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John Romita Sr. (1930-2023)

Mais do que ser o criador de personagens clássicos da Marvel como Wolverine, Mary Jane Watson, Luke Cage e o Justiceiro, o grande John Romita Sr., que nos deixou esta semana, é o criador de um estilo de desenho que ecoa até hoje nos quadrinhos e fora do meio é o padrão identificado como arte de HQ. Um mestre.

Inferninho Trabalho Sujo apresenta Sophia Chablau e Uma Enorme Perda de Tempo

Vocês querem festa? Então toma! Nessa quinta-feira inauguro mais um puxadinho da minha zona de influência como parte das comemorações dos cinco anos de vida do sensacional Picles, que acabou de ser reformado e apresenta sua nova cara ao público nesta semana de aniversário. Inferninho Trabalho Sujo é uma festa quinzenal em que faço todo mundo dançar logo depois de uma das atrações da noite, o show de uma banda, essa espécie em extinção. E começo com um grupo exemplar desta nova safra, os queridos Sophia Chablau e Uma Enorme Perda de Tempo que acompanho desde antes do primeiro single. Às vésperas de lançar seu segundo álbum, o grupo faz um dos últimos shows de seu disco de estreia e sintoniza a frequência dessa minha nova onda, de fazer o lugar queimar de tanta música. E quem chamei pra ferver a pista é a comadre Francesca Ribeiro, a Fran, que repete a divisão de MP3 que fizemos naquele baile de carnaval no Cortina. O Picles fica na Cardeal, 1838, e quem chegar até às 21h não paga pra entrar (quem chegar depois, paga R$ 25). Bora?

“Sentido” pela primeira vez

Encerrando a minitemporada Notas e Sílabas nesta terça-feira no Centro da Terra, o trio Atønito recebeu Luiza Lian para uma celebração ecumênica de música e poesia. Como explicou o saxofonista Cuca Ferreira no meio da apresentação, a relação de Luiza com o trio vem desde antes da pandemia, quando ela participou do segundo disco do grupo, Aqui, mas nunca pode cantar a faixa que dividiu com os três num palco – até essa semana. Além de passear pelo próprio repertório e por músicas do Azul Moderno de Luiza (como “Sou Yabá”. “Pomba Gira do Luar” e a faixa-título do disco de 2018), o grupo tocou pela primeira vez a suíte “Sentido”, num improviso em que o sax de Cuca, o baixo de Ro Fonseca, a bateria de Priscila Brigante e a voz de Luiza num amálgama sonoro intenso, uma febre de jazz de culminou a apresentação.

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Garotas Suecas nos lembra que “não tá tudo bem”


(Foto: Marina Lima/Divulgação)

Mais um disco que foi atropelado pela pandemia começa a surgir no horizonte. O quarto disco dos Garotas Suecas, que estava sendo planejado para existir no fatídico 2020, finalmente dá as caras com o primeiro single, que será lançado nesta quarta-feira, mas que dá pra ser ouvido em primeira mão aqui no Trabalho Sujo. “Não Tá Tudo Bem” dá a tônica de 1 2 3 4, que será lançado em julho, e traça o período de decadência brasileira que assistimos há quase dez anos. “Escrevi essa música no auge da pandemia e num dos meus piores momentos”, lembra o baterista e vocalista Nico Paollielo. “A pandemia acabou, mas as marcas que ela deixou ainda estão bem visíveis. Acho que a música traz uma melancolia que nós, Garotas Suecas, e muitas pessoas estão sentindo nesse momento, de que o pior já pode ter passado, mas até quando vamos ficar desse jeito?”. O diagnóstico é o oposto literal do primeiro single da carreira da banda, “Tudo Bem“, que teve seu clipe lançado quando seu primeiro disco, Escaldante Banda, completou dez anos, naquele mesmo 2020, e atravessa todo o clima do próximo disco da banda paulistana.

Ouça abaixo:  

Só um semitom

Na segunda noite da temporada Mil Fitas que Sue e Desirée Amarantes estão fazendo às segundas-feiras no Centro da Terra, a violinista e produtora Desi tomou conta do palco ao recriar no Centro da Terra o clima de sua garagem estúdio, onde toca com o casal vizinho Carabobina – Raphael Vaz nos synths e vocais e Alejandra Luciani nos synths, efeitos e guitarra-, convidando a violoncelista Fer Koppe para uma hora de imersão em camadas de dream pop com sensações camerísticas. E no espírito de experimentação da temporada, Desi não só tem matado saudade dos palcos com suas próprias músicas, de onde estava distante há tempos, quanto arriscou-se a cantar, puxando um transe a partir de um metamantra: “Parece o Thom Yorke, mas é só um semitom”, cantou repetidas vezes ao piano antes de entrar na parte final da apresentação deste início de semana. A contribuição de Sue desta vez não foi musical e a produtora projetou imagens sobre os quatro músicos no palco, amarrando ainda mais o clima psicodélico e onírico da apresentação.

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Bom Saber #099: Nathalia Lavigne

No meu programa de entrevistas do meu canal no YouTube puxei um papo com a Nathalia Lavigne, crítica e curadora de arte, para falar sobre como o mundo das artes plásticas e visuais tem atravessado esse período pandêmico e falamos desde como processos da arte digital e da visão decolonial da história da arte foi acelerado em detrimento desta fase, além de conversar sobre o papel do curador neste novo cenário. Ela conta também como atravessou este período, mudando para a Alemanha durante a pandemia para encontrar museus e galerias fechadas e como a experiência pessoal afetou sua visão da área.

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Mita de gala

Mesmo com ótimos shows (pra mim: Haim, Mars Volta e Lana Del Rey) e uma diminuição de público que tornou o segundo dia apenas tolerável, o festival Mita terminou sua edição 2023 no débito, criando uma sensação de descaso com o público mesmo que trouxesse boas apresentações em boas condições. Essa impressão desfez-se no Mita Day, evento realizado neste domingo (uma semana após a versão maior do festival), no Auditório Simon Bolívar, no Memorial da América Latina, em São Paulo. Reverenciando a obra do maestro Arthur Verocai partindo de seu clássico disco de 1972 e contando com a presença de convidados ilustres, o festival estendeu o tapete vermelho tanto na parte artística quanto no tratamento ao público, numa noite pop de gala raramente vista em festivais por aqui. À frente de um conjunto híbrido de big band com orquestra, o compositor e arranjador carioca pode apresentar seu trabalho mais uma vez ao vivo em condições ideais de temperatura e pressão. Talvez a distribuição da banda, dos vocalistas e dos convidados no palco pudesse ser pensada de outra forma, uma vez que o auditório estava aberto em sua versão completa, com as duas plateias à frente e às costas dos músicos (como uma versão gigante do teatro do Sesc Pompéia) e isso comprometia a visão do palco.

Mas foi bonito assistir Verocai regendo aquela pequena orquestra com a leveza informal de quem pertence à música popular, estalando os dedos para marcar os compassos, sem batuta nem fraque, cantarolando baixinho o começo de cada música antes de contar o tempo de entrada (“um, dois, três e já!”) e conversando à vontade com o público. E se entre os convidados da noite haviam nomes de peso como Céu, Mano Brown e Ivan Lins, foi bonito ver que alguns dos melhores momentos da noite tiveram à frente velhos colaboradores do maestro, como o soulman Carlos Dafé, Clarisse Grova e Paula Santoro. O DJ Nuts subiu junto com Brown e não entendi se ele estava tocando algo, mas foi bom vê-lo reconhecido em público pelo próprio maestro (mais uma vez) sobre o papel do seletor em sua redescoberta, afinal foi Nuts quem apresentou para o mundo o disco clássico de Verocai, que era desconhecido mesmo no Brasil até outro dia – e se estávamos reunidos naquele belo evento para celebrar um aventureiro da nossa cultura, era culpa deste historiador e discotecário sensacional. Uma bela noite.

Assista aqui:  

A conexão entre livros e discos

Só vi agora essa matéria que a Renata fez pro Metrópolis me pedindo pra traçar a conexão entre alguns livros e discos clássicos, mostrando como a literatura é fonte de inspiração pra música pop.

Assista abaixo: