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50 anos da Motown: Martha & the Vandellas – "Heat Wave"

Whenever I’m with him something inside,
Starts to burnin’ and I’m filled with desire.
Could it be a devil in me?
Or is this the way love’s supposed to be?
It’s like a heatwave burnin’ in my heart.
I can’t keep from cryin’, it’s tearin’ me apart.

Whenever he calls my name, so slow, sweet and plain.
My dear, my flame, I feel that burnin’ flame.
Has my blood pressure got a hold on me?
Or is this the way love’s supposed to be?
It’s like a heatwave burnin’ in my heart.
I can’t keep from cryin’, it’s tearin’ me apart.

Sometimes I stare in space, tears all over my face.
I can’t explain it, don’t understand it.
I ‘ain’t never felt like this before.
Now, that funny feelin’ has me amazed,
I don’t know what to do, my head’s in a haze.
It’s like a heatwave, burnin’ in my heart.
I can’t keep from cryin’, it’s tearin’ me apart.

Yeah, yeah, yeah, girl.

Don’t pass up this chance, this time it’s a true romance.

As 50 melhores músicas de 2008: 28) Little Joy – "Brand New Start"

Dá pra sentir o fardo que o Los Hermanos vinha sendo nos ombros de Rodrigo Amarante no jeito que ele canta na primeira música que o Little Joy revelou ao mundo – ao mesmo tempo em que se inclina para trás, sua voz parece sair com um sorriso escancarado, acompanhado de uma guitarra posicionada entre o Havaí e alguma praia do sul da Bahia. De férias com uma banda californiana, ele parece está devolvendo para o mundo ensinamentos que aprendeu com Lulu Santos no Brasil: da tranqüilidade atmosférica ao calor tropical, passando pela métrica conversada, um refrão pra ser cantado em grupo ou a dois e melodias que grudam no cérebro como se viessem de fábrica.

28) Little Joy – “Brand New Start

Lost: Jughead

Bombando

Ok, começou pra valer – e se você não tiver assistido o terceiro episódio da nova safra de Lost, sai fora, porque daqui pra baixo o assunto é só pra quem já está alinhado com o resto do seriado. Como eu tinha dito, os dois primeiros capítulos que inauguraram a nova fase da história dos passageiros do vôo 815 funcionaram como um imenso “previously on Lost”, feito para caso algum louco se disponha a começar a assistir a história agora sem ver nada antes ter algum chão onde pisar. As duas cenas principais do episódio duplo mostram o cientista Chang em contato com propriedades até então desconhecidas da ilha maluca e a cientista Ms. Hawking fazendo cálculos e projeções para determinar onde a maldita ilha pode voltar a aparecer. Unidas pela frase “Deus nos acuda”, dita em timbre solene pelos dois personagens bissextos em suas respectivas cenas, elas nos ajudam a entender que o ano do seriado será racional e paranóico, frio, calculista, mas à beira de um ataque de nervos. Jughead, o episódio de quarta passada, foi a confirmação que este é o tom de Lost em 2009.

Porque é quando começamos a compreender uma história que foi apenas citada nos primeiros capítulos: o que está acontecendo com a ilha? Tudo bem, não precisamos de explicações propriamente científicas para descrever a situação. O próprio Faraday usou a metáfora do disco arranhado para explicar que a ilha está pulando por épocas diferentes, aparentemente sem destino estabelecido. Enquanto já entendemos que no 2007 dos Oceanic Six (sequer citados no episódio) Ben tenta trazer todos de volta para a ilha, outra enorme lacuna começa a ser preenchida e ela diz respeito às pessoas que ficaram lá.

Jughead nos leva para 1954, cinqüenta anos antes do vôo 815 cair na ilha, e para um tempo em que os Outros eram os únicos donos do pedaço. A Dharma não existia e o aparentemente imortal Richard Alpert reina absoluto, baixando o sarrafo em que se atreva a entrar lá. É para lá onde Faraday, Miles, Sawyer, Juliette, Locke e Charlotte vão, separados, confrontar-se com os Outros. Mas um deles já tinha ido para aquele ano – Daniel Faraday é recebido por uma jovem soldado chamada Ellie que o recepciona com um “você de novo?” e mais tarde é confrontado por Alpert sobre uma bomba que ele teria trazido em outra época para a ilha. Quem é essa moça? O nome dela evoca dois personagens citados pela série: o rato com que Faraday fazia suas experiências de viagem no tempo (batizado Eloise) e uma certa francesa, cujo prenome, Danielle, não pode ser encurtado como “Dani” e sim como…

E assim Ellie acompanha Faraday para desmontar a bomba que batiza o episódio. É interessante notar que Daniel, aos poucos, torna-se outro personagem: mais esperto, dinâmico, disposto, longe do Faraday assustado, ansioso e desmemoriado da temporada passada. E quando encontramos a tal bomba, Jughead está pendurada num andaime de forma que qualquer movimento brusco a faça sofrer uma queda curta o suficiente para detoná-la. Nem vamos entrar no mérito de como é que ela foi parar ali. Mas logo depois Faraday fala em enterrá-la com concreto e chumbo, o que nos cogita a possibilidade da tal energia bruta que causa as viagens do tempo vir da própria bomba. E que talvez a escotilha que Desmond tomava conta regulasse, de alguma forma, a energia vinda dela. A bomba aparece e desaparece da mesma forma – num susto. Mas é apresentada como uma imagem forte, mais um ícone emblemático para o cânone da série: uma bomba H armada a alguns centímetros do chão.

Se o episódio da semana passada não nos trouxe nada dos Oceanic Six, a ação fora da ilha ficou por conta de Penny e, principalmente, Desmond, que sabemos que tornam-se pais de uma criança chamada “Charlie” – e aqui também vale esquivar-se da possibilidade do garoto ser um dos Charles da trama antes de voltar para o passado (o roqueiro Charlie e Charles Widmore, pai de Penny – hein? Penny é mãe do próprio pai?). Ao perceber que a cena de Faraday pedindo para buscar sua mãe era uma lembrança e não um sonho, o escocês sai por Londres em busca de uma mulher que não sabe o nome. Busca por Daniel e descobre que o cientista nunca foi vinculado oficialmente a Oxford, apenas manteve suas pesquisas num quarto abandonado, sem a universidade ser avisada. E de lá conhece a história de uma mulher que, num aparente coma, foi abandonada por Faraday em meio a experiências – e fica sabendo que seu sogro, Charles Widmore, bancava as pesquisas de Daniel. Widmore encerra o papo dando a Desmond o paradeiro da mãe de Daniel (Los Angeles, onde estão os Oceanic Six), deixando a trama ainda mais entrelaçada. E tudo nos leva a crer que Ms. Hawking (cujo prenome, descobrimos através da legenda da reprise episódio The Lie, reexibido antes de Jughead, é Elloise) é a mãe de Daniel. Mas tem algo de errado aí – esse mistério me parece nada misterioso dado o histórico de Lost. Parece que tudo está entregue de bandeja: Ms. Hawking é a mãe de Faraday e a jovem Ellie em 1954. Está tudo muito fácil pra ser verdade.

Jughead também inicia a saga que talvez deva ser o centro da quinta temporada – como Locke torna-se o líder dos Outros e o que acontece para ele assumir uma nova identidade e sair da ilha (rodando a frozen donkey wheel?) em busca dos seis sobreviventes que deixaram a ilha em dezembro de 2004. O primeiro passo foi dado com um truque que o Locke do início da série nunca imaginaria – mas depois de tanto apanhar mentalmente de Ben, hoje John consegue mentir e jogar o verde para ter o que quer. E assim cita Jacob como se fosse velho conhecido ao mesmo tempo em que avisa para Alpert assistir seu nascimento, episódio que vimos na quarta temporada. As pontas vão lentamente se amarrando enquanto outras surgem discretas – aprendemos que os Outros usam o latim como língua principal e que Alpert é “velho”, num sentido muito amplo, o que nos abre a chance dos Outros existirem a talvez milênios. E a grande revelação do episódio veio quase corriqueira: Widmore era um Outro. E a aparição de Locke afirmando ser o próximo líder abalou tanto a firmeza de Alpert quanto a esperança do próprio Widmore assumir o comando – o que pode explicar toda sua obsessão com a ilha, desde o fato de não poder retornar para lá quanto a possibilidade de reencontrá-la. Assim, a disputa parece polarizada entre Widmore e Ms. Hawking, como se a briga entre o casal (pais de Faraday?) fosse o ponto de partida para o jogo de poder em que tanto os Oceanic Six quanto Benjamin Linus são apenas peões.

O que nos leva a Daniel Faraday. Quem é esse sujeito? Ele trabalhava na universidade de Oxford, mas em um quarto de limpeza, usando o cômodo para tocar pesquisas de viagem no tempo e batizou uma ratazana de laboratório com o nome de sua mãe? E por que ele estava chorando em sua primeira aparição na série? E seus problemas de memória, se foram? E a mulher em coma em Londres, qual sua relação com ele? Por que ele trabalha para Widmore?

Para mim, a pergunta central em relação a Daniel Faraday é a de época que ele veio. Desde o início da temporada passada, os cinco tripulantes do cargueiro que chegaram a ilha pareciam ser contemporâneos dos sobreviventes do acidente com o vôo 815, mas na primeira cena dessa temporada vimos Daniel Faraday em plenos anos 70, com a mesma cara e idade de hoje em dia. E em Jughead, tanto Ellie quanto Alpert indicam conhece-lo – e mais, que ele seria o responsável pela bomba colocada na ilha.

Minha teoria: Faraday era um zé-mané da Dharma que, com algum conhecimento em física, conheceu (na cena que abre o quinto ano da série) as propriedades sobrenaturais da ilha que permitem a viagem do tempo. De alguma forma, conseguiu ir para o passado e para o futuro, numa jornada que pode ou não ser crucial para o desenrolar dos fatos que deram origem a Lost. Sua importância na história do seriado ainda está para ser medida – ele pode ser tanto o responsável pela situação que deu origem ao jogo entre Charles e Elsie quanto apenas um soldado de Widmore, como Ben seria soldado de Hawking. Mas creio que ele nasceu nos anos 50 e de alguma forma conseguiu manter-se vivo viajando no tempo (lembre que “Desmond é a constante”, como ele mesmo escreveu em suas anotações). E, por isso mesmo, acho que seu amor recém-declarado por Charlotte é de outra natureza: Daniel seria irmão ou até mesmo pai da própria Charlotte, uma vez que ela nasceu na ilha.

E o episódio termina com todos viajando mais uma vez para o passado, antes mesmo da vila dos Outros ser construída. Será que em breve veremos a tripulação do navio Black Rock? Essa é uma chance muito boa para ser desperdiçada… E não duvide se um de seus passageiros for o ancestral Richard Alpert, murmurando em latim depois de dar (ou ouvir) ordens em inglês. E aí começaremos a desvendar uma história que não temos a menor referência do que pode realmente ser.

Resumindo, Lost voltou pesado. Bom pra quem gosta.

Os 50 melhores discos de 2008: 29) João Brasil – Big Forbidden Dance

Ok, a fórmula é a mesma do Girl Talk, mas, começando pelo fato de João ser do Brasil, as coisas são bem diferentes. Pra começar, Big Forbidden Dance não é só uma reinvenção de uma carreira – e sim mais uma camada na obra de um artista que tem músicas batizadas de “Cobrinha Fanfarrona” ou “Mônica Waldvogel”, autor de um hit preciso (a indefectível “Baranga”, cujo clipe homenageia “Sultans of Swing” do Dire Straits) e parceiro de cariocas tão diferentes quanto Mr. Catra (“Pau Molão”) e De Leve (“Mamãe Virei Capitalista”). João Brasil chama-se João Brasil (não é nome artístico) e leva às últimas conseqüências o dúbio gosto que assola nossa nacionalidade. O que é brega e o que é fino para o brasileiro? Big Forbidden Dance, portanto, pode ser visto como um manifesto sobre o que é considerado de mau gosto pelo brasileiro (e inclusive nesse ponto não deixa de ser um disco essencialmente tropicalista) ao mesmo tempo em que uma apropriação carioca da metralhadora de mashups bolada por Greg Gills – a diferença aqui está, basicamente, na referência de bom/mau gosto. Boa parte do hip hop que toma conta dos dois discos do Girl Talk são o equivalente americano do pagode – que João substitui pelo funk carioca. E usando loops e loops de tambozão e atabaques eletrônicos, ele vai costurando hit atrás de hit, cutucando a nossa memória ao mesmo tempo em que força a dança. E tome “Feira de Acari” com “Ghostbusters”, Farofa Carioca com Faith No More, “Besame Mucho” com Grandmaster Flash, Lenny Kravitz com Iron Maiden, Digitalism com “Gimme More”, “Big in Japan” com Avril Lavigne, “Som de Preto” com Mallu Magalhães, RPM com LCD Soundsystem, Soup Dragons com “How We Do” (que mais na frente encontra o tema de Indiana Jones),”D.A.N.C.E.” com “Don’t Stop til You Get Enough” (ou melhor dizendo, o tema do Video Show). É como se perguntasse, entre dezenas de hits estrangeiros, o que diabo tem nesse país que consegue produzir Roberto Carlos, João Gilberto, Mutantes, Raul Seixas, Sepultura, Racionais, Cansei de Ser Sexy, Belo e o “Créu”?


29) João BrasilBig Forbidden Dance

On the Run 42: Lily Allen Album Mini Mix

O próximo disco de Lily Allen, It’s Not Me It’s You, sai em algum dias e está sendo considerado a tábua de salvação da gravadora EMI, a mais pobrinha das quatro majors que ainda habitam nosso planeta. A empresa, que está comemorando a possibilidade de escovas de dentes virem com música, também tem sido alvo constante das reclamações de Lily e vem tentando toda forma de promoção possível para garantir que o disco da garota seja comprado e não baixado de graça – e o minimix aí embaixo, que espreme seis músicas em menos de sete minutos (e apresenta duas faixas que ainda não tinham aparecido online – “Not Fair” e “Never Gonna Get It”), é mais uma das ferramentas usadas pela gravadora que deu os Beatles ao mundo para ver se o segundo disco de Lily os tira do atoleiro.

Lily Allen Album Mini Mix (MP3)

“Everyone’s at it”
“The Fear”
“Not Fair”
“22”
“Never Gonna Get It”
“Fuck You”

Palavras para o domingo XXXII: "OK, I'll talk…"

“Everything. OK! I’ll talk! In third grade, I cheated on my history exam. In fourth grade, I stole my uncle Max’s toupee and I glued it on my face when I was Moses in my Hebrew School play. In fifth grade, I knocked my sister Edie down the stairs and I blamed it on the dog… When my Mom sent me to the summer camp for fat kids and then they served lunch, I got nuts and I pigged out and they kicked me out… But the worst thing I ever done – I mixed a pot of fake puke at home and then I went to this movie theater, hid the puke in my jacket, climbed up to the balcony and then, t-t-then, I made a noise like this: hua-hua-hua-huaaaaaaa – and then I dumped it over the side, all over the people in the audience. And then, this was horrible, all the people started getting sick and throwing up all over each other. I never felt so bad in my entire life.”

Link Eldorado – 1º de fevereiro de 2009

O programa de hoje fala sobre pirataria – quando é que baixar MP3 vai deixar de ser visto como crime? – com papos com o autor do livro The Pirate’s Dilemma, Matt Mason e Lawrence Lessig, além da crise nos jornais americanos e de montar uma rede wi-fi sem roteador. No som, Little Joy, Santogold, Jorge Drexler, Rosie and Me, Gal Costa e Peter Bjorn & John. O Link Eldorado vai ao ar todo domingo, às 21h, na rádio Eldorado, em São Paulo.

Piratas no Caribe

Little Joy
Clash @ São Paulo
29 de janeiro de 2009


Little Joy – “Keep Me in Mind”

Os piratas do Caribe não eram de lá. Europeus, os saqueadores que desestabilizaram a economia e a política de seu continente nos século 16 e 17 trabalhavam em alto mar e na costa da África, quase sempre pilhando navios que voltavam das colônias do Novo Mundo cheio de riquezas para suas coroas colonizadoras. O Caribe, com seu excelente clima e inúmeras ilhotas inexistentes nos mapas da época, por outro lado, era um refúgio perfeito para o descanso de piratas de diferentes origens, que reuniam-se nos arquipélagos tropicais para recarregar as baterias antes de voltar à rotina de saques e destruição.

E se vale a velha metáfora da banda de rock como navio pirata – eternizada pelos Rolling Stones, mas que está na essência de qualquer grupo, aquela sensação de caos e tumulto aliada à excitação de chutar tudo para o alto -, o Little Joy é o encontro de alguns piratas num desses entrepostos caribenhos para alguns meses de descanso, longe do trabalho. Piratas de férias, Rodrigo Amarante e Fabrizio Moretti deixaram as naus de seus grupos principais para juntarem-se a outras almas perdidas na noite tropical e deixar a festa rolar à luz da lua e da fogueira.


Little Joy – “No One’s Better Sake”

Tá certo que Moretti (brasileiríssimo, sotaque largado incluso) pode ser o capitão da empreitada e que Binki Shapiro traga uma inesperada graça indie para a corja de bucaneros do roque, mas todo o brilho do Little Joy ao vivo vem de Amarante. Longe da responsabilidade de ser um Hermano, Rodrigo está completamente à vontade no papel de guitarrista de um projeto paralelo. E por mais que a banda soe um pouco Strokes aqui ou um tantinho indie demais quando Binki assume o vocal (ela esconde-se entre a timidez de duas bateristas-vocalistas, Maureen Tucker e Georgia Hubley), é sua voz preguiçosa e arrastada e sua guitarra dedilhada quem dão personalidade ao Little Joy – e ele é onipresente, quando menos se espera lá está o timbre de voz meio bêbado ou a indefectível guitarrinha trôpega.

Tranqüila, a banda toca como se estivesse na casa de um dos integrantes e trata o público – composto essencialmente fãs do Los Hermanos e, provavelmente, pelos mesmos fãs que foram no dia anterior – como se fossem um deles. O clima de cumplicidade é constante e a cada intervalo entre as músicas eles trocam gracinhas e carinhos – “amanhã às cinco horas eu estou na sua casa, hein Juliana”, avisava Moretti, que ainda chamou São Paulo de “cidade maravilhosa”.


Little Joy – “This Time Tomorrow”

Além da íntegra do disco de estréia, a banda ainda tocou duas versões de músicas alheias, que, sem querer, acabam mapeando musicalmente sua área de atuação. “Walking Back to Happiness”, um dos hits da mãe de Binki, Helen Shapiro, vem do tempo em que a Inglaterra desconhecia os Beatles e aspirava por um pop comportado, sério e quase europeu continental – da mesma importância que a surf music californiana e dos ritmos latinos (bossa nova inclusa) que flertaram com as paradas de sucesso antes dos Beatles reinventarem a roda. “This Time Tomorrow”, cover de Kinks que Fabrizio arriscou-se no vocal, data de 1970, o ano em que os Beatles partem para a história – e lembrando que essa é uma das três faixas do Kinks que fazem parte da trilha sonora do filme indie Viagem a Darjeeling, vemos uma história contada sem a presença dos Beatles, em que o rock florescesse ao lado de outros gêneros musicais sem necessariamente se impor como protagonista central.


Little Joy – “Walking Back to Happiness”

Eis a praia do Little Joy. Flertam com a surf music e com o folk, com o indie rock e com ritmos latinos – a vaibe é aquela que se espreguiça na rede, sem pressa, escondendo os olhos do sol – como se fossem uma banda de rock, mas só os instrumentos e a formação é propriamente rock. Fora um riff numa introdução aqui ou um solinho maroto acolá, o que se ouve é música pop tocada com guitarras. E, o principal, sem dar-se a menor importância. O desleixo e sossego com que tocam a apresentação contagiam quem se dispõe a entrar na onda da banda. Se ela tem alguma importância? Quem se importa com isso? Curte aí…


Little Joy – “Brand New Start”