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U2 em Las Vegas: “Elvis não saiu do edifício!”

“Elvis definitivamente não saiu deste edifício. É uma capela Elvis. É uma catedral Elvis. É isso. E hoje à noite entrada para essa catedral é uma senha: flerte. E mais tarde nós vamos casar, ok?”, Bono não se aguentava ao inaugurar a temporada de shows que seu U2 irá fazer em Las Vegas até dezembro deste ano. Não era sem motivo. A residência U2:UV Achtung Baby inaugura também a nababesca casa de shows Sphere, que cobre o público com um gigantesco telão esférico que leva os antigos cinemas 189 graus (quem lembra?) a um patamar hiperbólico que tira o fôlego só de ver os vídeos. O grupo se apresentou pela primeira vez sem o baterista Larry Mullen Jr., que acaba de passar por uma cirurgia na coluna, e preferiu conter seu show a um pequeno palco quadrado que lembrava uma vitrola na base do telão absurdo, deixando todo o espetáculo para os telões conectados de uma forma que não havia como sair do campo de visão do público, não importava onde se estivesse, alternando imagens geradas por computador que explicitavam a artificialidade do evento ou recriando paisagens naturais como se pudesse ter um sol em miniatura apenas para eles. O sucesso dessa primeira noite, que aconteceu neste sábado, eleva a experiência ao vivo a outro patamar e megaturnês como as de artistas como Beyoncé e Taylor Swift encontram um rival gigantesco que nem precisa sair do lugar – é uma casa de shows. E mirando em artistas do porte do U2 (enquanto eles ainda existem, especula-se que Harry Styles seja o próximo residente), a casa, que teve um custo maior do que dois bilhões de dólares, pode parecer um modelo de negócios viável para bilionários do mundo do entretenimento experimentar em todos os lugares do mundo (e torrar dinheiro, como gostam) – e não é difícil pensar que podemos ter um monstrengo desses por aqui. Abaixo dá pra ver alguns trechos do show histórico – o futuro que tá vindo aí é muito louco…  

Como Assim? | 30.9.2023

Os amigos já sabem faz tempo, os conhecidos souberam aos poucos mas ainda não entenderam e os seguidores já foram avisados: estou tocando numa banda com três compadres e o primeiro show acontece neste sábado. Toco violão desde moleque e já tive bandas de farra com amigos em diferentes momentos da vida, mas parei com isso nos idos de 1995, antes de completar vinte anos, mas segui tocando sozinho em casa. Até que durante o período da pandemia comentei com o compadre Pablo Miyazawa que estava tirando uma hora por dia pra matar o tempo tocando violãoe, naquele segundo semestre de 2020, quando descobríamos que era possível encontrar aos poucos algumas pessoas seguindo os famigerados protocolos de segurança, ele me chamou para tocarmos juntos. Como nós dois moramos sozinhos e não havia muito o que fazer naquela época, transformamos nossos encontros em possíveis baladas a dois, quando passávamos domingos tocando, bebendo e falando besteira. No ano seguinte Pablo puxou dois outros compadres pra brincadeira – Mateus Potumati para a bateria e Carlão Freitas para o baixo -, ele mesmo assumiu uma das guitarras e me passou a segunda, me incumbindo também de cantar. Todos jornalistas com tempo de sobra, um deles dono de um estúdio que estava parado por conta da pandemia, e logo estávamos ensaiando regularmente, nos encontrando para passar o tempo tocando músicas que gostamos. Quando comecei a comentar com algumas pessoas o que estávamos fazendo, a reação de algumas delas acabou batizando a banda e o Como Assim? estreia neste sábado, último dia de setembro de 2023, três anos depois de começar a rascunhar uns “Harvest Moon” com Tears for Fears no apartamento do Pablo. De lá pra cá mudamos as músicas que tocamos, a banda conseguiu parar em pé e faremos nossa primeira apresentação ao vivo abrindo para a banda Earl Greys, que o Vini – que também trabalha no Aurora – tem ao lado do Martim e do Aloízo, dedicada a tocar música pop britânica. Nosso show de estreia acontece no próprio estúdio Aurora, que fica no número 503 da Rua João Moura, ali em Pinheiros. O estúdio abre às 20h e não cabe muita gente, por isso o lance é chegar cedo ou comprar ingresso com antecedência pra ver o que a gente tá tocando… O flyer tá aí embaixo:  

Bruxaria noise

Mais um Inferninho Trabalho Sujo que deixou o Picles intenso, dessa vez com jorros de energia elétrica capturados por duas bandas que mal têm registros fonográficos e puxadas por vocalistas endiabradas. A noite começou com a força do Fernê, grupo que conta com dois Pelados (o baterista Theo Cecato e a vocalista Manu Julian) e um Chico Bernardes em sua formação, cada um deles mostrando facetas musicais bem diferentes das que são mais conhecidas. A banda é completa com a guitarra noise de Max Huszar e o baixo de Tom Caffé, passeou por músicas próprias e versões personalíssimas para “Terra” (Caetano Veloso) e “Hunter” (Björk) e é impressionante como Manu torna-se outra vocalista com essa formação, completamente entregue ao palco e deixando sua voz voar solta. Logo depois foi a vez do quinteto Madrugada solapar o público com sua parede de krautrock improvisado, com os irmãos Dardenne (Yann na bateria e Otto no baixo), puxando bases hipnóticas e pesadas desta vez acompanhadas de um novo integrante, o percussionista Thalin, que também toca na Dupla 02, nos Fonsecas e no Eiras e Beiras, e deu um tempero especial ao molho dos irmãos. À frente, dois dos donos do Porta (o guitarrista Raphael Carapia e a tecladista e vocalista Paula Rebellato) soltam os cachorros do barulho em cima do público, Paula especialmente catártica, conduzindo a pequena massa com seus gritos dilacerantes, efeitos sonoros entre o terror e o pesadelo e o carisma enfeitiçado de sempre. Depois desse choque de som, eu e Fran seguimos à noite quase sem fôlego, mas lá pelas duas da manhã a pista estava pegando fogo! E a próxima edição é na sexta que vem, hein!

Assista aqui:  

O Evangelho segundo os Rolling Stones, com Stevie Wonder e Lady Gaga

No segundo single de seu próximo álbum, Hackney Diamonds, os Rolling Stones não deixaram barato e soltaram logo um gospel de mais de sete minutos que ecoa os clássicos números lentos do grupo, como “Shine a Light”, “Worried About You”, “Winter”, “You Can’t Always Get What You Want” e até “I Just Want to See His Face”. E o clima de igreja de “Sweet Sounds of Heaven” é reforçado pela presença dos convidados ilustres da vez, ninguém menos que Stevie Wonder entre o piano, o piano elétrico e o synth bass (linha que o grupo usou para escrever o arranjo de sopros da faixa) e uma Lady Gaga, que consegue ser simultaneamente protagonista e coadjuvante, ambos apenas reverenciando a importância que sentem em relação ao grupo. Os dois guitarristas da banda – dois dos últimos sobreviventes, Keith Richards e Ron Wood – misturam-se com os convidados como se já tivessem tocado juntos por décadas, deixando terreno e holofote para Mick Jagger brilhar, que aproveita essa luz para celebrar o amigo Charlie Watts: “Abençoe o pai, abençoe o filho, ouça o som dos tambores enquanto eles ecoa pelo vale e explode”. Bom demais.

Ouça abaixo:  

Tudo Tanto #154: Larissa Conforto (Àiyé)

Na edição mais recente do Tudo Tanto, meu programa sobre música brasileira no meu canal no YouTube, converso mais uma vez com a produtora e multiinstrumentista Larissa Conforto, com quem já havia conversado uma vez no longínquo 2020. Naquela época, ela havia acabado de fechar seu primeiro trabalho solo, lançando-se como Àiyé, e teve que mostrar sua nova personalidade musical num período em que não se podia ter qualquer tipo de encontro presencial (ela brinca que fez uma “turnê de lives”). E durante este processo, inspirada por um saci, ela começou a produzir seu segundo disco, Transes, lançado já em 2023, em que tenta aproximar cosmogonias latinas e afrodiaspórica em seu trabalho como cantora, compositora e produtora, ao mesmo tempo em que aproxima a ideia da encruzilhada moderna com esse momento pós-internet que estamos atravessando.

Assista aqui:  

Rumo ao mar

Belíssima a apresentação que a cantora e compositora paulistana Sophia Ardessore realizou nesta terça-feira no Centro da Terra. Acompanhada por uma banda enxuta e precisa – os teclados de Nichollas Maia e a bateria de Matheus Marinho, ambos regidos pelo baixista Fi Maróstica -, ela singrou para além de seu primeiro álbum, Porto de Paz, se aventurando num novo alto mar e por algumas primeiras vezes – tanto tocando em público só com o violão, quanto estreando canções inéditas e celebrando uma parceria de menos de mês, quando convidou a nova amiga Mari Merenda para dividir os vocais em duas canções. Cada vez mais segura de sua voz, Sophia ainda explorou canções alheias enquanto não tinha dificuldades para dominar o público.

Assista aqui:  

Sophia Ardessore: Canta para Subir

A cantora e compositora paulistana Sophia Ardessore começa a preparar o território para seu próximo álbum no espetáculo Canta para Subir, que encerra a temporada de música do Centro da Terra em setembro, nesta quarta-feira. Acompanhada por seu diretor musical Fi Maróstica, que toca contrabaixo e escreveu os arranjos com o tecladista Nichollas Maia, que também estará no palco, a cantora começa a traçar os próximos passos a partir de seu disco de estreia, Porto de Paz, lançado no ano passado. O novo espetáculo trabalha a partir da ideia de contrastes e terá intervenções visuais idealizadas por Jonas Malferrari e conta com os músicos Abner Phelipe (guitarra), Matheus Marinho (bateria) e Lucas Alakofá (percussão), além dos dois já citados e ainda terá a participação da Mari Merenda. O espetáculo começa pontualmente às 20h e os ingressos podem ser comprados antecipadamente neste link.

Waly Salomão: Dito e Lido

Satisfação imensa celebrar, na próxima quarta-feira, dia 4 de novembro, a obra deste mestre da cultura brasileira que completaria 80 anos neste 2023. Waly Salomão é mais reconhecido pelas parcerias musicais que fez com nomes como Maria Bethânia, Jards Macalé e Gal Costa, mas no espetáculo Waly Salomão: Dito e Lido mergulhamos em sua poesia com nomes de peso: Jadsa e Guilherme Held entrecruzam suas guitarras para criar o território sonoro em que os poetas Joca Reiners Terron, Natasha Felix e Julia de Carvalho Hansen percorrem os textos deste mestre baiano. É o segundo espetáculo que concebo e dirijo ao lado da Juliana Vettore, da Capivara Cultural e uma das responsáveis pelos encontros Zapoetas, depois de celebrar a vida e obra de Leonard Cohen no ano passado. O espetáculo acontece no auditório do Sesc Pinheiros a partir das 20h e os ingressos já estão à venda neste link. Abaixo, a sinopse que fizemos para esta apresentação:  

Caetano Veloso tocando o Transa ao vivo com o Jards Macalé em São Paulo

Era inevitável e os ingressos estão quase no fim: depois da comoção (pro bem e pro mal) da apresentação em que Caetano Veloso tocou seu clássico disco de 1972, Transa, ao vivo, no Rio de Janeiro – acompanhado de ninguém menos que Jards Macalé, Tutty Moreno e Áureo de Souza -, o show inevitavelmente ressurgiria em São Paulo. E não é dentro de festival nem nada: o espetáculo acontece no dia 25 de novembro no antigo Espaço das Américas (agora Espaço Unimed) e a versão paulistana ainda conta com a presença de Angela Rô Rô, que também tocou no mitológico álbum gravado em Londres. Os ingressos estão acabando (garanta logo o seu neste link), mas algo me diz que vai ter uma nova data (e se tiver no domingo talvez eu consiga assistir). Fora que isso é show pro Caetano rodar o Brasil todo, com público sentado, em teatros, como deve ser.

Black Midi, Slowdive, Seun Kuti, Metric e Róisín Murphy: quem toca onde e que dia no Primavera na Cidade

Acabaram de ser anunciados os locais e datas das atrações do Primavera na Cidade, shows que antecedem o festival Primavera Sound São Paulo que acontece no primeiro fim de semana de dezembro. São doze atrações nacionais e internacionais que se dividem entre o Áudio e o Cine Joia e cujos ingressos estarão disponíveis primeiro para quem comprou a opção “passaporte” na hora de pegar os ingressos da edição brasileira do festival catalão. A primeira noite do Primavera na Cidade acontece no Cine Joia, quando o grupo paulistano Pluma abre para o aguardado show do grupo experimental Black Midi, no dia 29 de novembro. No dia 30, são dois lugares ao mesmo tempo: o Cine Joia recebe o mitológico grupo inglês Slowdive, com abertura do grupo curitibano Terraplana, enquanto o Áudio tem shows exclusivos do mais famoso filho de Fela Kuti, quando Seun Kuti e sua banda Egypt 80 encerram uma festa que começa com o DJ carioca Carlos do Complexo e a visceral cantautora mineira Bia Ferreira. No primeiro dia de dezembro, o Cine Joia recebe o grupo indie canadense Metric, com abertura da produtora de música eletrônica colombiana Lucrecia Dalt e o Áudio traz Róisín Murphy fechando uma festa que ainda terá shows da diva Luiza Lian e do DJ Playero, portorriquenho que é um dos papas do reggaeton. Os ingressos para o público que não comprou ingressos para o Primavera começam a ser vendidos a partir do dia 14 de novembro – e tem mais informações sobre isso lá no site do festival.