazinha embaixo e em cima na pálpebra e depois descobri que também é uma expressão usada no meio náutico, na construção naval. Nos dois lugares, essa expressão fala do que separa a água de outro lugar. Achei isso curioso e quis usar pro disco, sugeri pro Maurício e ele topou. E a água também pode ser a barreira da emoção, porque essa linha no olho é por onde as lágrimas vão se desenhar, é o limite do nosso mundo interior pro mundo exterior, e a água tem essa coisa da fluidez, que tem a ver com a nossa música, que tem uma fluidez entre nós dois. É uma limitação visível mas que também é fluida.”

Genesis P-Orridge (1950-2020)

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Fundador/a do Throbbing Gristle e do Psychic TV, Genesis P-Orridge morreu neste sábado aos 70 anos. Um dos principais agentes provocadores do pop do final do século passado, ele/a também foi um dos primeiros artistas pop a transgredir seu próprio gênero sexual, depois que casou com Lady Jaye Breyer P-Orridge, no início dos anos 90, quando os dois começaram um lento processo de transformar-se um no outro, inventando o rótulo “pandroginia” para justificar esta transformação.

Mais Wire

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O ano começou com o clássico grupo punk inglês Wire lançando seu décimo sétimo álbum de carreira, o ótimo Hive Mind, e nem bem o disco foi assimilado, seu sucessor já foi anunciado – para abril! 10:20 é um disco composto por canções que ficaram de fora dos discos mais recentes da banda ou que evoluíram ao vivo e se tornaram bem diferentes. O primeiro single, “Small Black Reptile”, é uma variação da faixa de mesmo nome do disco do grupo de 1990, Manscape.

O disco será lançado em abril, sua capa é aquela lá em cima e abaixo seguem os nomes das outras músicas:

“Boiling Boy”
“German Shepherds”
“He Knows”
“Underwater Experience”
“The Art of Persistence”
“Small Black Reptile”
“Wolf Collides”
“Over Theirs”

Justin Timberlake + Anderson .Paak!

Justin-Timberlake-Anderson-Paak

Mais uma música que Justin Timberlake lança para a trilha sonora da animação Trolls World Tour, desta vez o reúne com o soulman Anderson .Paak, mas ao contrário do dueto de Justin com SZA, “Don’t Slack” é só ok e apenas diverte.

E era uma combinação que podia ser tão mais explosiva… Tomara que não parem aí.

Aquele groove deslizante do Breakbot

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É difícil o jovem monsieur Thibaut Berland deixar a peteca cair e ao lançar mais um single com o seu pseudônimo Breakbot, ele segue uma estabilidade de produção que martela constância e qualidade com a mesma progressão. Sem contar que “Be Mine Tonight”, que ainda conta com os vocais deliciosos de Capucine Delafleur, segue uma tradição de house-funk francesa que nasceu com o Daft Punk, passou pelos Cassius, Alex Gopher, Etienne de Crécy e Dimitri from Paris e entrou no século vinte e um na mão de produtores como Fred Falke, Mr. Oizo, Justice, Yuksek, Stardust, Lifelike, Kavinsky e Modjo e que conta com seu autor, do hit perfeito “Baby I’m Yours“, como principal nome a flertar com o mainstream.

Àiyé: “Sangue misturado com suor misturado com lágrima”

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Larissa Conforto chama a alegoria da caverna de Platão em mais um single antes de seu primeiro disco solo, no trabalho que assina como Àyié. Na colagem audiovisual “O Mito E A Caverna”, que tem a participação do Lupe de Lupe Vitor Brauer, ela mistura a intensidade deprimente e violenta dos dias atuais num spoken word que se abre em camadas líricas e melódicas que misturam drum’n’bass, trip hop, samples de jazz e palavras de ordem, conectando as notícias deste século com a história da humanidade.

É só um aperitivo do que podemos esperar deste primeiro disco, batizado de Gratitrevas, que será lançado na próxima sexta, dia 20.

Nick Cave via Kurt Vile

kurtvile

Encerrando a divulgação do projeto Songs for Australia, que visa arrecadar fundos para as vítimas no incêndio que dizimou parte da vida selvagem do país-continente, eis que surge a versão que o bardo norte-americano Kurt Vile fez para “Stranger Than Kindness” do bardo australiano Nick Cave, tirando todos os elementos oitentistas (a bateria muda, o ruído da guitarra, aquele solo esquisito do fim) e mantendo o clima solene enquanto a traz para o campo, em uma tarde outonal – mas igualmente estranha.

O disco, recém-lançado, conta com versões para músicas do Midnight Oil, INXS e Sia, todos artistas australianos.