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Nação Zumbi

Materinha na Folha de hoy…

Crítica/Humor: Filho de Mel Brooks alerta sobre o perigo dos zumbis

De repente, quem você pensava que havia morrido aparece na sua frente, olhos vidrados, andar cambaleante. Ao perceber você, o cadáver lança os braços para a frente e passa a emitir um som gutural -que aos poucos se transforma num grito grotesco. Por mais bizarra que a cena possa parecer, suponha que ela aconteça. Nesta situação, a primeira e única pergunta depois de alguma exclamação de cunho religioso ou de um palavrão é: o que fazer?

Foi pensando nisso que o humorista Max Brooks, ex-roteirista do programa de TV norte-americano “Saturday Night Live”, escreveu “O Guia de Sobrevivência a Zumbis”, em que tenta responder à tal pergunta em mais de 300 páginas de um detalhismo nerd deliciosamente meticuloso e divertido. Escrito sempre a sério, sem nenhum traço de ironia ou distorções caricatas no texto, o guia não apenas cogita a possibilidade destes seres poderem um dia realmente andar entre nós como afirma que eles existem desde o início da raça humana, como uma espécie de doença que, depois de matar seu hospedeiro, o transforma em uma máquina de comer qualquer ser vivo -de preferência gente.

Brooks, filho do comediante Mel Brooks e da atriz Ann Bancroft, escreve que os zumbis são acobertados pelos governos e pela mídia. O livro, escrito originalmente em 2004, prefere não fingir que a ameaça não existe e explica, com minúcia e pluralidade, tudo o que se sabe sobre estes seres também conhecidos como necrófilos. Até mesmo este texto poderia ser encarado como um tentativa de acobertar a existência dos zumbis, ao tratar o tema como mera ficção e não como realidade inevitável, como martela o autor, constantemente.

O segredo do texto é nunca se transformar numa paródia e sempre se levar a sério. Ele examina o comportamento dos mortos-vivos desde seus sentidos básicos (se eles têm paladar ou olfato) até suas relações sociais (caso você não saiba, mortos-vivos não comem outros mortos-vivos) e explica como se deve utilizar cada uma das armas disponíveis contra as criaturas. De armas medievais e espadas de samurai a ferramentas e armas brancas e de fogo, além de listar dicas para transformar sua casa num forte antizumbi auto-sustentável.
Brooks também detalha formas de evitar o contágio, lista os melhores veículos para uma fuga e enumera aparecimentos e registros históricos a respeito desta epidemia que acompanha a evolução do ser humano.

Chega até a cogitar uma possibilidade final e extrema da praga se espalhar de tal forma que o planeta se torne habitado por mortos-vivos. Quando isso acontecer, a pergunta do início torna-se ainda mais pertinente e desesperada. Em torno desta premissa, Brooks escreveu um segundo livro sobre o tema, “World War Z” (guerra mundial z), lançado neste ano nos EUA e já comprado pela produtora do ator Brad Pitt, Plan B, para virar filme.

O GUIA DE SOBREVIVÊNCIA A ZUMBIS ***
Autor: Max Brooks
Tradução: Amanda Orlando e Gabriela Fróes
Editora: Rocco
Quanto: R$ 36 (336 págs.)

Treze Zero Um

Estreei coluninha nova no Rraurl, a pedidos do Camilo e da Gaía, os mentores do site. São treze músicas pra ouvir quando der na telha – minha e sua. Se liga:

1. “Writer’s Block”- Just Jack
Harpa, bateria eletrônica, voz de aeroporto – a intro faz parecer que os Beckistas (lembram do Eels ou do Forrest for the Trees?) voltaram à ação. Rimando preguiçoso sobre perder o celular e se sentir como uma borboleta num furação, Jack põe a pista pra sacudir devagar, até cair num refrão quase pensativo – doce e chapado.

2. “Salve” – Tommy Guerrero
Bossa novinha baixo perfil, quase tímida, lo-funk e lo-fi, ela seria apenas uma vírgula na biografia do compadre Tommy, não fosse a participação do nosso Curumin no vocal. Pisando oficialmente em solo americano, o brasileiro canta e improvisa a letra da música, tateando no hip hop ad lib que já vem sendo testado homeopaticamente em seus shows.

3. “Slow Motion” – Futuro
Guitarras ponteagudas, pegada pós-punk, groove disco music, miolo Franz. Essa bandinha de Glasgow não pode dar em nada, mas essa é daquelas músicas pra ouvir dirigindo, no talo, com a certeza de chegar inteiro – e disposto – no final da jornada.

4. “Over and Over (Party Ben’s Smell of Repetition Remix)” – Hot Chip
“Como um macaco tocando pratos em miniature” – a letra nem precisava ser tão explícita. Nem o remix – mas quando o mashupeiro Party Ben coloca o vocal do refrão irresistível do Hot Chip num loop infinito de “over and over and over and over and over”, ele encontra o gancho perfeito para mutar um dos hits de 2006 com os ciclos proto-tranceiros que Giorgio Moroder idealizou para “I Feel Love”, de Donna Summer.

5. “Ooh La” – The Kooks
E essa levadinha de violão, pop ensolarado bem acima da média das outras faixas desses Kooks… Como resistir? Música pra chamar os amigos pra fazer um piquenique no campo sábado de tarde – não que você precise chamá-los, ou que o piquenique aconteça no campo ou num sabado à tarde. É só o espírito – e deixa as meninas berrarem como se estivessem cantando sobre si mesmas.

6. “Baranga” – João Brasil
Ode às guerreiras do baixo clero da noite, uma homenagem tão sincera quanto a empolgação no vocal do carioca João Brasil, o hitmaker que ainda não saiu da fila. Enquanto espera sua vez, convida ao groove com o suíngue de um Claudio Zoli e o groove da fase boa do Jota Quest – quando ainda era Jay. Peraê, é sério?

7. “Nausea” – Beck
Outra levadinha de violão de veraneio, embora o tema e o título deixe a atmosfera tensa desde o início, eis o camarada Beck recorrendo ao mestre Dylan para voltar à boa forma. Tempos modernos…

8. “Damn, Girl” – Justin Timberlake
Base seca, gemidos e sussurros, teclado derretendo, falsete e um refrão que faz o sol e a lua nascerem ao mesmo tempo, R&B elevado à condição de Arte – do naipe do Prince e de Michael. O Black Eyed Peas Will.I.Am acaba sobrando com seu rap bocudo. Justin, por outro lado, desliza de smoking – classe e groove na mesma medida, quase um James Bond americano.

9. “That Old Spell” – Cassiano Fagundes
Soul rasgado com rock alternativo, como se Bob Mould resolvesse virar o Prince ainda nos áureos tempos do Hüsker Dü. O curitibano Cassiano, um dos Bad Folks e veterano do Magog, segue seu rumo, sempre na paralela.

10. “Take Me Back to Your House” – Basement Jaxx
Country e house não parece ser, nem de longe, uma combinação agradável. Mas os jaxxistas têm a manha do groove redondo e colocaram um vocal soul para conduzir a mistura – que o vídeo leva para a Rússia czarista. Delícia!

11. “Semáforo” – Vanguart
Esse um típico hit de internet e o principal motivo para esta coluna não se ater a lançamentos ou a músicas recém-saídas do forno. “Semáforo”, do grupo matogrossense Vanguart, deve ter mais de um ano de existência e pra muita gente já é do arco da velha – tanto que é cantada em uníssono pela platéia em qualquer show da banda. E resume bem os intuitos dos cinco – folk rock, Radiohead, Bob Dylan, glam e Secos & Molhados. E com letra em português daquelas de mostrar possibilidades pra toda uma geração.

12. “Don Gon Do It” – Rapture
Parece comercial dos anos 70, mas cai num bate-estaca sintético que cogita Robert Smith como um dos fundadores do Gang of Four (que mané new rave, as mesmas referências do começo continuam lá), mas caindo pro pop descompromissado, sem politicagens ou chororôs existenciais. Se liga no cowbell – nenhuma música usa cowbell impunemente.

13. “Eple” – Røyksopp
Ah, e daí que essa música tem cinco anos? Deixem os passarinhos sintéticos imaginados pela dupla sueca cantar em paz! E fique na paz…

Cinco Perguntas Simples: Cassiano Fagundes

1) O disco (como suporte físico) acabou?
Não, mas certamente a dependência que se tinha pelo disco na divulgação do artista é menor, e a Internet é a causa óbvia disso. Principalmente para o artista independente, o disco hoje acaba tendo um papel muito mais psicológico do que qualquer outra coisa, supre a necessidade de se ter algo palpável que traduza o esforço da produção musical. Alimenta o ego do artista. Certamente o disco não é dispensável, mas se tornou um dos elementos de um pacote que inclui página na Internet, shows, televisão e outros.

2) Como a música será consumida no futuro? Quem paga a conta?
Os bardos celtas não deviam ficar ricos com suas apresentações itinerantes nas cortes da alta idade média, a música era vista como algo sagrado, não um produto (posso estar enganado, mas imagino que era isso mesmo, e se não fosse, devia ser). Acho que a percepção da música como algo sagrado deveria ser resgatada, é uma postura mais ecologicamente correta e positiva. Sou a favor do MP3 gratuito, de uma orgia musical sem precedentes – que aliás já está acontecendo: você já baixa praticamente tudo disponível no mercado fonográfico de graça, se souber procurar. Quem paga a conta? bem, acho que os músicos, sobretudo os independentes, ganham muito pouco com apresentações ao vivo. O ideal seria o artista e a estrutura em volta dele viverem de shows, aparições promocionais e coisas do tipo. Tem muita gente que já disponibiliza 50% de um disco gratuitamente, a outra metade você tem que comprar o CD para ter, ou acabará achando alguém na Internet que disponibilizou essa outra parte gratuitamente – e ilegalmente. Acho que não dá pra parar isso, não dá e não se deve parar isso. Será que o Led Zeppelin fez fortuna com venda de discos? acho que grande parte do dinheiro que arrecadavam vinha dos contratos milionários que Peter Grant, seu empresário, conseguia firmar com casas de shows e produtores nos Estados Unidos.

3) Qual a principal vantagem desta época em que estamos vivendo?
Qualquer um que tenha um computador e um bom software de gravação faz seu disco em casa. Isso é uma maravilha. Já gravei muita coisa em casa que ficou melhor do que o que gravei em estúdios profissionais. Essa é uma grande vantagem para o músico, com certeza, porque significa liberdade. E um artista sem liberdade de criação tende para a mediocridade.

4) Que artista voce só conheceu devido às facilidades da época em que estamos vivendo?
O MySpace é onde descubro as coisas mais legais que tenho escutado. Goldfish é um cantor/violonista punk folk escocês de primeira, gravou seu disco na sala de estar de sua casa, em Glasgow, está completamente fora do mercadão, mas eu o considero um dos compositores mais brilhantes dos últimos anos. Republic of Loose é uma banda irlandesa que deu uma roupagem interessante ao soul, muito legal – também os descobri no Myspace. Outros nomes que estão no Myspace: Daydreamers (França), The Pocket Raindrops (Suécia), Sebastião Estiva (Acre) e até bandas já com gravadoras e mais conhecidas, como Midlake (EUA). O legal do MySpace é que ele te dá a possibilidade de conhecer artistas do mundo todo, muitos com idéias similares às suas.

5) O estado da indústria da música atual já realizou algum sonho seu que seria impossível em outra época?
Meu, não. Sempre fui muito azarado com a indústria. Eu considero meu som super bom, muito melhor do que muita porcaria por aí, mas talvez por eu ser de Curitiba e cantar em Inglês nunca tenham me levado a sério, ao menos no Brasil. O legal da Internet é você não precisar mais depender de industria musical – especialmente a brasileira – para dar seus passos. Estou me armando sozinho, por enquanto. É um caminho difícil, mas dá para se virar. Marcar shows em qualquer lugar do mundo hoje é fácil para qualquer artista brasileiro que queira fazer isso. O problema é quem paga as passagens e todo o resto. Mas é viável. Minha banda, Bad Folks, tocou na Espanha em 2004 sem a ajuda de nenhuma gravadora, tudo com os contatos que fizemos pela Internet.

Cassiano Fagundes é guitarrista e vocalista do Bad Folks

Off-Timfa

Você também – como todos os outros presentes naquele Timfa do ano passado, também no Rio – achou o show do De La Soul curto? Ou você nem foi e ficou de bode de ter perdido – mesmo os menos de sessenta minutos que teus conhecidos viram? Ou você acha De La Soul uma banda de rap normal, nem boa, nem ruim? Então deixa eu te dar uma boa notícia: showzinho deles no Brasil agora no começo de dezembro. Furo do Radiola Urbana – e você achava que os shows do Jurassic 5 no ano passado tinham sido foda…

Só se foi quando o dia clareou

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O povo da Bravo me pediu uma sub pra essa matéria de capa deles sobre samba, falando do que tem rolado na noite de São Paulo. Taí embaixo.

Renascença sambista

A vida noturna paulistana torna-se cada vez mais fiel à versão tradicional do ritmo pátrio brasileiro

“Na verdade, essa volta do samba ainda nem começou”, anima-se José Marilton da Cruz, o Chapinha, um dos fundadores do Samba da Vela. A noite, que acontece no bairro de Santo Amaro, em São Paulo, não é apenas um dos mais tradicionais redutos do samba hoje, como foi um dos primeiros grandes focos para esta renascença sambista que invade a noite paulistana.

Ao redor da vela que mede a passagem de tempo da já tradicional roda de samba – ela acontece desde julho de 2004, sempre às segundas-feiras – reúne-se um público que é genericamente referido como “amantes do samba”. Esta denominação, porém, não se restringe mais a uma faixa etária, uma classe social ou um viés ideológico – todos se misturam no samba. “A faixa de renovação de público por noite é de trinta por cento”, comemora o sambista, “sempre tem gente que nunca veio pra cá, ainda somos uma novidade. Por isso que eu acho que a gente ainda está assistindo a um nascer de uma época de ouro do samba – e não é só em São Paulo ou no Rio de Janeiro e algumas cidades maiores. É no Brasil todo”.

A noite começou num local fundado por Chapinha, o Espaço Cultural Ziriguidum, mas logo deslocou-se para a Casa de Cultura Santo Amaro, devido à massiva presença de adeptos – que chega a quase trezentos toda segunda. “Quando eu, Magno (Sousá), Paqüera (José Alfredo Gonçalvez de Miranda) e Maurílio (de Oliveira Souza) começamos, nossa idéia era fazer uma roda de samba autêntica, mas que abrisse espaço para novos compositores”, segue o nativo cearense que já mora em São Paulo há mais de trinta anos, “e desde o primeiro dia percebemos que havia sido um sucesso. Tinha pouca gente, nem cinqüenta pessoas, mas todo mundo estava feliz, satisfeito com o que estava ouvindo”.

O sucesso atingiu uma escala maior graças à interferência da sambista Beth Carvalho, a quem Chapinha se refere como “grande madrinha e garimpeira do samba”. “Estávamos funcionando há pouco mais de três meses quando ela ouviu falar desta nova roda de samba em São Paulo e veio conferir de perto. Na primeira noite em que ela compareceu, vieram umas sessenta, setenta pessoas. O boca-a-boca foi tanto que, na outra segunda, tinham mais de quatrocentas pessoas que apareceram, achando que veriam a Beth Carvalho. Ela não veio, mas o samba estava lá, e as pessoas continuaram vindo”.

Igualmente modesto, o pequeno Tocador de Bolacha, na Vila Madalena, cedeu à presença da música ao vivo, outra característica fundamental deste ressurgimento do samba no começo do século vinte e um. “Começamos apenas tocando discos”, conta Stella Guerreiro, proprietária do estabelecimento ao lado do marido, o violonista Antônio Mineiro, “mas sempre aparecia alguém com um violão, e aos poucos fomos abrindo para música ao vivo. Mas microfonamos o mínimo possível, não queremos que o som saia alto e priorizamos música instrumental”.

A casa ainda flerta com o jazz e com o choro (outro gênero em franca nova fase, assunto para outra oportunidade), mas o forte são as noites de samba. “Apesar de focarmos num público mais adulto, a presença de jovens é muito forte. E também do lado dos músicos – cada vez há mais gente nova e boa tocando e compondo”. “Neste sentido, concordo que haja uma explosão”, conta Stella, que é cética sobre um renascer sambista na vida noturna de São Paulo. “Sempre houve samba, só tinha que procurar mais”, lembra, antes de concordar que o bairro da Vila Madalena – tradicional reduto boêmio e jovem da cidade – está lentamente se tornando um pólo de noite sambista. “Não é pagode, nem é moda”, ela sublinha, “é samba de raiz, é isto que as pessoas estão procurando”.

Outra casa tradicional do samba na Vila é o Ó do Borogodó, que também alterna suas noites de samba com rodas de choro. “O samba sempre esteve aí. Acontece que só agora ele tem chegado aos bares de uma classe média universitária que, além de freqüentá-los, começa a procurar lugares em que este samba se manifesta de forma mais autêntica”, explica Stefânia Gola, uma das proprietárias do lugar.

“Antes éramos só uma portinha, botávamos as mesas na calçada”, se orgulha, em frente à casa que cresce anualmente tanto como ponto de encontro universitário quanto como foco de resistência do samba tradicional. “Tudo cresceu bem devagar, fomos comprando as coisas aos poucos, à medida em que ficávamos mais conhecidos”, explica a dona, que explica o segredo do sucesso. “Não somos empresários da noite, não estamos atrás da nova onda, nem do que traz público. Somos do samba, acreditamos no samba e fazemos uma noite de samba. Se não der público, não vamos fechar. Mas sempre dá. Porque as pessoas gostam de samba. Gostam do que é bom”.

“A mídia é quem filtra tudo e só deixa passar o que é ruim”, completa Chapinha. “Porque a qualidade dos cantores, instrumentistas e compositores hoje é tão boa – ou, atrevo-me a dizer, melhor – do que as gerações anteriores. Porque são pessoas novas que já entendem muito o que é o samba. E ainda vão evoluir. E isso não é só em São Paulo, não, isso é no Brasil todo”.

Samba da Vela
Casa de Cultura Santo Amaro
Praça Francisco Lopes Ferreira, 434
Santo Amaro – São Paulo
Telefone: 5522-8897
Segunda a partir das 20 horas

Ó do Borogodó
Rua Horácio Lane, 21
Pinheiros – São Paulo
Telefone: 3814-4087
Todos os dias

Tocador de Bolacha
Rua Patizal, 72
Vila Madalena – São Paulo
Telefone: 3815-7639
De terça a domingo

Doutor, eu não me engano…

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Me chamaram de dotô (e justo a gevê) e quem sou eu pra desmentir…

09:20 – 10:30 CENÁRIOS DA MÚSICA NO BRASIL E NO MUNDO EM VISTA DAS NOVAS MÍDIAS

Uma análise da cadeia de produção musical e suas transformações decorrentes do surgimento e expansão de novas tecnologias

Participantes:
-Dr. Dirceu Santa Rosa (Advogado – Veirano Advogados)
-Dr. Joaquim Falcão (Diretor da Escola de Direito da FGV)
-Lucas Santtana (músico)
-Dr. Ronaldo Lemos (Centro de Tecnologia e Sociedade)
-Dr. Alexandre Matias (Gravadora Trama)

Cêis acham que é cedo? Isso porque tu não viu a hora que eu vou pegar o vôo pro Rii… Se, normalmente, a minha madrugada termina ao meio-dia, posso dizer que vou sair daqui na calada da noite – inda mais com o horário de verón.

Cola lá, se tiver na pilha. Se não, fica o reZistro… (E é bate-volta, cariocada, senão claro que eu marcava um som, uma cerva, uma balada, um sei-lá-mais-o-quê)

Segundona

Materinha de hoje na Folha…

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Histórias do outro mundo

Com várias formas de interação cultural, universo do game Second Life já conta com mais de 1 milhão de “habitantes”

Um videogame sem regras, em que o usuário pode fazer o que quiser -até mesmo nada. Ninguém perde, mas é possível ganhar de formas completamente diferentes da lógica tradicional dos games. “Vencer” pode ser tanto encontrar um desconhecido com a mesma afinidade que a sua, comprar MP3s ou assistir a um show virtual. E nunca, depois da “vitória”, o jogo termina.

Assim é o Second Life, um fenômeno comportamental que funciona como uma realidade digitalizada em três dimensões, quando o jogador assume um avatar -uma personalidade virtual- que tem completa liberdade para agir num mundo que já conta com 1 milhão de “habitantes”.

Mais do que realidade virtual, o Second Life é um novo ambiente para que artistas e o mercado de entretenimento possam dialogar com seus clientes e fãs. Isso tem mexido com a publicidade mundial de forma que, aos poucos, empresas têm comprado territórios on-line para oferecer aos seus possíveis consumidores, além de bandas (como Duran Duran e U2), autores (Howard Rheingold e Kurt Vonnegut) e executivos do cinema (Disney e Fox) usarem a plataforma como um novo meio para interagir com seu público.

Criado pela empresa Linden Labs em 2003, o Second Life tem potencial para ser maior do que o Orkut e o MySpace juntos -apesar de parecer apenas mais um game em três dimensões para vários jogadores (conhecidos pela sigla MMORPG – Massive Multiplayer On-line Role-Playing Game, Jogo de Interpretação On-line Massivo para Múltiplos Jogadores). A diferença entre o Second Life e qualquer outro jogo é simples: não há objetivos definidos e não há regras. Ou seja, não é um jogo.

Primeiro milhão
Mais do que isso: há possibilidades infinitas. É possível voar ou tomar forma de um animal, fazer sexo e mudar de aparência, teletransportar-se de um lugar para o outro e até comprar e vender coisas on-line, usando a moeda virtual do lugar -os linden dollars, cuja cotação flutua entre L$ 250 e L$ 300 para cada dólar americano do mundo real.

E, no mês passado, a população do Second Life chegou ao seu primeiro milhão de habitantes, em pouco mais de três anos de atividade. “Trinta mil diferentes computadores brasileiros diferentes se conectaram à rede SL nos últimos 60 dias”, diz o diretor de marketing da Kaizen Games, Jorge Filho, que representa alguns jogos da linha MMORPG no Brasil. “É a terceira geração da internet, em que você tem uma versão sua em três dimensões dentro da rede”, diz. Além de meramente explorar o mundo digital, ainda é possível criar seu próprio negócio e procurar pessoas com interesses parecidos para conversar e conhecer -dentro e fora da rede.

Próxima mídia
“A transmissão da experiência é algo novo e não é a “next big thing'”, escreve o fundador do Second Life, Bill Lichtenstein, em seu manifesto “The Transmission of Experience”. “É literalmente a próxima mídia na velha progressão das formas de comunicação, da fala para a palavra escrita, para os livros, para o rádio, para o cinema, para a TV. Isso mudará a forma como nós nos comunicamos e vivemos, que aprendemos e fazemos negócios, da mesma forma que qualquer outra mídia que surgiu antes. Simplesmente porque agora, pela primeira vez, conseguimos transmitir experiência.”

E é daí que vem o dinheiro que financia o software. Gratuito, entrar no Second Life só requer a instalação de um programa e sua atualização. Mas qualquer um pode comprar um terreno virtual pagando dinheiro de verdade, e com isso, receber uma cota mensal de linden dólares para gastar no ambiente -como bem entender.

Mas o Second Life não é apenas uma nova forma de fazer compras e consumir cultura. O Centro de Diplomacia Pública da University of Southern Califórnia criou uma ilha para estimular a discussão sobre o papel dos MMORPGs na diplomacia mundial, o New Media Consortium está construindo um campus universitário inteiro (com biblioteca, auditórios e um planetário), o Creative Commons está construindo seu instituto on-line e instituições médicas dão noções de primeiros socorros para pessoas reais por meio de avatares digitais.

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Isto é second life

O que é Second Life?
É um mundo virtual em três dimensões idealizado pela empresa norte-americana Linden Lab, em que é possível, além de reproduzir ações do dia-a-dia, realizar feitos fantásticos, como voar, mudar a própria aparência em segundos e teletransportar-se. Sua interface e funcionamento lembram o de um videogame de RPG, mas o fato de ele se basear em comunidades e nos gostos pessoais de seus participantes, torna-o semelhante a outras redes de relacionamento, como Orkut e MySpace

Como fazer parte?
O cadastro é gratuito e basta instalar um software que pode ser encontrado no site oficial do ambiente (www.secondlife.com). Nos EUA, há sistemas com assinaturas que dão direito a benefícios, mas é possível permanecer on-line sem fazer pagamentos; no máximo, atualizações do software

Quem sustenta o Second Life?
Ao imaginar um mundo visualmente reconhecível e navegável em 3D, o diretor de tecnologia da RealNetworks, Philip Rosendale (fundador da Linden Labs), pensou em um ambiente em que empresas e marcas pudessem se expor de forma diferenciada em relação à publicidade tradicional. Usuários pagam assinaturas para obter privilégios (como comprar territórios), mas não são a principal fonte de renda do mundo virtual

É um jogo? É um site?
Nem um nem outro. Second Life faz parte de um conceito que parece ser crucial no marketing de entretenimento para 2007 e além: a transmissão da experiência. Enquanto muitos apostam na experiência ao vivo como estratégia adequada para consagrar marcas (vide festivais e premiações), várias empresas preferem eventos que podem ser experimentados em rede, atingindo um público que antes pertencia à TV via satélite, sem a interatividade. Estamos, portanto, diante de uma nova plataforma e um velho conceito, o da realidade virtual

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SL se inspira no universo pop

Apesar de criado como uma plataforma de relacionamento on-line, algumas idéias do Second Life se inspiram na ficção pop. O próprio conceito de um ambiente em rede que deu origem ao software nasceu em obras básicas do cyberpunk, subgênero da ficção científica surgido nos anos 80 -o ciberespaço concebido por William Gibson em “Neuromancer” e o Metaverso imaginado por Neal Stephenson em “Snow Crash”.

O próprio U2, um dos primeiros conglomerados pop a perceber a importância do SL e a dar shows exclusivos para o ambiente (trechos podem ser vistos no YouTube ou no site da “turnê” – www.u2insl.com), também já havia flertado com essa possibilidade de existir virtualmente nas letras de discos como “Achtung Baby” e “Zooropa”, nos anos 90.

Já o ato de criar objetos do nada, uma ação chamada de “rez”, na linguagem do ambiente, vem do verbo “desrez”, neologismo inventado pelo filme “Tron” (1982), também sobre realidade virtual, para os avatares que “morrem” nesta interface virtual.

Lycra Limão

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Sabadão do marasmo? Preferiu não pegar uma filinha em Cumbica ou em Congonhas? Então sai de casa: mais uma edição da festa Gambiarra acontece no Studio SP e eu assumo os CDJs um pouco antes e logo depois do grande show do Lucas Santtana (afrobeat + dub + mangue beat + samba, classe A, garanto). Pra se acabar com uma hora a menos na madruga – afinal, hoje começa o horário de verão.

Nominho na lista paga menos, manda um email pro studiosp@studiosp.com.br. Tcherto? Cola lá.