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Joni Mitchell está voltando aos palcos!

Não bastasse ter sido convidada para sua primeira aparição ao vivo na premiação do Grammy deste ano (a primeira em sua carreira de mais de 60 anos), nossa senhora Joni Mitchell acaba de anunciar o primeiro do que esperamos ser uma série de apresentações ao vivo que fará em 2024. A mestra canadense da canção não apresenta-se num show do porte que fará no Hollywood Bowl dia 19 de outubro há mais de vinte anos e os ingressos para esta apresentação entram em pré-venda neste último dia de janeiro a partir das três da tarde (neste link). A aparição de Joni no Grammy, bom motivo para ver o prêmio em anos, acontece neste domingo e a edição deste ano ainda terá apresentações da Dua Lipa, Billie Eillish, Olivia Rodrigo, Billy Joel e U2.

A volta dos Talking Heads quase aconteceu

O rumor sobre uma possível volta dos Talking Heads aos palcos foi confirmado nesta terça-feira quando a revista Billboard publicou que o grupo foi cotado para duas possíveis reuniões agora em 2024, que não se concretizaram. A reportagem da revista conta que Paul Tollett, curador do festival do Coachella, tentou aproximar-se do grupo para fazer uma proposta no final do ano passado. Desde que seus integrantes anunciaram que voltaram a se conversar e que dariam uma entrevista juntos para Spike Lee para celebrar o relançamento do filme Stop Making Sense para os cinemas que há a especulação sobre um possível retorno aos palcos está no ar. Mas o curador, que estava disposto a oferecer 10 milhões de dólares pela participação do grupo no festival, percebeu que não era o momento de fazer a proposta e não avançou. O festival californiano, conhecido por reunir grupos que estavam parados há tempos (Pixies, Jane’s Addiction Siouxsie and the Banshees e Rage Against the Machine, só pra citar alguns), ficou sem o que seria a joia da coroa do elenco deste ano, numa edição que já contará com duas voltas à ativa, a do No Doubt e a do trio Sublime, que tocará com Jakob Nowell, filho do vocalista original, Bradley’s Nowell, morto nos anos 90, nos vocais. A reportagem da Billboard ainda conseguiu informações que a empresa Live Nation também tentou fazer com que o grupo retornasse às atividades para uma série de apresentações em um de seus festivais, oferecendo nada menos que 80 milhões de dólares, mas os Talking Heads declinaram a proposta. A última vez que o grupo tocou ao vivo foi há mais de vinte anos, quando foi entronizado no Rock and Roll Hall of Fame em 2002, e antes disso suas últimas aparições ao vivo, cinco anos antes do fim oficial do grupo, aconteceram em uma curta turnê pela Austrália e Oceania no início de 1984 – ou seja, há quarenta anos. O rumor sobre a volta do grupo só reforça como o mercado está ávido por artistas que não estão mais em circulação, o que abre possibilidades para várias voltas anunciadas ainda este ano – inclusive no Brasil. Vamos aguardar…

Eis os melhores de 2023 na categoria Música Popular segundo a APCA

Ludmilla, Jards Macalé, Ana Frango Elétrico, Titãs, Luiza Lian, projeto Relicário e Mateus Fazeno Rock são os vencedores nas categorias de Música Popular da edição de 2023 do prêmio dado pela Associação Paulista dos Críticos de Arte, da qual faço parte. Eis os vencedores de cada categoria:  

Desaniversário de Carnaval! | 3.2.2024

Já imaginou uma DESANIVERSÁRIO de Carnaval? Não precisa mais imaginar: neste sábado, 3 de fevereiro, mais uma vez ali no Bubu, no estádio do Pacaembu, eu, Camila, Claudinho e Clarice fazemos mais uma festa daquelas, desta vez em parceria com a Ju Pongitor. É baile à fantasia e começa mais cedo, a partir das 18h, e vai até a meia-noite, como sempre (talvez passe um pouquinho, mas não muito, porque domingo é dia). Vem pular Carnaval com a gente, dançar clássicos do pop brasileiro como se não houvesse amanhã – mas tem e o Carnaval está vindo aí! Chega mais!

#desaniversariobubu #desaniversario #noitestrabalhosujo

Wanessa Dourado (1991-2024)

Triste a notícia da morte de Wanessa Dourada, violinista e rabequeira virtuose em plena ascensão, que havia acabado de lançar seu primeiro disco solo, Em Volta da Fogueira, no final do ano passado. Vinda do choro e da música erudita, ela desbravava diferentes fronteiras musicais à medida em que conquistava fãs tanto no público quanto entre seus pares artistas. Pude conhecê-la há uma semana do lançamento de seu disco, quando ela participou do último show da temporada que Chicão fez no Centro da Terra. Ela estava contando os dias para o lançamento do disco e estava muito animada com os desdobramentos do ano novo – lamentavelmente o tema de seu último post no Instagram, em que ela comemorava o ótimo ano que teve para saudar o 2024 que parecia ser promissor. Infelizmente ela sofreu um acidente de carro há alguns dias, que a colocou em um inesperado coma. Os amigos estava organizando shows para arrecadar fundos para custear suas despesas hospitalares, mas ela infelizmente nos deixou neste sábado.

Primeiros passos…

Uma noite incrível no Picles desta quinta-feira viu os primeiros shows de duas bandas promissoras. A noite começou com a Schlop, trabalho solo de Isabella Pontes, que tornou-se um trio quando ela juntou-se a Cadu Scalet e Ruan Yagami para mostrar suas músicas ao vivo, aproveitando para eles mesmos mostrarem as suas. Revezando-se entre os três instrumentos, o trio também aproveitou para celebrar os 470 anos de São Paulo numa versão paulistana para o triste lamento que o LCD Soundssytem fez para Nova York que tornou-se “São Paulo Eu Te Amo Mas Tá Foda Demais” na versão Schlop. Depois foi a vez do Monstro Bom liderado pela Gabi para mostrar como suas canções azedinho-doces envolvem-se no entrosamento instrumento do quarteto de Osasco. No final, eu e a Fran assumimos a pista e foi aquele descontrole que faz todo mundo se acabar na pista do Picles madrugada adentro…

#inferninhotrabalhosujo #noitestrabalhosujo #picles #trabalhosujo2024shows 9 e 10

Assista abaixo:  

E Dua Lipa tá querendo que o ano comece logo…

Dua Lipa lançou mais um detalhe de seu próximo disco, ainda sem título nem data de lançamento, ao anunciar nesta sexta-feira o lançamento do single “Training Season”, que deverá ser lançado no próximo dia 15 de fevereiro. Ela compartilhou só um trechinho, que nem parece ser o refrão, mas que conta com o baixo pronunciado típico das produções do homem Tame Impala, Kevin Parker, que está na ficha técnica deste próximo lançamento como compositor (junto com o Tobias Jesso Jr.!), baixista, baterista, guitarrista, tecladista, percussionista, produtor, programador e autor dos efeitos sonoros. Parece ser um passo à frente de “Houdini” no sentido de se distanciar de Future Nostalgia, o disco mais recente da diva inglesa, mas ainda não soa como um disco proprimanete novo… Ouça o trechinho abaixo:  

Centro da Terra: Fevereiro de 2024

Vamos começar 2024? Eis as atrações deste mês de fevereiro no Centro da Terra, quando voltamos a fazer espetáculos depois de um merecido descanso. Começamos os trabalhos na primeira segunda do mês, dia 5, com Dadá Joãozinho, MC de Niterói que despontou ano passado com seu disco de estreia Tds Bem Global, que amplia o repertório de seu disco numa apresentação inédita batizada de Global Inabitual. No dia seguinte, terça-feira, é a vez da querida Nina Maia começar a mostrar o que será seu primeiro disco solo no espetáculo Inteira, entre o pop experimental, o jazz e a MPB, acompanhada pelos músicos Valentim Frateschi e Thalin. Pulamos a semana do Carnaval por motivos óbvios e voltamos na segunda 19 com a apresentação conjunta de dois novos nomes da cena alagoana, quando João Menezes e Marina Nemésio apresentam o espetáculo Doze Metros Terra Adentro. Na terça seguinte, dia 20, recebemos o encontro de Bernardo Pacheco, Ivan Vilela, Mariana Taques e Paulinho Fluxuz que os quatro chamaram de Rastros e mistura iluminação, dança, baixo elétrico, viola de dez cordas e efeitos especiais. E a última semana de fevereiro traz, primeiro, na segunda 26, a apresentação Alumia, em que a cantora Paula Tesser mistura suas influências nativas musicais – Fortaleza e Paris, acompanhada por Zé Nigro, Samuel Fraga, Dustan Gallas e participação de Kika Carvalho, e depois, na terça, dia 27, o paulista Meno Del Picchia apresenta Mar Aberto, apresentação em que começa a mostrar seu próximo álbum, Maré Cheia, acompanhado de uma banda formada por Batataboy, Bianca Godoi e Otávio Carvalho. Os espetáculos começam sempre às 20h, pontualmente, e os ingressos já podem ser comprados através deste link.

O Pagode do Rodrigueta vai pro estúdio…

Rodrigo Campos não para! Lançou dois discos o ano passado e já embicou em 2024 vislumbrando disco novo – na verdade transformar sua roda de samba, o Pagode do Rodrigueta, numa coleção de fonogramas, que ele ainda não sabe se vira disco ou se vão ser apenas singles. O primeiro deles chega às plataformas digitais nesta sexta-feira, mas ele antecipou em primeira mão aqui pro Trabalho Sujo pra quem quiser sacar antes da hora. E para começar estes trabalhos, pinçou um clássico do Exaltasamba como faixa de abertura – e ele explica porque escolheu “Gamei”, que gravou sozinho, apenas com a participação de Thiago França: “Na adolescência eu tocava numa casa de show chamada Chopapo, em São Bernardo, dividíamos o domingo meu grupo – que se chamava Apoteose -e o grupo Katinguelê”, lembra o sambista. “Aos sábados tocava o grupo Inspirasamba, que mais tarde se tornaria o Exaltasamba. Nessa época ninguém tinha gravado ainda, lembro de esperar ônibus no ponto com o Péricles. Era a época da foto que escolhi pra capa. Poucos anos depois vi o Exalsamba gravar e virar sucesso nacional. Acho que ‘Gamei’ simboliza essa transição deles, foi um dos maiores sucessos da época. Faço assim uma homenagem ao grupo e ao adolescente que fui no início dos anos 90.”

Ouça abaixo:  

Uma obra aberta e fechada – pela última vez no palco?

Terceira vez que pude ver ao vivo o sensacional Erosão, primeiro trabalho solo da baterista Mariá Portugal, que ela gravou antes da pandemia mas que só conseguiu apresentá-lo nos palcos depois que atravessamos aquele pesadelo. Neste meio tempo, ela mudou-se para a Alemanha, o que tornou suas apresentações ainda mais esporádicas por aqui. E ela mesma já avisou que a sessão que puxou na Casa de Francisca nesta quarta-feira talvez seja a última vez que ela executa esse trabalho ao vivo por aqui. E que despedida! Numa formação bem mais enxuta daquela que ela reuniu no primeiro show, no Sesc Pompeia, em outubro de 2022, quando contou com nove músicos no palco, mas igualmente inusitada – e excelente. Ela regeu a apresentação a partir de seu instrumento, dividindo os vocais com o camarada Tó Brandileone, que cantavam sobre um instrumental em que três sopros (Maria Beraldo, Rômulo Alexis e Marina Bastos) e dois contrabaixos acústicos (mais uma vez Arthur Decloedt e Marcelo Cabral) conversavam entre si – em horas plácidos e corteses, em outras empolgados e endiabrados e a apresentação seguiu o mesmo fluxo único em que canções transformam-se em improvisos, solos e encontros instrumentais, que funcionam como pontes que intercalam um tema ao próximo. Uma obra aberta e fechada ao mesmo tempo, em que Mariá nos provoca a pensar nossa relação com o tempo e o espaço, mesmo sem fazer isso de forma racional. E aí está a magia desta apresentação, que é ao mesmo tempo densa e leve – e nesta terceira vez ela estava irrepreensível. O que me faz acreditar que ela voltará a ser visitada nos palcos sim (foi mal, Mariá…), só que talvez não tão em breve… Inclusive tomara.

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Assista abaixo: