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O disco novo da Courtney Barnett está quase entre nós

Na reta final de seu próximo disco, Courtneyzinha lança mais uma música de seu Creature of Habit, quarto álbum da cantora e compositora australiana que vê a luz do dia na próxima sexta-feira. E a excelente “One Thing At A Time” chega mantendo o nível dos singles anteriores até que no meio da música ela começa um solo de guitarra absurdo que segue até o final da canção, colocando-a na mesma linhagem de guitar heroes do indie como Neil Young, Ira Kaplan e Stephen Malkmus, e subindo ainda mais o sarrafo para o próximo disco. Que beleza!

Assista abaixo:  

Seal no Brasil!

O soulman inglês Seal faz duas apresentações no país em novembro, ambas com abertura do Seu Jorge (combinação boa, será que um participa do show do outro?), dia 26 no Rio e dia 28 em São Paulo. Os ingressos começam a ser vendidos nesta quarta-feira pra quem for cliente do banco patrocinador e a partir da sexta pra geral.

Ted Nichols (1928-2026)

Autor de temas da maioria dos desenhos animados da fase de prata do estúdio Hanna Barbera, o compositor Ted Nichols morreu no início do ano, mas sua morte só foi comunicada por sua família nesta segunda-feira. Ele trabalhou no clássico estúdio de animação dos EUA entre 1963 e 1972 e foi discípulo do grande Hoyt Curtin (1922-2000), este autor de trilhas da fase de ouro da HB, compondo as trilhas para desenhos como Flintstones, Jetsons, Dom Pixote, Zé Colmeia, Pepe Legal, Manda Chuva, Jonny Quest, Super-Amigos e Smurfs, quase sempre com Nichols como assistente. Este ascendeu ao cargo de diretor musical do estúdio a partir de 1965, quando substituiu o mestre. Seu tema mais conhecido foi o de um novo desenho chamado Scooby-Doo, mas ele seguiu à risca os ensinamentos de Curtin e manteve o padrão HB em desenhos como Josie & As Gatinhas, Homem-Pássaro e Galaxy Trio, Space Ghost, Esquilo Sem Grilo, Corrida Maluca, As Aventuras de Penélope, Máquinas Voadoras, Formiga Atômica, entre outros.

Pulp aos poucos…

O Pulp felizmente pegou gosto com a volta à vida artística. Não bastasse a banda de Jarvis Cocker ter feito um disco de retorno à altura de sua discografia clássica no ano passado, eles estão aproveitando o novo período para gravar mais coisas, sejam versões para músicas alheias (um Abba aqui, um Johnny Cash acolá) ou participações em outros projetos (como sua passagem pela coletânea Help2) e agora lançam duas inéditas, ambas como lado B para a versão que fizeram para o seriado britânico The Hack, que agora foi lançada como single. Nas duas novas faixas (“Cold Call on the Hot Line” e “Marrying For Love”), Jarvis Cocker, o vocalista e principal compositor do grupo, prefere soltar-se como narrador em vocais falados, numa delas comemorando o “adiamento do armageddon, a retomada do paraíso, dez mil saxofones na rua, consegue imaginar o barulho? Mas eu amo”. Será que eles vão se meter a fazer outro disco novo? E, mais importante, quando é que vão anunciar sua vinda para o Brasil (já que marcaram datas em junho pra América Latina – menos para cá).

Ouça as duas faixas abaixo:  

Gerson Brenner (1959-2026)

Morreu Gerson Brenner, galã carismático de novelas na Globo entre os anos 80 e 90 que, em 1997, reagiu a uma tentativa de assalto, tomou um tiro na cabeça e quase morreu: ficou em coma por uns dias e voltou com sequelas que anteciparam o fim de sua carreira.

Uma joia de noite

Uma joia essa penúltima noite que Sophia Chablau conduziu no Centro da Terra nesta segunda, quando convidou Ava Rocha e Negro Leo para entrar em na Guerra que vem fazendo no início das semanas deste tenso março de 2026. Pegou todo mundo de surpresa à saída do espetáculo, ao sentar-se ao piano e colocar o baixista Marcelo Cabral tocando guitarra no centro do palco, cantando sua belíssima recém-lançada “O Herói Vai Cair”. Logo depois pegou a guitarra e seguiu azeitando ainda mais o belíssimo trio que criou ao lado de Cabral e de seu compadre baterista Theo Ceccato, tocando as músicas inéditas que vem apresentando nesta temporada e uma versão quase thrash de “Quantos Serão no Final?” do repertório de seu trabalho em parceria com o baiano Felipe Vaqueiro (com direito à própria Sophia tocando piano enquanto tocava guitarra). Depois, ela começou a segunda parte da noite, cantando sozinha no palco (à exceção da primeira música, feita para Dora Morelenbaum, que contou com Cabral tocando seu baixo com um arco de violoncelo). E depois de mais uma dose de ótimas inéditas (incluindo uma em parceria com Ana Frango Elétrico), chamou os convidados da noite: primeiro Negro Leo (que sentou-se ao piano para acompanhar Sophia à guitarra na parceria “Quem Vai Apagar a Luz?”) e depois Ava, que trouxe Theo e Cabral de volta ao palco para uma sequência de onírica de hits, que incluía “Mar ao Fundo” de Ava, uma versão maravilhosa para “Esferas” de Leo e outra elétrica para “Segredo” de Sophia, além de uma parceria dos três em inglês. A noite fechou com o sambinha “Deus Tesão” com Leo na bateria, Cabral no synth e Theo no baixo, fechando as cortinas enquanto a banda ainda tocava. Noite linda.

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Centro da Terra: Abril de 2026

O primeiro semestre de 2026 está chegando na metade e essas são as atrações musicais de abril no Centro da Terra. As segundas-feiras ficam por conta do guitarrista Guilherme Held, que resolve mergulhar em seu instrumento sempre em dupla com velhos camaradas das seis cordas, na temporada Abriu o Fuzz. A cada segunda-feira, Held reúne como outros guitar heroes – e ele só reuniu cobras. Na primeira (dia 6), ele convida Fernando Catatau, na segunda (dia 13) ele vem com Lúcio Maia, na terceira (dia 20) é a vez de chamar Kiko Dinucci para concluir a saga na última segunda do mês (dia 27) ao lado de Edgard Scandurra. Às terças começamos com o encontro das vozes e violões de Ítallo França, Marina Nemesio, Tori e João Menezes, que reúnem-se na primeira terça (dia 7) pela primeira vez para celebrar seus próprios repertórios, na apresentação que chamaram de De Banda, que também pode ser entendido como o embrião de um grupo. Na segunda terça-feira do mês (dia 14), Kiko Dinucci sobe sozinho com sua guitarra no palco do teatro do Sumaré para mostrar, pela primeira vez, o repertório de seu próximo álbum, previsto para o segundo semestre e batizado de Medusa. Nesta apresentação, que ele chamou de Pré-Medusa, ele mostra as novas canções e o clima elétrico-etéreo do sucessor de Rastilho. A última terça-feira do mês fica a cargo da poeta Heloiza Abdalla, que finalmente materializa no palco seu livro Ana Flor da Água da Terra, lançado há dez anos. Poemas que tornam-se música com a presença de improvisadores como Sandra X (voz e efeitos), Breno Kruse (violão e guitarra), Romulo Alexis (trompete) e Chicão (piano). Os espetáculos começam sempre às 20h e os ingressos já estão à venda no site do Centro da Terra.

Geese ♥ Primal Scream

Sexta passada o Geese tocou em Glasgow, na Escócia, e para saudar os locais, puxou a clássica “Movin’ On Up” do Primal Scream no meio de sua “2122”. Olha que beleza…

Assista abaixo:  

Expandindo horizontes

Sesc Pompeia lotado pra ver mais uma das cada vez mais esparsas apresentações da dupla Rakta, uma vez que uma de suas integrantes, a baixista Carla Boregas, está morando do outro lado do Atlântico. Por outro lado, a visita anual que Carla sempre faz ao país sempre rende grandes momentos ao vivo, alguns deles em dupla com seu parceiro Maurício Takara, que foi viver com ela na Alemanha, e o reencontro Rakta é sempre um desses eventos. Desta vez, Carla e sua dupla Paula Rebellato, feiticeira que comanda teclados e eletrônicos, além de hipnotizar a todos com sua voz, convidaram as sagazes Paola Ribeiro e Valentina Facury para o show que fizeram neste sábado, mais uma vez com a bateria a cargo do próprio Takara. E apesar do grupo ter surgido a partir da estética do rock, é muito bom ver como elas conseguem seguir expandindo essa liturgia original – com os pés fincados no pós–punk e no gótico – para outros hemisférios musicais, ampliando inclusive os preceitos básicos do que convencionou-se chamar de “música experimental”. A instantânea formação do sábado criou duplas no palco, quando Paula e Paola fizeram seus timbres próximos se encontrarem em plenos vôos no meio do transe eletroacústico que produziam ao vivo, puxado por outra dupla, formada por Takara e pela baterista e percussionista Valentina, que ampliou áreas de atuação da dupla original com solos de diferentes instrumentos. Segurando tudo estava o baixo kraut de Boregas, criando um solo firme para os devaneios dos cinco ao mesmo tempo em que ela mesma abria sua caixa de Pandora quando descia aos eletrônicos. Mais uma entrega corpórea à música que atinge o público em cheio, mostrando que, mesmo bissexta, a Rakta ainda é uma força importante da música contemporânea de São Paulo.

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Gilberto Gil ♥ Fafá de Belém

Essa bola já estava cantada, mas não diminui o encanto do momento, quando Gilberto Gil convidou Fafá de Belém para cantar “Emoriô” no penúltimo show de sua turnê Tempo Rei, que aconteceu na capital paraense, neste sábado. O último acontece neste sábado, mais uma vez em São Paulo. Quem será o convidado agora?

Assista abaixo: