“La garantia soy yo”


A Elephant 6 (o coletivo que nos deu o Olivia Tremor Control e o Neutral Milk Hotel nos anos 90, como assim você não conhece?) escolheu este ano para retomar suas atividades de verdade, que andavam meio na segunda marcha. Botou dois discaços no páreo dos melhores de 2007 (com o Of Montreal e o Apples in Stereo, já tá fazendo sua lista?) e agora disponibilzam o trailer para o filme Major Organ and the Adding Machine, que também leva a assinatura do coletivo. Imagina os irmãos Coen fazendo um filme psicodélico vintage (Big Lebowski não conta, o adjetivo desse filme é “canábico”)…
Fiz um setzinho de Dr. Dre e nisso deu vontade de linkar uns vídeos do mestre aqui…
“Gin & Juice” – Snoop Dogg
“Nothin’ But a G-Thang” – Dr. Dre & Snoop Dogg
“California Love” – Dr. Dre & 2Pac Shakur
“Fuck wit Dre Day” – Dr. Dre & Snoop Dogg
“Guilty Conscience” – Eminem & Dr. Dre

Tim Burton vai filmar Alice no País das Maravilhas. Como tudo na mão desse diretor, pode ficar fodíssimo ou pode ficar uma merda. Aproveitando a notícia, o 90 deu um toque sobre essa versão feita em 88, pelo tcheco Jan Švankmajer (que a chamada na capa avisa ser uma mistura de Disney com Buñuel) – não conhecia. Nessa praia, recomendo o Labirinto do Fauno, o melhor filme de 2006, sinistro de bom. Por hora, tou vendo se assisto o Tin Man. Depois eu digo.
E por falar no clipe novo do Hot Chip, você já deve ter visto as imagens mais recentes do Coringa do novo filme do Batman, né…

…mas e o poster pro Indiana Jones 4, tinha visto?

Hot Chip fez um dos melhores shows do ano (mas não pra quem deu mole de assistir o Timfa em São Paulo – eu sempre falo: Timfa em São Paulo é roubada) e agora voltam com essa pérola. Mas se ela não tá prontinha pra pista (como era o caso de “Over and Over”, fácil-fácil uma das músicas da década), três DJs dão a sua versão pro assunto.
Primeiro, o do Jesse Rose.
Depois o do Diplo.
E o melhor dos três, do Soulwax.
Voltou mesmo. Foda. Sente o nível do show…
– Good Times Bad Times
– Ramble On
– Black Dog
– In My Time Of Dying
– For Your Life
– Trampled Under Foot
– Nobody’s Fault But Mine
– No Quarter
– Since I’ve Been Loving You
– Dazed And Confused
– Stairway To Heaven
– The Song Remains The Same
– Misty Mountain Hop
– Kashmir
– Whole Lotta Love
– Rock And Roll
E inda tem gente babando o ovo do Police… Agora é esperar baixar por aqui.
E você achava que a metralhadora na perna da mina no filme do Rodriguez era ir longe demais…

Outro dia o Cadu se perguntava “o que aconteceu com o Laerte?” em referência ao fato do velho cartunista ter abandonado a lógica dos três quadrinhos em sua tira diária na Ilustrada e começado a explorar os limites do formato. O processo foi deflagrado pela morte de seu filho RafaelDaniel,mas tudo indica que a fase terapêutica já passou e Laerte assimilou a nova linguagem como sua. Em vez de colocar personagens conhecidos pra repetir piadas em diferentes pontos de vista, Laerte optou pela criação, às vezes sem sentido, às vezes pesada, limitada pelo espaço de uma tira de jornal – como um tipo de cineasta ao ser confrontado com um novo formato de tela. É como se Laerte tivesse cansado de fazer A Praça é Nossa e tivesse começado a… filosofar.
Comparo essa fase atual do Laerte com a primeira viagem de ácido do Robert Crumb (aquela que fez ele criar todos seus personagens mais conhecidos), só que às avessas (assistimos à abolição do personagem, algo que o Fernando Gonzales domina de uma forma muito pessoal) e em câmera lenta. Acho que ele está indo muito além dos limites do que qualquer artista brasileiro hoje. Nenhum outro conterrâneo – nem Fernando Meirelles, nem o Kassin – está tão ligado á sua própria época e sublinhando isso em sua própria arte do que Laerte. É um privilégio lê-lo todos os dias (já era, mas isso é como assistir às gravações do Bitches Brew).
E essa lógica foi para toda obra atual dele. Das tirinhas no caderno de informática da Folha ao quadrão sobre TV na Ilustrada de domingo. Estes últimos foram reunidos no excelente Laertevisão – Coisas que Não Esqueci, em que mistura memórias muito pessoais com suas lembranças sobre a TV. Fosse o Laerte antigo, veríamos pequenos quadros de comédia de situação no Brasil dos anos 50. Mas como é este novo Laerte, há um espaço para a reflexão e a filosofia (mesmo que infantil, pura) que nos prova que somos contemporâneos de um gênio.
(Como se os Piratas do Tietê já não nos tivessem provado, mas enfim…)
PS – A Carola deu o toque, passei batido – o filho dele que morreu foi o Daniel. O Rafael ajudou ele a organizar o Laertevisão. Mau meu.