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A Anti-Britney

Lily Allen @ Roseland Ballroom
Nova York, 20 de abril de 2009

“Cara, olha como isso tá cheio! E hoje é segunda-feira e tá chovendo!” – não, quem fez esse comentário não foi qualquer pessoa da platéia e sim de um segurança do clássico Roseland Ballroom. A enorme casa de shows na rua 52 de Nova York quase na Broadway (“que metido ele, citando endereço em Nova York”) já foi palco de pelo menos um disco ao vivo histórico (o terceiro álbum da discografia oficial do Portishead) e é vizinho do Ed Sullivan Theatre, onde os Beatles começaram a conquistar o mundo. Por fora, parece um cinema; por dentro, lembra uma versão melhorada do velho Olympia em seus melhores dias.

E, como salientou o segurança, estava lotada – e em plena segunda-feira. Chegamos no meio do show da banda de abertura, o Natalie Portman’s Shaved Head, uma banda empolgadíssima que tocava umas músicas bem mais ou menos, uma espécie de sub-Franz Ferdinand com um pezinho na eletrônica (bem de leve) sem um pingo de noção para compor um refrão válido – “Me & Yr Daughter”, a música com que eles encerraram o show, era o mais perto disso que eles conseguem fazer. O público gostou, mas apenas como aperitivo para o show da musa da noite.

Musa? Lily Allen comporta-se como o oposto disso. Seu show em Nova York foi o segundo “último show da turnê” que assisti da cantora – o primeiro foi no festival Planeta Terra, quando ela encerrou sua primeira turnê mundial num show completamente bêbada, esquecendo as letras das músicas e divertindo-se mais no palco do que a platéia. Era o final de 2007, o ano que consagrou a aparição de Lily Allen não apenas no rol de popstars surgidos graças à web como uma aspirante à liga júnior do mundo de celebridades. Quase dois anos se passaram desde sua primeira aparição e aquele show no Brasil foi uma espécie de terapia em público, com a cantora falando sem parar sobre qualquer assunto, como se expurgasse os próprios fantasmas num porre em que repassou, com banda, seus hits até ali.

Corta para 2009 e lá está Lily, um pouco mais velha, falando, bebendo e fumando sem parar, mas sem o clima de fim de feira do show no Brasil. Pelo contrário – ela está em Nova York e seu show de despedida da cidade não pode ser de qualquer jeito, mesmo porque pode ser o último na América do Norte, mas a turnê de It’s Not Me, It’s You, seu segundo disco, ainda está pela metade. Mas é bom descobrir que cigarros, bebedeira e a falação desembestada não são a exceção – e sim a regra de suas apresentações. E mesmo que ela esteja com mais pose de popstar do que de menininha, mesmo que o palco escreva seu nome com letras grandes três vezes, mesmo que metade das meninas da platéia sejam miniclones de Lily (franjinha, saltões, sainhas, leggings, casaquinhos sobre camisetas compridas, blusas soltas, cores fortes), mesmo que abertura de seu show projete sua silhueta batendo os pezinhos no chão como uma marca registrada, ela não está nem aí para o papel de exemplo a ser seguido ou de ícone cultural. E em vez de fazer-se de diva intocável, equilibra suas músicas com uma faceta pouco explorada entre as manchetes de tablóide – a de que suas frases que às vezes viram manchetes deslocadas por partirem de monólogos que estão mais próximos da comédia stand-up do que da música pop. Não é acaso o fato de ela fazer dois fãs participarem de um concurso para ver quem come mais rápido antes de começar mais uma faixa, “It’s Not Fair”.

E antes de cada música ela alongava uma pequena introdução e contava uma história, explicava uma situação ou falava um pouco sobre a música a seguir. “Essa (“Him”) é para o cara lá em cima”, “essa (“He Wasn’t There”) é sobre o meu pai”, “essa (“Chinese”) parece ser sobre um namorado, mas é sobre a minha mãe”, “essa (“Fuck You”) pode ser sobre qualquer pessoa, mas na verdade é sobre um cara que já era”. Antes de “22” dedicou a faixa às meninas da sua geração (Lily nasceu em 1985) que querem um namorado mas passam o tempo todo ficando com os caras errados (sem mencionar que ela disse isso usando a expressão “sucking cocks”). Antes de “It’s Not Fair” desculpava-se ter dito “fuck” quando queria dizer “making love”.

Ao seu redor, uma banda formada por baixista, guitarrista, baterista e tecladista, acompanhava a garota para onde ela fosse – e se sua segunda coleção de faixas lançada num disco de plástico começou a existir parecendo habitar o território de uma new wave açucarada ou um tecnopop com gosto do girl power das Spice Girls, ele logo a ampliou em um leque de canções de gêneros musicais diferentes, como se estivesse exercitando, musicalmente, o mesmo tipo de terapia/fantasia que inclui em suas letras. O que permitiu até um infame “momento acústico” e uma hilária reação da platéia – sugerida pela própria Lily – que acompanhou “Fuck You” (que era mais sutil quando foi lançada no MySpace ano passado como “GWB (Guess Who Batman)”) erguendo os dedos do meio para a cantora, adolescentes de diferentes idades expurgando suas frustrações num jazzinho pseudo-cabaré cujo potencial de hit parece ter sido boicotado só pelo palavrão do refrão.

E a banda a segue para além das demonstrações de versatilidade embaladas em forma de canção que formam It’s Not You It’s Me. Um dos melhores momentos do show foi no bis, quando a banda brincou de drum’n’bass e dub em cima do reggaeinho original de “Smile” – com Lily disparando efeitos sonoros graças a um dispositivo portátil, que funcionou como uma ótima introdução a “The Fear” (homônima e por que não sobrinha da faixa que abre o classudo e denso This is Hardcore, do Pulp), que também vira parque de diversões instrumental para a banda – desta vez numa jam puxando mais para o eletrônico.

Mas o grand finale aconteceu com um cover – e a segunda versão para “Womanizer” apresentada por Lily Allen ficou longe da primeira tentativa engraçadinha que fez ao lado de Mark Ronson no final do ano passado. Em um arranjo idêntico ao original de Britney Spears em 2009, a canção mostra sua força de chiclete robótico existindo num formato essencialmente rock (o cover do Franz também ressaltou esse aspecto) e reintegra a crítica ao “mulherengo” que batiza a faixa ao universo de Lily. E por mais que tenha ironizado o próprio sucesso em “The Fear”, ela mesma se põe ao lado de Britney Spears (nascida em 1980) para lembrar que mesmo que cantem sobre facetas diferentes de camadas distintas do século 21, ambas coexistem e atravessam situações semelhantes em escalas paralelas. E assim ela não se acanha em assumir o papel de anti-Britney – uma musa pop imperfeita por definição, ao contrário de Britney que encarou a imperfeição como um karma inevitável à condição perfeccionista. E, ao optar por ser uma resposta ao fenômeno popstar do que mais uma releitura, Lily Allen é uma das personagens mais interessantes do cenário pop atual. Ela se dispôs a atravessar o furacão de mídia, fama e celebridade para conseguir seu lugar ao sol – e até hoje vem lidando bem com o desafio. Se continuar assim, pode realmente tornar-se importante.

Vampiros do pântano

A segunda temporada do True Blood vem temperada com o single novo do Dylan.

Aliás, esse Dylan novo…

De volta

Depois de duas semanas na América do Norte e de mais uma semana de arrumação de coisas (reforma, mudança…) na América do Sul, volto à rotina do Trabalho Sujo. Deu pra sacar um tanto de Canadá (meu irmão do meio foi praquelas bandas e eu fui conferir ao vivo o estilo de vida québécoise do broder) e me overdosar de Nova York, driblando por alguns centímetros a tal gripe suína, que não havia chegado sequer à TV quando estive por lá (os dois assuntos que mais concorriam pela atenção do público era a feiosa Susan Boyle e o “assassino da Craigslist”). Na São Paulo do mundo, tive que fazer a peregrinação entre duas esquinas que são tão importantes na minha formação quanto as esquinas que emolduram a capa de Abbey Road: a do café do Seinfeld no Upper West Side (vizinhança pacata, com vendedores de vinil na rua e caminhões de mudança circulando em marcha lenta) e a da capa do Paul’s Boutique no Lower East Side (maior movimentação, perto do Soho e cheio de barzinhos ao redor). Em Gotham City, circulei basicamente por Manhattan e por alguns templos (cada vez mais encolhidos) do consumo mundial – “buy American” foi um dos tons da viagem, temperada pela total avacalhação da paranóia com a crise, que é uma espécie de tema de 2009 (as revistas anunciavam “dicas para sobreviver à crise”, os restaurantes de esquina anunciavam “especiais da crise”). No decorrer da semana, devo esmiuçar algumas coisas sobre a viagem, acelerar nos melhores de 2008, retomar as velhas seções, comentar os episódios de Lost quando estive fora e eventuais notícias que virão pelo caminho. A previsão é de sol e dia claro nesse meu primeiro dia como editor do Link (rolou uma promoção inesperada antes das férias – e as novidades decorrente disso virão logo), depois que a minha virada cultural aconteceu desencaixotando livros e discos na véspera do meu time ter ganho o campeonato com o Gordo decadente.

2009 tá lindo – e a previsão é que vai melhorar.

Os 20 melhores mashups de 2008: Jimmi James – “Womanizer Blaster”

O inglês Jimmi James já tinha entrado pro panteão do mashup ao fundir a faixa-título do disco Sgt. Pepper’s dos Beatles com “Paradise City”, do Guns N Roses. Em 2008, sua contribuição foi igualmente ousada e, da mesma forma, acondicionou perfeitamente uma canção em um novo universo. Desta vez foi o hit grudento de Britney Spears que se encontrou com a viagem de Stevie Wonder ao ritmo jamaicano, fazendo Britney repetir o refrão de “Womanizer” como se cantasse raggamuffin. Genial.

Jimmi James – “Womanizer Blaster

As 50 melhores músicas de 2008: 18) Britney Spears – “Womanizer”

A introdução composta por um zunido repetitivo abre a música como se o Daft Punk da fase “Robot Rock” estivesse experimentando uma áudio-hipnose gerada por uma furadeira. E quando Britney começa a cantar – monocórdica, monótona, robótica, mecânica – a faixa ganha ainda mais contornos artificiais, mesmo que sua sensualidade de plástico atice algum vestígio de humanidade. Quando ela entra no refrão – “Womanizer” quer dizer “Mulherengo”, imagina um refrão que repete essa palavra nove vezes seguidas -, Britney já extrapolou as fronteiras entre jingle e o single, o hit e o repeat. Termos como “comercial” e “pop” ganham novas dimensões à medida em que a diva fake dispensa outro jovem popstar que vem bater em sua porta com uma música incrivelmente grudenta, bubblegum para a era eletrônica. “Womanizer” não chega nem aos calcanhares das melhores faixas de Britney (“Toxic”, “Baby One More Time”, “Slave 4 U”, “Gimme More”), mas é boa o suficiente para figurar entre as melhores do ano. E sedimentar a carreira cada vez mais sólida de Britney Spears.

18) Britney Spears – “Womanizer

Entrevista: J.G. Ballard


Foto: tim2ubh

Em 2005, entrevistei o mestre por fax, pra Folha. Até nos falamos por telefone, mas ele preferiu responder a entrevista em sua máquina de escrever, no papel timbrado de seu escritório. Pelo telefone, ele elogiou algumas perguntas que fiz, mas guardo até hoje o papel enviado à distância, com um “good luck” e a assinatura do mestre no pé do papel. Um dia, quem sabe, enquadro.

Feira de atrocidades

Em “Terroristas do Milênio”, J.G. Ballard descreve a revolução da classe média para elucidar questões sociopolíticas atuais

Apesar de não se considerar mais um escritor de ficção científica (“A ficção científica morreu quando o homem pisou na Lua, em 1969”), J.G. Ballard, 74, ainda navega pelo gênero que o consagrou. Seu mais novo livro, “Terroristas do Milênio”, não cogita as destruições apocalípticas de suas primeiras obras, embora continue lidando com um dos principais aspectos da ficção científica: futurologia como laboratório de ensaio para idéias.

Em “Terroristas…”, à moda de seus livros mais recentes (como “Super-Cannes”, 2000), Ballard cogita previsões imediatistas para tentar elucidar charadas sociopolíticas do presente. Pelos olhos do psicólogo desiludido David Markham, ele nos apresenta uma revolta elitista de um condomínio fechado londrino como uma nova versão para a revolução.

Descreve a classe média como um novo proletariado que se rebela contra a força opressora da mesmice inventada para mantê-la em seu lugar. Liderada pelo esguio e carismático pediatra Richard Gould, esta nova revolução desordena a estrutura da rotina com pequenos atentados ao dia-a-dia -em paralelo a outro tipo de atentado, como uma bomba que explode no aeroporto de Heathrow logo no início do livro. Leia a seguir a entrevista que o escritor concedeu à Folha.

Como em seus últimos livros, “Terroristas do Milênio” parece funcionar ao mesmo tempo como uma profecia sombria e um sonho esperançoso. O sr. se considera um otimista?
Sim, mas temos de ser realistas a respeito do mundo em que vivemos. Acho que vivemos uma época muito perigosa. A velha ordem mundial -o Ocidente contra o bloco soviético- acabou, e ninguém sabe quem são seus verdadeiros aliados. Tanto o Islã quanto os Estados Unidos são vistos como uma ameaça. Nossa cultura de entretenimento deixa as pessoas entediadas. A política, a monarquia e a religião fracassaram. Será que o consumismo consegue manter tudo junto? Talvez o esporte, especialmente o futebol, seja o único cimento que previne toda a estrutura de desabar.

As questões políticas estão se tornando parte da textura do século 21? Como o sr. relaciona isso com o fracasso dos sistemas políticos do século passado?
A política fracassou completamente no mundo inteiro e não é mais capaz de resolver nossos principais problemas -intolerância étnica e racial, desigualdades de renda, epidemias globais, a destruição do ambiente, o aquecimento global, ajudar o Terceiro Mundo e tantos outros. Onde a política falha, soluções mais perigosas e radicais tendem a aparecer -como a Alemanha nazista, uma cruzada religiosa e racial fingindo ser um movimento político.

A classe média está ficando entediada consigo mesma?Acho que sim. Todas as pessoas, mesmo as mais bem-sucedidas da classe média, têm necessidades espirituais e criativas profundas, que não podem ser satisfeitas com uma bolsa da Gucci, uma viagem para Miami ou um BMW novo. Precisamos achar significado para nossas vidas. Hoje vivemos como crianças que podem comer o quanto quiser dentro de uma fábrica de chocolates.

À medida que o novo século começa, as pessoas tornam-se mais individualistas devido à desilusão para com as instituições ou começam a agir de uma forma mais coletiva? Isso é consciente?
As pessoas de hoje são muito menos individualistas do que eram há 50 anos. Nós vivemos uma época muito conformista. Um número enorme de regras e convenções sociais domina nossa vida -limites de velocidade, como educar os filhos, quando e onde eles devem ir à escola, como tratar nossas mulheres e maridos, que drogas podem ser tomadas ou não, e por aí vai. A maior parte das grandes decisões econômicas de nossas vidas hoje são decididas por companhias multinacionais, pelo Banco Mundial e pelo FMI. Mas as pessoas são incansáveis, e vemos isso em crimes sem sentido; o ataque do 11 de Setembro foi um protesto contra o modo de vida ocidental e sua cultura de entretenimento corrupta, que aplaca nosso impulso religioso.

Qual é o papel do terrorismo atualmente? É uma questão de desestabilizar o status quo ou são as Forças Armadas dos fracos?
Ambos. Atos terroristas espetaculares, como o 11 de Setembro, podem desestabilizar nações inteiras e até mesmo o mundo, a ponto de os Estados Unidos atacarem o Iraque como uma resposta cega e movida por emoções. Quando as pessoas se sentem enfraquecidas, elas voltam-se para suas emoções, como fizeram Bush e os novos conservadores depois do 11 de Setembro, e as emoções são muito mais perigosas do que ambição fria.

Revolução e crise são sinônimos para a mesma coisa, vistas por ângulos diferentes?
A maior parte das revoluções fracassou, e aquelas que foram bem-sucedidas tenderam a esmaecer, deixando apenas rastros ou continuaram fluindo, como rios por baixo da terra.

O entretenimento matou o sonho?
Nossa cultura de entretenimento atual sufoca tudo e redefine a realidade, ao, com efeito, provar que a cultura de entretenimento é a nova realidade.

Por que sempre parecemos viver em um momento crucial da história?
A mudança acontece tão rapidamente hoje que nós podemos sentir as variações no terreno. Mas é uma época genuinamente desafiadora. Em contraste, os anos 70 e 80 foram épocas mais calmas, até a queda do Muro de Berlim e a derrota do comunismo global.

Qual é a sua opinião sobre a era eletrônica?
A internet é um fenômeno impressionante, com o mesmo potencial de mudar o mundo que o rádio e a TV. Ela já começou a expandir a consciência humana. Tudo pode acontecer. Surgirá a primeira religião da internet, a primeira aldeia, o primeiro movimento político. Percebo uma mudança na consciência humana.

O sr. ainda se considera um escritor de ficção científica?
Não. Parei de escrever ficção científica nos anos 60. A ficção científica morreu quando o homem pisou na Lua, em 1969. Mas, de muitas formas, a ficção científica venceu, foi bem-sucedida ao atingir seus alvos e foi absorvida pelo mercado comercial.

O sr. usa a internet?
Uso o computador da minha namorada -adoro a poesia acidental que se encontra na rede. No site do litoral da Califórnia, em que você pode flutuar como um pássaro por horas. Você pode explorar silos nucleares em desuso. Acompanhar a migração de aves equipadas com rádio em viagens enormes entre a Europa e a África.

“Terroristas do Milênio” poderia acontecer nos EUA?
Já está acontecendo nos EUA. Cultos religiosos estranhos, movimentos antiaborto, hostilidade para com a evolução darwiniana. Esse grupos de protestos são, em sua maioria, da classe média, insatisfeitos com a ordem atual.

Com qual personagem o sr. melhor se relaciona, Richard Gould ou David Markham? O intelectual em dúvida é o par perfeito para o revolucionário carismático?
Acho que Richard Gould está mais próximo de mim; concordo com suas idéias, mas não com suas ações. Como reconciliar ambas as coisas é o grande problema.

Quais são os melhores e piores legados do século 20?
O melhor: liberdade individual, a dedicação da ciência em fazer um mundo melhor e o sentido que somos um mesmo planeta e uma mesma família humana. O pior: a facilidade com que um ditador ambicioso pode escravizar as pessoas, seja fisicamente como Stálin, ou mentalmente, como Hitler. É triste, mas as duas coisas devem ocorrer novamente.

Como o sr. vê o declínio da Europa e dos Estados Unidos enquanto faróis culturais dos séculos passados? Quem deverá sucedê-los?
A Europa e a América são lugares muito diferentes. Os Estados Unidos têm uma cultura de entretenimento popular que é atrativa, mas que não satisfaz, como um hambúrguer ou um pacote de chicletes. A Europa tem uma cultura mais elitista, que não é simples de ser compartilhada, mas que satisfaz muito melhor. Mas a nova supereconomia chinesa mudará tudo.

E o Brasil?
Eu visitei o Rio em 1969 e fiquei muito surpreso com sua vitalidade, charme e as mulheres mais lindas do mundo. O Brasil sempre ocupou um lugar especial na imaginação ocidental, graças em parte ao Rio, em parte à nossa imagem da Amazônia e suas florestas imensas, que representam um sonho profundo do coração primevo da humanidade. Desejo-lhes tudo de bom!