Trabalho Sujo - Home

“While she was busy being free…”

Foi maravilhosa a estreia solo de Luiza Villa nesta terça-feira no Belas Artes, dentro da primeira edição do Trabalho Sujo Apresenta que faço após o período pandêmico. Além da voz exuberante e da natural e carismática presença de palco da cantora estreante, ela ainda pode exibi-las transpondo o difícil autodesafio de atravessar o repertório de Joni Mitchell, no show Both Sides Now, em que revisita a obra da cantora em diferentes camadas. Ela começou sozinha ao violão, enfileirando “Circle Game” e “Little Green” sem perder o fòlego ao mesmo tempo em que foi apresentando os integrantes de sua banda, um a um: primeiro o violonista Tomé Antunes (em “Cactus Tree”), depois o tecladista Pedro Abujamra (em “Both Sides Now”), seguido do baterista Tommy Coelho (“Big Yellow Taxi”) e do baixista João Pedro Ferrari (“Carey”), cada um mostrando suas armas e suas habilidades até que a partir de “Hejira”, puderam mostrar como são bem amarrados como conjunto musical – Luiza inclusive, tanto nos vocais quanto na guitarra e no violão. E até o final da apresentação passearam com destreza e alegria por faixas reconhecíveis e empolgantes como “Coyote”, “Help Me” e “In France They Kiss on Main St” e outras mais espinhosas e quilométricas como “Edith and the Kingpin”, “The Hissing of Summer Lawns” (com um solo vocal de derreter qualquer ser vivo) e “Free Man in Paris”, mostrando que estão só começando a mostrar seus talentos. Um show maravilhoso que valorizou meu trabalho como diretor ao lado da produção da Beta Cardoso e da direção de arte da Olívia Pires, Olívia Albegaria e Bertha Miranda, que nos ajudaram com os vídeos, o figurino e a luz da apresentação, formando uma equipe dos sonhos. E é só o primeiro! Ave Joni!

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Sessão de terapia musical

Ao vivo, o formato Micro, que Maurício Pereira adotou em seu disco mais recente ao lado do compadre Tonho Penhasco, necessariamente torna sua apresentação uma sessão de terapia musical em que o mestre aponta suas músicas para nós, colocando-nos no meio de suas autorreflexões. Nesta terça-feira, no Centro da Terra, ele aprofundou-se ainda mais ao fugir do roteiro de sempre puxando canções – próprias e alheias – que só toca quando ensaia esse show com Tonho com o título autoexplicativo Micro Desmontado – A Gaveta Secreta do Ensaio. Por isso tome Roberto Carlos, Gilberto Gil, Beatles “Mamãe Coragem” e Marília Mendonça, “Satisfection”, Rafael Castro, composições inéditas com Tonho, duas versões para “Tranquilo” entre discussões sobre “lugar de falha”, luz e gelo seco, autopromoção de seu recém-lançado livro e lembrança da São Paulo dos anos 60, sem esquecer clássicos como “Mulheres de Bengala”, “Um Dia Útil”, “Pan e Leche” e “Trovoa”. Sempre aquela maravilha.

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Maurício Pereira: Micro Desmontado – A Gaveta Secreta do Ensaio

Encerrando a temporada de outubro no Centro da Terra, temos o imenso prazer de receber o mestre Maurício Pereira, que resolveu dissecar seu disco mais recente, o portátil Micro, abrindo seu próprio caderno de rascunhos. No espetáculo Micro Desmontado – A Gaveta Secreta do Ensaio, ele e o fiel comparsa Tonho Penhasco passeiam pelo próprio repertório mas abrindo margem para improvisos que só fazem quando se encontram sozinhos para passar o repertório que levam nos palcos. Entre músicas autorais e alheias, Pereira sempre adocica as canções com suas histórias, deixando tudo bem à vontade. O espetáculo começa pontualmente às 20h e os ingressos podem ser comprados neste link.

Erma paisagem

Paula Rebellato encerrou sua temporada Ficções Compartilhadas nesta segunda-feira no Centro da Terra com uma apresentação tão maiúscula quanto sua ousadia: reler o clássico Desertshore que Nico gravou nos anos 70 quase meio século depois, com camadas eletroacústicas que transpassavam as diferentes fases musicais da soturna diva alemã. Para isso, chamou os camaradas Mari Crestani, João Lucas Ribeiro e Paulo Beto, este último agindo como maestro da banda a partir de seus sintetizadores, enquanto Mari começou primeiro no sax para depois assumir o baixo, e João Lucas ficou na guitarra, ambos segurando vocais de apoio para o canto tenso de Paula recebendo Nico. A dona da noite, com seu timbre grave e usando poucos efeitos sobre a voz, abria, a cada canção, porteiras infinitas de ruído horizontal, que espalhava-se pela plateia como um enxame invisível de abelhas. Numa apresentação tão ritualesca quanto hipnótica, os quatro integraram diferentes camadas instrumentais que passeavam do noise ao rock clássico, passando pela música eletrônica, o noise, o industrial e o ambient, todos a serviço da ampla e erma paisagem desenhada pelas imagens invocadas por Nico, seja em inglês, francês ou alemão. Foi menos que uma hora de apresentação, mas o estado de suspensão parecia ser para sempre.

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Em nome de Joni

Tudo pronto para o espetáculo Both Sides Now que estamos preparando para a próxima terça-feira no Belas Artes. Luiza Villa e sua banda estão afiadíssimos num repertório escolhido pela própria vocalista, que celebra os 80 anos de Joni Mitchell em uma noite que promete ser mágica, como esta versão para “Hejira”. Sente o drama.

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Danilo Santos de Miranda (1943-2023)

Triste a notícia da partida de um dos maiores articuladores da cultura brasileira das últimas décadas. Danilo Miranda transformou o Sesc de São Paulo não apenas em uma força de produção cultural para além da parca visão do mercado de entretenimento como foi um dos principais fomentadores dos alicerces da cultura do Brasil, investindo tanto em infraestrutura quanto em catálogo, em fomento e educação, em acervo e abertura para novos nomes, tanto do palco quanto dos bastidores. Mostrou que a indústria e o comércio podem coexistir com arte e lazer sem detrimento mútuo e mudou a cara da produção cultural brasileira, desde seus agentes mais básicos até superproduções, passando por parcerias entre instituições públicas e privadas e conexões com a alta cultura de todo o planeta. A cultura brasileira seria completamente diferente – mais fraca, menos ousada e mais servil – sem sua presença. Salve seu Danilo, fará falta!

Música brasileira sem mulheres?

Entre Chiquinha Gonzaga e Karina Buhr, as mulheres da música brasileira tiveram que fazer muito para conseguir ter seu espaço e voz, sempre pronto para ser tirado, tolhido ou apagado a qualquer minuto. Esse foi o tema da aula que Pérola Mathias deu neste sábado no Sesc Pinheiros, dentro do curso História Crítica da Música Brasileira que estou ministrando há quatro semanas e segue nos próximos dois sábados. E entre histórias tristes e desanimadoras envolvendo nomes consagrados como Gal Costa, Clara Nunes, Dona Ivone Lara, Céu, Clementina de Jesus, Elza Soares e Elis Regina, ouvimos histórias de mulheres gigantes que até hoje são desconhecidas do público em geral, como Carolina Cardoso de Menezes, Eunice Katunda, Maria D’Apparecida e Tia Ciata e que felizmente, graças ao trabalho de tantas outras pesquisadoras, musicistas e historiadoras, seguem sendo contadas. No próximo sábado, Rodrigo Faour fala das mudanças no comportamento pautaram a música brasileira e quem foram os personagens que ousaram provocar tais transformações.

Quais são as músicas novas das coletâneas vermelha (1962-1966) e azul (1967-70) dos Beatles?

Junto do anúncio da famigerada “última faixa gravada pelos Beatles” que chega na próxima quinta-feira, a banda também anunciou uma reedição ampliada das clássicas coletâneas lançadas no início dos anos 70 que a apresentaram a gerações de fãs que não tinham acesso à sua discografia (pois os discos não eram reeditados constantemente). E apesar de não ter tido tanta repercussão, essas são as faixas novas a entrar nas coletâneas:

Leia abaixo: