O próximo disco de Lily Allen, It’s Not Me It’s You, sai em algum dias e está sendo considerado a tábua de salvação da gravadora EMI, a mais pobrinha das quatro majors que ainda habitam nosso planeta. A empresa, que está comemorando a possibilidade de escovas de dentes virem com música, também tem sido alvo constante das reclamações de Lily e vem tentando toda forma de promoção possível para garantir que o disco da garota seja comprado e não baixado de graça – e o minimix aí embaixo, que espreme seis músicas em menos de sete minutos (e apresenta duas faixas que ainda não tinham aparecido online – “Not Fair” e “Never Gonna Get It”), é mais uma das ferramentas usadas pela gravadora que deu os Beatles ao mundo para ver se o segundo disco de Lily os tira do atoleiro.
Lily Allen Album Mini Mix (MP3)
“Everyone’s at it”
“The Fear”
“Not Fair”
“22”
“Never Gonna Get It”
“Fuck You”
“Everything. OK! I’ll talk! In third grade, I cheated on my history exam. In fourth grade, I stole my uncle Max’s toupee and I glued it on my face when I was Moses in my Hebrew School play. In fifth grade, I knocked my sister Edie down the stairs and I blamed it on the dog… When my Mom sent me to the summer camp for fat kids and then they served lunch, I got nuts and I pigged out and they kicked me out… But the worst thing I ever done – I mixed a pot of fake puke at home and then I went to this movie theater, hid the puke in my jacket, climbed up to the balcony and then, t-t-then, I made a noise like this: hua-hua-hua-huaaaaaaa – and then I dumped it over the side, all over the people in the audience. And then, this was horrible, all the people started getting sick and throwing up all over each other. I never felt so bad in my entire life.”
O programa de hoje fala sobre pirataria – quando é que baixar MP3 vai deixar de ser visto como crime? – com papos com o autor do livro The Pirate’s Dilemma, Matt Mason e Lawrence Lessig, além da crise nos jornais americanos e de montar uma rede wi-fi sem roteador. No som, Little Joy, Santogold, Jorge Drexler, Rosie and Me, Gal Costa e Peter Bjorn & John. O Link Eldorado vai ao ar todo domingo, às 21h, na rádio Eldorado, em São Paulo.
Little Joy
Clash @ São Paulo
29 de janeiro de 2009
Little Joy – “Keep Me in Mind”
Os piratas do Caribe não eram de lá. Europeus, os saqueadores que desestabilizaram a economia e a política de seu continente nos século 16 e 17 trabalhavam em alto mar e na costa da África, quase sempre pilhando navios que voltavam das colônias do Novo Mundo cheio de riquezas para suas coroas colonizadoras. O Caribe, com seu excelente clima e inúmeras ilhotas inexistentes nos mapas da época, por outro lado, era um refúgio perfeito para o descanso de piratas de diferentes origens, que reuniam-se nos arquipélagos tropicais para recarregar as baterias antes de voltar à rotina de saques e destruição.
E se vale a velha metáfora da banda de rock como navio pirata – eternizada pelos Rolling Stones, mas que está na essência de qualquer grupo, aquela sensação de caos e tumulto aliada à excitação de chutar tudo para o alto -, o Little Joy é o encontro de alguns piratas num desses entrepostos caribenhos para alguns meses de descanso, longe do trabalho. Piratas de férias, Rodrigo Amarante e Fabrizio Moretti deixaram as naus de seus grupos principais para juntarem-se a outras almas perdidas na noite tropical e deixar a festa rolar à luz da lua e da fogueira.
Little Joy – “No One’s Better Sake”
Tá certo que Moretti (brasileiríssimo, sotaque largado incluso) pode ser o capitão da empreitada e que Binki Shapiro traga uma inesperada graça indie para a corja de bucaneros do roque, mas todo o brilho do Little Joy ao vivo vem de Amarante. Longe da responsabilidade de ser um Hermano, Rodrigo está completamente à vontade no papel de guitarrista de um projeto paralelo. E por mais que a banda soe um pouco Strokes aqui ou um tantinho indie demais quando Binki assume o vocal (ela esconde-se entre a timidez de duas bateristas-vocalistas, Maureen Tucker e Georgia Hubley), é sua voz preguiçosa e arrastada e sua guitarra dedilhada quem dão personalidade ao Little Joy – e ele é onipresente, quando menos se espera lá está o timbre de voz meio bêbado ou a indefectível guitarrinha trôpega.
Tranqüila, a banda toca como se estivesse na casa de um dos integrantes e trata o público – composto essencialmente fãs do Los Hermanos e, provavelmente, pelos mesmos fãs que foram no dia anterior – como se fossem um deles. O clima de cumplicidade é constante e a cada intervalo entre as músicas eles trocam gracinhas e carinhos – “amanhã às cinco horas eu estou na sua casa, hein Juliana”, avisava Moretti, que ainda chamou São Paulo de “cidade maravilhosa”.
Little Joy – “This Time Tomorrow”
Além da íntegra do disco de estréia, a banda ainda tocou duas versões de músicas alheias, que, sem querer, acabam mapeando musicalmente sua área de atuação. “Walking Back to Happiness”, um dos hits da mãe de Binki, Helen Shapiro, vem do tempo em que a Inglaterra desconhecia os Beatles e aspirava por um pop comportado, sério e quase europeu continental – da mesma importância que a surf music californiana e dos ritmos latinos (bossa nova inclusa) que flertaram com as paradas de sucesso antes dos Beatles reinventarem a roda. “This Time Tomorrow”, cover de Kinks que Fabrizio arriscou-se no vocal, data de 1970, o ano em que os Beatles partem para a história – e lembrando que essa é uma das três faixas do Kinks que fazem parte da trilha sonora do filme indie Viagem a Darjeeling, vemos uma história contada sem a presença dos Beatles, em que o rock florescesse ao lado de outros gêneros musicais sem necessariamente se impor como protagonista central.
Little Joy – “Walking Back to Happiness”
Eis a praia do Little Joy. Flertam com a surf music e com o folk, com o indie rock e com ritmos latinos – a vaibe é aquela que se espreguiça na rede, sem pressa, escondendo os olhos do sol – como se fossem uma banda de rock, mas só os instrumentos e a formação é propriamente rock. Fora um riff numa introdução aqui ou um solinho maroto acolá, o que se ouve é música pop tocada com guitarras. E, o principal, sem dar-se a menor importância. O desleixo e sossego com que tocam a apresentação contagiam quem se dispõe a entrar na onda da banda. Se ela tem alguma importância? Quem se importa com isso? Curte aí…
Little Joy – “Brand New Start”
Dm
Meet you downstairs,
Gm
In the bar and heard,
A7
Your rolled up sleeves,
Dm
And your skull t-shirt.
Dm
You say why did you do it,
Gm
With him today?
A7
And sniff me out,
Dm
Like I was Tanqueray.
Gm
‘Cos you’re,
My fella, my guy,
E7
Hand me your,
Stella and fly.
F
By the time,
I’m out the door,
E7
You tear me down,
A7
Like Roger Moore.
Dm Am
I cheated myself,
E7 Am
Like I knew I would.
Dm
I told ya,
Am
I was trouble,
E7
You know that,
Am
I’m no good.
(Breque)
Dm
Upstairs in bed,
Gm
With my ex boy,
A7
He’s in the place,
Dm
But I cant get joy.
Dm
Thinking of you,
Gm
In the final throws,
A7
This is when,
Dm
My buzzer goes.
Gm
Run out to meet,
Your chips and bitter,
E7
You say when we’re married,
‘Cos you’re not bitter.
F
There’ll be none,
Of him no more,
E7
I cried for you,
A7
On the kitchen floor.
Dm Am
I cheated myself,
E7 Am
Like I knew I would.
Dm
I told ya,
Am
I was trouble,
E7
You know that,
Am
I’m no good.
Dm Am E7 Am (x2)
Dm
Sweet reunion,
Gm
Ja-maica and Spain,
A7
We’re like how,
Dm
We were again.
Dm
I’m in the tub,
Gm
You on the seat,
A7
Lick your lips,
Dm
As I soak my feet.
Gm
Then you notice,
Lickle carpet burn,
E7
My stomach drops,
Yeah and my guts churn.
F
You shrug and,
It’s the worst,
E7
To truly stuck,
A7
The knife in first.
Dm Am
I cheated myself,
E7 Am
Like I knew I would.
Dm
I told ya,
Am
I was trouble,
E7
You know that,
Am
I’m no good.
Dm Am
I cheated myself,
E7 Am
Like I knew I would.
Dm
I told ya,
Am
I was trouble,
E7
Yeah you know that,
Am
I’m no good.
Estamos em um puteiro, num escritório gigantesco, no quarto de uma adolescente enfurecida com os pais ou num delírio melancólico de uma menina de 10 anos? “I’m Good I’m Gone” é tudo isso e mais. É uma espécie de “Like a Virgin” indie, engolindo as referências do pop feminino escapista do século e as transformando em suor febril, como se houvesse doses pesadas de ironia consciente em cada hit de Britney Spears ou Christina Aguillera. É também uma descida tão íngreme quanto o furacão que leva Dorothy a Oz ou o buraco em que Alice cai para sair no País das Maravilhas – com palmas, ecos, backing vocals, um piano fantasmagórico e a certeza que sai diretamente da inocência: “E se você diz que eu não estou OK, então devemos ir/ Se você diz que não tem jeito que eu possa saber/ Se você diz que eu miro muito alto daqui de baixo/ Bem, diga que não, porque quando eu for/ Você vai me chamar, mas eu não atenderei o telefone”. Lykke Li vai longe.
29) Lykke Li – “I’m Good I’m Gone“
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O disco de 2008 sela a reabilitação de Chan Marshall depois de começar a década com o pé na jaca. Deixando a marvada pinga de lado, ela refaz seu Covers Records, do ano 2000, à luz da nova sobriedade. Assim, se seu outro disco de versões começava impaciente com uma releitura quase exausta para “Satisfaction” dos Rolling Stones, Jukebox abre sorridente e relaxad e Chan recria o hino “New York” como se ele tivesse sido composto para a Band gravar. E com isso sai o fantasma do rock’n’roll para dar lugar ao espírito de gêneros musicais anteriores. E no lugar do rock surgem a soul music, o country, o blue e até o gospel (via Bob Dylan), que são hipnotizados pela deliciosa voz áspera e preguiçosa da senhorita. A temperatura é tão quente e confortável quanto o anterior The Greatest, mas Chan está tão à vontade ao microfone, que é possível ouvi-la esticar-se e reclinar-se (como na capa) a cada vogal esticada ou vocal solto no ar. Jukebox ainda conta com um irmão caçula – o EP Dark End of the Street – que, além da faixa-título, traz versões para Creedence Clearwater Revival, Otis Redding, Sandy Denny e Aretha Franklin, e complementa o disco lançado bem no começo de 2008 (e, por isso, esquecido por muitos) como um bis perfeito.
30) Cat Power – Jukebox
Cat Power – “New York“