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DM: A derrota de Trump e o Brasil em 2030

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A eleição de Joe Biden ainda não estava definida quando eu e Dodô gravamos a edição desta semana do DM, em que falamos sobre como a derrota de Trump impacta culturalmente no planeta mais do que sua complexa derrota política – e isso diz respeito não apenas às próximas eleições no país (tanto a desse ano quanto a próxima, daqui a dois anos) como no futuro próximo que, de repente, parece mais promissor do que dez anos atrás.

“Paranoid” na cadeia?

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Robert Fripp, o líder do King Crimson, entregou-se aos devaneios de sua esposa, a cantora Toyah Willcox, e juntos os dois vêm passando a quarentena experimentando possibilidades no YouTube – mas neste Halloween chegaram ao ponto mais crítico até agora, quando misturaram uma versão apenas em que Fripp toca em sua Les Paul com o rosto e o braço coberto de tatuagens temporárias a clássica “Paranoid” do Black Sabbath enquanto Toyah, do outro lado de uma grade (seria uma cadeia ou um cofre?) canta a canção numa performance memorável.

Atualização: E olha essa versão para “Whole Lotta Love” (que no final vira “Kashmir”) e um chicote que eles fizeram no domingo…

Os dois vídeos são chamados de “Sunday Lockdown Lunch” – o almoço de domingo do enclausuramento e, pelo jeito, isso vai longe, hein… Tomara!

Vanusa (1947-2020)

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Vanusa, que despontou no final da Jovem Guarda e se transformou em uma das principais popstars do Brasil nos anos 70, morreu neste domingo numa casa de repouso em Santos. Infelizmente mais lembrada por sua infame pela versão que fez do Hino Nacional e tornou-se meme, ela atravessou aquela década como referência de mulher moderna que, mesmo casada e mãe de família (era esposa de Antônio Marcos e mãe dos futuros artistas Aretha e Rafael Vanucci), tinha sua própria independência, questão delicada há meio século, ela tem grandes momentos em sua errática discografia, como é o caso do disco que leva seu nome de 1973 que eu pincei há tempos aqui no Trabalho Sujo.

Itamar Assumpção: “Eu vim foi pra tocar mais fogo neste inferno”

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O mestre Itamar Assumpção ressurge na póstuma “Beleléu Via Embratel”, faixa produzida por sua filha Anelis, que traz participações de nomes como Liniker, Vange Milliet e Tata Fernandes nos vocais de apoio, com Paulo Le Petit no baixo e Luiz Chagas na guitarra (ambos integrantes de sua clássica Isca de Polícia), Marquinho Costa na bateria e Edy Trombone no instrumento de sua alcunha. A faixa, originalmente composta para o festival MPB-Shell de 1981, nunca teve registro oficial e essa ressurreição também anuncia o tão aguardado MU.ITA, o Museu Virtual Itamar Assumpção que Anelis vem desenvolvendo e que deve ser apresentado finalmente no próximo dia 20.

Que maravilha!

Sobre jornalismo no Brasil hoje

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Seguindo a série de diagnósticos sob encomenda que fiz pra Urubu (o primeiro deles foi sobre música brasileira), desta vez dou meus pitacos sobre o estado da imprensa no país.

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⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀ “Os jornalistas que tentaram montar as suas próprias redações, no final das contas, acabaram sendo vítimas da violência do estado, como continuam sendo até hoje.” ⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀ No segundo vídeo da série “Música e Jornalismo no Brasil, Matias analisa a história jornalismo brasileiro a partir das transformações políticas, culturais e midiáticas dos últimos setenta anos. ⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀ Alexandre Matias, renomado jornalista de cultura, comportamento, tecnologia e música, é criador do Trabalho Sujo. Site que há 25 anos, tem um papel de vanguarda na cobertura das transformações culturais e digitais na produção e consumo de conteúdo e comunicação no Brasil. Atualmente, se dedica a produção de conteúdo para o site, youtube e newsletter do Trabalho Sujo, ao mesmo tempo que vive um processo de abandono do Twitter, Instagram e Facebook, redes sociais que ele enxerga e detecta com cada vez menos relevância jornalística. ⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀ Tenso é uma série de encontros, conversas e reflexões entre a Urubu e aqueles que não coincidem perfeitamente com o seu tempo. ⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀ @trabalhosujo

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Vida Fodona #689: Festa-Solo (6.11.2020)

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Sexta-feira é o novo dia da minha discotecagem ao vivo no Twitch.tv/trabalhosujo a partir das 23h45… e esse de sexta foi assim…

R.E.M. – “Shiny Happy People”
Smashing Pumpkins – “Cherub Rock”
Air – “Playground Love”
Nina Becker – “Tok Tok”
TLC – “Waterfalls”
The Internet – “Roll (Burbank Funk)”
Frank Ocean – “Lost”
Dirty Projectors – “Lose Your Love (Chromeo Remix)”
Marvin Gaye – “Got To Give It Up (Part 1)”
Dua Lipa – “Future Nostalgia”
Justice – “D.A.N.C.E.”
Bananarama – “Cruel Summer”
Chromatics – “Lady”
Daft Punk – “Lose Yourself to Dance”
Indeep – “Last Night A D.J. Saved My Life”
Herva Doce – “Amante Profissional”
Doja Cat – “Say So”
Chic – “Good Times”
Marcelo D2 – “Pilotando o Bonde da Excursão”
Dr. Dre + 2Pac – “California Love”
Dr. Dre + Snoop Dogg – “Gin And Juice”
Dr. Dre + Snoop Dogg – “Nuthin’ But A ‘G’ Thang”
Dr. Dre – “Let Me Ride”
Parliament – “Mothership Connection (Star Child)”
Curumin – “Guerreiro”
Originais do Samba – “Falador Passa Mal”
Baiano & Os Novos Caetanos – “Vô Batê Pa Tu”
Donna Summer – “I Feel Love”
Primal Scream – “Swastika Eyes”
Chemical Brothers – “Out of Control”
LCD Soundsystem – “One Touch”
Electronic – “Getting Away With It”
Rapture – “House of Jealous Lovers”
Rihanna – “Don’t Stop The Music”
Michael Jackson – “Wanna Be Startin’ Somethin'”
Michael Jackson – “Billie Jean”
Miike Snow – “Animal (Mark Ronson Remix)”
Magic – “Rude”
Police – “Don’t Stand So Close To Me”
Max Romeo & The Upsetters – “I Chase The Devil”
Chawala – “Exodus Dub”
Primal Scream – “Duffed Up”
Beck – “Debra”
Isaac Hayes – “Never Can Say Goodbye”
Rihanna – “Needed Me”
Frank Ocean – “Pyramids”
Flora Matos + Stereodubs – “Pretin (Verão Parte 1)”
Lurdez da Luz + Alexandre Basa – “Liri sista”
Banda Mel – “Prefixo do Verão”
Daniela Mercury – “Nobre Vagabundo”
Skank – “Garota Nacional”
Vinny – “Mexe a Cadeira”
Apache Indian – “Boom Shack-A-Lak”
Radiohead – “Idioteque”
David Bowie – “Rebel Rebel”
Midnight Juggernauts – “Shadows”
Kavinsky – “Nightcall”
Dave Brubeck Quartet – “Take Five”
Vince Guaraldi Trio – “Linus And Lucy”
Tulipa Ruiz – “Às Vezes”
Metronomy – “The Bay”
Paul McCartney – “Monkberry Moon Delight”
Legião Urbana – “Plantas Em Baixo Do Aquário”
Doors – “Been Down So Long”
JJ – “Ecstasy”
Angel Olsen – “Special”
Beatles – “Blue Jay Way”

Vida Fodona #688: Não se decide

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Nesse compasso de espera…

Donna Summer – “On the Radio”
The Weeknd + Kenny G – “In Your Eyes (Remix)”
Chemical Brothers – “Star Guitar”
Guilherme Arantes – “Deixa Chover”
Letrux – “Abalos Sísmicos”
Erasmo Carlos – “Mané João”
Karina Buhr – “Amora”
Metronomy – “The Light”
Cut Copy – “Like Breaking Glass”
Arcade Fire – “Porno”
Jessie Ware – “Adore You”
Daryl Hall & John Oates – “I Can’t Go For That (No Can Do)”
Daft Punk – “Oh Yeah”
Kraftwerk – “Showroom Dummies”
Tyler the Creator – “What’s Good”
Céu – “Nada Irreal”
Pavement – “The Hexx”

Em busca de “Amarildo”

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“Esse refrão surgiu pra mim depois de um ensaio com a Juçara Marçal para um episodio da série Cantoras do Brasil em homenagem à Isaurinha Garcia. Uma das músicas, ‘Sem Cuica Não Tem Samba’, falava do encontro do corpo de Laurindo numa ribanceira no morro de mangueira e outro, ‘Procura o Miguel’, fala de um desaparecido ‘há quatro semanas’. coincidentemente o assunto do desaparecimento do Amarildo estava no noticiário por conta de uma decisão sobre indenização. Laurindo, Miguel, Amarildo são todos personagens cariocas vítimas de alguma violência”, lembra o produtor e compositor Maurício Tagliari, puxando pela memória a origem do single que lança em primeira mão no Trabalho Sujo, no dia de seu aniversário. O clipe é dirigido por seu filho, Daniel Tagliari.

Ele explica porque o samba “Amarildo”, gravado ao lado de Rodrigo Campos, Mauricio Badé, Janine Matias e Val Andrade, ficou de fora de Maô: Contraponto de Fuga da Realidade, que lançou no ano passado. “Fiquei um tempo mexendo na música mas quando fui gravar meu primeiro disco solo, ela ficou de fora porque eu e meu produtor Jesus Sanches decidimos não fazer um disco só de samba. Metade do disco já era samba. E naquele momento eu também achei de alguma forma um pouco ‘oportunista’ tratar desse assunto num primeiro disco. Depois de ter lançado um segundo disco bem mais experimental eu me senti mais à vontade para gravar algo mais ‘engajado’. Na verdade me senti impelido diante de tanta barbárie e violência que se manifestou após a eleição de 2018. Meu Amarildo é uma personagem arquetípica, uma vítima da violência não se sabe se do estado ou de milícias. Mas em comum com o Amarildo real é que seu corpo não aparece. Eu gosto de pensar que ele foi batizado em homenagem ao Amarildo do Botafogo e da seleção brasileira que brilhou substituindo Pelé na Copa de 62. Por isso descrevo um cara de boa, que joga bola, toca cavaco e não quer encrenca. E de repente, mesmo assim, é arrastado de alguma forma por aquele universo sem segurança, sem instituições confiáveis.”

“Nunca vi algo tão ruim como o que estamos vivendo”, reclama, “como artista, sinto que fui sendo direcionado para colocar na rua meu trabalho solo justamente pela percepção de uma piora da situação. um certo dever de botar a boca no trombone.”

A canção é o primeiro single de seu próximo disco, o terceiro álbum da série Maô, cujo subtítulo é Allegro Dentro do Possível e que está previsto para o ano que vem. Este álbum segue Falta de Estudo #1, que foi gravado e lançado logo no início da quarentena. “A ideia desse novo trabalho é um pouco uma síntese dos dois primeiros. No primeiro me apoiei muito nos amigos, parceiros, músicos e intérpretes. Tanto que somente uma música cantei sozinho e somente uma outra não era parceria. No segundo fiz tudo, de ponta a ponta, incluindo criar, tocar, gravar, mixar, fazer a capa. Nesse terceiro a maior parte das músicas será só de minha autoria mas terei participações e colaborações gravadas à distância. posso confirmar, por enquanto, Cuca Ferreira, Thiago França, Rodrigo Campos, Guilerme Kafé. outras estão já encaminhadas mas não confirmadas. por isso prefiro não comentar ainda.”

E além disso, ele prepara singles inéditos ao lado de Juliana Perdigão (“Yamamoto”), Guilherme Kafé (“Vaso Quebrado”) e Lenna Bahule (“Diabim”), além das atividades da YB, sua gravadora, que andam intensas. Além de terem lançado de discos do Negro Leo, Guilherme Held, Ava Rocha, Joana Queiroz e outros, também vem fechando parcerias com outros selos, como Disgrama, QTV, Matraca, Mundaréu Paulista, São Mateus e Alea. “Uma coisa muito interessante foi que aquilo que era quase impossível no mundo real, encontrar e reunir todo ou boa parte do elenco para se conhecer, trocar experiências e ideias, foi possível nesse mundo das reuniões virtuais. temos feito reuniões mensais e isso deve produzir colaborações interessantes em breve.”