Trabalho Sujo - Home

“In My Life” – Beatles

[Intro] A E7

There are [A]pla-ces I’ll re[F#m]member[A7]
All my [D]li__fe[Dm], though [A]some have changed.
[A]Some forever, not for [F#m]Better;[A7]
Some have [D]go__ne[Dm], and [A]some re-main.

All these [F#m]plac-es had__their__[D]moments,
With [G]lovers and friends _ I [A]still re-call.
Some are [F#m]dead_and_some_are _[B7]iving,
In [Dm]my__life I’ve [A]loved them all.

[A][E7]But of [A]all these friends and [F#m]lov-ers[A7],
There is [D]no__one[Dm] com[A]pares with you.
[A]And these mem’-ries lose their [F#m]meaning[A7],
When I [D]think of__[Dm]love as [A]some-thing new.

Tho’ I [F#m]know__I’ll__nev-er lose af-[D]fection
For [G]people and things_that [A]went be-fore,
I [F#m]know I’ll of-ten stop and think a-[B7]bout them.
In [Dm]My__Life I [A]love you more.

[A] [E] [F#m] [A7] [D] [Dm6] [A] [E]
[A] [E] [F#m] [A7] [D] [Dm6] [A] [E] [A]

In [Dm]My__Life I [A]love you more.

Repete intro.

Ned Ludd

O problema “carro” é o alvo do décimo-primeiro (contando o virtual Paris: Maio de 68) livro da coleção Baderna, Apocalipse Motorizado (cujo subtítulo – “A Tirania do Automóvel em um Planeta Poluído” – acena para o No Logo de Naomi Klein). O novo livro é organizado pelo mesmo Ned Ludd que compilou a coletânea Urgência das Ruas, que reunia textos dos grupos Black Bloc e Reclaim the Streets, entre outros, e trata praticamente dos mesmos assuntos (cidadania, ecologia, qualidade de vida, espaço público, interesses de minorias, etc.) só que usando o automóvel como ponto de partida. Ludd é o pseudônimo do tradutor Leo Vinícius, que me deu esta entrevista – abaixo, a íntegra.

Fale um pouco sobre os movimentos anticarro que existem e existiram. Pode se falar em uma espécie de “cânone” do pensamento antiautomóvel?
Antes de mais nada, é preciso que fique claro que não existe “movimento anticarro” num sentido restrito da expressão, que seria conseqüente de uma cisma contra o automóvel e que visasse pura e unicamente aboli-lo. O que existe são diferentes movimentos, movidos por uma série de valores, que questionam na teoria e na prática o uso de automóveis, a construção de estradas, etc., por perceberem que eles destroem o ambiente, matam pessoas em quantidade, roubam espaço público, tornam a cidade e a vida cotidiana mais e mais insuportáveis, criam e amplificam desigualdades sociais…
Por desenvolverem alguma prática que se contraponha visivelmente ao absolutismo dos automóveis e à expansão do seu uso, são muitas vezes enquadrados como “movimento anticarro”. Muitos desses movimentos são considerados também como movimentos ecologistas, anarquistas ou anticapitalistas, e com razão não ficariam muito felizes por serem rotulados como “anticarro”. Muitas vezes, por uma simples questão de comunicação, é-se forçado a enquadrar os movimentos sociais numa lógica identitária, onde se opera sempre uma redução mais ou menos violenta de sua riqueza.
Dito isso, por vezes apontam um movimento “urbano-conservacionista” dos anos 1950 nos EUA como sendo o primeiro a contestar publicamente o urbanismo moldado em função do automóvel, assim como seu impacto estético e ecológico. O movimento Provos, na Holanda, dos anos 60, também não pode deixar de ser citado – confira o excelente livro sobre ele da coleção Baderna. Provos foi um movimento de forte influência anarquista, precursores de muitas “bandeiras” e características de movimentos posteriores, que contestou o automóvel de forma ácida e inteligente. Podem ser considerados pioneiros no que diz respeito a isso. Não por acaso a “bicicleta branca” virou uma espécie de símbolo do Provos. Bicicletas essas que eles pintavam e espalhavam pela cidade para uso público. O que era um plano de loucos nos anos 60 virou política pública três décadas depois em algumas cidades européias, como Rochelle na França, Aveiro em Portugal e mais recentemente em Helsinque (Finlândia), onde foram postas bicicletas para uso público e gratuito em vários pontos da cidade.
Deve-se destacar as várias associações de usuários de bicicleta que surgiram a partir dos anos 70 na América do Norte – mas não somente lá -, que promoveram também um questionamento da “cultura do automóvel”. Nos anos 90 a Inglaterra foi palco de um vigoroso movimento de ação direta contra a construção de estradas e pela retomada das ruas – privatizadas pelo automóvel. Dois dos artigos contidos no Apocalipse Motorizado são parte dessa cena inglesa.
Não sei se é possível falar em pensamento antiautomóvel, quanto mais em “cânone” de tal pensamento. Existe o pensamento que se levanta contra problemas da vida cotidiana e da sobrevivência, relacionando-os à totalidade de relações sociais, de técnicas e tecnologias. Ele é sempre um pensamento de crítica social, antes de ser um pensamento “antiautomóvel”. Se ele contesta e se insurge contra alguma tecnologia é porque as tecnologias não são neutras, nelas há valores e significações intrínsecas, e que portanto jogam a favor ou contra determinados valores ou racionalidades.
É por isso que, para mim, hoje, os principais “movimentos anticarro”, se assim se pode dizer, estão no chamado Terceiro Mundo. São movimentos de povos originários, por exemplo. Nesse sentido os zapatistas são proeminentes – não canônicos. E não apenas por terem rejeitado e ridicularizado a “oferta” de “fusca, televisão e mercearia” com a qual o presidente mexicano Vicente Fox sugeria resolver o problema indígena, mas principalmente pelas significações de tempo, de terra, entre outras, – que formam a cultura que eles lutam por manter – serem por si só antagônicas às significações intrínsecas ao automóvel, aos valores que andam com ele e com sua difusão.

Quando este tipo de questionamento começa a surgir na sociedade? Há algum marco zero da luta contra, não apenas a industria automobilistica ou do petróleo, carro?
No meu entender, e até onde vai meu conhecimento, não há um fato que possa ser considerado um marco zero de contestação ao automóvel. Pode-se dizer que a contestação ocorre mais ou menos na própria medida que sua difusão cria situações contra as quais parte da sociedade se insurge. Infelizmente não houve uma previsão, com penetração social, das conseqüências sociais e ambientais decorrentes do uso e difusão do automóvel como, por exemplo, existe hoje em relação aos transgênicos.

Você acredita no iminente colapso deste sistema ou acredita que, pouco a pouco, as pessoas podem conscientizar-se do problema antes da “rede travar”?
Devemos nos perguntar se o que você chama de rede – a circulação de veículos motorizados – já não está travada. Se se considera que o trânsito de automóveis em São Paulo não está travado, a partir de que ponto pode-se considerá-lo travado?
De qualquer modo, a questão não é evitar a “rede travar” ou destravá-la. Ora, isso já é o que historicamente os governos têm feito, construindo mais vias e infraestruturas para os automóveis, ampliando assim os problemas gerados pelo automóvel para que por um período de tempo a rede não trave ou não fique travada.
De minha parte, dentro da própria tônica do livro, melhor seria se o trânsito de automóveis travasse de vez e permanecesse assim. Com os carros parados o pedestre pode atravessar as pistas mais seguramente, a qualquer momento e lugar – tendo cuidado ainda com as motos. Quem sabe as crianças poderiam voltar a brincar nas ruas, fazendo um esconde-esconde entre os carros. Parados os carros já são um incômodo, mas certamente são piores se movendo. E à baixa velocidade são menos assassinos. E em geral o ciclista anda com mais segurança quando o trânsito de automóveis está engarrafado. Ivan Illich, no artigo Energia e Eqüidade, demonstra como a existência de veículos que circulam acima de 25 km/h faz com que o tempo social dedicado à circulação aumente – entre outros efeitos socialmente nocivos -, ao contrário do que supõe o senso comum e a cabeça de governantes e engenheiros. Enfim, o problema de circulação de pessoas não consiste no trânsito de automóveis travar, mas no próprio carro.

Como a pessoa comum pode contribuir para o fim deste sistema? Claro que uma resposta como “ande menos ou não ande de carro” parece ser a melhor contribuição, mas você tem de considerar os vícios criados pelo sistema – desde o comodismo do automóvel ao sucateamento do transporte público e passando pelo conforto individual e o glamour da velocidade.
Talvez não seja enquanto pessoa comum, se isso significar o indivíduo isolado que forma a multidão que habita as cidades, que alguém contribuirá para alguma mudança. Só coletivamente se consegue alguma coisa. Toda a história das conquistas e transformações sociais demonstra isso. Além do mais deve-se evitar extrapolar a “pessoa comum” de classe média para toda sociedade. Nas favelas e em muitos bairros de periferia a “pessoa comum” não tem carro, essas estão sempre na posição do atropelado, e nunca na de atropelador, por exemplo. E o que elas fariam coletivamente nesse sentido talvez fosse substancialmente diferente.
Como André Gorz ressalta, o absolutismo do automóvel é especialmente cruel porque ele transformou o próprio automóvel em uma necessidade, uma vez que o espaço urbano é moldado por ele e projetado para ele. Como fica claro ao ler o Apocalipse Motorizado, não se pode tratar as questões de urbanismo, da vida cotidiana, ecológicas, tecnológicas e econômicas separadamente. Existe uma frase de Mr. Social Control que talvez resuma bem o espírito e uma conclusão geral do livro: “não há nada de revolucionário em relação a algo tão racional como a abolição do carro, embora possa ter que haver uma revolução para liquidar os interesses multinacionalmente investidos que impedem que tal racionalidade seja alcançada”. E não é preciso ter carteirinha de subversivo para se convencer disso.

Fale do movimento anticarro no Brasil – das dificuldades – como a ausência de malha ferroviaria – às iniciativas.
Como expliquei anteriormente, “movimento anticarro” é um rótulo complicado. Não sei se ele existe no Brasil, e, em certo sentido, não sei se é desejável que exista. Certamente o que é desejável é que movimentos sociais que visam uma transformação social radical incorporem a crítica a tecnologias e ao automóvel, e que movimentos que surgiram e que surjam como conseqüência de problemas pontuais diretamente ligados ao automóvel incorporem por sua vez uma crítica social global, por perceberem que só uma transformação mais ampla pode pôr fim a esses problemas. Bem, de qualquer forma, existem algumas associações de ciclousuários, além das Bicicletadas que ocorrem em algumas cidades brasileiras que questionam de alguma forma a “cultura do automóvel”. Em São Paulo as bicicletadas ocorrem no último sábado de cada mês, saindo às 10:00h da esquina da Consolação com a Paulista. Elas também ocorrem em Floirianópolis – agora na última sexta-feira de cada mês -, Porto Alegre, Rio de Janeiro entre outras cidades. Para saber como é e o que é exatamente a bicicletada acesse o site www.bicicletada.org .

Por que usar o pseudônimo Ned Ludd?
Para responder a essa pergunta preciso explicar primeiramente quem foi Ned Ludd, ou melhor, quem não foi Ned Ludd. Ele foi um não-líder, um não-general e uma não-persona. Ele não existiu como pessoa, ao menos não se tem nenhuma evidência de que tenha existido como tal. Ned Ludd foi muito provavelmente um múltiplo, tataravô de Luther Blissett. O movimento que o criou como personagem mítico, ponto de consciência coletivo, acabou ficando conhecido com referência a seu nome: os ludditas. Ned Ludd não significa um indivíduo, mas muitos, que formam uma coletividade.
Um livro, como de alguma forma tudo, é uma obra coletiva. Várias pessoas trabalharam diretamente nele – além daquelas que assinam os textos. Foi um trabalho coletivo, no qual outras pessoas participaram ativamente com sugestões de conteúdo, do título e na seleção dos geniais cartoons de Andy Singer que ilustram o livro, por exemplo.
Outro motivo é resgatar e difundir a história do movimento luddita. Usar o nome Ned Ludd serve como isca para tanto. Para ser minimamente conseqüente com o que digo, escrevo, acredito e desejo, nada mais natural do que tentar trocar a curiosidade que possa surgir pela minha vida pessoal pela curiosidade pela história social e dos movimentos revolucionários. O movimento luddita foi um movimento de massa de trabalhadores que surgiu na Inglaterra durante a Revolução Industrial. Só foi derrotado por um contingente militar maior que o enviado para lutar contra as tropas de Napoleão. Ficaram conhecidos historicamente por uma dentre outras ações que praticavam: quebrar e incendiar fábricas e suas maquinarias. Percebiam eles que as técnicas e tecnologias não eram neutras, encarnavam valores e processos que estavam os destituindo de seu modo de vida e sua autonomia. Para os lucros dos burgueses a fábrica era um progresso, mas certamente não para os trabalhadores que perdiam assim sua autonomia.

Americano narra tempo esquecido das casas de ópio

Materinha sobre o “A Última Casa de Ópio” (istaile, vê se arruma) que saiu hoje na Folha.

A milenar arte de se desprender da realidade num luxuoso clube reservado parece ser o delírio mais narcisista da história ou um convite para a completa alienação social, mas nas mãos do escritor norte-americano Nick Tosches se tornaram a melhor metáfora para um tempo humano que passou. Assim é “A Última Casa de Ópio”, curto relato sobre a procura por uma perdida tradição sagrada que funciona como um testamento para um mundo massacrado pelo século vinte.

Enquanto descreve com minúcia a história, a glória, a decadência, os efeitos e o preparo da antiga substância, mostra como o mundo fora das casas de ópio tornou-se voraz porém inofensivo, ao mesmo tempo agressivo e boçal, gigantesco mas pequeno. Tosches passa por yuppies que pagam uma nota preta em uma única cebola, motoqueiros fugindo de metralhadoras, sommeliers que não reconhecem o gosto de esterco no paladar, chineses que comem bexiga de cobra viva, prostitutas tailandesas, enquanto foge feito o diabo da cruz de tentações modernas – heroína, Starbucks e a ânsia modernizadora de um futuro afobado para chegar.

Mais do que uma simples apologia a um hábito lendário que o vazio abarrotado de nossa época tornou tabu, “A Última Casa…” é um libelo individualista com a força juvenil de um Thoureau ou Hakim Bey, mas com sarcasmo e desprezo sábio por tudo aquilo que, apesar de parecer nobre, é supérfluo, placebo – e enfileira a alta cozinha, o culto fresco-intelectual ao vinho, a globalização e o tráfico internacional de drogas como recalques diferentes de um detrator modo de vida pós-industrial que destruiu o sabor de ser humano. Tosches conversou com a Folha sobre este assunto.

A Última Casa de Ópio é, ao mesmo tempo, um romance, uma reportagem e um artigo, com momentos que podem ser verdadeiros ou falsos além de uma narrativa que é pura digressão.
Verdade. Ficção. Lenda. Literatura. Jornalismo. São categorias, marcas. Nós amamos categorias, amamos marcas. Elas nos impedem de termos de perceber por conta própria. Mas no fim das contas, dá no mesmo. No caso de “A Última Casa de Ópio”, direi que tudo é verdade: a verdade da experiência, a verdade do meu coração.

À medida em que você guia o leitor pelo livro, você também descreve a destruição de um velho mundo pelo modo de vida consumista sociedade ocidental. Que outros prazeres foram esquecidos, além do ópio?
Perdemos o maior prazer de todos que é o prazer de sermos nós mesmos. O amor pelo dinheiro, se tornar um rato numa cultura guiada pelo consumo destes tempos, faz de nós fraudes. Quando passando a maior parte de nossas horas acordadas num trabalho, fingindo que gostamos do trabalho, fingindo que gostamos de nosso chefe, fingindo que estamos interessados no nosso trabalho, então o fingimento torna-se um estilo de vida. Nos tornamos o que T.S. Eliot chamava de “homens ocos”. Quase tudo que consumimos, quase tudo que compramos, é placebo. Esses produtos de uma cultura consumista vazia é que são as verdadeiras drogas perigosas. Nossa “guerra contra as drogas” devia ser contra essas coisas.

Vivemos em dias em que até a crítica musical é considerada uma arte.
“Arte” é uma palavra besta. Há muito tempo, homens pintavam imagens en cavernas. Hoje, as chamamos de arte. Para eles, era magia. Agora não temos quase nenhuma magia e tudo é chamado de arte. O pior cantor de música pop é agora um “artista”. De novo, “arte” se torna uma categoria sem significado.

Como as pessoas podem sair da segurança e conforto da vida diária e voltar a gostar do risco?
Tendo a força e a coragem para não ligar pra nada, percebendo que este é o mundo dos aristocratas e não o seu, percebendo que o dom imenso e belo de respirar vivos é tudo que temos.

Você acha que a espiritualidade e drogas de expansão de conhecimento estão conectadas umas às outras ou isso é mais uma bobagem new age?
As drogas não tornam ninguém espiritual. Mas a espiritualidade pode melhorar as coisas. Tudo, das drogas à consciência da brisa no ar. Mas o ópio tem uma certa magia. É uma vergonha podermos comprar toda a heroína que quisermos e ser tão difícil achar ópio. Mais uma vez, isso é culpa de nossa cultuira consumista: ópio vale mais dinheiro quando torna-se heroína. E também, hoje em dia, todo mundo quer o ritmo rápido da vida. Ópio é uma lenta e luxuosas sedução. Eu posso andar vinte minutos de onde moro e comprar armas, heroína, crack. Mas eu não acho ópio de verdade. Eu não posso nem fumar um cigarro no bar. É ridículo.

O livro era uma matéria que cresceu demais ou você teve de cortar páginas para mantê-lo curto?
Escrevi “Última Casa de Ópio” para a “Vanity Fair”. Da forma que eu o escrevi, tornou-se muito extenso para uma matéria numa revista. Tinha 25 mil palavras, 100 páginas. Então tive que cortá-la para o tamanho atual. Isto foi bom, porque a versão longa tinha muitas coisas que poderiam causar problemas para mim. O texto foi publicado na revista em setembro de 2000. E então foi publicado como um pequeno livro na França, depois como um pequeno livro aqui nos EUA e agora, felizmente, no Brasil, onde ainda existe pelo menos uma casa de ópio de verdade.

É mesmo? Você a visitou?
Não, mas tenho amigos de Nova York que são do Brasil.

Como este livro se relaciona com seus livros anteriores?
Todos meus trabalhos estão relacionados. Eles todos são aspectos meus, por bem ou por mal. Mas este pequeno livro sobre ópio é especial para mim. Eu estava tão enojado dos rumos deste mundo quando o escrevi. Foi como um ingresso para a liberdade e eu o escrevi para mim, uma chave que forjei para sair daqui e respirar livre mais uma vez.

É isso o que é o rock’n’roll?
É. O bom rock’n’roll, rock’n’roll de verdade. Há tão pouco, hoje em dia.

A Última Casa de Ópio
Autor: Nick Tosches
Editora: Conrad
Número de páginas: 98
Preço: R$ 25,00

***

Por que ler
Mescla a história do ópio (“o remédio de Deus”) com a própria história humana – Adão, Alexandre o Grande, Maquiavel e Homero – ao mesmo tempo em que destrói o neocafonismo elite-branca e passeia pelos submundos asiáticos com uma prosa direta, sem afetações pop.

Raio X
O norte-americano Nick Tosches (1949-) nasceu em Nova Jérsei e é contemporâneo de críticos musicais como Lester Bangs, Richard Meltzner e Greil Marcus, começou resenhando discos e acompanhando astro do rock em revistas como Creem, Rolling Stone e Fusion, mas logo pulou para os livros, especializando-se em biografias. Hoje é colaborador do jornal The New York Times e da revista Vanity Fair.

Bibliografia
Hellfire (1982) – A história de Jerry Lee Lewis, considerada pela revista Rolling Stone como “a melhor biografia de rock já feita”.
Dino – Living High in the Dirty Business of Dreams (1992) – Biografia do ator e cantor Dean Martin.
The Devil and Sonny Liston (2000) – A história do boxeador.
King of the Jews: The Arnold Rothstein Story (2005) – O biografado da vez é o chefão do crime organizado nos anos 20.

Som na caixa, mané

É, eu malacostumo vocês…

VF 28 – Especial Dia dos Namorados, com Mombojó, Portishead, Maria Rita, Cordel do Fogo Encantado, Fatboy Slim, Curumin, DJ Dolores, Madonna com Massive Attack, Hyldon, Cartola, Nação Zumbi e Cansei de Ser Sexy.
VF 29 – A presença de Danúbio intercalada com Cake tocando Bread, seqüência soul com Jamie Lidell, Tim Maia e Gnarls Barkley, Grenade e PELVs novos, três novos nomes de Salvador, o email do amor, BASS Commando, Astromato clássico, Marvin Gaye, Scissor Sisters, Moby remixado, Lucas Santtana e Marcelo D2 caído.
VF 30 – Tropicalice, 40 anos de Revolver, Hendrix hip hop, Paul solo, Grenade novo de novo, músicas que parecem dos Beatles, tributo ao segundo semestre, Floyd praiano, Aretha reggae e Rita Lee rock.
VF 31 – S“Crazy” fofa, guitarrista húngaro, métrica de tirar o fôlego, rocksteady californiano, Bezerra com Body Count, funk alemão, suingue baiano, Mombojó toca Chico (Buarque), Diplo salva o TVotR, dueto em italiano e “estranho miasma orgásmico”.
VF 32 – A mover el coolo, Madonna latina, Hurtmold, nova do Cassiano, GBV, Dylan, Lily Allen, Módulo 1000, Novos Baianos, Pixies tocado por Bee Gees, Jimi Hendrix e Beach Boys, Boards of Canada e A Cor do Som.
VF 33 – Releve o som de baixa qualidade nos intervalos das músicas e desfrute de entrevistas com Felipe Machado (Estúdio Livre), Rafael Evangelista (LabJor/Unicamp) e Fábio FZero (Gerador Zero), todos participantes do segundo iSummit, que aconteceu no fim de semana passado no Rio de Janeiro. Aproveitando a ida à carioca, papos rasos com Arnaldo Branco (Capitão Presença) e Matias Maxx (Cucaracha), sobre seus novos lançamentos. No meio disso, Ween, Cidadão Instigado, Concerto para Notebook e Harpa, Faust, Gil Scott-Heron, Replacements tocando T-Rex, Instituto, Steely Dan, Beastie Boys, ADF, BNegão, João Brasil, Mano Negra e Tim Maia.

A partir de agora, post novo a cada programa. Um dia cê acostuma e vai direto pra lá.

Nesta sexta, vulgo hoje

ConviteDriGi.JPG

Então, o Puri é um restaurante (bem istaile), mas pode ser que vire balada. O aniversário é da Dri e da Gi, sua presença é o presente (que brega, haha). 10 contos consumíveis, é só vir sem expectativa…

Nerdismos de Copa

Primeiro, um guia (desses que tão circulando por email) pros gringos pronunciarem os nomes dos jogadores brasileiros. Valeu, Ju:

1 – Did Are
2 – Car Full
3 – Look See You
4 – Who One
5 – When Mear Son
6 – Who Bear To Car Loss
7 – Add Dream An No
8 – Car Car
9 – Who Now Do ( Few Now Mem No )
10 – Who Now Dream You Gay You Show
11 – Zero Bear To
12 – Who Jerry Scene
13 – See Seen You
14 – Crisis
15 – Lowis On
16 – G You Bear To
17 – June In You
18 – Mean Arrow
19 – G You Bear To Silver
20 – Rich Are Dream You
21 – Fried
22 – July Seissor
23 – Who Bean You

E depois, é uma conspiração oculta que diz que, não apenas o Brasil irá conquistar o hexa (sabia que pronuncia-se “Éza” e não “Éksa” – não lembra como se fala “hexágono”, não?) esse ano, como vai ficar cinco copas sem ganhar nada. Léo e Arnaldo que começaram esse papo, se liga na ordem dos campeões da Copa…

1930 – Uruguai
1934 – Itália
1938 – Itália
1950 – Uruguai
1954 – Alemanha
1958 – Brasil
1962 – Brasil
1966 – Inglaterra
1970 – Brasil
1974 – Alemanha
1978 – Argentina
1982 – Itália
1986 – Argentina
1990 – Alemanha
1994 – Brasil
1998 – França
2002 – Brasil
2006 – ?

Então pegue o ano de 1982 como centro e vá reparando na estranha coincidência que acontece à medida em que nos afastamos dele – as copas anterior e posterior a 82 são da Argentina, indo mais pra trás e pra frente as copas são da Alemanha (74 e 90), depois Brasil (70 e 94) e, a única não-coincidência acontece agora, quando em 66 e 98 os campeões são Inglaterra e França – mas, rá!, são times europeus que ganharam seu único título quando foram o país-sede. Por essa conta, a copa de 2006 equivale à de 58, que foi o primeiro título brasileiro. Ou seja, se ganhar essa, é a última!

Mas até parece: tá tudo se armando pra final ser Brasil e Alemanha (a melhor final em todos os sentidos – audiência, publicidade – talvez não em futebol) e comece a reparar a quantidade de matérias falando que o povo alemão é outro, renascido, bem-humorado, longe daquele estereótipo da eficácia e da seriedade, que se redescobriu no futebol, que apagou o fantasma do nazismo e o escambau. Enquanto o povo fala da China, a Alemanha se arreganha toda pro mercado e tá aí, prontinha pra vir (segunda maior economia do mundo, esqueceu?), só falta ganhar um élan de gentebonice aí fica fácil. E de onde virá essa cobertura de sorrisos?

Mas, pô, o Brasil podia jogar direito pelo menos algum joguinho, né?

Faça Rock, Não Faça Guerra *

Pense na quantidade de músicas que existiam no começo do século vinte e compare com o número atual. Mesmo que você não tenha a menor idéia sobre números, é óbvio deduzir que a curva de ascensão é quase um salto em noventa graus, que, a cada década, ganha um impulso ainda maior que na anterior. É uma outra forma de dizer que, além dos compositores existentes terem passado a produzir mais, o próprio número de autores de canções aumentou substancialmente.

Ou ainda: você está cada vez mais cercado por novos artistas de música. Mais: estamos, todos, lentamente, nos tornando isso. Todos nós. Praticamente a cada década passada, um novo avanço tecnológico facilita o processo de realização de artes em geral e de música em específico. Desde o advento do fonógrafo e da fotografia, cada período de dez, quinze anos, é uma machadada a mais na Torre de Marfim que antes isolava o Artista (antes, maiúsculo) de seu público, pouco a pouco mais artista (minúsculo, comum).

Se formos falar das artes em geral, os exemplos são inegáveis – não apenas mais pessoas começaram a produzir arte como mais tipos de artes nasceram. A fotografia e o cinema, evidente mas bom lembrar, têm pouco mais de um século de idade, e mesmo assim são dois de nossos principais pilares culturais. As seis artes gregas, clássicas, as Belas Artes (a saber, arquitetura, dança, escultura, declamação [literatura e teatro, num item só], música e pintura), foram destrinchadas em infinitas manifestações, de conceitos amplos e vagos o suficiente para incluir uma fauna massiva de novos artistas. Pense em “performance”, “vídeo”, “instalação”, “moda” e “projeto” e comece a imaginar os milhares de conhecidos seus que, séculos anteriores, seriam mortos, aprisionados ou postos no hospício por fazerem o que fazem e gostam tanto.

Mas seu sarcástico riso no canto da boca não pode deixar de excluir o nosso bom e velho rock’n’roll – e num âmbito bem genérico, pra incluir Britney Spears, Charlie Parker e Raul Seixas numa mesma sentença, sem crise nem culpa. “Rock’n’roll” ou, fora da música, “cultura pop” foi o que possibilitou que estes antigos foras-da-lei serem tratados com seriedade em nosso tempo. Num século dominado pelo fantasma do capitalismo, se deu melhor qm soube vender sua alma – não ao Diabo, mas a quem quisesse comprar. “Pop”, essa onomatopéia viral, é cultura popular enquanto produto – fazer o que se gosta e se sabe e ser remunerado por isso. É claro que há distorções desta alternativa ao “emprego” – esta moeda inventada pela Revolução Industrial. Mas –espectro ainda maior, pra falar de pop – pense em pessoas como Caetano Veloso, Woody Allen, Pedro Juan Gutiérrez e Millôr Fernandes (exemplos aleatórios, há, literalmente, milhares de pessoas que podem ser citadas) e veja se eles não vivem uma vida tranqüila e sossegada, com problemas ocasionais e desafios escolhidos (fora os aspirantes a tais postos, clones de Britney, sub-Birds e filhos cósmicos de Raul). Foi o pop, a forma como a cultura de massas dominou o século passado, que permitiu isso.

E que segue a permitir. De volta ao nosso rock’n’roll, então, mais ainda. Se cinema, literatura e artes plásticas pedem um mínimo de técnica para o leigo se tornar profissional, o rock’n’roll não pede nada. Qualquer troglodita, nerd, imbecil ou carola pode fazer rock – e cada geração pede menos técnica: primeiro o zunido das guitarras, depois o riscado dos toca-discos, agora beats de cliques de mouse. O rock (a música, a arte) torna-se cada vez mais acessível e perde o glamour, que é justamente o que emperra o progresso da cultura. Afinal de contas, já diz o adágio popular que, a variedade é o tempero da vida. E veja se não é isso que está acontecendo?

* Esse título horível não é meu. E esse texto saiu na Pense Conosco, aquela seção nova da Bizz, deste mês (Axl na capa)

Mais YouTubices


Calypso com Iron Maiden;


Bing Bong Brothers e o poder do bigode (são os mesmos caras do Just 2 Guys);


James Brown mutcholoco;


Clipe classe do Mr. Catra (“Sem Mistério”);


Erros de gravação do Chaves;

O vizinho chato do Mateus;


Frank Zappa com John Belushi;


Orson Welles breaco;
Calotas picture (vai dizer que não era tudo que você queria?);
“Crazy” kid.

Tem mais, claro que tem. E valeu quem me mandou essas coisas, eu não lembro quem mandou o que (Vlad, Kalatalo, Mini), mas valeu eniuei.

Cultura livre encerra evento com pedido de isenção de taxas


O Ministro Gilberto Gil prova a Free Beer, feita em código aberto (foto: Henrik Moltke)

Acesso aberto e ampliação dos direitos digitais foram conclusões da segunda edição do iSummit, no Rio, que teve participação até da poderosa Microsoft

Em menos de uma hora depois de ter anunciado as duas declarações que resumiram os trabalhos de três dias de discussão e execução de projetos e iniciativas ligadas à cultura livre do segundo iSummit, encontro que aconteceu durante o fim de semana passado no Rio de Janeiro, o advogado norte-americano Lawrence Lessig, idealizador da grife legal Creative Commons, era arremessado para dentro da piscina na cobertura do hotel que sediou o evento, enquanto os participantes e palestrantes do evento bebericavam taças de uma certa “cerveja de código aberto”, chamada Free Beer.

Foram três dias de apresentações e painéis de discussão a respeito de iniciativas e interesses que dizem respeito a certas crises do conhecimento moderno e a modelos econômicos para superá-las de forma sustentável para o futuro. Representantes de instituições como Access to Knowledge, Open Society Institute, Wikipedia e Google estavam presentes e apresentaram exibições ou assistiram-nas, contribuindo para o debate sobre compartilhamento de conhecimento e propriedade intelectual, que teve momentos de frisson, como nas duas declarações que encerraram o evento.

“The Rio 2006 Declaration on Open Access” (“A Declaração Rio 2006 sobre Acesso Aberto”) inicia um movimento para isentar de taxas e cobranças quaisquer reproduções de obras que tenha caráter acadêmico e “The Rio 2006 Declaration on Digital Rights Management” (“A Declaração Rio 2006 sobre Gestão de Direitos Digitais”) propõe a substituição do atual modelo de indexação de obras digitais pelas licenças Creative Commons. Anunciadas na última sessão do domingo, as declarações tiveram efeito catártico sobre os participantes, mas não foram seus pontos mais intensos.

Estes aconteceram nos dois primeiros dias. O primeiro quando, de surpresa, a Microsoft, empresa-símbolo das causas contrárias dos intelectuais ali reunidos, foi convidada para a cerimônia de abertura para anunciar um plug-in para seu software Word, que embute uma licença Creative Commons em qualquer documento produzido no programa. A presença da empresa e sua estranha parceria com a marca – mais cessão do que invasão territorial – fez com que ativistas presentes sacassem narizes de palhaço e distribuindo para os participantes. O segundo aconteceu quando a Radiobrás, a empresa estatal de radiodifusão, a nunciou que todo seu conteúdo seria disponibilizado através das licenças CC, inclusive para uso comercial de terceiros, e foi saudada com aplausos entusiasmados.

Pelos corredores, um verdadeiro quem é quem da cultura livre, do ministro da cultura Gilberto Gil, que também participou da abertura do evento, ao escritor Cory Doctorow, de Jimmy Wales, criador da enciclopédia editável Wikipedia, ao fundador da Electronic Frontier Foundation, John Perry Barlow.

Ao mesmo tempo, aconteciam palestras sobre ciência aberta, digitalização de conteúdo em domínio público, educação, jornalismo e licenciamento de conhecimento indígena, exibições da comunidade em 3D SecondLife e workshops do grupo brasileiro Estúdio Livre, que maravilhava os estrangeiros ao compor, gravar, editar e remixar músicas usando apenas softwares livres.

O evento terminou com uma festa no Teatro Odisséia com os VJs-ativistas do Media Sana, o rapper BNegão e sua banda Seletores de Freqüência e o músico Lucas Santtana atuando de DJ. Em comum, o fato de disponibilizarem todo seu conteúdo gratuitamente online – a saber, www.mediasana.org, www.bnegao.com.br e www.diginois.com.br.

* Matéria publicada na Folha dessa terça.