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Altos Massa: Cada vez mais solitários

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É a quarentena que está nos deixando mais solitários ou já vivíamos assim mesmo quando podíamos nos aglomerar? Ficar só é bom ou ruim? O quanto a privação de contato com outras pessoas afeta o nosso lado psíquico mas também nos ajuda a entrar em contato com nós mesmos? E nesta edição do Altos Massa, eu e Pablo Miyazawa mergulhamos num tema que pode ser incômodo pra muita gente, mas que é uma das principais características de nossos tempos: a solidão.

Spencer Davis (1939-2020)

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Morreu nesta terça-feira, vítima de pneumonia., Spencer Davis (à esquerda na foto acima), o líder do Spencer Davis Group, um dos protagonistas da cena inglesa dos anos 60. Ele fundou o grupo em 1963, ao lado dos irmãos Muff e Steve Winwood e do baterista Peter York e emplacou vários hits na época, como “Keep On Running”, “Somebody Help Me” e “I’m A Man”, mas sempre será lembrado pelo hit “Gimme Some Lovin‘”.

Cine Ensaio: Sobre remakes e refilmagens

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Durante muitos anos, adaptações de outras mídias, continuações e refilmagens minaram a criatividade e as histórias originais dos filmes mais comerciais do mundo, mas isso acabou vilanizando um dos principais exercícios cinematográficos que existem: o remake. Recriar um filme em outra época é da natureza do próprio cinema e vai para além das simples citações e referências. Refilmagens nos mostram clássicos antigos, releituras autorais e filmes que passaram batido sobre contextos novos e mais desafiadores – e é claro que tem muita bomba no meio, não dá pra mentir. Mas entre Scarface e Vanilla Sky, Gaiola das Loucas e Os Infiltrados, Bravura Indômita e Oldboy, Cabo do Medo e Robocop, mostramos que há vida inteligente na recriação de títulos do passado.

Liberta, Sharon Van Etten!

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Sharon Van Etten mostra a “Let Go”, canção que fez para o documentário Feels Good Man, que acaba de estrear na PBS norte-americana (veja o trailer aqui) e que conta a trágica história de Pepe, um sapo personagem de quadrinhos que há dez anos começou a ser utilizado como símbolo da extrema-direita. Melancólica e densa na mesma medida, “Let Go” tem várias camadas e é sua primeira composição inédita que lança desde Remind Me Tomorrow, o ótimo disco que lançou no ano passado.

Todo o Show: Metá Metá no Sesc Pompeia, 2020

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Eis a íntegra da apresentação do Metá Metá, a melhor banda do Brasil, dentro da programação do Sesc Ao Vivo, sexta passada. Não tem o apuro visual da direção da live que fizeram na Casa de Francisca, mas é Juçara e um microfone, Thiago e seu sax, Kiko e seu violão – não precisa de mais que isso pra que eles estremeçam o chão, sempre.

“Exu”
“Vale Do Jucá”
“São Jorge”
“Ossanyn”
“Atoto”
“Samuel”
“Trovoa”
“Sozinho”
“Let’s Play That”
“Na Multidão”
“Tristeza Não”
“Vias De Fato”
“Obá Iná”
“Obatalá”

Vida Fodona #684: Festa-Solo (12.10.2020)

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Será que hoje é o último Festa-Solo às segundas-feiras? Confere no twitch.tv/trabalhosujo a partir das 21h… O da semana passada foi assim:

Stevie Wonder – “Ordinary Pain”
Kool & The Gang – “Jungle Boogie”
Curtis Mayfield – “Move on Up”
Ike & Tina Turner – “Livin’ for the City”
Gil-Scott Heron + Brian Jackson – “The Bottle”
Tim Maia – “Guiné Bissau, Moçambique e Angola”
Jorge Ben – “Eu Vou Torcer”
Neville Brothers – “In the Still of the Night”
Caetano Veloso + Banda Black Rio – “Odara”
Funkadelic – “One Nation Under a Groove”
Chromeo – “Clorox Wipe”
Jessie Ware – “Ooh La La”
Dua Lipa – “Hallucinate”
New Order – “Blue Monday”
Pet Shop Boys – “Left to My Own Devices”
Madonna – “Beautiful Stranger”
Lulu – “The Man Who Sold The World”
Chromatics – “The Page”
Kanye West + Pusha T – “Runaway”
Juliana R. – “Dry These Tears”
David Bowie – “Across the Universe”
Caetano Veloso – “For No One”
Siouxsie and the Banshees – “Dear Prudence”
Booker T & The MG’s – “Golden Slumbers”/”Carry That Weight”/”The End”
Booker T & The MG’s – “Here Comes the Sun”
Booker T & The MG’s – “Come Together”
Beatles – “Something (Instrumental)”
Beatles – “Oh! Darling (Instrumental)”

Zé Manoel 2020: “O que me causa dor, vira poeira”

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“Eu sonhei com essa música cantada por um coro, desses característicos de terreiros de candomblé, acompanhado por tambores vibrantes, uma coisa linda”, lembra Zé Manoel ao falar sobre “Adupé Obaluaê”, single que antecipa seu próximo álbum, Do Meu Coração Nu, que chega às plataformas digitais na próxima sexta. “Acordei com a música reverberando… ‘Adupé meu pai Obaluaê… ‘ Na mesma hora peguei o celular e gravei a música, já acompanhando com o piano da forma que toquei na gravação do disco.” A faixa, como o disco, tem produção do baiano Luisão Pereira, que também toca o baixo da música e conta com arranjo de sopros escrito pelo maestro Letieres Leite. “É a faixa mais importante do disco”, conta o pianista pernambucano, “por isso resolvemos abrir os trabalhos com ela”, conta Zé Manoel.”

Salve!

Julico caindo no groove

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O guitar hero da banda sergipana The Baggios, Julico Andrade, está quase lançando seu primeiro disco solo, Ikê Maré, que sai no final do mês. Além das três músicas que já mostrou, ele lança “São Cristóvão Via Niger”, o último single antes do lançamento do disco, este em parceria com a cantora conterrânea Sandyalê, em que reforça a transição do rock para o groove brasileiro dos anos 70, com uma pitada de soul gringo e outra de psicodelia, que já tinha sido sinalizada no single em parceria com Curumin (“Todo Dia É Santo”).

Ele aproveita para antecipar em primeira mão para o Trabalho Sujo tanto a capa do novo disco (que ilustra o post), como a ordem das faixas (abaixo).

“Ikê Maré”
“Nuvens Negras”
“Aonde Viemos Parar”
“Todo Dia É Santo” (com Curumin)
“Eu São / Curtis Says”
“Surfista DeTrem”
“Caípe Novo”
“Outrora”
“Paramopama / Vaza-Barris” (com Winnie)
“Rosimari”
“Pelejamor”
“São Cristóvão Via Niger”(com Sandyalê)
“Caípe Velho”

Sobre música e redes sociais

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Fui chamado pelo pessoal do Radiocast, podcast do festival baiano Radioca, para fazer uma provocação para os convidados da edição de sexta passada, quando Caio Braz, Josyara e Martín Giraldo discutiram a relação entre música e redes sociais nesta virada de década. Minha fala rola aos 54 minutos, mas o papo inteiro, com mediação de Carol Morena e Ronei Jorge, vale à pena ser ouvido.

Beabadobee prometeu… e cumpriu

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Que maravilha esse Fake it Flowers que a sensação indie inglesa Beabadobee acaba de lançar – cumprindo exatamente o que prometia desde que apareceu em nosso radar querendo ser Stephen Malkmus. Ela reúne a doçura e o peso que os anos 90 tão bem juntaram, fazendo-os voltarem a fazer sentido juntos 20 anos depois – longe dos arremedos passados de cenas tão diferentes quanto os emos e os nu metal. E a perspectiva histórica mistura Alanis Morrissette, Hole, Smashing Pumpkins, Pavement, Foo Fighters, Sugar, Verucca Salt e Elastica como um mesmo caldo musical histórico, que funciona maravilhosamente sobre suas doces e inquietas canções. O show que ela fez ao vivo para comemorar o lançamento do disco – com suas flores de plástico espalhadas entre a banda lembrando o Acústico do Nirvana e uma garota no baixo – só reforça essa sensação.

Quem estava esperando a volta dos anos 90 mesmo? Tá aí. Não vejo a hora de ela encontrar com a Courtney Barnett…