Trabalho Sujo - Home

Mister Sam (1946-2026)

A própria Gretchen – sua maior criação – foi quem anunciou a morte do DJ argentino Mister Sam, que aconteceu nesta segunda-feira. Um dos principais produtores pop do Brasil na virada dos anos 70 para os 80, ele criou e consolidou as carreiras de artistas pouco lembrados pela história canônica da nossa música, mas que ainda sobrevivem na memória de quem viveu aquele período – como Nahim, Dominó, Sharon, Gugu Liberato, Lady Lu, Rita Cadillac e, claro, Gretchen.

Hayley Williams + Jeff Tweedy ♥ Unknown Mortal Orchestra

Já temos o principal concorrente da categoria “Eu sou mais indie que você” de 2026, quando o líder do Wilco e a líder do Paramore se juntaram para, juntos, cantar a música que botou o Unknown Mortal Orchestra no radar público há quinze anos num programa de TV! De todas as canções do mundo, a excelente dupla formada por Hayley Williams e Jeff Tweedy (quero um disco deles JÁ!) pinçou a música que fez o mundo indie descobrir a banda do neozelandês Ruban Nielson em 2011, faixa de abertura do disco homônimo de sua banda, no programa do Stephen Colbert na TV norte-americana nesta segunda-feira. E dá gosto ver a Hayley esmmerilhando no theremin! Bom demais!

Assista abaixo:  

Timbres e beats

Em mais uma incursão sonora ao cerne da guitarra na temporada Abriu o Fuzz que Guilherme Held está fazendo no Centro da Terra, a noite desta segunda assistiu não só a um encontro de dois samurais de seus instrumentos como a primeira vez em que Held dividiu o palco com Lúcio Maia, que admira desde que o conheceu nos primórdios da Nação Zumbi, ainda como ouvinte, nos anos 90. Os dois se conheceram nos bastidores da vida há anos, ficaram amigos mas nunca haviam tocado juntos, falha essa que foi corrigida na segunda noite da temporada de Held no teatro, quando, mais uma vez sob os lasers implacáveis – dessa vez geométricos – do Paulinho Fluxuz, entrelaçaram timbres, riffs e solos muitas vezes a partir de beats que Lúcio ia soltando no meio do derretimento musical que os dois proporcionavam juntos, misturando rock psicodélico com jazz, música ambient com rock progressivo e pitadas de música caribenha, africana e latina, além da banda do groove musical brasileiro. Uma viagem.

#guilhermeheldnocentrodaterra #guilhermeheld #centrodaterra #centrodaterra2026 #trabalhosujo2026shows 068

Alice Cooper ♥ Nirvana

Na vigésima oitava edição de seu próprio festival Coopstock, que aconteceu neste fim de semana na cidade de Mesa, nos Estados Unidos, Alice Cooper pegou todo mundo de surpresa ao tocar nada mais nada menos que “Smells Like Teen Spirit”, numa versão à altura da música original do Nirvana – levando em conta que o vocalista tem 78 anos! Espírito juvenil é isso aí! Bom demais!

Assista abaixo:  

Tudo bem, Lauiz?

Quem também lança disco esta semana é o incansável Lauiz, tecladista e programador dos Pelados que solta seu terceiro álbum, Comece por Aqui, nesta quarta-feira. Seu trabalho mais biográfico, é também o disco que mais traz referências estrangeiras – ele cita Ween, Nine Inch Nails, David Bowie “e até uma Lana Del Rey no meio”, brinca. “É um disco bem pessoal, meio frustrado com o mundo, que levou bem mais tempo pra gravar, é mais longo e mais elaborado e eu me sinto uma pessoa diferente, por mais que tente usar tudo que fiz pra chegar aqui. Afinal, como foi que eu vim parar aqui?”, continua o produtor. “Queria um disco que soasse roubado, como se nunca fosse pra ser lançado pra mais ninguém além de mim: misturo áudios e vídeos velhos no Youtube, é meio PC music e uma versão perturbada dessa estética alt-pop moderna brasileira”. Isso acaba se refletindo na capa: “Tento botar essa ironia e arrependimento capturados em um instante como alguém caindo do telhado e que joga um pouco de sangue falso pra chamar a atenção.” O disco tem participações de seus colegas de banda (Helena Cruz toca em “Comece por Aqui”, Theo Ceccato toca em “Linus Torvalds”, Vincente Tassara em “Nada Direito” e Manu Julian em “Estados Unidos”), além das presenças de Ricardinho Tubarão, Lucas Filmes, Pedro Acost (da banda Bella e o Olmo da Bruxa) e o primo de Lauiz João Barisbe, que toca sopros na faixa “Na Lagoa”, que ele antecipa em primeira mão para o Trabalho Sujo.

Ouça abaixo:  

A cara do invisível

Eis que finalmente Animal Invisível estará entre nós essa semana. O projeto pandêmico do guitarrista gaúcho Guri Assis Brasil que tornou-se uma usina de groove tropical com três singles lançados (“Dendê”, “Didi” e “Que Delícia é Viver”) vê a luz do dia na próxima sexta-feira com a bênção do selo nova-iorquino Nublu – e Guri antecipa a capa em primeira mão para o Trabalho Sujo. “A ideia era brincar com algo que fosse ‘invisível’ mas que estivesse ali o tempo todo, como foi o vírus que que destruiu a vida de tanta gente na pandemia”, explica o guitarrista, contando que a capa foi assinada por seu chapa Rafa Rocha que cuida de toda a parte visual do trabalho. Guri reforça que apesar do período sombrio que o disco foi gestado, ele vem como uma força antagonista a isso. “Ele é solar, dançante, bem distante da tristeza e angústia desses tempos pandêmicos e acredito que seja por isso que o Rafa escolheu aquela tonalidade de azul”, continua o guitarrista, explicando o vidro canelado usado para que seu retrato não tivesse definição, rosto ou silhueta, “e também brincamos de escrever o nome do projeto em japonês, já sou admirador profundo desta cultura e sempre quis ter algo assim. Uma idéia simples, que dialoga demais com o disco.” Rafa conta que a liberdade dada pelo camarada ampliou muito a ideia do projeto, pensando em como dar forma à ideia do invisível, “através de distorções reais, explorando lentes, vidros e superfícies translúcidas dentro do estúdio, criando imagens que se fragmentam e escapam do esperado”, explica o artista, reforçando a natureza não digital da capa. “Esse jogo entre aparecer e desaparecer, entre controle e acaso, guiou todo o processo”, continua, “por isso escolhemos um caminho físico e analógico, deixando espaço para que a imagem acontecesse de verdade, com todas as imperfeições e surpresas que vêm junto com isso.” O disco será lançado na próxima sexta e tem inspiração em viagens instrumentais de maestros brasileiros como Arthur Verocai, Marcos Valle, João Donato, Banda Black Rio e Moacir Santos, incluindo um quarteto de cordas.

Mombojó solar

Eis a capa de Solar, o oitavo disco do Mombojó, todo gravado no Recife, que já tem dois singles lançados – “É o Poder da Dança” e “Mergulhando no Mar” – e show de estreia com data marcada, dia 22 de maio, no Brilho Cultural, na capital pernambucana. O disco marca os 25 anos da banda e deve ter sua data de lançamento anunciada em breve…

O melhor do primeiro fim de semana do Coachella de 2026: Geese e Strokes zoando o Justin Bieber

Os renascidos Strokes também tocaram no Coachella neste fim de semana e além de tirarem uma onda por estarem abrindo por Justin Bieber, ainda mostraram que estão bem e que sabem fazer um showzão, mesmo que não estejam mais na flor da idade (cada geração tem a sua referência de rock clássico). Alguém falou em Primavera São Paulo? E, claro, teve Geese tamém que, pra variar, inseriu mais um cover na parte do meio de sua “2122” – e depois de meter Primal Scream, Stone Roses e Spacemen 3 nos shows que fez no Reino Unido, saudou o festival com uma versão de… “Baby” do Justin Bieber. Uma crítica mais sutil e bem humorada à principal atração do festival esse ano do que as reclamações dos Strokes.

Asssita abaixo:  

Rolling Stones às baratas

Desde o começo do ano corre solto o boato que os Rolling Stones estariam preparando mais um novo álbum para começar mais uma nova turnê no meio deste ano e há algumas semanas algumas pistas começaram a aparecer – tanto na internet quanto nas ruas inglesas, em cartazes espalhados com um QR-code – ligando o grupo a uma banda chamada The Cockroaches (“As Baratas”, em inglês). O nome já foi usado pelos Stones em 1977, quando, promovendo o disco que haviam lançado um ano antes (o ótimo Black & Blue), se apresentaram após o show da banda canadense April Wine com este pseudônimo no clube El Mocambo, com capacidade de apenas 300 pessoas, em Toronto, no Canadá (show que foi lançado pelo grupo como o disco ao vivo El Mocambo 1977, em 2022). O QR-code dos cartazes levava para o site thecockroaches.com que, além de vender uma camiseta com a pergunta “WHO THE FUCK ARE THE COCKROACHES?” no mesmo padrão da camiseta que o guitarrista Keith Richards usava nos anos 70 para tirar onda com o vocalista Mick Jagger, também anunciava que no sábado haveria uma revelação – esta veio na forma de coordenadas geográficas em que era possível encontrar um automaticamente raro vinil da banda em questão, nada menos que os próprios Stones com um single que, pelo que se consta, chama-se “Rough and Twisted”. É uma música no padrão clássico do grupo, mostrando-o afiado mesmo aos 64 anos de carreira. Ainda não há informações sobre o lançamento oficial do single, sobre o novo disco ou sobre a nova turnê. Mas é questão de tempo…

Ouça-o abaixo:  

Bruce Springsteen (e Tom Morello) ♥ Prince

No último dia do mês passado, Bruce Springsteen deu início à sua nova turnê pelos Estados Unidos e escolheu a dedo a cidade inicial: a mesma Minneapolis que viu no primeiro mês deste ano, agentes da milícia de Donald Trump contra imigrantes matar dois inocentes sem nenhum motivo. Bruce, que tornou-se um dos artistas mais ativos contra o atual presidente dos EUA, não apenas participou de protestos e lançou uma música contra a infame ICE (“Streets of Minneapolis”), como transformou sua nova turnê numa contínua manifestação contra o déspota estadunidense. Batizada de Land of Hope and Dreams, a turnê conta com o ex-Rage Against the Machine Tom Morello (outro forte antagonista de Trump no mundo da música) como show de abertura e, em sua primeira noite, fez várias versões para músicas alheias, como sua reverência à Patti Smith (em “Because the Night”), e outras que confrontam o belicismo dos EUA, como “Chimes of Freedom” de Bob Dylan e “War” dos Temptations, que abriu a noite. Mas o ápice do show foi quando chamou Morello ao palco para celebrar o músico nativo mais importante daquela cidade, ao tocar “Purple Rain” do Prince pela primeira vez em dez anos. “Para o maestro!”, cumprimentou o público ao entoar os primeiros acordes em sua guitarra. Emocionante

Assista abaixo: