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Comemorar o livramento

Qualquer apresentação ao vivo da Espetacular Charanga do França é aquele jorro de energia vital que faz até o proverbial defunto levantar-se do caixão. Mas neste primeiro dia de dezembro de 2023 na Casa de Francisca, a alta vibração foi ainda mais intensa, especialmente depois do discurso de abertura feito por seu maestro, Thiago França, que ajudou a acordar a consciência de como finalmente desentalamos essa época de morte que atravessamos nos últimos anos e, como ele mesmo pôs, “comemorar o livramento” dessa época tão depret. E tome sambas clássicos, axé music, Britney Spears, pagodeira, “Eva” e todo o repertório de hits alheios em versões carnavalescas que não deixaram ninguém parado. Foi de lavar a alma.

Assista aqui:  

Mombojó celebra Alceu Valença

Em clima de celebração pernambucana, o Mombojó vai aos poucos preparando terreno para seu próximo disco, que será lançado no ano que vem. Ainda sem título, o novo disco é uma homenagem a Alceu Valença que o grupo começou há pouco tempo ao mostrar o primeiro single do novo trabalho, “Estação da Luz”. O próximo passo é o single “Amor que Vai”, que será lançado na próxima sexta-feira, dia 8, e que estreará em primeira mão no dia anterior, aqui no Trabalho Sujo. “Alceu é o principal cantor vivo de Pernambuco”, explica o vocalista da banda, Felipe S. “É um artista que está transitando num público jovem que está recém descobrindo ele. Até por isso pensamos em gravar as músicas da fase 80 que não fossem as mais famosas. Pra reafirmar um repertório incrivelmente forte. Alceu ele conseguiu como ninguém simbolizar o nosso estado. Fortalece um pouco o nosso laço tocar essas músicas.” Felipe continua explicando a importância de sua banda gravar um disco celebrando Alceu. “Para nós que já temos mais de vinte anos só compondo músicas autorais, bateu a vontade pelo desafio de interpretar algum artista e a Mombojó tem muitas afinidades com Alceu, seja nas letras curtas ou por falar da natureza e principalmente dos cenários nordestinos. Acho que ele me influenciou nesse sentido da escrita.”

Fim do primeiro ato?

Beyoncé pegou todo mundo de surpresa mais uma vez ao lançar uma música sem nenhum aviso prévio: “My House”, que apareceu nessa sexta-feira, é a música que encerra o filme que a diva lançou para registrar a versão ao vivo do maravilhoso disco que ela lançou no ano passado, Renaissance. A faixa é boa mas não o suficiente para estar no disco em si, funciona mais como o que de fato é – a música que toca nos créditos finais de um filme, fazendo referências ao todo mas funcionando mais como um desfecho do que como um single novo propriamente dito. O que reforça o que ela está falando nas entrelinhas, que ela está terminando esse capítulo e que o ato II dessa nova fase, que deve chamar-se Enlightenment ou Illuminism, está chegando. E como nossa musa é afeita a surpresas, não duvido nada que ela possa lançar esse disco ainda esse ano (dez anos depois de ela ter lançado seu disco homônimo também sem alarde, em pleno mês de dezembro).

Ouça abaixo:  

Com a Charanga do França na Casa de Francisca

E nessa sexta repito a noitada com o Thiago mas em outras condições de temperatura e pressão: ele finalmente lança o disco de sua Espetacular Charanga do França nesta sexta e sábado na Casa de Francisca e me chamou para discotecar na primeira dessas apresentações. Partimos de um extremo de noitada paulistana para o outro mas com a mesma eficácia – e se você não dormir no ponto ainda consegue pegar um dos últimos ingressos pra essa apresentação neste link. Toco antes e depois do show com a incumbência de transformar aquela tradicional discotecagem pós-show em uma baladinha de fato.

Quinta-feira surreal

Quando a quinta-feira termina com Arrigo Barnabé, é que foi daqueles dias. Perdi o André Prando, que esquentou o Inferninho Trabalho Sujo no Picles logo cedo, abrindo terreno para as tradicionais duas horas de Xepa Sounds, quando o Thiago França encara hits pop de todas as épocas ao lado dois terços da percussão de sua Charanga, os compadres Samba Sam e Wellington Pimpa, passeando entre novos clássicos da dance music e aquela pagodeira que todo mundo canta junto. Depois que eu e a Fran assumimos a pista ainda começou a chegar uma quantidade absurda de gente que vai saber como é que as coisas terminaram…

Assista aqui:  

Inferninho Trabalho Sujo apresenta Xepa Sounds e André Prando

Encerrando as comemorações dos 28 anos do Trabalho Sujo, o último Inferninho Trabalho Sujo deste novembro mágico acontece nesta quinta-feira, quando mais uma vez Thiago França traz a fina esculhambação de seu Xepa Sounds para o sobrado interdimensional que abre novas dimensões no meio do canteiro de obras que muitos conhecem como bairro de Pinheiros. Antes da Xepa quem toca é o André Prando e depois dela eu e a Fran derretemos a pista com aqueles hits que você conhece – e outros tantos que você nunca imaginou ouvir no Picles! O Inferninho acontece no número 1838 da rua Cardeal Arcoverde e a noite vai até…

Centro da Terra: Dezembro de 2023

Chegando aos finalmentes do ano, vamos à época mais curta de shows no Centro da Terra pois temos apenas duas semanas de atividades no teatro. Isso, no entanto, não diminui a importância das apresentações, muito pelo contrário. Em vez de termos as temporadas nas segundas-feiras, são cinco espetáculos de quatro artistas que acabam funcionando como conclusão desse ano intenso que todos tivemos. O mês começa dia 5, com a estreia paulistana do espetáculo Andarilho Urbano, de Tatá Aeroplano, que sobe sozinho no palco para voltar em canções de diferentes fases de sua carreira e contar suas histórias. Depois, dias 6 e 7, temos ninguém menos que Arrigo Barnabé no palco do Centro da Terra fazendo sua homenagem a Itamar Assumpção no espetáculo Arrigo visita Itamar. Na segunda seguinte, dia 11, Caçapa começa a sair da toca e mostra suas novas composições na apresentação Eletrodinâmica e o ano encerra com o espetáculo PSSP apresentando pela Filarmônica de Passárgada. Nossas noites começam sempre às 20h e os ingressos para as apresentações podem ser comprados neste link.

Lanny Gordin e “a morte do guitarrista”

E não vamos deixar de falar do Lanny, que, como seu irmão Tony nos informa, será velado entre as 14h e as 16h desta quarta-feira, no Cemitério da Vila Formosa. O Kiko pinçou um vídeo com o guitar hero filmado por Sganzerla que está nos extras do DVD do Bandido da Luz Vermelha. O trecho foi utilizado por Gregorio Gananian no documentário que ele fez sobre o guitarrista, Inaudito (que pode ser visto na íntegra abaixo). Separei um trecho da entrevista que o Gregório deu pra Carime sobre o documentário, publicada no Scream & Yell do Marcelo:

“Rogério Sganzerla na filmagem. Ela não tinha som. A Helena Ignez liberou para a gente a imagem. Eu falei para ela, e essa filmagem é uma sobra de um material que o Rogério não concluiu. Era uma espécie de continuação do Bandido da Luz Vermelha, e eu sabia que existia essa cena com o Lanny. Quando estávamos na China eu falei que queria muito fazer aquela pergunta de qual foi o show mais incrível que ele já fez, e fizeram essa pergunta e ele falou dessa performance maravilhosa: ‘Tirei a guitarra, tomei um choque elétrico e morri’. Chama-se ‘A Morte do Guitarrista’. Ela aparece um pouquinho depois da metade do filme, e então aparecem estas imagens, e aquela coisa completamente nonsense que ele contou aconteceu! De repente quem assiste se pergunta: ‘Pera aí, então o que o cara está falando é realmente verdade’. Conversando com o Negro Leo sobre fazer a trilha para essa parte, ele viu aquilo lá sem nada, e falou: ‘Vamos tirar tudo de música nessa sequência de arquivo'”.

Ave Lanny!

Assista ao documentário abaixo: