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Rainydayz – In Rainbows Remixed

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O produtor californiano Amplive aproveitou a generosidade do Radiohead em disponibilizar seu disco mais recente e ele resolveu dar o seu pitaco na história. Juntou uns rappers de respeito (Charlie 2na do Jurassic 5, Too $hort, Del the Funkee Homosapien, entre outros) e estava com tudo pronto para lançar o disco digitalmente – e de graça – em seu MySpace quando recebeu a carta de “cease & desist” (uma advertência jurídica padrão antes de se entrar com o processo em si) da editora das músicas do grupo, a Warner/Chappell. A banda já se agilizou pra dizer que não está envolvida nem com o disco nem com o processo e está tomando as tais providências cabíveis pra tornar o disco viável. Enquanto isso, o próprio produtor apela (no estilo confessionário webcam) para uma reunião com o grupo, para que ele ouça o disco. Tem cheiro de Grey Album no ar…

Esse é a seqüência de faixas do disco. Dá pra baixar duas, se liga. Se alguém descobrir mais, avisaê.

“Rainydayz”
“Video Tapez (ft. Del the Funkee Homosapien)”
Nudez (ft. MC Zumbi of Zion I and Too Short)
Weird Fishez
“All I Need”
“15 Stepz (ft. Codany Holiday)”
“Reckonerz (ft. Chali2na)”
“Faustz”

As 50 melhores músicas de 2007: 42) “A Cause des Garçons” – Yelle

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42) “A Cause des Garçons” – Yelle

Whoa, Yelle! A francesinha mignon chega como não quer nada, regrava um hit farofa dos anos 80 sobre girl talk (“por causa dos garotos”, canta o refrão, “nós usamos meias de nylon e brigamos com outras garotas”) e transforma-se não apenas num ícone new rave e embaixadora e postergirl da cena dance técktonik no exterior como a primeira voz feminina de peso da cena francesa (Uffie, além de ser americana de nascença, não conta com um certo je-ne-sais-quois).

DRM: Já vai tarde…

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Olha que boa notícia: a SonyBMG confirmou que está abandonando o DRM de vez. Demorou – é a última das quatro majors que ainda tentava tapar o sol com a peneira. Pra quem não sabe, DRM (Digital Rights Management) é uma iniciativa criada para (tentar) controlar o fluxo da música digital na internet, usando a desculpa de defender os direitos autorais das canções. Sabe aquele papo furado que tu escuta de vez em quando sobre MP3 que você compra em loja online e depois de “x” audições se apaga sozinho ou não dá pra passar do computador pro MP3-player ou aquele caô de “disco com proteção de cópia”? Poizé, esse é o DRM – em vez facilitar, complica. Mas aos poucos as grandes gravadoras estavam deixando-o de lado (ao perceber o quanto atrapalhava qualquer tipo de negociação) e 2008 começa com a notícia que a última major que defendia o DRM como última tábua de salvação deixou isso pra lá – restando à RIAA (a ABPD dos EUA) como principal defensora da sigla. Enquanto isso, no Brasil, o IG entra na briga com a UOL Megastore e o Sonora do Terra justamente com faixas sem DRM como ás na manga.

2007: Amy & Britney

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Britney e Amy, Amy e Britney, dois nomes que povoaram 2007 como protagonistas deste reality show planetário que é o mundo das celebridades. Amy e Britney, Britney e Amy, uma inglesa e a outra americana, uma soul e a outra pop, uma classuda e a outra de baixo calão. Elas têm dois anos de diferença entre si e suas histórias cruzaram-se como dois dos principais nomes do pop no ano passado, reaquecendo a piada do primo rico e do primo pobre ao mostrar que a fama só não é mais implacável do que a morte. Ainda mais hoje em dia.

Britney continuou tendo filhos e enfiando o pé na jaca como nos anos anteriores, mas em 2007, cometeu um dos pecados mortais: engordou. Sua apresentação na premiação da matriz da MTV ofuscou o lançamento de um bom single de seu primeiro disco consistente (Blackout não tem encheção de lingüiça e, mesmo In the Zone sendo certinho, o melhor disco de Britney ainda era sua coletânea) porque ela estava acima do peso… Junte isso com um senso de maternidade semelhante ao de Michael Jackson e algumas saídas de casa sem calcinha e temos a Marilyn sofrida de nossa época, um ícone em frangalhos, mas ainda sim, ícone. O suicídio, cada vez mais plausível, coroaria uma carreira pop brilhante – e uma vida de merda.

Já Amy, uma quase anônima antes do segundo semestre de 2006, cometeu outro pecado mortal: emagreceu – demais. Depois de tornar-se hit na Inglaterra com o ótimo Back to Black, ela passou o ano passado inteiro tomando os EUA de assalto – e consequentemente o mundo e a mídia. Catapultada para o sucesso graças ao tema de seu primeiro hit, que a identificava como uma espécie de resposta personificada às cantoras FM dos Estados Unidos, Amy não agüentou o tranco. Depois que entrou no moinho da coluna social mundial, voltou a ter problemas com drogas, com bulimia e com o marido.

E a culpa é de quem? Delas, pra começar, né… Estão nessas desde criança, buscando a fama, o sucesso, o reconhecimento comercial e artístico simultâneo… Dá nisso. Cada uma teve um tipo de criação (Britney esteve no Clube do Mickey, Amy vem de uma família de jazzistas) e valores completamente diferentes (Britney não deve saber quem foi Etta James, Amy não deve saber o que é auto-tunning), mas caíram no mesmo rolo compressor sem distinção. Na hora de virar carne moída, não importa se você é white trash ou soul fino ou o Jeremias: a máquina aprendeu que sangue novo vende notícia e tome factóide com press release atrás de vídeo feito no celular com marca d’água de corporação de mídia.

E a moral dessa história é que elas conseguiram o que queriam, mas não contavam com a pressão (que, na mulher, vem em dobro). Ou seja: são poucos que têm a manha de lidar com a fama em grande escala e boa parte dessas pessoas são políticos ou players de Hollywood. Músicos costumavam dar conta do recado, mas, tirando as duas como representantes de um universo sonoro cada vez mais esquizofrênico e caótico, vemos que isso é passado. Paul McCartney e Bono Vox tornam-se igualmente dinossáuricos e as bandas da geração Strokes parecem não interessar aos tablóides, a não ser quando se picam e saem com modelos. O Daft Punk sequer mostra o rosto.

Ou seja: “se não agüenta, por que veio?”, é a pergunta que qualquer candidato a fama sente pesar nos ombros antes de desabar no choro – e garantir mais umas manchetes e fotinhas no canto da home de milhares de sites pelo planeta. Amy ainda pode ter salvação pois Mark Ronson, seu produtor (já já falo dele), disse estar disposto a criar seu próprio wall of sound (como os de Phil Spector) para canções tristes, mas ainda espera ouvir as músicas novas da cantora – que também vem sendo cortejada pelo hitmaker Timbaland (medo). Já Britney segue em sua ladeira, cada vez mais vertical que horizontal.

On the Run 9: Danilo Cabral – Set Sixties

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O compadre Danilo fez um setzinho bala só com rock de garagem dos anos 60. Tu baixa o set aqui (em um MP3 só) e as músicas tão relacionadas aí embaixo:

Tommy James & The Shondells – “Hanky Panky”
The Rutles – “Blue Suede Schubert”
Q’65 – “Cry In The Night”
The Who – “The Seeker (Edited Version)”
Noi – “Tredistruggin”
Van Morrison – “I Can Only Give You Everything”
Johnny Kid & The Pirates – “Shakin’ All Over”
The Zombies – “Time Of The Season (Stereo Version)”
The Knickerbockers – “Lies”
Manfred Mann – “Do Wah Diddy”
The Swinging Blue Jeans – “Hippy Hippy Shake”
The Sonics – “Strychnine”
The Easybeats – “Sorry”
Kinks – “You Really Got Me”
The Kingsmen – “Louie Louie”
The Trashmen – “Keep A Knockin'”
The Action – “I’ll Keep Holding On”
Barrett Strong – “Money (That’s What I Want)”
Sam The Sham & The Pharaos – “Wooly Bully”

As 50 melhores músicas de 2007: 43) “Supermercado do Amor” – Orquestra Imperial

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43) “Supermercado do Amor” – Orquestra Imperial

Por um momentâneo lapso de razão, a Orquestra deixou a gafieira cinqüentista dos botecos da Vila Madalena que querem parecer vintage tipo Lapa carioca de lado e caiu de boca no tropicalismo: Nina clona Gal áurea, a guitarra é puro Lanny Gordin, o arranjo é Duprat, a composição é uma marchinha pop à Tom Zé (a jovem Rita Lee sorri) e Jorge Mautner chancela tudo com um discurso tão convincente quanto qualquer bravata do Carlos Imperial e com a eloqüência do radialista de O Bandido da Luz Vermelha. Legal o baile de máscaras tradicional da Orquestra, mas quando eles pisam na psicodelia jovem guarda, sai faísca.

As 50 melhores músicas de 2007: 44) “2 Hearts” – Kylie Minogue

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44) “2 Hearts” – Kylie Minogue

Luzes apagadas, o único holofote está no palco e a cortina abre-se para Kylie aproximar-se em passos firmes de modelo, gemendo ao microfone feito diva barata de uma banda glam. Rock conduzido por piano, “2 Hearts” é, ainda, jazz sem frescura e pop deslavado numa mesma faixa nota 10, coisa que a Christina Aguillera (em “Ain’t No Other Man“) e a Gwen Stefani (em “Sweet Escape“) só insinuam.