Trabalho Sujo - Home

Três e meio

URBe3.jpg

Natal comemora o aniversário de sua cria com presenças ilustres no lainâp de sua já tradicional feshteenha. Eu fecho a naite, pra variar, tocando mashup, pra variar (Bruno até me entrevistou sobre o tema). Mas antes tem o Apavoramento mandando no Bass Commando, o Cooper Cobras, o Nego Moçambique, o Rogério Flausino (é, é!) e o próprio URBeman, além da presença do Presença.

Em outras palavras: tou chegando no Rio, cariocada.

Cinco Perguntas Simples: Pedro Alexandre Sanches

1) O disco (como suporte físico) acabou?
Não acabou, e acredito que não acabará, mas isso é opinião de dinossauro – se compro disco de vinil até hoje, como posso acreditar que acabará o CD, ou qualquer outro suporte físico? Agora, tirando a visão de dinossauro, não dá mais para tapar o sol com a peneira: não acabou e pode ser que não acabe, mas nunca foi tão minúsculo, tão encolhido, tão pouco importante. E ainda tem espaço de sobra para encolher mais ainda…

2) Como a música será consumida no futuro? Quem paga a conta?
Incógnita total, né? É claro que tudo indica que vai ser virtual, do modo como for, mas quem pagará a conta? Se tudo ficar grátis, quem vai financiar a produção da música que depois a gente irá consumir gratuitamente? É uma equação que não fecha, eu não tenho a menor idéia de qual será o balanceamento de extinções e criações que vai fundar a música do futuro. Me vem à cabeça umas idéias que o João Marcello Bôscoli divulga, que, se não me engano, têm alguma coisa a ver com o David Bowie: a música distribuída feito água de torneira, luz elétrica, gás encanado – está no ar, você paga um consumo mensal (mas para quem?), essas coisas… Enfim, estou elucubrando. A minha resposta mesmo é a primeira: incógnita total.

3) Qual a principal vantagem desta época em que estamos vivendo?
Puxa são várias, inúmeras. Não consigo eleger uma só, mas se puder tirar da cartola só umas poucas que me ocorrem de imediato, eu citaria algumas. A desmonetarização geral de tudo que conhecíamos como “indústria”. A ruína progressiva das maracutaias que “construíam” o sucesso “musical” em gravadoras, rádios, TVs, imprensa etc. A gratuidade que a internet está concedendo a música, imagem, texto etc. A perda progressiva, ainda que vagarosa e temerosa, dos indivíduos em expressarem o que pensam sobre o mundo, inclusive na hora de produzir arte e cultura. A liberdade de criação que vem crescendo maravilhosamente em função desses itens anteriores todos.

4) Que artista voce só conheceu devido às facilidades da época em que estamos vivendo?
Ai, Matias, você sabe que eu sou dinossauro, né? Amo os progressos tecnológicos e cibernéticos quase na mesma medida que resisto a eles… Não conheci o Cansei de Ser Sexy pela internet, até hoje ainda não ouvi o Bonde do Rolê, continuo com preguiça de assistir no computador o show de volta dos Mutantes em Londres. Eu vibro com todas essas coisas, mas seria mentiroso se dissesse que descobri algum artista genial pelos meus próprios méritos exploratórios combinados com as ferramentas que ganhamos nesse incrível início de século XXI… Mas eu ainda chego lá!

5) O estado da indústria da música atual já realizou algum sonho seu que seria impossível em outra época?
Ops, esta é a minha pergunta favorita! Realizou muitos, inúmeros, gigantescos. Ver a música funcionando a pleno vapor mesmo quando o jabá e o caixa 2 e as mamatas e as tramóias da indústria fonográfica vão se desmilinguindo é um sonho realizado. Perceber como a música está cada vez mais inteligente e liberta de convenções paralisadoras e limitadoras (à parte a avalanche de sósias de Los Hermanos que não páram mais de surgir) é um sonho realizado. Ver linhas diretas de diálogo sendo abertas, via internet, entre artistas, produtores, críticos e “eles”, os consumidores, os “cidadãos civis”, que até há pouco eram mera platéia passiva (e abobalhada, na opinião dos “formadores”), é um grande sonho se realizando pouco a pouco. Testemunhar uma nova leva de pujança e força de músicas criadas nas periferiasq (hip hop, funk carioca, tecnobrega etc.) é um sonho que eu nem sabia que tinha, mas que vai se realizando à medida que eu o descubro. Falo tudo isso a respeito da música, que é o que eu mais gosto de acompanhar como jornalista, mas acho que já começa a valer também para o jornalismo, que é a minha “real” área de atuação. E paro para não ficar comprido demais, porque teria mais uma montanha de sonhos realizados para citar, antes de começar a falar da montanha dos ainda não realizados, hahaha.

Pedro Alexandre Sanches escreve na Carta Capital e é autor dos livros Tropicalismo – Decadência Bonita do Samba e Como Dois e Dois São Cinco.

“Crescer pra quê?”

O Rock Acabou

Escrevi o release do Moptop à convite da banda, mas não foi um trabalho só feito pela grana (aliás, não tenho essa crise com release, quem me conhece sabe) – o quarteto carioca é realmente legal e tem tanto uma pegada “novo rock” (Franz + Strokes + Los Hermanos, a equação é mapeada pela própria banda) quanto alguma sensibilidade pop pra ouvidos brasileiros. Uma merda o fato de que, pra tocar no rádio no Brasil, quase sempre o requisito jabá seja o único subterfúgio e recurso. Mas, sei lá, a internet tá aí, tem muita gente ouvindo música no computador, podcast ainda é brincadeira diletante, MP3 player custa 100 reais no camelô, banda larga e queimadores de CD-R estão em quase todos os escritórios do país. Vejo essas pontas se juntando logo logo e cada vez mais gente desligando o rádio – e logando online. Talvez assim o Moptop possa atingir seu público-alvo – a massa.

Aqui você assiste o clipe do primeiro single, o ótimo “O Rock Acabou”; aqui você tem o faking-of companhando os “bastidores” da gravação (a direção é do Bruno) e no site da banda (bem istaile) ainda rola de ouvir boa parte do disco (num hotsite feito especialmente pra isso).

Dá uma sacada. E cante comigo:

Está tudo bem acho que sempre foi assim
Nada pra sentir, espero outro dia vir
Eu quero te ligar eu quero algo pra beber
Algo pra encher algo que me faça acreditar

Sempre ausente me faz sorrir
Sempre distante dorme aqui

Enquanto você se produz
Eu vejo o que não vê
Crescer pra quê?
Ser e esquecer
Eu corro contra a luz
Eu fujo sem entender
Vencer para quem?
Ser e esquecer

O rock acabou melhor ligar sua TV
Ela nunca está ela nunca vai entender
Gosto da sua saia assim, vem deitar perto de mim
Verdade eu não me importo
Quero um amor que não sei mais sentir

Sempre ausente me faz sorrir
Sempre distante espere por mim

Enquanto você se produz
Eu vejo o que não vê
Crescer para que?
Ser e esquecer
Eu corro contra a luz
Eu fujo sem entender
Vencer para quem?
Ser e esquecer

Show do ano?

“This fire” incendiou o que o PCC não conseguiu. Tudo bem que no Rio pode ter sido melhor (e quem sou eu pra dizer o contrário?), mas foi FODA.

David Bowie e David Byrne regravando “Sex Machine”

É assim que Justin Timberlake define seu novo single, “SexyBack”. O moleque passou dos Neptunes pro Timbaland (o cara que inventou a Missy Elliot e que envernizou a Nelly Furtado em “Promiscuous”) e soltou essa pérola, que não desgruda cabeça. A descrição é pretensiosa (e daí?), mas faz sentido. Chequiraut.

I’m bringin’ sexy back
Them other boys they don’t know how to act
I think it’s special… what’s behind your back
So turn around and and I’ll pick up the slack

(take it to the bridge)
Dirty Babe
You see these shackles baby I’m your slave
I’ll let you whip me if I misbehave
It’s just that no one makes me feel this way

(take it to the chorus)
Come here girl, go head be gone with it
Come to the back, go head be gone with it
VIP, drinks on me
Lemme see what you’re twerking with
Look at those hips
Make me smile
Go ‘head child and get your sexy on

I’m bringin’ sexy back
Them other fuckers don’t know how to act
Girl let me make up for all the things you lack
Because you’re burning up I got to get it fast

(Take it to the bridge)
Dirty Babe
You see these shackles baby I’m your slave
I’ll let you whip me if I misbehave
It’s just that no one makes me feel this way

(take it to the chorus)
Come here girl, go head be gone with it
Come to the back, go head be gone with it
VIP, drinks on me
Lemme see what you’re twerking with
Look at those hips
Make me smile
Go ‘head child and get your sexy on

I’m bringin’ sexy back
you mother fuckers watch how I attack
If that’s your girl, baby watch your back
Cuz you’re burning up for me and that’s a fact

Motomix cancelado? Not!

É o que diz o Rraurl citando a Folha. E o papo foi o mesmo Vegas 1 ano – alvará, em cima da hora. Mas pelo jeito as coisas tão se acertando, nos trancos: parece que a festa vai pra Via Funchal (mor sorte, ia ter Village People no sábado, mas um dos caras adoeceu [o polícia? o índio? fica a interrogação) e a casa ficou com a data livre. Só que, em vez de uma só noite, o evento vai acontecer em dois dias, sábado e domingo. A divisão dos artistas, pelo andar da carruagem, deve ser rock prum lado e eletrônico pro outro – o que acaba com o grande lance do evento, que é a intersecção entre as duas metades.

Acontece que no Espaço das Américas caberiam 10 mil pessoas (não chegou a esgotar a bilheteria, meno male), e na Via Funchal cabe a metade disso. Bom, um jeito vai ser dado – se o pior já foi resolvido…

E uma dica: saia de casa cedo. A Vila Olímpia fica um inferno de sábado, imagina com milhares de malucos putos no trânsito…

Nada disso, tudo voltou ao normal – naquelas, diviram mesmo em dois dias. A confusão foi resolvida e o festival volta pro Espaço das Américas, como previsto.

Se liga:

As atrações estão divididas conforme segue:

Sábado, dia 16 de setembro de 2006

(abertura dos portões às 21h)
Motomix Project Band (Brasil)
Art Brut (Reino Unido)
Annie – live (Noruega)
Franz Ferdinand (Reino Unido)
Radio 4 (Estados Unidos)
Addictive TV (Reino Unido)
Modeselektor e Pfadfinderei – VJs (Alemanha)
The MFA – live (Reino Unido)

Domingo, dia 17 de setembro de 2006

(abertura dos portões às 14h)
Schneider TM – live (Alemanha)
Adult. (Estados Unidos)
Swayzak – live (Reino Unido)
Isolée – live (Alemanha)
Adam Freeland (Reino Unido)
Andrew Weatherall – DJ set (Reino Unido)
Peter Hook – New Order DJ Set (Reino Unido)
Gui Boratto (Brasil)

http://musica.uol.com.br/ultnot/2006/09/16/ult89u6987.jhtm

Movendo-se em estéreo

Uma vez, dois verões

Somebody's Baby

Confundi a cena da Phoebe Cates que eu tinha falado no Vida Fodona 52 (e esquecido o sobrenome dela) – ela sai da piscina ao som de “Moving In Stereo”, do Cars, e não de “Somebody’s Baby” do Jackson Browne. Mas é que a música (também do Picardias Estudantis – os filmes de galera pré-Porky’s eram melhores, acreditem) é tão boa que não deu pra não deixar de ir no YouTube, esse inconsciente coletivo navegável, e procurar pela cena. O foda é que a cena específica eu só achei com uma invasão bizarra de um comercial em que dois velhos pescam numa piscina – não tem a cena completa, com o Brad sendo pego na maior bronha. Mas aí, buscando mais coisas sobre o Picardias…

“It’s the Pizza Guy”
Spicolli pede uma pizza na aula.

“That’s the idea, Rat”
Damone resume a história do rock.

“Oh, gnarly!”
Aulinha de anatomia.

“That was my skull!”
O treiler original.

“Bogus too”
Alguém mais maduro, reconciliação, a senhora Vargas e o último aloha.

“On dope?”
Épico duelo, round 190308974.

(Sem palavras)
Só um sorriso.

“Awesome! Totally awesome!”
Não tentem isso em casa.

“No Shirt No Shoes No Dice”
É, é o Eric Stoltz.

“Where d’ya get this jacket?”
Uma jam session com os Rolling Stones.

“Somebody’s Baby”
E, pra terminar, essa sonzeira.

Pra quem não conhece, Picardias é um dos primeiros filmes do Judge Reinhold, da Phoebe Cates, da Jennifer Jason Leigh, do Eric Stoltz, do Anthony Edwards, do Sean Penn, do Forrest Whitaker e ainda tem uma ponta do Nicholas Cage (na época, Nicolas Coppola) – escrito pelo Cameron Crowe (num artigo da Rolling Stone e que virou o primeiro filme da Amy Heckerling). Enfim, vintage.

Vida Fodona #052: Verão 2007

Set the controls to the heart of the summer!

– “Alright” – Supergrass
– “Aeroporto ’77” – Domenico + 2
– “If You Want Me to Stay” – Sly & the Family Stone
– “Deixa Chover” – Guilherme Arantes
– “Concrete Jungle” – Céu
– “Beleza Pura” – A Cor do Som
– “Somebody’s Baby” – Jackson Browne
– “Dacing in the Streets” – Martha & the Vandellas
– “Kelly’s Heroes” – Black Grape
– “Bloodsugarsexmagik” – Red Hot Chili Peppers
– “A Linha Que Cerca o Mar” – Wado
– “Saturday” – De La Soul
– “Welcome to Jamrock” – Demian Marley
– “Tudo Bem, Malandro” – Curumin
– “Loser” – Beck
– “Groove is in the Heart” – Deee-Lite
– “Cool it Down” – Velvet Underground
– “Just” – Mark Ronson featuring Alex Greenwald
– “Move Your Feet” – Junior Senior
– “Harlem Shuffle” – Marvin & Banda do Sul
– “Sure Shot” – Beastie Boys

Glue here.