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The Last Waltz de volta aos cinemas

E se os Talking Heads ressuscitaram graças a um dos melhores filmes feitos a partir de um show de todos os tempos (ao relançar o Stop Making Sense dirigido por Jonathan Demme nos cinemas), eis a deixa para falarmos de The Band: afinal a clássica banda canadense também é objeto de um dos melhores shows já filmados, quando decidiu encerrar suas atividades no dia de ação de graças de 1976. A derradeira apresentação aconteceu no Winterland Ballroom, em São Francisco, na Califórnia, quando o grupo chamou um elenco de convidados de cair o queixo: desde os seus primeiros “patrões” (Ronnie Hawkins e Bob Dylan, que acompanharam como banda de apoio em diferentes momentos de sua carreira) a estrelas do panteão do rock como Neil Young, Joni Mitchell, Van Morrison, Ringo Starr, Muddy Waters, Ronnie Wood, Emmylou Harris, Dr. John, Paul Butterfield, Eric Clapton e Neil Diamond. Para registrar este momento ninguém menos que Martin Scorsese na direção e o filme desta última apresentação voltará aos cinemas norte-americanos no mês de novembro, quando completa 45 anos (o filme foi lançado dois anos depois do show). A nova versão traz uma introdução narrada pelo saudoso Robbie Robertson, guitarrista do grupo e trilheiro de Scorsese que nos deixou este ano. Tomara que também venha para o Brasil, porque é um filmaço e um showzaço ao mesmo tempo. Veja só um trechinho abaixo:  

Transe poético-interestelar

Paulo Beto conduziu o público para anos-luz sem sair do palco do Centro da Terra. De costas para a plateia, regendo sua pequena orquestra acústica ao mesmo tempo em que pilotava seus sintetizadores e sequenciadores, ele partiu dos textos poéticos que o cientista Carl Sagan fez sobre o espaço sideral e o lugar de nosso planeta para a sua série de TV dos anos 70 chamada Cosmos e a partir de imagens concebidas pelo videoartista Jodele Larcher, que nos atiravam às galáxias, conduziu uma viagem sensorial ao lado de sua Anvil FX Orchestra, quando contou com suas camaradas Bibiana Graeff (entre p piano, o acordeão e as teclas do glockenspiels), Livia Cianciulli (com seus saxes e flautas) e Eloíse Elipse (pilotando um theremin) para sintetizar o som do espaço enquanto Rodrigo Carneiro e Tatiana Meyer liam o texto de Sagan, misturando tudo num amálgama de poesia, cacofonia, transe sonoro e visual que hipnotizou todos os presentes. Estes ainda puderam participar do grand finale, ao disparar sons de seus telefones celulares a partir de QR-Codes coloridos que foram espalhados no público antes da apresentação – a cada tonalidade estourada na tela, um link abria uma série de sons que conversavam com a música que estava sendo feita no palco. Uma noite inacreditável.

Assista aqui:  

Anvil FX Orchestra: Cosmos

O maestro eletrônico Paulo Beto resolveu fazer uma viagem interestelar à moda antiga e transformou sua banda Anvil FX em uma orquestra para uma apresentação única, nesta terça-feira, no Centro da Terra. Rebatizado de Anvil FX Orchestra, seu grupo revisita a clássica obra Cosmos, do astrônomo Carl Sagan, em uma homenagem multimídia em que textos do livro e seriado que marcaram os anos 70 lidos com uma trilha pensada para a viagem audiovisual programada para esta noite. Sua orquestra é composta por ele mesmo, que pilota sintetizadores, sequenciadores e controla loops; Bibiana Graeff, que canta, toca piano, acordeão e glockenspiel; Livia Maria que também canta e toca saxes e flautas; e Tatiana Meyer, que narra textos. Além dos quatro, o espetáculo também conta com a voz de Rodrigo Carneiro também narrando os textos e as imagens projetadas pelo lendário videoartista Jodele Larcher. Vai ser uma viagem. O espetáculo começa pontualmente às 20h e os ingressos podem ser comprados neste link.

Tim Bernardes ao vivo no Theatro Municipal com uma pequena orquestra

E cês viram que Tim Bernardes vai repetir a sessão dupla que fez ano passado no Theatro Municipal de São Paulo? O vocalista do Terno fecha um ótimo ano anunciando o show Raro Momento Infinito, em que apresentará as músicas de seu Mil Coisas Invisíveis (além de outras) acompanhado de uma pequena orquestra. São duas sessões que acontecerão nos dias 15 de dezembro, a primeira às 19h30 e a segunda às 21h30. Os ingressos começam a ser vendidos na próxima segunda, dia 9 de outubro, a partir do meio-dia. Se você não foi no show do ano passado, dá uma sacada como foi abaixo:  

12 vezes LCD Soundsystem

E se estamos falando do futuro da música ao vivo a partir dos fenômenos recentes que vimos este ano (como o Sphere inaugurado em Las Vegas pelo U2 neste fim de semana ou as turnês gigantescas de Taylor Swift e Beyoncé), que tal essa proposta do LCD Soundsystem? O grupo estava sem apresentar-se ao vivo desde 2018 e, com a volta dos shows depois da vacina do covid-19, fez turnês pelos EUA e pelo mundo, mas cada vez mais restringem sua atuação à sua própria vizinhança. E acabaram de anunciar justamente uma residência de 12 datas no final deste ano fazendo uma turnê por três bairros de Nova York, sua cidade-natal: nos dias 16, 17, 18 e 19 de novembro eles tocam no Brooklyn Steel, no bairro do Brooklyn; nos dias 28, 29 e 30 de novembro e 1° de dezembro no Terminal 5, em Manhattan, e nos dias 7, 8, 9 e 10 de dezembro no Knockdown Center, no bairro do Queens. Tal residência, batizada de Tri Boro Tour (em referência às três vizinhanças que visitam), faz parte das comemorações do aniversário de vinte anos do grupo liderado por James Murphy e especula-se que pode se tornar seu modus operandi a partir de agora, fazendo shows apenas em sua cidade, sem ter que viajar para tocar ao vivo. Mas em se tratando de uma banda que anunciou seu fim para voltar anos depois, vai saber, né…? Os ingressos já estão em pré-venda.

Onda lenta

Lê Almeida antecipou seu próximo disco, I Feel in the Sky, em uma apresentação hipnótica abrindo os trabalhos de outubro no Centro da Terra. Em sua versão solo, ele manteve os compadres de Oruã na formação – como Bigú Medine (agora disparando efeitos), João Casaes (nos teclados) e Phill Fernandes (na bateria) – mas convidou a baixista Melanie Radford e o baterista Cacá Amaral para fazer o público decolar em câmera lenta a partir de células musicais repetidas circularmente pela banda, enquanto ele cantarolava suas canções sobre uma base que conversava tanto com o krautrock quanto com o afrobeat – e tudo num ritmo vagaroso e hipnótico, barulhento e doce na mesma medida. Em dado momento do show, ele ainda chamou mais gente pra sua gira, convocando Ana Zumpano para a percussão e Otto Dardenne e Alejandra Luciani como vocais de apoio e fez um bis com uma música que havia sido composta no dia anterior. Só delírio.

Assista aqui:  

Lê Almeida: I Feel in the Sky

Às vésperas de entrar em uma residência artística na cidade norte-americana de Seaview, Lê Almeida é a primeira atração de outubro do Centro da Terra, quando antecipa o disco que mostra este mês pela primeira vez ao vivo. I Feel in the Sky marca a transição da musicalidade deste que é um dos principais nomes da cena indie do Rio de Janeiro para uma sonoridade em que influências jazzísticas e cancioneiras o levam para uma nova fase, mais espiritualizada. Chamado de “a resposta brasileira ao Robert Pollard” pelo jornal inglês The Guardian, em referência ao líder da banda Guided by Voices, Lê mistura as referências indie e lo-fi a elementos de free jazz, afrobeat, hip hop, krautrock e música brasileira. Na apresentação ele vem acompanhado dos músicos que também fazem parte de sua banda Oruã, como Bigú Medine, João Casaes, Melanie Radford, Phill Fernandes e Cacá Amaral. A apresentação começa pontualmente às 20h e os ingressos podem ser comprados antecipadamente neste link.

Daft Punk sem bateria

Mesmo tendo pendurado as chuteiras há dois anos, a dupla francesa Daft Punk segue sua autocelebração ainda comemorando os dez anos de seu último álbum, Random Access Memories. E depois de lançar uma caixa com o disco remasterizado e com alguns extras (nada digno de ter entrado no disco, diga-se de passagem), a dupla acaba de anunciar uma versão do álbum sem bateria: Random Access Memories (Drumless Edition), já em pré-venda, parece uma contradição em relação a um disco de dance music, mas os dois já desbravaram caminhos aparentemente estranhos com bastante fluidez, como fica evidente no primeiro single que revelaram do projeto, “Within”.

Ouça abaixo:  

Centro da Terra: Outubro de 2023

Vamos à segunda metade do semestre, o que nos leva à fase final deste forte 2023, que nos trouxe tantos pensamentos e emoções sempre de forma intensa. E como neste outubro temos cinco segundas-feiras, a primeira delas (dia 2), foge da temporada e é uma apresentação única, em que o herói indie Lê Almeida revela em primeira mão, no palco, o disco que lançará este mês, I Feel in the Sky, que o aproxima de uma sonoridade jazz e espiritual. No dia seguinte, na terça-feira (dia 3), o músico e pesquisador Paulo Beto transforma sua banda eletrônica em uma orquestra e sob o título de Anvil FX Orchestra visita a obra Cosmos, de Carl Sagan, num espetáculo audiovisual que contará com as participações do vocalista Rodrigo Carneiro e do videoartista Jodele Larcher. Na segunda segunda-feira do mês começa a temporada de outubro, quando a cantora, compositora e musicista Paula Rebellato atravessa quatro segundas-feiras em suas Ficções Compartilhadas. Na primeira delas (dia 9), ela reúne-se aos saxofonistas Mari Crestani e Thiago França para mostrar suas novas composições. ERm sua segunda data (dia 16), ela dedica-se ao improviso com os velhos compadres Bernardo Pacheco, Cacá Amaral e Romulo Alexis. Depois (dia 23), ela mostra a avalanche kraut de seu Madrugada (ao lado de Otto Dardenne, Raphael Carapia e Yann Dardenne), para finalizar a temporada (dia 30) revisitando o clássico Desertshore da Nico ao lado de João Lucas Ribeiro, Mari Crestani e Paulo Beto. Haja coração! As duas terças seguintes ficam por conta da percussionista Nath Calan, que divide suas apresentações em duas partes: na primeira faz (dia 10), sozinha, sua apresentação de percussão cênica, área que se especializou, mostrando diferentes abordagens para seus instrumentos em cena em canções e temas de peças das quais fez parte. Na segunda (dia 17), entrega-se à música pop, cantando canções de artistas com quem já tocou bateria, de Fernanda Takai a Maurício Pereira, passando por Porcas Borboletas, Malu Maria, entre outros, acompanhada do guitarrista Carlos Gadelha e do baixista Eristhal. Na terça seguinte (dia 24), a cantora e compositora Manuella Julian, que apresenta-se como Manu Julian à frente de grupos como Pelados, Pequeno Cidadão e Fernê, começa a mostrar sua carreira solo, em canções inéditas e versões para músicas já conhecidas, com a guitarra de Thales Castanheira. E encerrando o mês na última terça-feira de outubro (dia 31), Maurício Pereira sobe ao palco do Centro da Terra mais uma vez acompanhado de seu compadre Tonho Penhasco, revisitando o repertório de seu disco mais recente, Micro, à luz de novidades que vem preparando para esta apresentação. Os espetáculos começam pontualmente sempre às 20h e os ingressos podem ser comprados antecipadamente neste link.