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A voz arrebatadora de Giovani Cidreira

Giovani Cidreira fez bonito nesta quinta-feira no teatro do Sesc Pompeia, quando lançou seu disco ao vivo Coração Disparado. Como no álbum, o baiano subiu ao palco sozinho com o violão, um teclado discreto e alguns efeitos para mostrar suas próprias canções – entre clássicos pessoais e músicas inéditas – num disco que teve direção de Rodrigo Gorky e participação especial de Benke Ferraz, dos Boogarins, que desta vez foi substituído pelo discreto João “Irmãozinho” Vítor, que entrou pela metade da apresentação para criar uma nova camada musical à sombra do violão expansivo e da voz arrebatadora de Cidreira, que, como de praxe, desatou a conversar entre as canções. Num dado momento, ao comemorar a chegada das festas de São João, fez troça com a plateia que pareceu não se animar com a novidade (até que Felipe Vaqueiro, na plateia, avisou que os paulistanos chamam estas comemorações de festa junina e não apenas de São João, como no nordeste), e aproveitou para falar da influência dos festejos desta temporada em sua formação – e o que era uma desculpa para mostrar sua versão para “Timidez”, do grupo cearense de forró Cavalo de Pau (que está no disco recém-lançado), serviu para que ele improvisasse uma inacreditável versão a capella para “Pau de Arara” de Luiz Gonzaga. Logo em seguida, pediu vaias para duas bandas – Legião Urbana e Los Hermanos – para cantar uma música da qual fosse mais vaiada. Calhou de ser o quarteto carioca, de quem Giovani cantou uma bela versão para “Último Romance” (quando esqueceu a palavra “sufoco” e inventou um tal “suflego” entre risos), coroando uma apresentação belíssima.

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Alicia Keys segue cantando o novo hino de Nova York

A vitória dos Knicks no campeonato estadunidense de basquetebol no fim de semana passado está transformando um hit de quase vinte anos em um novo hino da maior cidade daquele país – e sua voz-chefe segue cantando-a, como aconteceu nesta quinta-feira, num show que Alicia Keys deu ao ar livre no parque City Hall. Cercada dos jogadores do time de basquete e do atual prefeito da cidade Zohran Mamdani, ela, como fez após a vitória do time no show de encerramento do festival de cinema Tribeca, começou puxando “New York State of Mind”, de Billy Joel, ao piano para em seguida engatar sua clássica “Empire State Of Mind”, cantada a plenos pulmões por todos os presentes.

Veja abaixo:  

Bob Dylan cantando “I Shall Be Released” em 2026… em vídeo!

Na semana passada, Bob Dylan desenterrou o hino “I Shall Be Released” ao apresentar-se na cidade de Eugene 18 anos depois de tocá-lo pela última vez – sorte que alguém conseguiu levar um gravador para registrar esse momento. O show em Los Angeles, na terça passada, teve um gostinho ainda melhor pois, além de voltar a tocar uma das músicas mais importantes de seu repertório (e não são poucas, sabemos!), conseguimos ter o registro em vídeo deste momento (apesar do baixista Tony Garnier se mexer logo no começo da música e ficar exatamente na frente de Dylan, sentado ao piano).

Assista abaixo:  

Unidos pela psicodelia instrumental

Sexta-feira marca o primeiro dia de uma parceria de duas instituições do rock paulistano quando o guitarrista Edgard Scandurra inicia seu projeto em parceria com o trio instrumental Ema Stoned ao lançar a música “Cinza das Horas”, primeira colaboração dos dois, que eles antecipam em primeira mão para o Trabalho Sujo. A parceria segue no próximo domingo, quando os dois dividem a noite com o Violeta de Outono em uma apresentação na Casa Natura Musical e começam a preparar o território para o lançamento com maior fôlego, uma vez que o encontro está rendendo novas composições. Há um ano, o guitarrista do Ira! assistiu a um show da banda na Porta, em São Paulo, e ao ver o trio formado por Alê Duarte (guitarra), Elke Lamers (baixo) e Theo Charbel (bateria) em ação, lembrou das músicas instrumentais que vinha trabalhando há um tempo. “Tive um ímpeto, coisa que eu não costumo fazer, de ir falar com elas depois do show e chamei elas pra fazer um som comigo”, explica Edgard. “Eu já tinha um repertório de umas doze músicas que eu tava querendo montar uma banda pra registrar esses sons, e elas acharam interessante o convite. A gente se encontrou num estúdio na casa da Theo, começou a marcar uns ensaios e deu uma puta liga”. “Desde o primeiro encontro, tivemos uma conexão musical quase que instantânea que gerou uma troca muito rica de referências, influências e visões sonoras”, continua a guitarrista Alê Duarte. “O Edgard chegou com muitas – muitas! – ideias e abertura pra gente explorar os sons, escolher temas e criar com ele caminhos e desfechos musicais”, emenda Elke, “a música parece que tem vida própria, a gente vai só alimentando e norteando, dosando a imaginação pra ela caber num set e a gente poder tocar por aí”. ” Edgard conclui: ““Mas o que eu achei muito salutar, que pra mim é um desafio que eu amo, é que o trabalho deixou de ser as minhas músicas com elas me acompanhando pra elas ganharem um protagonismo muito grande nas composições e criamos um espírito de banda”.

Ouça abaixo:  

Godspeed You! Black Emperor no Brasil!

Mais um golaço da Balaclava: Godspeed You! Black Emperor apresenta-se em São Paulo em data única na Áudio, no dia 23 de novembro. Papas canadenses do pós-rock, são autores de duas obras-primas do gênero (os discos F#A#∞ e Lift Your Skinny Fists Like Antennas To Heaven, lançados na virada dos anos 90 para os anos 2000), e tocam pela primeira vez no Brasil toda sua carreira. Os ingressos já estão à venda.

Boneca Russa revelada

Rômulo Fróes sabe do ás que ele tem na manga e ao chamar Marcelo Cabral para produzir e arranjar seu disco recém-lançado Boneca Russa acrescentou mais uma camada de sentido a um disco feito após um divórcio. Samba-réquiem lançado cirurgicamente na quarta-feira de cinzas deste ano, o disco conta apenas com o baixista como coadjuvante, papel que eleva-se para além do protagonismo principal quando o disco se materializa ao vivo, como aconteceu nesta quarta-feira no pequeno auditório do Sesc Pinheiros. E por mais que Rômulo seja o personagem principal – embora, liricamente, sujeito oculto do disco -, ao deixar Cabral transformar seu baixo acústico em uma usina de som, colocando pedais e loops a serviço do ruído que, às camadas, verte-se em música, ele joga o holofote para o lado e guia seu disco de pesar para a inventividade sônica do compadre e, com isso, à musicalidade de seus sambas e, portanto, seu sentimento para além das letras. Tocado na ordem do disco e terminando com a música que batiza sua filha (composta quando ela nasceu), Boneca Russa ao vivo é o disco em sua natureza bruta, emoção intensa que, se no registro fonográfico fica contida, no palco se esparrama, mas sem nunca entornar. Se puder ver esse show, assista.

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É oficial: Faith No More vai voltar!

Depois da súbita notícia de que o Faith No More voltará aos palcos no ano que vem (e graças à produtora brasileira 30e), nenhum anúncio oficial foi feito, mas tanto o baixista Bill Gould quanto o tecladista Roddy Bottum e o vocalista Mike Patton já começaram a atiçar as expectativas dos fãs. Os dois últimos publicaram uma foto juntos no Instagram enquanto o baixista deu uma entrevista ao programa Rock Talk, apresentado por Jadranka Jankovic Nesic, explicando que, devido à fisicalidade da música do grupo, eles têm de aproveitar enquanto ainda conseguem tocá-la ao vivo e confirmou a volta da banda aos palcos com todas as letras.

Assista abaixo:  

Aimee Mann ♥ Rush

Um dos grandes momentos da volta do Rush no início deste mês foi a participação surpresa da cantora Aimee Mann na versão ao vivo que fizeram para “Time Stand Still”, hit da banda nos anos 80 que nunca havia sido tocado no palco com a presença de sua cantora convidada. Mas para ela não foi fácil, como ela conta em um quadrinho (feito por ela mesma) que acaba de publicar em sua conta no Instagram, quando revela a indecisão em aceitar o convite (por pura insegurança), como ficou mal por deixar a banda à espera e como foi bem aceita por Geddy Lee e Alex Lifeson e pelos próprios fãs da banda. É isso aí: até a Aimee Mann pode ter síndrome de impostora – mas o principal dessa história é que ela a superou e foi lá mostrar seu brilho como todos esperavam. Que maravilha.

Veja abaixo:  

O livro definitivo sobre o Velvet Underground pode ter desenterrado uma música perdida do grupo!

Lançado esta semana nos EUA, o calhamaço Do What You Fear The Most de Richie Unterberger promete ser o livro definitivo sobre o Velvet Underground. Com mais de 800 páginas e reunindo mais de 100 entrevistas sobre a seminal banda que inventou a vanguarda pop como a conhecemos hoje, o livro ainda pode ser responsável por desenterrar não apenas a gravação de um show que muitos nunca tinham ouvido falar mas uma música do grupo que nunca foi ouvida para além desse show. Uma das fontes do livro, o músico e escritor Ryan H. Walsh (autor do livro Astral Weeks: A Secret History Of 1968, sobre o disco clássico de Van Morrison), revela em sua conta no Tumblr que, ao ser procurado por Unterberger para falar sobre a banda, revelou um segredo que havia descoberto há pouco tempo. Ele mesmo narra:

“E se eu te dissesse que, durante a pandemia, Phil Milstein, fundador da Velvet Underground Appreciation Society, me procurou pra ver se eu queria trabalhar com ele num mistério sobre o Velvet que ele havia descoberto e, mais impressionante que tudo, uma ‘nova’ canção do Velvet que ninguém nunca ouviu antes e que é fantástica? Phil e eu a chamamos de ‘I Don’t Really Care About You’, enquanto Richie a chama de ‘I Don’t Much Care for the Things That You Do’.”

“Phil e eu passamos a gravação para alguém que está querendo lançá-la oficialmente. Eu tenho grandes expectativas que acontecerá mais rápido do que a gente pensa. Mas é tudo que posso dizer por enquanto.”

“Eu não posso esperar a hora das pessoas ouvirem essa fita para contar nossa pequena aventura para ouvi-la, catalogá-la e buscar os detalhes adicionais sobre quando e como isso aconteceu. Fiquem ligados.”

Segundo o livro, a música foi tocada em agosto de 1967, em Boston, no que parece ser uma gravação em estúdio ou sala de ensaio, mas que pode ter sido um show com uma pequena plateia. Que boa notícia!

Beabadoobee vintage digital

Não é só Olivia Rodrigo com seus fones de ouvido com fio e laptops que está puxando uma tendência vintage retrô com aparelhos do início do século (na verdade, é bem mais profundo que isso, se você procurar por cyberdecks vai descobrir uma subcultura tecnofeminina gigantesca). E reforçando essa tendência na superfície do mainstream, quem se junta a esse time é a anglofilipina Beabadoobee, que mandou para alguns fãs unidades do velho iPod Shuffle com sua nova música, “The Sun Has Set”, que anuncia a chegada de seu quarto álbum, que ainda não tem título nem data de lançamento. O single, ao que tudo indica, sai nessa sexta-feira e já pode ser ouvido no próprio site (outra tendência digital vintage) da cantora.

Ouça abaixo: