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Angèle vindo aí…

Confesso que esperava mais da colaboração entre a estrela belga em ascensão Angèle e a dupla francesa Justice, mas mesmo assim “What You Want” tem o potencial de se espalhar por diferentes pistas de dança pelo mundo ao mesmo tempo em que aponta para uma nova cena musical surgindo entre os dois países que parece parente da antiga cena French touch, que deu ao mundo os principais referenciais pop franceses que temos até hoje (a safra de grupos que une Daft Punk, Air e Phoenix e é uma geração mais velha que a cena que viu surgir o Justice).

Assista abaixo:  

Dua Lipa, Harry Styles, Rosalía, Geese e a nata do britpop no Brit Awards 2026

A cerimônia do prêmio da indústria fonográfica inglesa – também conhecido como Brit Awards – aconteceu neste sábado pela primeira vez fora de Londres, quando foi sediado na Co-Op Live Arena em Manchester. O evento trouxe alguns números musicais dignos de reverência, como essa deslumbrante aparição surpresa de Dua Lipa, que, descendo de um globo de discoteca, ela participou da homenagem que o prêmio fez ao trabalho do produtor Mark Ronson cantando a música que ele produziu para ela cantar na trilha sonora do filme Barbie, “Dance the Night”. Olha essa mulher, bicho…

Veja mais abaixo:  

On the run #178: Fred again.. x Thomas Bangalter @ Alexandra Palace (27.20.2026)

O prodígio Fred Again conseguiu tirar o Daft Punk de casa… de novo! Depois de tocar ao lado de Thomas Bangalter em outubro do ano passado quando discotecou ao lado do mestre com outros dois de seus ídolos, Busy P e Erol Alkan no Pompidou Centre, em Paris, ele conseguiu que o francês cruzasse o Canal da Mancha para ser seu dupla na noite de sexta-feira, quando encerrou a residência USB002 que fez em fevereiro no Alexandra Palace londrino, quando chamou nomes como Underworld, Mike Skinner, Ezra Collective, entre outros para dividir as noites com ele. Quem compareceu à noite histórica de sexta derreteu ao som de quatro horas e vinte minutos de set que renderam muitos vídeos com as músicas do Daft Punk que eles tocaram, mas que algum herói registrou na íntegra, como dá pra ouvir abaixo:  

30 anos da obra-prima do Pato Fu

O Pato Fu é uma das bandas indie mais importantes do Brasil. Apesar de ter passado boa parte de sua discografia clássica lançando discos por gravadoras multinacionais, o grupo mineiro sempre exerceu sua independência artística e estética em vez de simplesmente ceder a pressões comerciais ou tendências de mercado, como reza o credo de artistas que trabalham com a maioria dessas empresas. Isso está ligado ao modus operandi do grupo (que ainda reside em Belo Horizonte e faz projetos paralelos à vontade), da fundação básica de sua natureza criativa no casal Fernanda Takai e John Ulhoa e a uma certa estranheza que os tornam distantes da possibilidade de abraçar o pop escancarado de artistas como Kid Abelha, Lulu Santos ou Skank. Essa estranheza era aguda em seu disco de estreia (o inominável Rotomusic de Liquidificapum, de 1992, lançado pela gravadora mineira de música pesada Cogumelo), mas alcançou o equilíbrio perfeito no segundo álbum, Gol de Quem?, lançado em 1995 dentro de um selo indie (o Plug) de uma gravadora major (a BMG). Este álbum foi reverenciado pelo grupo em três shows nesta semana no Sesc 14 Bis, quando o grupo tocou sua obra-prima quase na íntegra (tirando, não me pergunte porquê, joias como “Sertões”, “Onofle”, “A Volta do Boêmio”,”Ok! Alright!” e “Ob-La-Di Ob-La-Da”) e ainda emendou um segundo set com vários hits de outras épocas, aproveitando a turnê de comemoração dos 30 anos da banda que fizeram há pouco, passando por “Perdendo Dentes”, “Imperfeito”, “Made in Japan”, “Canção Pra Você Viver Mais”, “Antes Que Seja Tarde”, “Hoji”, “Água” e “Eu”, entre outras. O carisma inabalável do grupo conversava lindamente com as projeções do telão e sua performance no palco, mas o humor mineiro chegou ao extremo quando Fernanda trouxe pães de queijo para distribuir para o público. Inacreditável – e a cara deles!

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Plebe Rude com Jander Ribeiro!

E o reencontro do Plebe Rude com um de seus fundadores, Jander Ribeiro – conhecido pelos fãs como Jander Bilaphra -, que aconteceu nesta sexta-feira no Circo Voador? Segundo vocal marcante da banda brasiliense, Jander deixou o grupo em 2004 e foi substituído pelo pioneiro do punk paulistano Clemente Nascimento, numa formação que manteve-se praticamente intacta desde então, com os outros dois fundadores da banda – o guitarrista e principal vocalista Philipe Seabra e o baixista André X -, com troca apenas de baterista uma vez, quando o ex-Maskavo Roots Rodrigo Txotxa deixou o grupo para a entrada de Marcelo Capucci. O público foi pego de surpresa quando foi ao Circo Voador, no Rio de Janeiro, ver a atual formação da banda tocar seu disco de estreia O Concreto Já Rachou?, que está completando 40 anos, e de repente Jander sobe no palco para dividir os vocais da emblemática “Johnny Vai à Guerra (Outra Vez)”, num momento histórico do rock brasiliense. E seu vocal segue intacto – vale apenas ver também os outros vídeos do show abaixo:  

Neil Sedaka (1939-2026)

Um dos grandes nomes da música pop dos Estados Unidos, o cantor e compositor Neil Sedaka, que morreu nesta sexta-feira, já teria um lugar no panteão do pop se fosse apenas compositor – em mais de seis décadas de atuação, compôs mais de mil músicas. Começou na ascensão do rock’n’roll, mas logo começou a aplicar seu talento no pop sofisticado que era feito no lendário Brill Building, em Nova York, trabalhando ao lado de monstros sagrados da canção dos EUA como Burt Bacharach, Carole King e Neil Diamond. Mas ele mesmo era um popstar e cativava multidões com sua voz aguda, embora sempre longe do que era considerado moderno ou cool. Mas isso não abalou sua biografia, visto que seguia apresentando-se ao vivo até o ano passado. A pena de compositor ele aposentou em 2022.

O terceiro olho de George Harrison

A editora norte-americana Random House acaba de anunciar o lançamento do livro The Third Eye: Early Photographs, que reúne mais de 250 fotos preto e branco e coloridas tiradas por George Harrison entre 1963 e 1970, quando os Beatles se tornaram populares e ele andava sempre com sua Pentax à mão. O livro deverá ser lançado em outubro deste ano e traz uma introdução escrita pelo ex-reitor da Universidade Liverpool Colm Tóibín e epílogo assinado pelo escritor George Saunders. A curadoria das fotos é da viúva do beatle, Olivia Harrison, que também assina um dos textos de introdução da obra.

Quinta quente

Mesmo com a chuva chata que caiu no fim desta quinta-feira, o Porão da Casa de Francisca estava cheio para assistir aos dois shows que reuni em mais uma edição do Inferninho Trabalho Sujo ali. A noite começou com Valentim Frateschi mostrando as faixas de Estreito, seu disco de estreia, muito bem acompanhado por uma bandaça formada por Nina Maia nas teclas e vocais, Amanda Camargo na guitarra e teclados, Quico Dramma na bateria e Thiago Pucci no baixo, enquanto o dono do show, tradicionalmente baixista, assumia guitarra e vocais, sempre transformando suas canções em groovezeiras que não deixavam ninguém parado. A novidade da noite foi quando ele chamou Francisca Barreto para acompanhá-lo nos vocais da única versão da noite, quando dividiram a mágica “Grilos” de Erasmo Carlos. Bom demais!

Depois foi a vez de Francisca Barreto se soltar no Porão da Casa de Francisca. Seguindo com a mesma banda que a vem acompanhando – formada por Bianca Godói na bateria, Valentim Frateschi no baixo, Victor Kroner na guitarra, Thales Hash na viola e Melifona no trompete -, ela tocou seu violoncelo em menos canções, deixando soltar-se como cantora num repertório em que a maioria das canções eram de sua autoria, inclusive mostrando músicas novas, como a que fez para sua irmã gêmea. Das canções alheias, ela manteve sua já clássica versão para “Teardrop” do Massive Attack, “Habana” de Yaniel Matos (seu primeiro single solo) e “Gosto Meio Doce” de Felipe Távora, que dividiu com sua amiga Nina Maia, que subiu como convidada surpresa da noite. Foi demais!

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