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Beabadoobee ♥ The Marías

Há dois anos sem lançar nada de novo, a filipino-inglesa Beabadoobee já vem dando sinais que está prestes a vir com o sucessor de seu ótimo This Is How Tomorrow Moves, lançado em 2024, seja abrindo para Sabrina Carpenter em Londres ou fazendo uma versão para Elliott Smith na coletânea Help2. Nesta quinta-feira ela vem com mais um novo sinal de que deve anunciar disco novo em breve ao mostrar o ótimo single “All I Did Was Dream Of You”, que gravou ao lado dos queridinhos The Marías, equilibrando o quase trip hop do grupo em suas guitarras noventistas, numa balada daquelas. Bom demais – queremos mais!

Ouça abaixo:  

João antes do disco

Mais uma apresentação maravilhosa do espetáculo Marina Nemésio e Rodrigo Coelho estão fazendo em homenagem à fase pré-fonográfica de João Gilberto, quando ele começou a mostrar seu novo jeito de cantar e tocar para amigos e conhecidos antes de gravar seus primeiros discos. João 1958, que conta com a minha direção, visita clássicos da bossa nova que ele eternizaria em seus álbuns, mas também o encontra tocando temas sem título e canções da era do rádio que nunca mais voltaria a tocar. E ao apresentarem-se nas melhores condições de temperatura e pressão – a Sala B da Casa de Francisca parece que foi feita para receber esse show -, mostraram toda a sensibilidade do toque e do canto com requinte e detalhe, deixando o público que lotou a pequena sala emudecido e com a respiração presa, graças à entrada solene da noite, que fez todos prestarem atenção na delicada e precisa voz de Marina e no esmero e capricho do toque de Coelho ao violão. Mas à medida em que as canções passavam, a dinâmica sutil e suave entre os dois foi acolhendo a audiência graças à magia do velho baiano – que o pernambucano Coelho fez questão de frisar que ele não era pernambucano por uma ponte, em referência ao fato de João ter nascido na Juazeiro vizinha de Petrolina -, que os dois invocam com graça e carinho. Lindo demais.

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Rodrigo Coelho e Marina Nemésio apresentam João 1958 @ Casa de Francisca (11.3)

Marina Nemésio e Rodrigo Coelho mais uma vez voltam ao momento anterior ao marco zero da bossa nova, quando João Gilberto retorna ao Rio de Janeiro depois que inventou o jeito de tocar e cantar que mudaria a história de nossa música. O espetáculo João 1958, concebido pelos dois comigo na direção, chega à intimista Sala B da Casa de Francisca na próxima quarta-feira dia 11, quando os dois passeiam pelo repertório que o pai da bossa nova mostrou para os conhecidos logo que voltou à capital brasileira à época, momento que foi eternizado num gravador de fita pelo fotógrafo Chico Pereira quando João mostrou aquelas canções em sua casa. Marina e Coelho dividem-se nos dois instrumentos do mestre – a alagoana canta e o pernambucano toca violão – para reverenciar esse conjunto que canções, parte delas consagradas nos primeiros discos de João pela Odeon, parte delas inéditas, tanto temas de autoria do próprio que nem título têm, quanto velhos sucessos da era de ouro do rádio brasileiro. A casa abre a partir das 19h30 e os ingressos já estão à venda.

Delicadeza transnacional

Maravilhosa a apresentação que Juliano Abramovay conduziu nesta terça-feira no Centro da Terra, ao conduzir suas Cartografias da Escuta ao lado da violoncelista holandesa Chieko e da vocalista palestina Oula Al-Saghir. A apresentação foi dividida em três partes – na primeira, Juliano chamou Chieko para dividir canções com Chieko, passeando pelo leste europeu, pela América Latina e pela canção tradicional japonesa, alternando-se entre o alaúde e o violão de sete cordas enquanto sua parceira tocava seu instrumento e cantava. Depois, o músico fez algumas canções sozinho alternando os pinhos musicais que domina, passando por composições próprias de inspiração internacional a músicas de Hermeto Pascoal e Egberto Gismonti. Depois, Oula subiu ao palco para soltar sua voz ao lado do instrumento de Juliano, numa parte definitivamente inspirada pela música árabe. Ao final, os três se encontraram no palco em números de pura inspiração e delicadeza transnacional, um bálsamo musical neste tenso início de 2026.

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Juliano Abramovay: Cartografias da Escuta

Há dois anos sem apresentar-se no Brasil, o músico e compositor Juliano Abramovay, que atualmente reside na Holanda, volta mais uma vez ao palco do Centro da Terra para mostrar suas músicas em três formações: sozinho, tocando violão e alaúde, quando atravessa a sonoridade do Mediterrâneo Oriental e da Ásia Ocidental; depois, ao lado da vocalista palestina Oula Al-Saghir, pega o alaúde para acompanhá-la pelo repertório da música árabe, e, finalmente, ao lado da violoncelista, cantora e compositora holandesa Chieko – de ascendência brasileira e japonesa -, ele saca seu violão para passear por um repertório que visita canções tradicionais da América Latina e do Japão, com direito a improvisos instrumentais entre os dois instrumentos.

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Química natural

Sophia está surfando na temporada que está fazendo no Centro da Terra e a noite passada foi só a segunda das cinco apresentações que fará na casa. Mas ao apresentar-se ao lado da banda que a acompanhará nos próximos shows, antes mesmo de chamar os convidados da noite, ela já deu a medida de como será o resto do mês, já que o power trio que montou ao lado de Marcelo Cabral (entre o baixo e o synth bass) e Theo Ceccato (bateria) está azeitadíssimo. Ela começou a noite com os dois, tocou algumas músicas sozinha, misturando canções solo que ainda não têm disco, outras do Handycam que gravou ano passado com Felipe Vaqueiro, outras de sua banda Uma Enorme Perda de Tempo e algumas que compôs há pouquíssimo tempo. Mas o ouro da noite começou a acontecer quando ela convidou seus dois novos parceiros para subir no palco, primeiro Kiko Dinucci, que anunciou que tem disco novo vindo aí – que inclui “Água Viva”, parceria com Sophia que já está tocando em shows s- e depois Jonnata Doll, que entrou dançando no palco e logo chamou todos para acompanhá-lo em uma faixa inédita sua, “Vamos Dançar no Picles”, seguida de um atordôo sonicyouthiano quando os cinco engataram na hipnótica “Crack pra Ninar” do Kiko Dinucci, com Jonnata tocando guitarra. Uma noite maravilhosa, a primeira vez de um grupo tocando juntos que parecia que já tinham feitos inúmeros shows, tamanha a química no palco. Se você não foi a nenhum show dessa temporada da Sophia está perdendo, só tenho isso a dizer.

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Todo o show: Geese ao vivo no Bataclan em Paris (6.3.2026)

Falei da passagem do Geese por Paris na sexta passada e pintou o vídeo da íntegra do show que eles fizeram naquela noite no Le Bataclan. É tão bom voltar a ver uma banda crescendo online, com os fãs despejando tudo que conseguem sobre eles na internet… Acho que desde os Arctic Monkeys que isso não acontece com uma banda indie desse jeito. E que banda!

Assista abaixo:  

Volta logo, R.E.M.!

E segue acontecendo… Desta vez foi o próprio Michael Stipe quem subiu no palco do terceiro capítulo do show-tributo ao R.E.M. que a dupla Michael Shannon e Jason Narducy tem feito em homenagem ao disco Lifes Rich Pageant, quando apresentaram-se no Brooklyn Steel, em Nova York, nos EUA. Depois de receber o baterista Bill Berry e o guitarrista Peter Buck quando passaram pela cidade-natal da banda, Athens, no fim de fevereiro, no sábado os dois convidaram o vocalista do R.E.M. para juntar-se à banda em duas canções, “These Days” (que Stipe comentou que tem muito a ver com os dias que estamos vivendo hoje) e “The Great Beyond”. Os caras tão doidos pra voltar aos palcos, agiliza logo essa volta, R.E.M.!

Assista à participação de Stipe abaixo:  

Infernizando Curitiba

Foi demais a primeira edição do Inferninho Trabalho Sujo, que aconteceu neste sábado, no ótimo e novíssimo Macro Bar e Pista, uma casa ampla com três ambientes – uma área externa, uma pista ampla e uma área superior para shows – que funcionou lindamente pra marcar a chegada da festa à capital paranaense. A noite começou com a discotecagem em vinil da Márcia Manzana, que preparou um set só tocando versões alternativas de músicas conhecidas, e logo emendou com o primeiro show da noite, quando a banda 3x, projeto guitarreiro do rapper Respx, que não deixou ninguém parado, bebendo de diferentes fontes da história do rock – do punk ao emo, passando por hardcore e rock de garagem -, com atenções divididas entre os dois vocalistas, o elétrico Respx e a carismática Niko, que começaram esquentando a noite do melhor jeito possível.

Depois foi a vez da Feralkat, liderada por Natasha Durski, que hipnotizou o público com camadas de ruído lento e paisagens sonoras etéreas, construindo um universo onírico entre o trip hop e o shoegaze. Pilotando três sintetizadores, além de tocar guitarra, ela funcionou como um respiro entre os shows elétricos das duas bandas roqueiras que tocaram antes (3x) e depois (Wi-Fi Kills) de seu show. E além de pinçar uma ótima versão para “The Rip” do Portishead, ainda mostrou sua canção-assinatura, que acaba por sintetizar a vibe da banda a partir de seu título, “Lyncheana”.

O último show da primeira edição do Inferninho em Curitiba trouxe a new wave fulminante do Wi-Fi Kills, liderada pelo sensacional Klaus Koti, que também apresenta-se como uma banda de um homem só chamada O Legendário Chucrobillyman. Tocando guitarra e sintetizadores, Koti fez seu grupo passear por canções sobre inteligência artificial e Corel Draw (!), sempre no limite entre o ritmo e o ruído, e não escapou de tocar uma versão para uma música de uma banda que é um dos seus alicerces musicais, quando tocou “Uncontrollable Urge”, do Devo. O público foi ao delírio – deixando tudo mais fácil pra minha discotecagem que segurou o povo até às quatro da manhã. Quando é a próxima? Quero mais!

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Inferninho Trabalho Sujo apresenta Feralkat, Wi-Fi Kills e 3x @ Macro em Curitiba (6.3)

Alô Curitiba! Nessa sexta-feira volto à cidade para realizar a primeira edição do Inferninho Trabalho Sujo na capital paranaense. Começou numa tentativa de comemorar o aniversário de dois capricornianos ainda em janeiro, mas o papo com a Fernanda Maldonado evoluiu com a entrada da Marcia Manzana, que fez a ponte com o Macro Bar e Pista e logo estávamos escolhendo bandas locais para tocar na mesma noite, que recebe as participações de Feralkat, Wi-Fi Kills e 3x, além da Selecta Manzana com sua discotecagem em vinil e o back to back que deu origem a tudo, quando toco com a Fernanda. A noite começa às oito e vai até altas madrugadas, a casa fica na Rua João Negrão, 2450 e os ingressos já estão à venda. Vamoooos!