1, 2… 1, 2…
E se eu te dissesse que o Orson Welles quis filmar o Batman em 1946 – e que o elenco incluiria, além do Gregory Peck como Batman, o James Cagney de Duas Caras, a Marlene Dietrich como Mulher-Gato, Basil Rathbone (que fazia o Sherlock Holmes no cinema) como Coringa? Mentira: isso foi lenda inventada pelo Mark Millar, aproveitando do fato do Welles ter flertado com algo parecido na época quando cogitou filmar O Sombra, que já havia feito no rádio, anos antes. Mas o projeto não saiu do papel (Orson Welles, né…).
Mas como metade de tudo que Welles está envolvido pode ser uma grande pegadinha, Millar aproveitou para “contar” a verdadeira história do “Batman de Orson Welles”. O trailer aí de cima também foi feito depois da lorota ganhar peso de fato via internet… E vale por cogitar essa realidade paralela, imagina que foda.
Como J.P. Morgan, intermediando o debate entre Edison e Tesla.
E os clubs londrinos.
Uma conselho para quem atua.
Lendo Moby Dick.
E “o momento mais profundo da história do cinema”.

34) “Nascedouro” – Nação Zumbi
Único momento brilhante em um disco opaco (talvez por ter sido feito às pressas), a faixa aponta um rumo inesperado para a procura da batida perfeita em que parece patinar Fome de Tude. Pela primeira vez, tanto hip hop quanto dub saem do primeiro plano e, o que na maior parte do disco parece apenas ecoar idéias esparsas (como as letras de primeira hora de Jorge, as tonalidades mais Maquinado de Lucio ou alguma levada imperativa de Pupilo), encontra um contrapeso perfeito com o arranjo de metais escrito pelo maestro de frevo Ademir Martins e tocado pela Orquestra Popular do Recife. Assim que o sopro surge, a música ganha vida e ecoa a tristeza do canto negro do nosso país com o blues do afro-funk. Quem sabe o “it” pro disco perfeito da Nação seja justamente – e essencialmente – brasileiro.
E o próximo do Terry Gilliam? Se liga na sinopse.

The Imaginarium of Doctor Parnassus is a fantastical morality tale, set in the present day.
It tells the story of Dr Parnassus and his extraordinary ‘Imaginarium’, a travelling show where members of the audience get an irresistible opportunity to choose between light and joy or darkness and gloom. Blessed with the extraordinary gift of guiding the imaginations of others, Dr Parnassus is cursed with a dark secret. Long ago he made a bet with the devil, Mr Nick, in which he won immortality. Many centuries later, on meeting his one true love, Dr Parnassus made another deal with the devil, trading his immortality for youth, on condition that when his first-born reached its 16th birthday he or she would become the property of Mr Nick. Valentina is now rapidly approaching this ‘coming of age’ milestone and Dr Parnassus is desperate to protect her from her impending fate. Mr Nick arrives to collect but, always keen to make a bet, renegotiates the wager. Now the winner of Valentina will be determined by whoever seduces the first five souls. Enlisting a series of wild, comical and compelling characters in his journey, Dr Parnassus promises his daughter’s hand in marriage to the man that helps him win. In this captivating, explosive and wonderfully imaginative race against time, Dr Parnassus must fight to save his daughter in a never-ending landscape of surreal obstacles – and undo the mistakes of his past once and for all…
No elenco, além do Heather Ledger, do Christopher Plummer e da Lily Cole (se eu fosse você, clicava no link), ainda conta com o nosso amigo aí embaixo fazendo as vezes do Coisa Ruim.

35) “My Moon, My Man” – Feist
Garota propaganda do iPod (“1, 2, 3, 4” ajudou Steve Jobs a vender seus aparelhos), Feist é uma jovem Patti Smith que ouviu mais PJ Harvey (“fase Is This Desire?”, ela sublinha) do que Bob Dylan. Assim, a doçura vem em primeiro plano – Seus sussurros roucos e o piano soturno não dão na cara, mas “My Moon My Man”, canção sobre amor inconstante, é rara jóia que coloca Nina Simone e Cat Power reunidas num mesmo fôlego.
Meu não, do Gardenal. Deu pau (de novo!) no publicador e fiquei um tempo postando no escuro, mas pelo jeito a situação se normalizou…

Na virada do século, Eminem resolveu pregar uma peça nos fãs que estavam esperando o seu disco mais recente (The Eminem Show) vazar na internet. Disponibilizou o disco inteiro para download mas deixou vazá-lo por meios não-oficiais. As pessoas viam o nome das músicas, o tamanho dos arquivos e tudo indicava que era o disco novo do sujeito. Qual era a surpresa quando, uma vez baixado, os MP3s resumiam-se a tocar, repetidas vezes, o refrão de cada uma das músicas repetidas vezes. Sem assumir o feito, Eminem brincou com a expectativa sobre um lançamento na agulha aumentando ainda mais a apreensão do público – e seu disco “vazado” era apenas um aperitivo do disco de verdade que, inevitavelmente, acabou aparecendo na rede antes do lançamento.
Essa é só uma pequena anedota de uma prática muito comum. A era do MP3 fez com que a espera pelo próximo disco de seu artista favorito deixasse de ser uma ansiedade isolada para se tornar uma procura pelo pote de ouro no começo do arco-íris (sem trocadilho com o In Rainbows aqui). Então bastava a gravadora anunciar o título ou a seqüência de faixas do próximo disco de qualquer um e a fauna de fãs saía correndo atrás de incidências do mesmo em sites (lembra do AudioGalaxy?) e programas de compartilhamento de arquivo. Nisso, uns espíritos de porco aproveitavam para brincar com o desespero pelo novo e renomeavam arquivos e discos inteiros para, depois de baixados, frustrar o fã.
Isso foi transformado em manifesto pelo The Overdub Tampering Committee. Mas em vez de colocar arquivos falsos ou discos com nomes trocados, eles (uma banda) baixam o disco que acabou de sair e incluem mais instrumentos sobre as músicas originais. Assim, querem criar versões diferentes para um mesmo disco para fazerem os fãs estranharem as versões entre si. Assim, eles acreditam que encontraram uma boa forma de “regular” a música online: esqueça ordens de prisão, multas ou outras formas de tratar o ouvinte que baixa música em casa como criminoso. Ao provocar as pessoas com essas versões 2.0 de discos inteiros numa espécie de terrorismo artístico, eles deixam no ar a pergunta: que versão você está ouvindo? É a mesma que o artista quis que você ouvisse?
O detalhe é que eles dizem que estão na ativa há quatro anos. Ou seja, se não for bravata, capaz de você já ter ouvido um disco “pichado” por eles.
Se a moda pega…