Jurema
Fernanda Young, você por aqui!
Dica da Katia.
Fernanda Young, você por aqui!
Dica da Katia.
O melhor filme que nunca foi feito
“Eis uma questão que levaria uma entrevista inteira para ser respondida. Para começar, ele me fascina. Sua vida é descrita como um poema épico de ação. Sua vida sexual era digna de ser analisada por Arthur Schnitzler. É um destes raros homens que movem a história e moldam o destino de seu próprio tempo e das gerações a seguir – em um sentido muito concreto, nosso próprio mundo é fruto de Napoleão, como o mapa político e geográfico da Europa pós-guerra e o resultado da Segunda Guerra Mundial. E, claro, nunca houve um filme bom ou adequado sobre o tema. Também considero que todas as questões envolvidas são estranhamento contemporâneas – as responsabilidades e os abusos do poder, as dinâmicas da revolução social, a relação entre o indivíduo e o estado, guerra, militarismo, erc., portanto não é apenas um tributo histórico empoeirado, mas um filme sobre as questões básicas de nossa época e a de Napoleão. Mas mesmo longe destes aspectos da história, o drama completo e a força de vida de Napoleão é um assunto fantástico para uma biografia em filme. Esqueça todo o resto e tenha apenas seu envolvimento romântico com Josefina, por exemplo, e eis uma das maiores paixões obsessivas de todos os tempos”
Napoleão foi o cálice sagrado de Stanley Kubrick, um dos muitos filmes que não conseguiu terminar antes de morrer e certamente seu maior projeto. E não é exagero quando ele explica na entrevista que deu para o livro de Joseph Gelmis, The Film Director as Superstar, citada acima, que o filme renderia uma entrevista só sobre o assunto – uma não, várias. A coleção de documentos que Kubrick tinha sobre Napoleão equivalia simplesmente à segunda maior biblioteca sobre o tema do mundo, só perdendo para a coleção do próprio governo da França. Sua obsessão com o tema era tamanha, que ele construiu um arquivo de fichas com os principais acontecimentos na vida de 50 pessoas que acompanharia em seu épico, para usa-los no caso de mexer na história do filme e saber onde cada uma daquelas pessoas estaria em determinado momento na vida de Napoleão – detalhe: o arquivo tinha 25 mil fichas! Além disso, desenvolveu todo um sistema de imagens e objetos usados filme para evitar ter de responder às mesmas perguntas mil vezes e passou a imitar o próprio estilo do Napoleão, cuspindo perguntas incessantes assim que era apresentado para qualquer pessoa e comendo todos os pratos de uma refeição (incluindo a sobremesa) ao mesmo tempo.
Quem já folheou o mítico “Kubrick de mil reais“, o livraço de Alison Castle em que a filmografia do velho Stanley é dissecada à minúcia, já se deparou com páginas e páginas dedicadas ao projeto Napoleão, que só instigam a grandiosidade do que poderia ser o filme.
Mas e se eu te disser que a mesma Alison Castle está preparando o lançamento de um livro das mesmas proporções do Archives só que só sobre o filme perdido? É sério. Meu medo é que venha alguém se dispondo a filmar essa história “do mesmo jeito de Kubrick”, já que até o roteiro está disponível (em PDF) há tempos. Mas foda-se isso, imagina o que não tem nesse livro… De chorar.
Os dois centavos do Latuff sobre essa história (vi no Ulisses). Cês tão acompanhando, né…?
Não é mole, não…
Mais Watchmen!
Não é senso de composição que falta aos Black Kids. O grupo americano tem noção do que faz uma música tornar-se memorável e realmente trabalha nesse sentido – seu disco de estréia, Partie Traumatic, é um esforço louvável de se fazer música pop pura e simples no século 21 e seu vocalista Reggie Youngblood tenha a voz com mais personalidade entre as bandas que não têm mais de dois discos de carreira. Mas a banda ainda não chegou lá – “I’ve Underestimated My Charm (Again)” e “Hurricane Jane” tem refrões irresistíveis, mas instrumentação frouxa, preguiçosa, desleixada – o que pra muitos é estilo. Mas a dupla carioca Twelves mata a charada ao costurar as pontas que sobram, subir um pouquinho o tempo e o pitch da faixa original e finalmente envernizá-la com um brilho oitentista, que, se sozinho reflete e brilha, sobre os Black Kids dá a textura ideal para que a banda aspire para além da própria vizinhança. Questão de postura – tem gente que prefere andar encurvado, tem gente que prefere esticar os ombros e estufar o peito. Os Twelves fazem os Black Kids andarem nos trilhos.
22) Black Kids – “I’m Not Gonna Teach Your Boyfriend How to Dance with You (Twelves Remix)“