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Mais uma do Matt Berninger

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Prestes a lançar seu primeiro disco solo no mês que vem, produzido pelo mestre da soul music Booker T. Jones, o vocalista do The National, Matt Berninger, mostra mais uma nova canção de seu Serpentine Prison, depois de mostrar a faixa-título e “Distant Axis” – e “One More Second” segue o nível das faixas anteriores – e dá pra ouvir o maravilhoso teclado do distinto produtor.

In-Edit totalmente digital

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“O festival online veio pra ficar mesmo e mesmo depois da pandemia a gente cogita continuar com ele também assim”, explica Marcelo Aliche, diretor da edição brasileira do In-Edit, o já tradicional festival de documentários sobre música que acontece em São Paulo há doze anos. Ele é enfático ao dizer que nunca cogitou não fazer o festival e que viu o momento crítico que vivemos como a oportunidade perfeita para transformar-se em um evento digital, inclusive antes das outras versões do festival ao redor do mundo, inclusive a matriz, em Barcelona. “A gente conseguiu realocar recursos que pagariam passagens, hotéis, tráfego de cópias, monitores na sala, festa e tudo isso para a plataforma digital”, conclui.

A partir deste novo formato, o festival segue para além do evento. “Depois do dia 20 a plataforma continua online, os filmes do festivais saem e entra um catálogo próprio, com filmes que estiveram em outros In-Edit e outros mais antigos”, continua Aliche, “o que a gente quer é que seja o maior portal de documentários do Brasil e que seja um lugar de pesquisa, mais do que de entretenimento”.

Entre os destaque, da edição Aliche listou o noruruguês The Men’s Room, Welcome to the Dark Ages, sobre a dupla de provocadores KLF, The Quiet One, sobre o baixista original dos Rolling Stones Bill Wyman, e White Riot, que abriu a edição do festival na última quarta, sobre o movimento antifascista que culminou em festivais de rock na Inglaterra no início dos anos 80 – ele deu mais detalhes sobre cada um dos filmes no CliMatias da quinta passada. E também descolou códigos promocionais para os leitores do Trabalho Sujo assistirem a dez filmes de graça. Quem quiser saber como ganhar, manda um alô lá no trabalhosujoporemail@gmail.com. A programação completa e mais detalhes sobre o festival podem ser encontrados no site do evento, onde estão sendo exibidos os filmes também.

Um ano sem Daniel Johnston

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No dia 11 de setembro do ano passado perdemos o doce e alucinado Daniel Johnston, ícone do rock independente norte-americano e um dos compositores que, de uma forma improvável, bissexta e errática, fez a conexão entre o rock clássico dos anos 60 e o indie rock a partir dos anos 80. Sua família juntou fãs célebres para fazer uma homenagem ao seu legado no aniversário de um ano de morte no espetáculo online (claro) Honey I Sure Miss You – A Tribute To The Life, Art, And Music Of Daniel Johnston, que aconteceu nesta sexta. E entre popstars como Jeff Tweedy, Beck, Devendra Banhart, Phoebe Bridgers e Kevin Morby, quem brilhou mesmo foi o próprio Jonston, que roubou a festa póstuma quando, ao final da apresentação, foi revelado um vídeo do primeiro dia do ano de 1991, em que ele compõe “When I Met You”, que iria gravar três anos depois numa versão sem instrumentos, ao piano, fazendo anotações nos intervalos da composição, num momento único de criação de um gênio ímpar.

É de chorar, diz aí.

DM: Monocultura, politeísmo e I May Destroy You

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Tínhamos outra pauta, mas eu e Dodô preferimos deixar rolar a conversa e passamos pela encenação da dor, Battlestar Galactica, sertanejo com música gaúcha e axé music, Roger Ebert sobre Spike Lee, a linguagem da imagem, mito x palavra, imperialismo maia, I May Destroy You, “Parque Industrial” do Tom Zé e a travessia do Mar Vermelho em mais uma edição desenfreada do DM em que discutimos tudo isso que está aí.

Angel Olsen cantando “Beware of Darkness”

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Como vocês aguentam? Eu não sei como eu aguento! Angel Olsen se recolheu mais uma vez à sua quarentena caseira, pegou seu instrumento e gravou mais uma música deslumbrante: desta vez o conselho ancestral que George Harrison canalizou quando não tinha nem trinta anos. “Beware of Darkness”, um dos grandes momentos do irrepreensível All Things Must Pass (o melhor disco solo de um beatle, diz aí), revisitada pela voz angelical da nossa musa ganha contornos de conselho, consolo e sonho ao mesmo tempo.

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The original is pretty great. I’m just messing around like a tired sad shit Words are good too: “Watch out now, take care Beware of falling swingers Dropping all around you The pain that often mingles In your fingertips Beware of darkness Watch out now, take care Beware of the thoughts that linger Winding up inside your head The hopelessness around you In the dead of night Beware of sadness It can hit you It can hurt you Make you sore and what is more That is not what you are here for Watch out now, take care Beware of soft shoe shufflers Dancing down the sidewalks As each unconscious sufferer Wanders aimlessly Beware of Maya Watch out now, take care Beware of greedy leaders They take you where you should not go While Weeping Atlas Cedars They just want to grow, grow and grow Beware of darkness”

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Que mulher <3 E ainda troca uma ideia com a gatinha no final.

Toots Hibbert (1942-2020)

Mais uma vítima do coronavírus, o mestre jamaicano Toots Hibbert, líder do trio vocal Toots & the Maytals, foi um dos pilares da música de seu país, uma vez que trouxe o gospel e a soul music, que acompanhou sua infância devido à influência religiosa dos pais, adventistas do sétimo dia, para a música da Jamaica. Essa aproximação deu melodia e sinuosidade ao gênero vigente, o rocksteady, fazendo com que ele se transformasse em um outro estilo musical, que o próprio Toots batizaria de reggae, ao lançar “Do The Reggay”, em 1968.

Vai em paz.

Le Voyage dans la Cure

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Robert Smith entra no time de colaboradores do projeto Song Machine, que já conta com outros convidados ilustres como Slowthai, Beck, Elton John, Kano, St. Vincent, Peter Hook e Georgia, entre outros, com a faixa que batiza o primeiro volume, ou melhor, temporada, desta empreitada. No clipe da simpática “Strange Timez”, Smith aparece como a lua e a compilação das faixas que o grupo de desenho animado está lançando desde o início do ano, chamada Song Machine: Season One – Strange Timez, foi anunciada para chegar ao público no dia 23 de outubro.

Na paralela, Smith anunciou no programa de rádio de Steve Lamacq na BBC 6 que terminou o disco novo do Cure, o primeiro em doze anos, já que o último, 4:13 Dream, foi lançado em 2008 (!). “Eu realmente sinto muito por quem tinha planos para esse ano, tem sido um desastre”, contou o líder do Cure na entrevista. “Da minha própria perspectiva, foi ótimo porque já fizemos muita coisa no ano passado. Esse ano tem sido – não só um ano – completamente estranho”, concluiu. Não custa lembrar que ainda em fevereiro, antes de entrar na quarentena, ele anunciou que o Cure já tinha “dois álbuns gravados e uma hora inteira de ruído“. E a sensação de que ele pode estar vindo com mais um disco do calibre de Pornography, Disintegration e Bloodflowers? Sabe como é o Cure na virada de décadas…

Toda uma nova confusão

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Ah o destino… PJ Harvey anunciou que lançaria seus discos em vinil no começo do ano, sempre trazendo material extra de cada um deles, muito antes de Angel Olsen anunciar que tornaria pública a versão crua de seu magistral All Mirrors, do ano passado. Calhou do terceiro disco da cantora inglesa, que completa um quarto de século neste ano, vir em nova versão justamente com todas as versões demo das canções do disco como um disco extra, que chega às plataformas nessa sexta-feira, poucas semanas depois da cantora norte-americana revelar seu Whole New Mess. E as demos de To Bring You My Love chegam a um lugar próximo do disco mais recente de Angel Olsen, mesmo que não traga nenhuma canção inédita ou tenha alternado a ordem das músicas. E embora as versões originais mudem muito pouco e quase não tenha alterações no que diz respeito aos arranjos, elas ganham corpo com a produção final, assinada por PJ ao lado dos compadres Flood e John Parish, dando volume, profundidade, brilho e sombras que às versões espartanas originais, como se a produção do disco da inglesa equivalesse à orquestração do disco da norte-americana. To Bring You My Love – Demos ´é quase um outro disco: cru e intenso, é como se conseguíssemos registrar o momento em que a fotografia analógica é revelada, sem que seja preciso sair do quarto escuro. Um disco que te pega pelo tato, na pele.

Pelados na área

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A presença de dois Uma Enorme Perda de Tempo – o baterista Theo Cecato e o guitarrista Vicente Tassara -, a banda que acompanha a querida Sophia Chablau, ajudou a ficar atento aos Pelados, grupo que ainda conta com a Manu Julian, vocalista do grupo Fernê, na formação. O primeiro single, “O Fim“, ao mesmo tempo doce e melancólico, já dava um gostinho do que poderia vir, mesmo a banda sendo só um projeto de estúdio e nunca ter tocado ao vivo. Entre o indie rock, a soul music, a música eletrônica e o pop clássico, o quinteto tem sua formação completa com as presenças da baixista Helena Cruz e do tecladista Luiz Martins. O disco de estreia, batizado de Sozinhos e gravado no ano passado, originalmente estava planejado para o primeiro semestre e só sai agora devido à pandemia do coronavírus. Produzido pelo pai de Manu, o produtor e músico Antonio Pinto, Sozinhos chega em primeira mão aqui no Trabalho Sujo.

“Apesar de nunca ter rolado shows, a gente já tava ensaiadinho”, conta o baterista. “Acho que num certo sentido o show humaniza o disco, que é super produzido, trazendo versões mais cruas de algumas músicas e opções mais ‘bandísticas’ para alguns arranjos do disco. Assim conseguimos também fazer com que o show e o disco sejam duas experiências diferentes da mesma coisa. Como ainda não estamos em nenhum momento de normalidade, temos optado por fazer vídeos de nós tocando em casa as versões que faríamos nos shows e montado clipes quase ao vivo que estão no nosso youtube e igtv, e vamos continuar lançando esses clipes/shows de uma música só até se tornar viável nos encontramos de novo.”

O nome da banda veio da primeira ideia que tiveram para batizar o grupo. “Veio de uma brincadeira de dar o nome o mais idiota o possível para a banda”, lembra Theo. “Vale pontuar que chamava Pelados Escrotos antes. Quando o disco ficou pronto achamos que fazia mais sentido Pelados, mas acho que o ponto principal do nome é ele ser quase aleatório, ou melhor, ser a primeira ideia que veio na nossa cabeça. A mais idiota, é claro.”

A aura de indie sério da banda mistura-se com referências de dance music e trip hop, mas eles vão além. “Acho que temos as referências centrais como Flaming Lips, Jerry Paper, todos os ícones pops desse mundo, mas também o disco tem um pouco de Roberto Carlos, um pouco de Madonna, um pouco de Mutantes e até um pouco de coisas que nem sacamos que estavam lá”, continua Theo, que aponta as referências de games (em músicas como “Pokémon GO” e “Pousar Lá em Casa”) para o tecladista, embora “esse mundo também tem muito a ver com o universo lírico que trazemos pro disco que é esse mundo da adolescência, das frustrações amorosas e dos momentos solitários dessa vida.”

Não por acaso o disco chama-se Sozinhos, o que conversa ironicamente com o momento que estamos atravessando com a quarentena. “Acho que as letras flertam com temáticas por vezes bobas e outras vezes muito sérias, e acho que é essa mistura que dá a verdadeira temática do disco, nem sempre o que é juvenil é bobo”, conclui Theo. “Acho que poeticamente, o disco imprime nossos traumas, aflições, felicidades, brincadeiras nesse meio que ele fica. Brincadeiras sérias e seriedades debochadas.”

A primeira fase de Joni Mitchell

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A mestra canadense Joni Mitchell mergulha em seu próprio passado e apresenta uma caixa com cinco discos que viaja aos seus anos 60. É o primeiro volume da série Joni Mitchell Archives, que resgata um dos primeiros registros da cantora ao vivo, quando apresentou-se na rádio canadense CFQC AM em 1963. É o ponto de partida da caixa, que passeia por outros shows, demos e gravações caseiras até 1967, incluindo uma apresentação na casa Canterbury, em Ann Arbor, próximo a Detroit, em outubro daquele ano, com quase quatro dezenas de canções divididas em três entradas ao vivo. Tanto este show quanto a primeira apresentação de rádio serão lançados como discos à parte e a caixa, que chega ao público no fim de outubro (e já está em pré-venda), ainda traz um encarte de 40 páginas com textos escritos pelo crítico e cineasta Cameron Crowe. Uma versão que ela gravou para “House Of The Rising Sun” dos Animals naquela primeira emissora, foi liberada para audição.

Eis todas as faixas que entrarão na caixa:

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Disco 1

Radio Station CFQC AM, Saskatoon, Saskatchewan, Canada (ca. 1963)

“House Of The Rising Sun”
“John Hardy”
“Dark As A Dungeon”
“Tell Old Bill”
“Nancy Whiskey””
“Anathea”
“Copper Kettle”
“Fare Thee Well (Dink’s Song)”
“Molly Malone”

Live at the Half Beat: Yorkville, Toronto, Canada (October 21, 1964)

First Set

“Introduction”
“Nancy Whiskey”
“Intro to The Crow On The Cradle”
“The Crow On The Cradle”
“Pastures Of Plenty”
“Every Night When The Sun Goes In”
“Intro to Sail Away”
“Sail Away”

Second Set

“John Hardy”
“Dark As A Dungeon”
“Intro to Maids When You’re Young Never Wed An Old Man”
“Maids When You’re Young Never Wed An Old Man”
“The Dowie Dens Of Yarrow”
“Deportee (Plane Crash At Los Gatos)”
“Joni’s Parents’ House: Saskatoon, Saskatchewan, Canada (February 1965)”
“The Long Black Rifle”
“Ten Thousand Miles”
“Seven Daffodils”

Disco dois

Myrtle Anderson Birthday Tape: Detroit, MI (1965)

“Urge For Going”
“Born To Take The Highway”
“Here Today And Gone Tomorrow”

Jac Holzman Demo: Detroit, MI (August 24, 1965)

“What Will You Give Me”
“Let It Be Me”
“The Student Song”
“Day After Day”
“Like The Lonely Swallow”

Let’s Sing Out, CBC TV: University of Manitoba, Winnipeg, MB, Canada (October 4, 1965)

“Favorite Colour”
“Me And My Uncle”

Home Demo: Detroit, MI (ca. 1966)

“Sad Winds Blowin’”

Let’s Sing Out, CBC TV: Laurentian University, London, ON, Canada (October 24, 1966)

“Just Like Me”
“Night In The City”

Live at the 2nd Fret: Philadelphia, PA (November 1966)

“Brandy Eyes”
“Intro to Urge For Going”
“Urge For Going”
“Intro to What’s The Story Mr. Blue”
“What’s The Story Mr. Blue”
“Eastern Rain”
“Intro to The Circle Game”
“The Circle Game”
“Intro to Night In The City”
“Night In The City”

Disco três

Folklore, WHAT FM: Philadelphia, PA, (March 12, 1967)

“Intro to Both Sides Now”
“Both Sides Now”
“Intro to The Circle Game”
“The Circle Game”

Live at the 2nd Fret: Philadelphia, PA (March 17, 1967)

Second Set

“Morning Morgantown”
“Born To Take The Highway”
“Intro to Song To A Seagull”
“Song To A Seagull”

Third Set

“Winter Lady”
“Intro to Both Sides Now”
“Both Sides Now”

Folklore, WHAT FM: Philadelphia, PA (March 19, 1967)

“Intro to Eastern Rain”
“Eastern Rain”
“Intro to Blue On Blue”
“Blue On Blue”

A Record Of My Changes – Michael’s Birthday Tape: North Carolina (May 1967)

“Gemini Twin”
“Strawflower Me”
“A Melody In Your Name”
“Tin Angel”
“I Don’t Know Where I Stand”
“Joni improvising”

Folklore, WHAT FM: Philadelphia, PA (May 28, 1967)

“Intro to Sugar Mountain”
“Sugar Mountain”

Disco quatro

Home Demo: New York City, NY (ca. June 1967)

“I Had A King”
“Free Darling”
“Conversation”
“Morning Morgantown”
“Dr. Junk”
“Gift Of The Magi”
“Chelsea Morning”
“Michael From Mountains”
“Cara’s Castle”
“Jeremy (Incomplete)”

Live at Canterbury House: Ann Arbor, MI (October 27, 1967)

First Set

“Conversation”
“Intro to Come To The Sunshine”
“Come To The Sunshine”
“Intro to Chelsea Morning”
“Chelsea Morning”
“Intro to Gift Of The Magi”
“Gift Of The Magi”
“Play Little David”
“Intro to The Dowie Dens Of Yarrow”
“The Dowie Dens Of Yarrow”
“I Had A King”
“Intro to Free Darling”
“Free Darling”
“Intro to Cactus Tree”
“Cactus Tree”

Disco 5

Live at Canterbury House: Ann Arbor, MI (October 27, 1967)

Second Set

“Little Green”
“Intro to Marcie”
“Marcie”
“Intro to Ballerina Valerie”
“Ballerina Valerie”
“The Circle Game”
“Intro to Michael From Mountains”
“Michael From Mountains”
“Go Tell The Drummer Man”
“Intro to I Don’t Know Where I Stand”
“I Don’t Know Where I Stand”

Third Set

“A Melody In Your Name”
“Intro to Carnival In Kenora”
“Carnival In Kenora”
“Songs To Aging Children Come”
“Intro to Dr. Junk”
“Dr. Junk”
“Morning Morgantown”
“Intro to Night In The City”
“Night In The City”
“Both Sides Now”
“Urge For Going”