Trabalho Sujo - Home

O terror de Johnny Jewel

Quem voltou a dar o de sua graça foi Johnny Jewel, a cabeça por trás dos saudosos Chromatics e capo do selo Italians Do It Better, que acaba de anunciar o lançamento da trilha sonora do filme holandês The Witch, escrito e dirigido por Fien Troch. Com influências confessas John Carpenter, Goblin, e Tangerine Dream, a trilha foi anunciada com a música batizada com o nome da protagonista do filme, uma adolescente de quinze anos chamada “Holly”. É inevitável perceber as referências à trilha do Suspiria de Dario Argento que a banda prog italiana Goblin compôs em 1977. A trilha já está em pré-venda e deverá ser lançada no dia 13 de outubro.

Ouça abaixo:  

Isso era o que Joni Mitchell deixava de fora nos anos 70…

Joni Mitchell segue abrindo seus arquivos e a próxima caixa de lançamentos está prevista para o início do mês que vem: Joni Mitchell Archives, Vol. 3: The Asylum Years (1972-1975), já em pré-venda, como o título entrega cobre o período em que a cantora e compositora canadense esteve na gravadora Asylum e gravou os discos For the Roses (1972), Court and Spark (1974) e The Hissing of Summer Lawns (1975), inspirados pela mudança drástica que fez em sua carreira naquele período, quando parou de fazer shows e mudou-se para a região de Sunshine Coast, na costa oeste canadense. O novo cenário mudou o ritmo e os temas de suas canções, além de aproximar sua musicalidade do jazz. Como as caixas anteriores, The Early Years (1963-1967) lançada em 2020, e The Reprise Albums (1968-1971), de 2021, esta também reúne uma série de gravações inéditas tiradas do arquivo da própria Joni com supervisão dela mesma. E além de duas faixas gravadas com Graham Nash e David Crosby e versões alternativas para cada uma das faixas dos discos, o lançamento ainda traz músicas que a compositora e musicista deixou de fora de sua discografia, como esta maravilhosa “Like Veils Said Lorraine”, que ela mostra antes do lançamento e que muito artista daria alguns anos de vida para ter composto.

Ouça abaixo:  

Cataclisma sonoro

Quem foi ao Sesc Avenida Paulista nesta quinta-feira pode aproveitar mais uma avalanche sonora provocada pelo Test em sua versão hiperbólica, a Test Big Band, e só quem esteve presente tem noção do impacto que foi essa primeira apresentação que o grupo faz neste formato depois da pandemia. Além dos heróis João e Barata, os responsáveis por esse cataclisma de som que o público pode assistir, eles contaram com Sarine na percussão, Bernardo Pacheco no baixo, Alex Dias no contrabaixo acústico, Rayra da Costa nos eletrônicos, Livia Cianciulli no saxofone, Romulo Alexis no trompete, Flavio Lazzarin na bateria, Tomas Moreira, Chris Justtino e Jonnata Doll nos vocais e Maureen Schramm na luz. Vida longa ao Test!

Assista aqui:  

De volta à Test Big Band

Feliz por conseguir realizar o retorno da Test Big Band depois do período pandêmico nesta quinta-feira, no Sesc Avenida Paulista. Uma das principais bandas da cena noise brasileira, a dupla Test, formada por João Kombi (guitarra e vocais) e Barata (bateria), já extravasaram há muito tempo os limites do metal e do grindcore e hoje são uma usina compacta de barulho extremo. Mas esse elemento compacto vai para as cucuias no formato Big Band. Fui apresentado a essa formação – quando a dupla expande-se para a quantidade de músicos que eles conseguem colocar no palco – quando era curador de música do Centro Cultural São Paulo e reunimos dez músicos além da dupla na mítica Sala Adoniran Barbosa. Desta vez Barata e João são acompanhados por outros onze músicos: Sarine (percussão) e Bernardo Pacheco (baixo), que já tocam com os dois quando o grupo torna-se um quarteto, além de Alex Dias (contrabaixo acústico), Rayra da Costa (eletrônicos), Livia Cianciulli (saxofone), Romulo Alexis (trompete), Flavio Lazzarin (bateria), Tomas Moreira, Chris Justtino e Jonnata Doll (vocais) e Maureen Schramm (luz). A apresentação dessa parede sonora acontece no Sesc Av. Paulista a partir das 20h. Os ingressos já estão esgotados, mas quem conhece o Sesc sabe que, chegando na hora, sempre corre o risco de sobrar um ou outro ingresso. Vamos?

14 anos de Cultura Livre e 7 anos de Som a Pino!

Comadre Roberta Martinelli me chamou para tocar mais uma vez em uma festa sua e a desta quinta-feira vale por duas, afinal comemora os 7 anos (!) do Som a Pino, seu programa diário na rádio Eldorado, e os 14 anos (!!) do Cultura Livre, seu programa semanal na TV Cultura, duas instituições da nova música brasileira e do novo jornalismo brasileiro que cobre música. A festa acontece no já clássico Bubu, que fica na marquise do estádio do Pacaembu, a parrtir das 19h, quando a querida Isadora Almeida começa a discotecar, até eu chegar, um pouco antes das 22h, para segurar a noite até o final. A regra é clara: só música brasileira e a entrada é gratuita. É só chegar. Vamos?

Magnetismo de longa data

O Campo Magnético que batizou o encontro de Maurício Takara e Guizado nesta quarta-feira no Centro da Terra é o da convivência artística. Os dois já participaram juntos de inúmeros shows e projetos, tocando seus próprios trabalhos ou em bandas de outros artistas numa amizade que atravessa décadas. Mas os dois nunca tinham estado sozinhos num mesmo espaço para criar juntos e entraram numa sintonia fina cada um com suas ferramentas: Takara disparando samples, bases eletrônicas, puxando percussão e até um trumpete piccolo, enquanto Guizado conduziu a partir de seu instrumento, o trumpete, processado por um computador, em que adicionava efeitos, e também sampleando a própria voz. Foram duas longas imersões em que a conexão musical dos dois era quase palpável.

Assista aqui:  

M. Takara + Guizado: Campo Magnético

Dois instrumentistas gigantes, cada um deles ja dono de uma temporada inteira no Centro da Terra, retornam ao palco do Sumaré para um encontro único. Maurício Takara e Guizado juntam seus instrumentos-base, a bateria e o trompete, respectivamente, a pedais, plugins e synths para desconstruir canções dos respectivos repertórios nesta quarta-feira, na apresentação Campo Magnético. O espetáculo começa pontualmente às 20h e os ingressos podem ser comprados neste link.

Quando um Monkee celebra o R.E.M.

Imagine que um dos nomes que você cresceu escutando resolve gravar um disco só com as músicas de sua banda? Essa sensação estranha e única pode ser sentida pelos quatro integrantes do R.E.M. descobriram que Micky Dolenz, o único sobrevivente dos quatro Monkees, lançaria um EP dedicado apenas à obra do seminal quarteto indie norte-americano. Didaticamente batizado de Dolenz Sings R.E.M., o disco, que já está em pré-venda, será lançado no dia 3 de novembro e para anunciar o álbum, Dolenz liberou uma das quatro músicas que regravou, “Shiny Happy People” (ouça abaixo), que entrará no disco ao lado de “Radio Free Europe”, “Man on the Moon” e “Leaving New York”  

Acordando com Ana Frango Elétrico

Que tal acordar com Ana Frango Elétrico? Essa “Insista em Mim” que a carioca lançou na madrugada desta terça pra quarta-feira é outro sinal que seu próximo disco, Me Chama de Gato Que Eu Sou Sua, parece ser tudo isso que promete: uma balada funky com toques de Lincoln Olivetti (sim, sopros e cordas!) sobre a paixão física e as pequenas coisas que tornam outra pessoa tão singular. E fecha com esse verso tão singelo e intenso ao mesmo tempo: “Pegue o que quiser de mim, me plante agora em seu jardim e se eu murchar me regue, insista em mim”. O novo single é um contraponto perfeito a “Electric Fish“, groovezeira que abre o disco que sai no mês que vem em inglês, e vem acompanhado desse belo clipe feito por Marina Zabenzi. Não custa lembrar que, além de músicas com títulos como “Nuvem Vermelha”, “Coisa Maluca”, “Boy of Stranger Things” e “Camelo Azul”, o disco ainda traz versões para “Debaixo do Pano” da Sophia Chablau e “Dr. Sabe Tudo” do Rubinho Jacobina (ou será que é a do Dilermando Reis?), como dá pra ver no Bandcamp da Ana. Isso só aumenta ainda mais a expectativa em relação ao disco. Veja o clipe e a ordem das músicas abaixo:  

DM: Sobre a importância de Fabio Bianchini

Finalmente vi Barbie, mas atropelo o comentário sobre o filme de Greta Gerwig para falar sobre o novo filme de Kleber Mendonça Filho, que Dodô usa como gancho para falar sobre museus e acervos – neste caso, pessoais. E em mais um DM emotivo, mergulhamos na coleção de lembranças que cada um de nós carrega e usa como autoficção para definir quem somos, cada um de nós. Isso é deixa para mergulharmos em amizades que nos deixaram, como a do meu querido irmão Fred Leal – que Dodô só conheceu pela internet, como pode? -, a trágica história de seu compadre de adolescência Elmer e, vamos festejar nossos amigos em vida, do grande Fabio Bianchini, o Mumu, uma das melhores pessoas que conhecemos (e olha que conhecemos muita gente boa).

Assista aqui: