Trabalho Sujo - Home

Rumo a Minas

oicabeca.jpg

Hoje indo pra Minas, primeiro prum bate-papo sobre música digital e web 2.0, ao lado da professora Gisela Castro, do Rodrigo James (do Alto Falante) e do Jefferson Santos, que tá organizando essa brincadeira. O papo faz parte do Festival de Inverno da Savassi e no mesmo evento ainda conta com nomes como o Marcelo Godoy (do Mobilefest), o Claudio Manoel (do Pragatecno), o Ronaldo Lemos (do Creative Commons) e o Daniel Poeira (do Esquadrão Atari). Como depois à noite rola a primeira Gente Bonita Clima de Paquera fora da cidade de São Paulo, aproveitei pra escalar o Luciano (o Kalatalo) pra falar sobre conteúdo gerado pelo público e cultura mashup no papo da tarde. Se você está em BH, essas são as coordenadas:

Música Digital e web 2.0

– Alexandre Matias (trabalho sujo)
– Gisela Castro (ESPM – SP)
– Rodrigo James (portal 180/alto falante)

Evento Gratuito
Data: 14 de Julho
Horário: 19h
Local: Oi Futuro – Multiespaço (Avenida Afonso Pena 4001 )
Telefone: 3229 3131

Site: http://www.oifuturo.org.br

DJ Spooky: How a Tiny Caribbean Island Birthed the Mashup

Saiu na Wired, bem foda.

***

Paul D. Miller, also known as DJ Spooky, That Subliminal Kid, has been producing beat-heavy electronic music for more than a decade. From his early solo trip-hop efforts to his more recent collaborations with jazz giants, Spooky has always approached music from multiple angles at once. He has the chops of a musician, the genre-blending ear of a disc jockey and the conceptual vision of a performance artist.

It was therefore no surprise when Trojan Records, a reggae label entering its 40th year, asked DJ Spooky to put together a mix showcasing tracks from its massive archives. When assembling >In Fine Style: DJ Spooky Presents 50,000 Volts of Trojan Records, one of several mixes commissioned to mark the Trojan birthday, Miller found countless parallels between the Jamaican reggae scene of the 1960s and ’70s and the digital mashup ecosystem of today. (See Upgrading Jamaica’s Cultural Shareware: Trojan Records at 40.)

In his liner notes, DJ Spooky writes, “you can think of the whole culture as a shareware update, a software source for the rest of the world to upload.”

Wired News asked DJ Spooky to elaborate.

Wired News: Jamaican culture as “shareware update”? Brilliant. Please tell us more.
DJ Spooky:
The whole idea of people like King Tubby or Prince Jammy (reggae producers who pioneered the “dub” remix) was to use technology to show their community how to make music for the world. Jamaica is the loudest island in the world! Dub used tech of the day — analog tape loops, old-school mixing boards, you name it — to create a radical departure from music made in the main areas of 1960s pop music.
Forget Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Band or Hendrix’s Electric Ladyland as studio masterpieces, I’m talking about rare dub tracks that cut across the whole idea of what a song was meant to be. It changed the way people listen to music and the way that music was produced. Trojan was at the heart of all these changes, and I wanted to go through their archive to show the hidden connections between dub, techno, hip-hop, drum and bass, dubstep and more. I guess you could say I wanted to show how to connect the dots.

WN: Many of the songs on your reissue, and I imagine the others in the series, are covers of American standards (“Summertime”) or pop classics (“Come Together”). Was reggae way ahead of today’s culture mash?
DJ Spooky:
Reggae is all about the mashup! The Caribbean is a place where so many cultures were in collision: Spanish, Portuguese, Indian, British, Chinese. People tend to forget that one of Bob Marley’s producers (Leslie Kong) was Chinese-Jamaican, or that Lee Gopthal who was one of the co-owners of Trojan Records was Indian. Even the term “Ganjah” is pronounced Hindi style; it’s the Ganges river! And don’t even get me started about dreadlocks. Any holy man on the Ganges could tell you that they’re Indian too. ?
Everyone borrows from everyone. That’s what digital culture is all about. Information, the cliché goes, wants to be free. I guess Jamaican culture got there a little before everyone else.
One of the funniest things I noticed when I was going through Trojan’s archives is how many cover versions of American pop culture were in play. Jamaica was tuned into all the pop music coming in over the coast from Florida, and the songs people heard really left an impression. I mean, c’mon, a whole box set of Jamaican covers of The Beatles? Every possible James Brown song you can imagine has a Jamaican cover version; ditto for Curtis Mayfield. Trojan put out a lot of that kind of thing, which is very, very cool.

WN: How has the technology used by the music business changed since these songs were made?
DJ Spooky: When you think about it, so much music is mediated by software these days, and that’s a mixed bag, at best. One of the things that made early dub so unique is that even though everyone had access to the same rhythms, they really made different “versions” of the songs by using special effects as a new kind of instrument. .
The problem with today’s music is that so many people are using the same software. I can hear it when someone uses the ProTools edit, or when someone like Paris Hilton has so many pitch corrections on her last album, she might as well as have had the computer sing everything and just stand back, kind of like Warhol or something.
The U.S. government has the Library of Congress, Jamaica has dub. That’s one of the best things the 21st century can offer: Wikipedia, Youtube, MySpace, Facebook: All these say “Do it your own way, but there’s a formula.” King Tubby and Scientist, and all these producers, singers and MCs were saying the same thing.
It’s all about pattern recognition. Call it Wikinomics: Mass collaboration changes everything, and that’s a dub plate special y’all!

Achado em Lost

Carlão (também conhecido como guitarrista dos Netunos, mas atualmente o capo do Lost in Lost) tirou da cartola uma teoria bem foda sobre as aventuras dos passageiros do vôo 815: eles não estão na superfície do planeta! Comece clicando aqui, depois leia esse post pra finalmente chegar no apanhadão sobre essa teoria aqui. Não vi essas referências em canto nenhum e se pans o Carlão matou a charada. Se não, viajou bonito e exatamente como quer o povo que faz a série. Afinal, “o que importa é a viagem, não o destino”.

Cinco Vídeos pro Meio da Semana – 1

Aumenta o som e bom dia…


“It’s Getting Boring By The Sea” – Blood Red Shoes


“Club Action” – Yo Majesty


“DVNO” – Justice


“Fancy Footwork” – Chromeo


“Pogo” – Digitalism

Inverno Quente

gentebonita26.jpg

Contrariando todas as expectativas vamos de festa-relâmpago pra aproveitar esse calor do meio do inverno e comemorar o aniversário da Luciana e do Lucas. Começa cedo, mas vai saber que horas que acaba… E no som, só a nossa finesse clássica. Quinze contos pra entrar, mas destes quinze, dez são de consumação. Vê se aparece…

Gente Bonita @ Bar Treze
Terça-feira, dia 10 de julho de 2007
Discotecagem: Luciano Kalatalo, Alexandre Matias
Local: Bar Treze – Rua Alagoas, 852 Higienopólis (em frente à Faap)
Telefone: 11 3666-0723
Horário: A partir das 23h
Preço(s): R$ 15,00 (Sendo que R$ 10 de consumação)
Capacidade: 150 pessoas
Pagamento: dinheiro, cartões de crédito (Mastercard e Diners) e débito (todos).

Algo Sinistro Vem Por Aí – Ray Bradbury

Essa também.

***

Bradbury com gosto de Neil Gaiman

Quando se menciona o nome Ray Bradbury, é quase automático que o coloquemos naquela prateleira de escritores de ficção científica que trabalhavam feito condenados nos anos 50 e 60, produzindo livros a rodo. Ato falho, porque o velho Ray nunca se considerou um autor de ficção científica – essa fama vem do fato de ter sido tirado do gueto pulp para o mainstream por um diretor cult que dirigiu o único livro que ele admitia ser do gênero (quando Truffaut adaptou Fahrenheint 451 em 1966). Até mesmo sua clássica saga Crônicas Marcianas, ele prefere rotular como fantasia, uma vez que ela não tem embasamento científico algum. Este Algo Sinistro Vem Por Aí, de 1962 (o segundo volume de sua trilogia Green Town), só agora publicado no Brasil, é um ótimo exemplar deste outro Bradbury. O livro conta a história de dois pré-adolescentes amigos de infância (Jim Nightshade e William Halloway) e como sua vida começa a ser mudada com a chegada de um parque de diversões dark à sua cidade, que, ao mexer com a vaidade das pessoas, torna a vida local mais tensa e bizarra. Equilibrando com perfeição fantasia e horror, este Bradbury é para fãs de Neil Gaiman e Harry Potter – tanto em temática quanto em abordagem.

Kassin é o cara

Essa é da edição que tá na banca.

***

Multi-homem
Em estúdio e em turnê, Kassin se consolida como o nome mais produtivo da musica brasileira

“Uma coisa que me deixa muito feliz a respeito do Cansei de Ser Sexy, fora ser uma banda que eu gosto pra caralho é o fato de eles terem o tratamento fora do Brasil como uma banda… normal”, perguntei sobre a repercussão sobre seu trabalho no exterior e Kassin emenda do outro lado, “Sem precisar da coisa típica brasileira, do elemento regional. Eles são vistos como uma banda de pop que também é um deles. Isso é uma alegria de ver e ajuda muito a gente a não parecer mais que aqui é uma selva”.

Kassin tem autoridade pra falar. Um dos fundadores do Acabou La Tequila (“a” banda carioca dos anos 90 que não aconteceu – e volta e meia ameaça ressuscitar), o baixista grandalhão de óculos de aro grosso é uma das personalidades mais importantes na música brasileira hoje. Não bastasse a banda + 2, formada com os compadres de adolescência Domenico Lancelotti e Moreno Veloso, ser uma das melhores coisas novas no pop nacional atualmente (melhorando significativamente a cada disco), ele transita entre diferentes nichos deste cenário, atuando como produtor, instrumentista, compositor e arranjador. Basta ver com quem ele está trabalhando na metade deste 2007, pra ter uma amostra.

“Acabei de produzir o disco da Vanessa da Mata, com o Mario Caldato (produtor dos Beastie Boys)”, puxa pela memória, como se fosse difícil lembrar do que ele está fazendo agora. “Também tou produzindo o Wander Wildner e terminei o Canastra, que acabou de ir às bancas (via revista Outracoisa), com o Berna (Ceppas, dupla de Kassin no estúdio Monoaural). E ia fazer o Los Hermanos, mas eles resolveram dar um tempo”.

É e ainda tem isso. Como se não bastasse seus projetos paralelos, como o solo eletrônico experimental Artificial (“estou começando o segundo disco agora, mais tradicional, sem Gameboy. Tou usando teclados baratíssimos e brinquedos de criança até sintetizadores e baterias eletrônicas melhores. Não tou limitando a um tipo de som”), a mixtape Pará Planetário (compilada ao lado do produtor Carlos Eduardo Miranda, “a gente acabou o disco, só que o governo de lá mudou e eu não sei como é que anda isso”) ou o coletivo Orquestra Imperial (“era uma coisa que eu achava que não chegaria a um mês de existência”), Alexandre Kassin também é responsável por ajudar a maior banda de rock do Brasil – quase ali na MPB – a achar seu próprio tipo de som.

Mas ele não se considera um quinto integrante do Los Hermanos. “ Eu sou muito amigo deles, a gente se vê sempre, o Marcelo (Camelo) mora perto de casa… Mas quando a gente tá trabalhando junto, por mais que a gente seja amigo, aquilo é trabalho, a gente tem que terminar um negócio que no fim das contas é um produto. Eu ajudo eles a chegarem no ponto em que eles querem. A minha função, além de amigo, é essa: São as idéias deles e a minha função é concretizá-las. Isso é bem diferente de ser da banda, mesmo porque eu teria tudo pra ser da banda, a gente se conhece há mais tempo do que trabalha juntos. Mas o meu trabalho acaba quando o disco termina, e o deles começa quando o disco vai pra rua, quando eles vão defender aquilo todo dia, em Goiânia, no Nordeste”.

Sobre um possível fim da banda, Kassin nem pestaneja. “Eu acompanhei todo o processo. Eles resolveram dar uma parada. Tava cada um com seu projeto, com suas coisas e não combinava com a idéia da banda. E eles preferiram tirar umas férias, mas depois eles voltam. Mas não se deram prazo, porque ninguém começou ainda aos seus trabalhos específicos. Eles acharam que não ia ficar tão bom. E pra lançar um disco ruim, melhor nem lançar. Eles foram bem honestos, com eles e com o público. Ninguém brigou, não terminou o tesão de tocar juntos. É mais uma preocupação com a qualidade do material”.

Além das produções, Kassin volta para a estrada com o + 2 ainda no meio do ano. “Como o disco só sai nos EUA no segundo semestre, a gente só vai pra lá mais pro final do ano. Antes disso a gente vai pra Santiago no Chile, duas ou três cidades na Argentina e depois em Montevidéu, no Uruguai, no final de junho. Em julho, a gente fez um projeto com a Adriana Calcanhoto que é ela e nós três, num show pra teatros menores, sem bateria, mais calmo, eu vou tocar piano elétrico. São cinco shows na Espanha e dois shows no Japão e quando chegar lá, a gente vai tocar como Kassin + 2 no Fuji Rock. É o primeiro festival em que a gente toca, e aí é a banda toda, com os outros dois músicos, o Pedro Sá e o Stephan San Juan. Aí a gente volta em agosto e vai fazer uns shows por aqui”.

Sobre o Brasil – e além do CSS –, ele fala do que anda ouvindo de bom por estas bandas. “Tem o Fino Coletivo, que é bonzão ao vivo. Eu sempre ouço o Diego Medina, sempre. Curto também essas bandas de folk psicodélico, tipo Supercordas e Momo. As coisas de funk, como o Sany Pitbull ou o DJ Rudi, de Volta Redonda, até os derivados, como o Bonde do Rolê ou o Edu K. Mas eu tou meio por fora da cena, pra falar a verdade, com essa parada do disco, viagem direto… Mas eu não tenho muito ido a show, que foi uma parada que mudou depois da paternidade. A Nara vai fazer três anos e é uma coisa que muda completamente tudo, até umas paradas que eu achava que nunca iam mudar, tipo acordar cedo. Hoje eu acordo às seis da manhã e acho bonzão!”.

Skolba 2007

Essa foi pautada mas não saiu, vai pros extras do DVD.

***

Skol Beats, 4 e 5 de maio de 2007, São Paulo

Domingo, passando das seis da manhã, céu limpo, um fantástico sol nascente e o alto astral solto no ar. A dupla Simian Mobile Disco já havia deixado o público do palco principal do Skol Beats em ponto de bala quando o hit “Hustler” bateu. Aquela vibração boa e divertida de eventos de música eletrônica à luz do dia dissipava-se no ar, coroando o que deveria ser o início da parte final do evento, tradicionalmente um dos pontos altos da história do festival.

Mas há exatas vinte e quatro horas, o clima era bem diferente. O grupo brasileiro Life is a Loop parecia testar os limites da paciência na marra, fazendo o nome do grupo soar mais do que irônico tamanha repetição. O comentário já havia sido oficializado através da sala de imprensa, mas ninguém lembrou de avisar ao público os dois desfalques que aconteceram logo no primeiro dia do festival. Não bastasse o público pífio (cambistas vendiam os ingressos de 100 reais a cinco, depois de uma certa hora) e uma série de atropelos técnicos (o pior deles, nocateou o som de Afrika Bambaataa por duas vezes), duas atrações esperadas para encerrar o palco principal no primeiro dia simplesmente não vieram. Donnacha Costello e a dupla canadense MSTRKRFT, um dos principais nomes desta edição, não puderam vir por motivos distintos (problema de saúde e aeroporto congestionado, respectivamente), mas quem precisava saber? Tirou-se do ar o letreiro eletrônico que anunciava a próxima atração e ninguém foi avisado do cancelamento das duas atrações – o que obrigou o repetitivo Life is a Loop esticar-se até ninguém mais aguentar. Não bastasse isso, a surpresa ainda contou com ares macabros, quando o vocalista do Jota Quest, Rogério Flausino, subiu no palco para cantar “Pro Dia Nascer Feliz”, do Barão Vermelho. Pode ter soado como exorcismo para a produção do evento, mas para o público parecia uma enorme piada sem graça.

E assim foi o Skol Beats de 2007. Depois de criar uma expectativa gigantesca na edição anterior (quando enchia o peito para bradar que era o maior festival de música eletrônica), o SB foi surpreendido pela má repercussão do caos insuportável que foi o show do Prodigy para boa parte do público. Localizado na cabeceira da passarela do sambódromo paulistano, o palco da edição de 2006 recebeu LCD Soundsystem e os Plump DJs para recepções quentes mas civilizadas. Mas quando a banda de Liam Howlett começou sua apresentação, a passarela funcionou como um imenso funil de concreto, que espremeu a maior parte das pessoas que queriam assistir ao show. A confusão imediatamente fez com que o festival se prontificasse a dividir-se em dois dias, e a ausência de nomes grandes inéditos no país deu a tônica da edição deste ano. Outra diferença foi o inflacionamento do ingresso, que, no ano anterior, era de R$ 70 para um dia e este ano era de R$ 200 com o direito de assistir aos dois, gerando comentários sobre uma possível elitização à força do evento. A prefeitura de São Paulo ainda abriu concorrência direta contra o festival, quando marcou sua Virada Cultural (programação cultural durante 24 horas seguidas) para o mesmo fim de semana do Skolba.

A Virada não foi rival para o festival, já que aconteceu durante a segunda noite do Skol Beats – a que teve maior público. Da sexta para o sábado, a ausência de pessoas desanimava e o gigantesco número de funcionários parados de braços cruzados era o retrato da apatia das apresentações. O momento mais lastimável talvez tenha sido o pau no som durante o show de Bambaataa, obrigando o papa do hip hop a assistir técnicos arrumando equipamento enquanto seus MCs tentavam, em vão, animar o público. E o que deveria ser uma festa do groove parecia um comício político.

No dia seguinte, o público aumentou, mas fora um Simian Mobile Disco aqui e um Laurent Garnier acolá, a festa não decolou. E o retrato do que aconteceu no evento foi a apresentação do Crystal Method, que limitou-se a apertar o pause e o play e quase não encostou no equipamento, desfilando versões integrais de músicas do Prodigy e até um Rage Against the Machine – que, mesmo peixe fora d’água, funcionou.

Com os dez anos do festival se avizinhando, cabe à produção repensar urgentemente os conceitos do que é o Skol Beats e para que serve o evento. Se o sucesso da edição 2006 levou à reestruturação do festival como acontecimento, o fracasso da edição deste ano os obriga a repensar artisticamente um nome que tem importância histórica, comercial e popular – mas que corre o risco de virar um Coca-Cola Vibezone ou um Festival de Verão de Salvador da vida. E sumir.

Bitter – Jupiter Apple and Bibmo

Resenha do disco novo do Júpiter, na mesma edição…

Jam session, baile de máscaras e aperitivo

Enquanto cria a mística em torno de seu quarto álbum – Uma Tarde na Fruteira, dizem, sai ainda este ano por um selo europeu -, Júpiter Maçã encontra tempo para alimentar sua mitologia pessoal com um disco quase bastardo, composto ao lado da parceira Bibmo, e gravado praticamente ao vivo. Em um clima de jam session (algumas músicas passam dos cinco minutos, a psicodelia californiana de “Deep” chega a 14!), Bitter é um baile de máscaras em que Flávio Basso veste suas fantasias prediletas (beatlemania, Sgt. Pepper’s, David Bowie, Roberto Carlos, Nuggets, Syd Barrett) e algumas novas – ao menos, para nós: “Exactly” é puro rock de Detroit (com Bo Diddley na veia), “Any Job” é um clone perfeito da fase Gram Parsons dos Stones, “Lovely Riverside” o coloca em pastos irlandeses. Mesmo assim, o disco tem mais cara de registro corrido do que propriamente de um álbum e faz as vezes de aperitivo para o aguardado próximo disco de Júpiter, sucessor do estranho Hisscivilization, que já tem algumas versões correndo na internet. Tudo para aumentar a lenda. Júpiter pode parecer maluco, mas, em alguns sentidos, ele sabe o que faz.

Kick All the Jams, Motherfuckers!

Mais uma pra RS…

***

Rock’n’Soul
Vocalista do The Bellrays antecipa a vinda da banda ao Brasil

“Eu já cantei aí no Brasil, mas agora é outra história”, Lisa Kekaula pelo telefone, manda avisar. A vocalista dos Bellrays, que baixam no Brasil na virada de maio para junho, explica melhor: “Da outra vez que fui, fui como vocalista de apoio do Basement Jaxx. Festival grande, música eletrônica. Agora o clima é outro!”, comemora.

É com os Basement Jaxx que seu trabalho talvez seja mais popular – é dela o vozeirão que abre o terceiro disco da dupla inglesa de house/big beat, mandando ver em “Good Luck”. Mas com os Bellrays, sua banda oficial, a coisa muda de figura. Ancorada por um power trio punk rock (formado pelo guitarrista Tony Fate, pelo baixista Bob Vennum e pelo baterista Craig Waters), ela solta todo o vozeirão black em cima de uma base pesada e elétrica, refazendo a ponte entre o rock’n’roll e rhythm’n’blues – ou entre a praia dos White Stripes e a de Amy Winehouse, pra nos mantermos em parâmetros atuais.

“Acreditamos em uma experiência única em cada show, e como vamos tocar em lugares bem diferentes, em termos de estrutura, serão dois shows completamente diferentes”. Ela se refere às apresentações que farão no clube Inferno (em São Paulo, dia 31 de maio) e no festival Porão do Rock (em Brasília, dia 2 de junho). O grupo praticamente bate-e-volta no Brasil, em uma lacuna de um fim de semana durante sua turnê européia.

Lisa quer conhecer o Brasil melhor. “Da outra vez foi muito rápido, não posso nem dizer que conheço nada daí. Quer dizer, conheço os Mutantes, Tom Jobim, mas é muito esparso, sei que aí tem muito mais!”, admite.