“Those who came before me…”
Já comprou seu ingresso pro New Order? Se agiliza, se agiliza… É em novembro, mas tá acabando…
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1) O disco (como suporte físico) acabou?
Não acho que o disco tenha acabado e nem que vá acabar tão cedo. Ainda existe muita gente que da importância ao fator físico, de ter o disco com capa, informações e tudo mais. Acho que é um suporte que perdeu muita força, e principalmente, acho que a indústria fonográfica – especialmente as grandes gravadoras – continua instistindo em um formato de trabalho que já está falido a algum tempo. Estamos vivendo um momento de transição brutal e acho tudo isso muito interessante.
2) Como a música sera consumida no futuro? Quem paga a conta?
Essa é a pergunta que não quer calar. Algumas gravadoras já estão trabalhando com participação nos lucros dos shows das bandas contratadas, pelo simples fato de não terem competência o suficiente para recuperar o dinheiro investido na produção e marketing do disco e ainda lucrar com a vendagem. Acho que caminhos alternativos surgirão, dentro desses novos formatos de consumo de música – seja ringtone, download, podcast e oque mais vier a ser inventado.
3) Qual a principal vantagem desta epoca em q estamos vivendo?
Acho que a principal vantagem é a democratização de arquivos e programas ligados a música, que possibilitam o acesso a um vasto material a qualquer pessoa conectada e interessada no assunto – coisa que já foi um desafio enorme a uns 15 anos atrás. Hoje em dia, qualquer moleque com algum talento e alguma vontade pode fazer boa música com qualquer computador barato e ter acesso a praticamente qualquer música – em programas que compartilham arquivos entre usuários. No começo dos anos noventa, se me dissessem que em 15 anos tudo isso aconteceria, eu com certeza não acreditaria.
4) Que artista você só conheceu devido às facilidades da epoca em que estamos vivendo?
Ah, muita coisa. Quando instalei o Soulseek no meu computador, deixei-o ligado por mais de um mês direto. Devo ter feito download de uns 15 Giga de MP3 só nessa primeira leva. Fiquei maluco! Pra quem viveu a realidade de ter que comprar fita cassete gravada pelo dono da loja da galeria do rock, o soulseek é como um sonho.
5) O estado da indústria da música atual já realizou algum sonho seu que seria impossível em outra época?
Não digo a indústria musical em si, mas as facilidades que a tecnologia nos proporciona já me ajudou muito no meu trabalho. Um fato curioso foi durante a mixagem do disco da Mombojó, que não tivemos tempo suficiente para terminar o disco no estúdio da Trama – onde o disco foi gravado e quase todo mixado. Para trabalharmos com mais tranquilidade, resolvi mixar duas músicas em meu estúdio – o estúdio El Rocha – mas a banda não pode estar presente, pois tiveram que voltar para Recife. Usando um programa desses de conversa pelo computador, pudemos mixar as faixas como se eles estivessem presentes. Foi incrível!
* Daniel Ganjaman é um dos integrantes do Instituto. Sua entrevista não entrou na edição final da revista porque ele respondeu depois do fechamento, mas tá valendo.
Serjão visitou as instalações da corporação Vida Fodona e interferiu no mágico número 42 com dois pés na groovezeira – clássicos manjados, nomes gigantescos e hits imbatíveis caminham lado a lado com pérolas da discotecagem desse broder que, quando eu saí de Campinas era o melhor fotógrafo de rock do país, e agora é um DJ de black music de mão cheia.
– “No Surprises” – Easy Dub All-Stars com Meditations
– “Canto de Ossanha” – Jurassic 5
– “Rodésia” – Tim Maia
– “A Vida em Seus Métodos Diz Calma” – Di Melo
– “Não Adianta” – Trio Mocotó
– “Funky Train” – Poets of Rhythm
– “Mexerico da Candinha” – Wilson Simonal
– “Shake Your Rump” – Beastie Boys
– “Uma Vida” – Dom Salvador & Abolição
– “Fever” – Mungo Santamaria
– “Pusherman” – Curtis Mayfield
– “A Little Bit More” – Jamie Lidell
– “Dama Tereza” – Instituto + Sabotage
– “Charles Jr.” – Jorge Ben
Esse trocadilho é infame e já foi usado mil vezes, mas não custa repeti-lo – ainda mais quando se tem motivo pra isso!
Duas músicas novas: uma em vídeo (“Think I’m in Love“) e outra em MP3 (“Cell Phone’s Dead“).
Ondas rebeldes
“Rádio Guerrilha” narra a Guerra da Bósnia a partir das emissões de uma emissora alternativa
Era 1992 e o tempo fechava sobre a ex-Iugoslávia. Com seu comandante eleito, o ex-comunista Slobodan Milosevic a atiçar velhas rixas étnicas em nome do renascimento quase sagrado de uma Sérvia ancestral, um lento e doloroso Vietnã começava a ser desenhado no mapa do Leste Europeu, recém-ingresso no mundo capitalista após a falência do sistema soviético.
Na contramão dos países que antes formavam a Cortina de Ferro, o antigo império dos Balcãs entrava em uma ditadura arcaica, que fingia não interferir no nacionalismo extremo e no genocídio desenfreado, quando, na verdade, era seu principal incentivador. E sob aquele clima de paranóia, perseguição e proibição que acompanha qualquer guerra, uma pequena rádio jovem resistia bravamente à programação de mídia estatal e à agenda de Milosevic, intercalando relatos e depoimentos da linha de frente do campo de batalha com doses cavalares de Clash, Pixies, Public Enemy e Sonic Youth.
Versão chapa-branca
Até que, um dia, seus ouvintes se deparam com outra rádio, embora atuando sob o mesmo nome. Fora o pop barulhento vindo do exterior e o dedo na ferida de seu noticiário; em seu lugar, canções tradicionais e hinos militaristas se alternavam com versões chapa-branca para os acontecimentos no país.
A conclusão dos ouvintes foi inevitável: censuraram a rádio. E eles passaram a ligar para a emissora, quando eram atendidos por uma telefonista igualmente correta, que apenas dizia que a rádio era a mesma, mas havia mudado um pouco.
Depois de quase um dia inteiro de reclamações, o diretor da rádio, o jornalista Veran Matic, baixou a guarda e revelou que tudo não passava de uma brincadeira baseada nos rumores de que a rádio seria fechada.
Foco de resistência
Voltou a tocar, no dia seguinte, sua programação normal, incluindo os telefonemas dos ouvintes indignados com a mudança editorial de mentira. Só uma coisa mudou: seu slogan passou a ser “não confie em ninguém, nem na gente”.
Esse é um dos inúmeros “causos” reunidos no livro “Rádio Guerrilha – Rock e Resistência em Belgrado”, do inglês Matthew Collin, que conta a história da emissora B92 -depois, B2-92-, uma brincadeira de estudantes de comunicação que se tornou um dos principais focos de resistência política quando o horror da guerra assolou a velha Iugoslávia.
A rádio foi criada em 1989 como uma espécie de paródia às comemorações do aniversário do antigo líder comunista Tito, morto em 1980, para ter apenas duas semanas de existência. Mas a brincadeira deu gosto e logo a rádio continuaria com duas frentes que se bicavam: a do jornalismo independente e a da rádio rock. A fonte de atrito vinha do jornalismo da emissora, que achava que a rádio tinha uma programação musical extrema, que repelia ouvintes em potencial.
Mas prevaleceu a visão de Veran Matic, estudante de literatura que abandonou a vida acadêmica para dedicar-se ao jornalismo na prática. Ele acabou como uma das principais vozes do programa de rádio dos anos 80 “Ritam Scra”, que, ao lado do núcleo de jornalismo Index 202, tornou-se a base da B92.
Com pouco mais de 30 anos, boêmio e afeito ao amadorismo radiofônico por definição, Matic era um crítico de música respeitado que aos poucos se tornou um dos principais líderes de uma geração esmagada pela guerra -embora rejeitasse sempre esse papel.
Conglomerado de mídia
Cabeça da emissora, ele foi o responsável por mantê-la sempre à frente de sua época -tanto de seus detratores quanto de seus fãs- e por transformá-la num pequeno conglomerado de mídia alternativa, com editora, gravadora, emissora de TV e centro cultural.
Era um dos homens de mídia mais respeitados dos Bálcãs, a despeito das tentativas de interromper suas atividades. Ao acompanhar a saga da rádio, Collin, autor do ótimo “Altered State – The Story of Ecstasy Culture and Acid House” (Estado Alterado – A História da Cultura do Ecstasy e da Acid House), aproveita para contar a Guerra da Bósnia de uma forma simples e enxuta, ao mesmo tempo em que descreve a degradação e queda de Belgrado como amostra do que a guerra pode fazer a um país.
Mas tudo isso com um texto leve e bem-humorado -por vezes cínico- que equilibra tão bem as melhores qualidades da rádio: relatos pop disfarçados de jornalismo e jornalismo disfarçado de relato pop.
RÁDIO GUERRILHA – ROCK E RESISTÊNCIA EM BELGRADO
Autor: Matthew Collin
Tradução: Marcelo Orozco
Editora: Barracuda (tel. 0/xx/11/3237-3269)
Quanto: R$ 44 (336 págs.)
Essa matéria saiu na Folha de hoje, no Mais!. Vale ir atrás, o livrinho é istaile…
Exibição de clássicos Disney encerra festival Anima Mundi
“Você Já Foi à Bahia?”, de 1945, é um dos destaques de hoje no Memorial
O último dia do Anima Mundi 2006 será encerrado com a exibição de dois clássicos dos estúdios Disney: “Você Já Foi à Bahia”, de 1945, e “Alice no País das Maravilhas”, de 1951. Os dois filmes são uma amostra do trabalho da animadora Mary Blair, tema das palestras de um dos convidados internacionais do festival, o vencedor do Oscar John Canemaker.
Preferida de Walt Disney, Blair diferia do estilo hiper-realista do estúdio na época, que era influenciado pelo americano Norman Rockwell e pelas ilustrações européias para contos de fada. Ela usava uma paleta de cores quase surreal, de cores vivas e intensas, que são melhor demonstradas em “Você Já Foi à Bahia”, que apresentou o papagaio brasileiro Zé Carioca ao grande público, na adaptação do clássico de Lewis Carroll, além de “Cinderela”, de 1950, e “Peter Pan”, de 1953, e curtas .
Além dos dois filmes da Disney, o festival ainda tem outros dois longas como atrações de seu último dia: o brasileiro “Brichos”, de Paulo Munhoz e Tadao Miaqui, e o hilário musical politicamente incorreto “Terkel in Trouble”, dirigido pelos dinamarqueses Stefan Fjeldmark, Kresten Vestbjerg Andersen e Thorbjørn Christoffersen.
Hoje também acontecem as últimas sessões das mostras de alguns dos convidados desta edição do Anima Mundi, como a produtora brasileira TV Pingüim, os animadores britânicos MacKinnon and Saunders, do israelense Gil Alkabetz e do norte-americano John Canemaker, vencedor do Oscar de animação deste ano.
Anima Mundi, último dia
Alice no País das Maravilhas – Às 13h, na Sala II
Você Já Foi a Bahia – Às 15h, na Sala II
Mostra TV Pingüim – Às 15h, na Sala III
Brichos – Às 16h, na Sala I
Terkel in Trouble – Às 18h, na Sala I
Mostra MacKinnon and Saunders – Às 19h, na Sala II
Mostra Gil Alkabetz – Às 21h, na Sala II
Mostra John Canemaker – Às 22h, na Sala III
Anima Mundi 2006 – Último dia do festival, que acontece no Memorial da América Latina (Av. Auro Soares de Moura Andrade 664. Barra Funda. (11) 3823-4600). Ingressos a R$ 6,00 (Salas I e II) e R$ 3,00 (Sala III).
Alice às 13h de um domingo frio como esse me parece um ótimo programa, que acham? Mas se você acordou tarde (normal, ó o frio), vê se pega o Terkel, que é engraçadaço. Essa matéria saiu na Folha de hoje.
1) O disco (como suporte físico) acabou?
Nao. Quem baixa MP3 hoje ainda é nerd. A tecnologia não chegou aos eletrodomésticos como o rádio do carro. Os tios das pessoas ainda nao sabem usar a tecnologia direito. Talvez sua pergunta seja se o suporte vai acabar. Aí provavelmente também não. Vai virar um produto de nicho mas acabar não vai. O disco é apropriado para algumas situacoes que o arquivo digital não cobre.
2) Como a música será consumida no futuro? Quem paga a conta?
A conta da produção será paga na maioria dos casos pela mesma pessoa ou empresa que ganha dinheiro com o show do artista que pode ser o empresário ou um outro personagem. Em alguns casos será pago por um patrocinador privado ou público: Coca-Cola oferece o novo disco da Madonna, grátis no site cocacola.com). Em alguns casos vai continuar como é hoje: paga pelo proprio ouvinte, diretamente.
Ainda acho que o formato da tecnologia não vai ser este. Este ‘momento iTunes’ que estamos vivendo é uma bizarrice. Acredito muito mais no formato assinatura que o formato iTunes. E acho que o faroeste da troca irrestrita só acontece porque o fosso entre o establishment e o consumidor continua imenso. Os donos da bola do mercado fonografico AINDA não entenderam que o processo de donwload é diferente do processo de compra de CD. Eu quero baixar MUITA musica. E comprar CD NA CERTEZA. O comportamento é completamente diferente e o povo ainda não entendeu isto.
3) Qual a principal vantagem desta época em que estamos vivendo?
Acesso irrestrito e global. É um momento sensacional para a música.
4) Que artista voce só conheceu devido às facilidades da época em que estamos vivendo?
Dificil listar. Hoje é mais comum eu conhecer alguem primeiro online do que
em CD ou ao vivo.
5) O estado da indústria da música atual já realizou algum sonho seu que seria impossível em outra época?
Ouvir e ser ouvido sem barreiras geográficas.
* Maurício Bussab toca no Bojo e é dono da Outros Discos.
A Lia está procurando um trecho bem específico da Copa do Mundo deste ano. Quem souber, avise.
Pô, fiquei curioso.
O título não é exagero: tem música antiga regravada por banda nova, remixes, mash-ups, hits recém-saídos, músicas de discos que ainda nem foram pra fábrica, MP3s pra download, hip hop com eletrônico, dubzeira, groove de pista, falação contida, brasileiros na medida, raridades, cruzamentos, intervalos curtos, funk carioca e começa e termina com o Radiohead. Acho que agora acertei a mão (sem trocadilhos e/ou piadinhas, plis).
– “Nobody Does It Better” – Radiohead
– “Cheryl Tweed” – Lily Allen
– “Carnaval Inesquecível na Cidade Alta” – Mundo Livre S/A
– “MTV Makes Me Want to Smoke Crack” – Beck
– “Woman (Mstrkrft Remix)” – Wolfmother
– “This Fire (Playgroup Remix)” – Franz Ferdinand
– “Bring the Seven Nation Army” – White Enemy
– “Tremendo Vacilão” – MC Perla
– “Ela Mama Meu Ganso” – Mr. Catra
– “Só Putaria” – MC Paulão
– “Pasmina” – Rabu Gonzalez
– “Crazy Logic” – Arty Fufkin
– “Smiley Faces Hypnotize” – Gnotorious
– “I Don’t Feel Like Dancing” – Scissor Sisters
– “From Atlantis to Interzone” – Klaxons
– “Take Me Back to Your House” – Basement Jaxx
– “Let Down” – Easy Star All-Stars com Toots and the Maytals
Biggie Smalls reencarnou entre o Dangermouse e o Cee-lo. Valeu, Amauri!