O Body Music do Vito Roccoforte (ex-Rapture) mexe só um tiquinho em “Around the Sun“, hit solar e sossegado que o Poolside lançou ao lado do grupo de rock psicodélico Amo Amo no ótimo que abriu o ano e a música sai da praia direto pra pista de dança.
Thurston Moore não para! Depois de desenterrar faixas com as bandas que o acompanharam na última década, o senhor microfonia segue ativo na na quarentena e lança uma faixa composta e gravada no período, o extenso número instrumental “Strawberry Moon”, uma peça para três guitarras gravada dois dias antes do eclipse lunar que acontece nesta sexta, quando a lua cheia ganha o nome que dá título à canção devido ao início da colheita de morangos no hemisfério norte. “Libere a energia para a mudança”, escreveu ao publicar o transe sônico.
O herói indie norte-americano Bob Mould anuncia seu décimo quarto álbum solo, Blue Hearts, que deve ser lançado em setembro e já está em pré-venda, com a pesada “American Crisis”, em que ele tem a proeza de rimar o título da canção com “evangelical ISIS”, para descrever o nível crítico de cisão política que seu país, como o nosso, atravessa:
Eis a capa do disco e o título das músicas:
“Heart on My Sleeve”
“Next Generation”
“American Crisis”
“Fireball”
“Forecast of Rain”
“When You Left”
“Siberian Butterfly”
“Everyth!ng to You”
“Racing to the End”
“Baby Needs a Cookie”
“Little Pieces”
“Leather Dreams”
“Password to My Soul”
“The Ocean”
O grupo mineiro Black Pantera lança a pesada “I Can’t Breathe”, composta em referência às últimas palavras de George Floyd, assassinado pela polícia norte-americana no fim do mês passado e estopim dos levantes que têm tomado os EUA na última semana.
Os baianos Giovani Cidreira e Mahal Pita, ex-BaianaSystem, se uniram em um novo projeto produzido pelo guitarrista dos Boogarins Benke Ferraz: Mano Mago mergulha na tradição da música baiana, mas por vias eletrônicas, toques e batuques recriados sinteticamente dando às canções dramáticas e épicas de Giovani uma nova paisagem musical, afrofuturista e sentimental, entre o pagodão, o R&B e o trap. Ficou bonito.
“Um belo dia, tipo no final de 1988, soubemos que Nick Cave & The Bad Seeds viriam, pela primeira vez, ao Brasil. Eu trabalhava na ‘gravadora deles’ no país, a Stiletto, tinha escrito os press-releases dos dois discos lançados ali (Kicking Against the Pricks e Tender Prey) e falava bem inglês. Logo, fui dos primeiros a conhecê-los, num hotel no Rio de Janeiro; conduzi a primeira coletiva, nesse hotel. Lembro que fiz um erro de tradução: o título do romance de estreia do Cave, ‘And the Ass Saw the Angel’, traduzi como ‘E a Bunda viu o Anjo’. Gênio! Mas, no dia seguinte, tomando caipirinha na Barra da Tijuca, onde os Bad Seeds finalmente puderam entrar no mar (levados pelo querido Jose Roberto Mahr), o Blixa Bargeld (guitarrista alemão, líder dos Einstuerzende Neubauten) gentilmente me corrigiu: É ‘E o Burro Viu o Anjo’, uma citação bíblica. Valeu, Blixa. Foi mal.
Eles fizeram dois shows: em 12/04/1989 no Scala (Rio), e em 15/04 no Projeto SP (São Paulo). E hoje, tive a dupla surpresa de ver que o show em SP foi filmado, e que foi bom mesmo, como eu lembrava. PS: Cheguei em cima do show, vindo de BH, onde fui visitar minha namorada. Quando o empresário deles, o Rayner, me viu, disse: ‘Pô, onde você estava? Tentamos te achar. Queríamos que tua banda (o Fellini) abrisse o show!'”
E tá aí o show que Thomas comentou, em toda sua glória em baixa resolução no YouTube, tirado de um VHS que gravou o programa que cobriu o show na época para a TV aberta (pois é…):
“From Her To Eternity”
“Deanna”
“City Of Refuge”
“The Mercy Seat”
“500 Miles”
“Jack’s Shadow”
“Sugar Sugar Sugar”
“Black Betty”
“Train-Long Suffering”
“Muddy Waters”
“Saint Huck”
“New Morning”
Meu convidado desta semana no programa Bom Saber é meu querido amigo, o grande Negro Leo, um dos artistas mais inquietos e instigantes da nova música brasileira. Maranhense deslocado para o Rio no início do século, mudou-se para São Paulo há três anos com sua companheira Ava Rocha e a filha Uma, estabelecendo uma carreira que começou a florescer ainda mais nesta nova cidade. Leo tem feito conexões internacionais e extramusicais, trabalhou como ator na Pretoperitamar, musical que celebrava os 70 anos de Itamar Assumpção, e finalmente prepara a chegada de seu próximo álbum, Desejo de Lacrar, que deve ser lançado em julho deste ano, após quase três anos de gestação, ao lado do baterista Sergito Machado, do baixista Fabio Sá e do tecladista Chicão. O disco seria lançado no final de março, mas a quarentena adiou ainda mais os planos e eu parto deste disco para falar sobre arte, quarentena, lives, São Paulo, política e outros assuntos que fluem nesse papo sempre franco e bem humorado com este jovem mestre.
O Bom Saber é meu programa semanal de entrevistas, atualizado todo sábado em meu canal do YouTube (assina lá!). Já conversei com o Bruno Torturra, a Roberta Martinelli e o Ian Black e quem colabora financeiramente com o meu trabalho (pergunte-me como no trabalhosujoporemail@gmail.com) assiste ao programa no dia do lançamento, no próprio sábado. Quem não paga, assiste na semana seguinte.
A série alemã Dark anuncia sua terceira e última temporada para o final deste mês e a minha dica é reassistir as duas primeiras temporadas neste mês para que sua cabeça não funda de vez!
Essa foi uma dica do Ramiro, que escreveu o texto de apresentação da mixtape. Jorge Dubman, baterista e beat maker do grupo baiano de afro beat Ifá, assume sua persona Dr. Drumah para enfileirar samples, beats e trechos de músicas de todo o continente africano em uma sequência de faixas batizada de The Confinement Vol. 01: Africa, em que mistura sons da Nigéria, do Gana, da Etiópia e de outros países em um trip sônica de quarentena. Sente só:
E essa versão demo de “A Cidade”, gravada na versão pré-histórica da Nação Zumbi chamada Bom Tom Rádio? O grupo era formado por Chico Science, Jorge du Peixe e o produtor H.D. Mabuse. Entre o pós-punk e o hip hop oitentista, dava o recado com a música que depois se tornaria hit nos anos 90, mas com a vibe oitentista que adubou o caminho para o surgimento do mangue beat.