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O Ramal do Cabral

Eis a capa de Ramal, arte feita por Ana Prata (com design de Maria Cau Levy), que apresenta o terceiro álbum solo de Marcelo Cabral, que será lançado nesta nesta quinta-feira e que ele antecipa em primeira mão para o #trabalhosujo. Barulhento e direto, o disco é o antônimo de seu primeiro disco – o delicado Motor, de 2018 – e, como na primeira faixa que ele lançou no início do ano (a urgente “O Herói Vai Cair”), ele segue empunhando a guitarra (deixando o baixo de lado) acompanhado apenas de Biel Basile na bateria – como um disco de rock. “E não só no som e na estética, mas pela atitude geral que tive compondo cada música, jogando elas pra fora na guitarra, caçando as levadas e intenções mais do que achar cada acorde, tem vários que eu nem sei o que são, só uma parede de notas empilhadas sem regras, fui atrás do impacto que eu queria”, me explica. “Tem uma coisa forte de ser todo só guitarra e bateria gravado todo ao vivo e na fita – com poucos takes, no máximo três de cada – indo direto ao ponto e sem muitas partes em cada música, queria um disco e já um show direto e reto.” O disco conta com composições dele ao lado de Negro Leo, Kiko Dinucci, Clima, Rômulo Froes, Alice Coutinho, Rodrigo Campos, Douglas Germano (coautor da impressionante faixa-título, uma das melhores do disco), Sophia Chablau e Fernando Catatau – estes dois últimos chegaram a gravar, respectivamente, voz e guitarra em diferentes músicas. O disco tá uma pedrada e reforça a sensação que 2026 tá vindo pesadíssimo…

Moya Brennan (1952-2026)

Morreu, nesta segunda-feira, a irlandesa Moya Brennan, uma das vocalistas do grupo Clannad (a outra era a Enya), que, entre os anos 70 e 80, ressuscitaram a cultura celta e a trouxeram para as paradas de sucesso, sua voz tornando-se um dos timbres mais associados à música daquela cultura ancestral.

Charli XCX voltando…

Charli XCX zerou seu feed e deixou só uma foto com uma legenda dizendo que “ama fazer coisas” enquanto soltava esse áudio online pra deixar todo mundo na expectativa. 2026 tá bom…

Ouça abaixo:  

Pessoal do Ceará, Meio Século Depois – agora no Ceará!

A segunda apresentação do espetáculo Pessoal do Ceará, Meio Século Depois acontecerá em Fortaleza neste sábado, dia 18, quando Paula Tesser, Soledad e Jonnata Doll visitam mais uma vez visitam o clássico Meu Corpo Minha Embalagem Todo Gasto na Viagem, composto e gravado por Ednardo, Rodger Rogério e Teti em 1973. Como no show que dirigi em São Paulo em fevereiro, esta apresentação, que acontece no Centro Cultural Belchior que fica na Rua dos Pacajus, 123, na Praia de Iracema, com ingressos gratuitos, também contará com a participação do grande Rodger Rogério. Quem vai? O show começa às 19h30.

Todo o show: Courtney Barnett ao vivo na KEXP (12.9.2025)

Creature of Habit, o disco novo da Courtney Barnett, é desses que melhora a cada audição – e toda vez que vejo vídeo delas tocando músicas desse disco ao vivo parece que elas melhoram ainda mais. É o caso desse show que ela fez na KEXP no ano passado que a rádio só liberou agora. Discaço!

Confira abaixo:  

Mister Sam (1946-2026)

A própria Gretchen – sua maior criação – foi quem anunciou a morte do DJ argentino Mister Sam, que aconteceu nesta segunda-feira. Um dos principais produtores pop do Brasil na virada dos anos 70 para os 80, ele criou e consolidou as carreiras de artistas pouco lembrados pela história canônica da nossa música, mas que ainda sobrevivem na memória de quem viveu aquele período – como Nahim, Dominó, Sharon, Gugu Liberato, Lady Lu, Rita Cadillac e, claro, Gretchen.

Hayley Williams + Jeff Tweedy ♥ Unknown Mortal Orchestra

Já temos o principal concorrente da categoria “Eu sou mais indie que você” de 2026, quando o líder do Wilco e a líder do Paramore se juntaram para, juntos, cantar a música que botou o Unknown Mortal Orchestra no radar público há quinze anos num programa de TV! De todas as canções do mundo, a excelente dupla formada por Hayley Williams e Jeff Tweedy (quero um disco deles JÁ!) pinçou a música que fez o mundo indie descobrir a banda do neozelandês Ruban Nielson em 2011, faixa de abertura do disco homônimo de sua banda, no programa do Stephen Colbert na TV norte-americana nesta segunda-feira. E dá gosto ver a Hayley esmmerilhando no theremin! Bom demais!

Assista abaixo:  

Timbres e beats

Em mais uma incursão sonora ao cerne da guitarra na temporada Abriu o Fuzz que Guilherme Held está fazendo no Centro da Terra, a noite desta segunda assistiu não só a um encontro de dois samurais de seus instrumentos como a primeira vez em que Held dividiu o palco com Lúcio Maia, que admira desde que o conheceu nos primórdios da Nação Zumbi, ainda como ouvinte, nos anos 90. Os dois se conheceram nos bastidores da vida há anos, ficaram amigos mas nunca haviam tocado juntos, falha essa que foi corrigida na segunda noite da temporada de Held no teatro, quando, mais uma vez sob os lasers implacáveis – dessa vez geométricos – do Paulinho Fluxuz, entrelaçaram timbres, riffs e solos muitas vezes a partir de beats que Lúcio ia soltando no meio do derretimento musical que os dois proporcionavam juntos, misturando rock psicodélico com jazz, música ambient com rock progressivo e pitadas de música caribenha, africana e latina, além da banda do groove musical brasileiro. Uma viagem.

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Alice Cooper ♥ Nirvana

Na vigésima oitava edição de seu próprio festival Coopstock, que aconteceu neste fim de semana na cidade de Mesa, nos Estados Unidos, Alice Cooper pegou todo mundo de surpresa ao tocar nada mais nada menos que “Smells Like Teen Spirit”, numa versão à altura da música original do Nirvana – levando em conta que o vocalista tem 78 anos! Espírito juvenil é isso aí! Bom demais!

Assista abaixo:  

Tudo bem, Lauiz?

Quem também lança disco esta semana é o incansável Lauiz, tecladista e programador dos Pelados que solta seu terceiro álbum, Comece por Aqui, nesta quarta-feira. Seu trabalho mais biográfico, é também o disco que mais traz referências estrangeiras – ele cita Ween, Nine Inch Nails, David Bowie “e até uma Lana Del Rey no meio”, brinca. “É um disco bem pessoal, meio frustrado com o mundo, que levou bem mais tempo pra gravar, é mais longo e mais elaborado e eu me sinto uma pessoa diferente, por mais que tente usar tudo que fiz pra chegar aqui. Afinal, como foi que eu vim parar aqui?”, continua o produtor. “Queria um disco que soasse roubado, como se nunca fosse pra ser lançado pra mais ninguém além de mim: misturo áudios e vídeos velhos no Youtube, é meio PC music e uma versão perturbada dessa estética alt-pop moderna brasileira”. Isso acaba se refletindo na capa: “Tento botar essa ironia e arrependimento capturados em um instante como alguém caindo do telhado e que joga um pouco de sangue falso pra chamar a atenção.” O disco tem participações de seus colegas de banda (Helena Cruz toca em “Comece por Aqui”, Theo Ceccato toca em “Linus Torvalds”, Vincente Tassara em “Nada Direito” e Manu Julian em “Estados Unidos”), além das presenças de Ricardinho Tubarão, Lucas Filmes, Pedro Acost (da banda Bella e o Olmo da Bruxa) e o primo de Lauiz João Barisbe, que toca sopros na faixa “Na Lagoa”, que ele antecipa em primeira mão para o Trabalho Sujo.

Ouça abaixo: