Por Alexandre Matias - Jornalismo arte desde 1995.

Primavera Sounds Barcelona 2022: Dia 1 – Pavement ao vivo

Primeiro dia do Primavera Sound em Barcelona foi fabuloso. Vi a Faye Webster, as Linda Lindas, a MC Carol e a Kacey Musgraves tocando “Dreams” do Fleetwood Mac com a letra passando no telão para o público cantar junto. Não vi a Kim Gordon no Auditório (mor fila), mas teve Dinosaur Jr (que mandou sua versão de “Just Like Heaven”), a Sharonzinha, Yo La Tengo quebrando tudo (Fabio Bianchini surgiu no meio de “Tom Courtenay”) e o Tame Impala no céu (Kevin puxou até “Last Nite”, essa mesma). E, claro, o motivo de eu ter vindo parar aqui: a volta do Pavement, que fez 1h40 do melhor show que já vi deles na vida (já tinha visto 5). A banda tocou cinco músicas de cada disco, Stephen Malkmus é o guitar hero dessa geração e lavou a alma de indies velhos e novos. Nota 10 pra avalanche de shows (já o funcionamento do bar e a má administração daquela quantidade de gente não conseguiu nem nota pra passar de ano). Claro que filmei um monte, seguem os vídeos abaixo:

 

Altos Massa: Férias pra que te quero?

Primeiro Altas Massa sem edição, porque Pablo Miyazawa já estava de férias quando gravamos e não quis deixá-lo trabalhar – ainda mais que ele estava em outro continente. A essa altura do campeonato já estamos em solo catalão, onde contamos um pouco do que vamos fazer nestas férias – além de falar tanto da importância de tirar férias quanto da paranoia de viajar para o exterior em tempos pandêmicos.

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DM: Você entendeu ou não?

Às vésperas da minha viagem, eu e Dodô conversamos sobre a morte – citando Gilberto Gil falando da própria morte -, sobre o que é a cultura nerd, sua relação com o bullying e como isso está ligado à reinvenção de Hollywood, sobre como os festivais estão se tornando grandes convenções de música e Dodô finalmente fala sobre a série que ele está desenvolvendo para o Netflix.

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Aparelho: Mundo Aleluia

Não levamos arte ao povo, não fiscalizamos o tororó alheio nem enriquecemos com dinheiro público, mas também estamos prestes a jogar a toalha. Só não jogamos ainda porque, como ensina o mochileiro das galáxias, nunca se sabe quando se vai precisar de uma. Molhada e enrolada, por exemplo, ela se torna um argumento e tanto para um debate com os fariseus que vilipendiam a pureza do sertão. Em vez disso, porém, preferimos flanar por sinapses que valorizam o que temos de mais holístico, culminando com o grito universal de louvor que virou sinônimo de milagre. Basta acreditar!

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Joe Silhueta saindo da noite sem fim


Foto: Thaís Mallon (Divulgação)

“Que noite mais sem fim”, lamenta Gaivota Naves em “Sobressaltos”, música que a banda brasiliense Joe Silhueta lança nesta quinta-feira e que antecipa em primeira mão para o Trabalho Sujo, “é a mais longa estrada por qual já passei”. A faixa, um lamento andarilho que mistura sonoridades ciganas e sertanistas à levada de rock psicodélica característica da banda, é o segundo single que o grupo lança de seu segundo trabalho, Sobre Saltos y Outras Quedas, outro daqueles discos previstos para ser lançado em 2020 e que só agora começa a ver a luz do dia. De alguma forma, o clima do disco, já sentindo o peso da sombra fascista desde antes de sua gravação, também reflete o pesadelo pandêmico dos últimos anos. “Compus ‘Sobressaltos’ em 2018, pouco depois que o Bolsonaro foi eleito e ela acaba traduzindo muito do mal estar e do assombro que isso provocou na gente, a perspectiva terrível de ter que passar quatro anos com toda a corja autoritária e reaça no poder, frustrando qualquer expectativa de saúde mental nacional”, explica o vocalista, guitarrista e compositor Guilherme Cobelo. “Foi algo que literalmente tirou o sono de muita gente, perturbou mesmo. Ficamos cheios de sobressaltos e essa música acabou sendo um grito no meio de todo esse caos, dessa longa noite. Quando a banda começou a criar os arranjos foi muito no sentido de expressar esse peso e essa agonia numa atmosfera sombria, com a Gaivota cantando nas alturas, pairando sobre uma paisagem sonora de semitons e ritmos quebrados.” O disco está previsto para ser lançado no fim do mês que vem e a banda não vê a hora de voltar a cair na estrada. “Produtores, produtoras, galera que programa festival: chama que a gente tá na seca pra tocar”, intima Cobelo. Ouça a faixa abaixo.  

Anaïs-Sylla rumo a um novo lugar

Lindo demais o show que Anaïs-Sylla fez esta segunda-feira no Centro da Terra, revelando um pouco do disco que está fazendo com Caê Rolfsen, que tocou na apresentação ao lado de Bruno Prado e Eddu Ferreira, durante a pandemia. Entre as joias da noite, que contou com viagens musicais ao Mali, ao Haiti e ao Senegal, ela ainda apresentou uma versão maravilhosa para “Lugar Comum”, de Gilberto Gil e João Donato.

Assista abaixo.  

Anaïs-Sylla: Traversée – Travessia

Depois de dois longos anos, Anaïs-Sylla começa a mostrar o disco que vem fazendo em parceria com Caê Rolfsen sobre como a diáspora africana conversa com sua obra e seu trabalho. No espetáculo Traversée – Travessia, apresentado nesta terça-feira, a cantora francesa de ascendência senegalesa sobe ao palco do Centro da Terra numa formação inédita, que inclui, além do violão de Caê, Bruno Prado nas percussões e beats e Eddu Ferreira no baixo e teclados, com iluminação de Camille Laurent. O espetáculo começa pontualmente às 20h e os ingressos podem ser comprados neste link.

Kiko Dinucci entre seus sambas

Que benção essa terceira apresentação de Kiko Dinucci no Centro da Terra, mais uma vez explorando diferentes possibilidades em sua temporada Pocas. Nesta segunda, ele dedicou-se à sua terra firme, o samba, e convidou os bambas Henrique Araújo, Xeina Barros e Alfredo Castro para desfilar seu repertório sem usar nenhum instrumento de corda, apenas o gogó e um ocasional instrumento de percussão. Visitou clássicos do Metá Metá, “Luz Vermelha” que fez para Elza Soares, uma homenagem ao Barba dos Barbatuques, a faixa-título de seu disco mais recente e músicas de seus mestres, tudo remixado ao vivo pelo mesmo Bruno Buarque que registrou seu Rastilho. Casa cheia para assistir a uma celebração mágica. Haja axé!

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Tudo Tanto #131: Gabriel Ventura

Depois de gravar seu primeiro disco solo, em 2019, o ex-vocalista e guitarrista da banda Ventre, Gabriel Ventura, lança seu primeiro disco solo, Tarde, mais de dois anos depois de conclui-lo. E depois de retornar aos palcos, puxo uma conversa com o cantor e compositor em mais um programa da minha série sobre música brasileira, Tudo Tanto.

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Nina Maia e Chica Barreto entregues à música

Tocante a apresentação que Nina Maia e Chica Barreto fizeram nesta terça-feira no Centro da Terra. Depois de passar por composições próprias e clássicos que as influenciaram (de Gershwin a Milton Nascimento), as duas largaram os instrumentos e convidaram Luiza Villa para encerrar a apresentação com uma belíssima versão para “Serenata do Adeus”, de Vinícius de Moraes.

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