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On the Run 49: Ulysses Dutra – Senta no meu que eu entro na tua

Um clássico da fase tosca da pornochanchada brasileira (já nos anos 80, sem nenhuma tentativa de glamour), o filme de 1985 que batiza este post foi homenageado na mixtape Pornochanchada Groove, que o Ulysses mandou lá no Esquerda Festiva. Curtinha, a seleção vai de James Brown a Gnarls Barkley, passando por Michael Jackson, Amy Winehouse e, claro, samples com os diálogos putanheiros do filme. Se for ouvir no trabalho, ponha os fones – e cuidado com a cara que você pode fazer… (E, sim, essa foto é uma cena do filme.)

Duas realidades

Boa idéia, essa da Trip. Em vez de repetir de novo a capa do Tropicália (talvez o maior clichê do jornalismo musical brasileiro), eles foram atrás de uma clássica capa de uma antiga Realidade com Milton Banana, Jairzão, Magro do MPB-4, Caetano, Nara, Paulinho da Viola, Toquinho, Chico Buarque e Gil…

…e a recriaram com Junio Barreto, Rômulo Fróes, Ganjaman, Tatá, Catatau, Hélio do Vanguart, Thalma, Kassin e Céu.

Mas em vez da matéria ser mais uma cantinela de viúva da MPB tentando enquadrar novos Caetanos ou as “novas divas” que alimentam cadernos de cultura pelos jornais do Brasil, o texto do Bressane concentra-se em um ponto específico desta geração anos 00 – o perfil colaboracionista, em que todo mundo já tocou com todo mundo. A pauta só peca por insistir nessas de MPB – o atual pop brasileiro (inclusive o que inclui os nove acima) vai muito além da canção e do violão, e inclui hip hop, indie rock, psicodelia, bocas desdentadas, groove latino, bateria eletrônica, guitarra elétrica e versos em inglês.

Mas eu sei como funcionam as revistas…

Corjacast

E por falar em podcast (tá rolando um revival ou é impressão minha?), os grandes Dafne e Oga inauguraram a Corja com mais dois amigos. Na primeira edição oficial (rolou um número zero) eles tocaram Céu, Nelson Ferraz, Nara Leão cantando Roberto Carlos, Buraka Som Sistema, Matt & Kim e Gordurinha. Você ouve o pocast aqui, mas dá pra baixar aqui também. Longa vida!

Groove das 4:20

Seguindo o clima smooth desta manhã, recomendo o sagaz podcast do compadre Serjão, o Rádio 4:20. Aliás, recomendo todo o blog dele, o Groove Livre, que pode ser resumido no próprio podcast – reunindo o melhor da black music do planeta. Aproveito a deixa e já aviso ao Serjão – hospeda teu programa na Fubap, já falei com o Fred e ele curtiu a idéia (afinal, vai bem com o Chá das 4:20). Agora é contigo.

Beck x Velvet Underground

Beck está rearrumando seu site e aproveitou para antecipar uma das novidades: o projeto Record Club, em que se reunirá com amigos e músicos para gravar, sem ensaios, todas as músicas de um mesmo álbum em um dia só. Ele explica melhor:

We’ve been working on changes to the website for the last few months. We’ll be adding new sections as they’re ready. The first one to be added is called Record Club, an informal meeting of various people to record an album in a day. An album will be chosen to be reinterpreted and used as a framework. Nothing rehearsed or arranged ahead of time. A track will be uploaded once a week on beck.com as well as through the web sites of those involved with the project.

For this first edition, after lengthy deliberation and coming close to covering Digital Underground’s Sex Packets, all present voted in favor of the ‘other’ Underground’s The Velvet Underground & Nico. Participants included this time around are Nigel Godrich, Joey Waronker, Brian Lebarton, Bram Inscore, Yo, Giovanni Ribisi, Chris Holmes, and from Iceland, special guest Thorunn Magnusdottir, and myself. Thanks to everyone who helped put this together, and to all of you for indulging in this experiment. More soon.

Wado na novela das 8

Rafa quem cantou a bola, que confirmei via Coelho: “Uma Raiz, Uma Flor”, sonzeira do primeiro disco do Wado (que eu acho redondíssimo, perfeito – dá pra baixar não só o Manifesto da Arte Periférica como todos os quatro discos de Wado em seu site), está na trilha sonora de O Caminho das Índias, aquela novela da Globo que parece um episódio do Chapolim na Índia.

“Uma raiz é uma flor, que despreza a fama…”, canta Wado em Uma Raiz, Uma Flor, composição de sua autoria com Alvinho Cabral e Georges Bourdoukan que entrou recentemente para a trilha sonora da novela Caminho das Índias, da Rede Globo, após ser gravada pelo Fino Coletivo. Um marco histórico para a música local, num feito até então exclusivo de Djavan.

De fato, a “porção alagoana” do Fino Coletivo precisou cortar raízes para perseguir o caminho da fama. Há cerca de quatro anos, eles foram bater no Rio de Janeiro e, sob o sol que embeleza o Corcovado e bronzeia as garotas de Ipanema, entraram em sintonia com músicos e compositores cariocas e formataram uma promissora tentativa de alcançar a sobrevivência artística. Após temporadas bem-sucedidas em casas noturnas, a banda lançou o CD de estreia em 2007 e chamou a atenção da crítica especializada com uma festiva arquitetura sonora que combina samba, pop, funk e MPB.

E o próprio Wado manda avisar que João Paulo (o homem-Mopho) entrou em sua banda e também gravou músicas em seu próximo disco, que ele mesmo diz “é 70% afoxé” – e descola uma das músicas novas, mixada pelo Kassin: “‘É um medley de uma minha (‘Jejum’) com o clássico ‘Cavaleiro de Aruanda’ do Tony Osana, guitarrista argentino da banda que acompanhou Caetano”.

Boas notícias 🙂


Wado – “Jejum/ Cavaleiro de Aruanda