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Bill Viola (1951-2024)

“A câmera de vídeo deu algo que a caneta, o lápis e o papel ou o pincel e a tela não deram: a habilidade de olhar para o mundo real com o olho aberto e gravar os eventos enquanto eles iam acontecendo – e esse tipo de conexão direta com a vida me libertou demais”, disse o recém-falecido artista norte-americano Bill Viola, pioneiro da vídeo-arte que nos deixou nesta sexta-feira no programa do entrevistador Charlie Rose em 1995. Ele começou a experimentar com o vídeo como uma forma de expressão no final dos anos 70, anos depois de formar-se em artes na faculdade de Syracuse, nos EUA, uma das primeiras a tratar novas mídias como estudo artístico, e trabalhar com performance, música e arte contemporânea. Seu principal feito foi recriar uma experiência de quase morte que teve ainda quando criança na série de vídeos que batizou de The Reflecting Pool, que deu a tônica do resto de sua carreira, sempre misturando registros em vídeo com uma experiência quase espiiritual ou religiosa. Isso vinha de sua educação junto à igreja, o que fez com que obras do Renascimento fossem referências recorrentes em seu trabalho. Morreu depois de complicações devido a um Alzheimer, que começara a desenvolver há pouco tempo.

Smashing Pumpkins na Argentina?

Eita que Buenos Aires amanheceu cheia de lambe-lambes anunciando show dos Smashing Pumpkins pro próximo dia 5 de novembro. A banda não anunciou nada oficialmente nem nenhum produtor ou casa de shows local assumiu que está trazendo o grupo, mas é bem provável que semana que vem descubramos se Billy Corgan está vindo pro continente… Como o show está sendo anunciado como parte da turnê The World is a Vampire – dividia com artistas como Tom Morello, Weezer, Green Day, Rancid, Linda Lindas, Interpol e Weezer – resta saber se eles vêm sozinhos ou com mais algum outro artista de peso e, claro, se virão para o Brasil. A ver.

Nelson Brito (1960-2024)

Fundador de uma das principais bandas de hard rock do Brasil, o baixista Nelson Brito faleceu nesta sexta-feira. Único remanescente da formação original, Nelson carregava a banda paulistana que, apesar de criada nos anos 80, pouco tinha a ver com os grupos de sua geração e tentava seguir a tradição de outros grupos de São Paulo da década anterior, como Casa das Máquinas, Made in Brazil, Patrulha do Espaço, Tutti Frutti, Sindicato e Terreno Baldio, e teve seus primeiros discos lançados pela clássica gravadora independente Baratos Afins. O grupo manteve a mesma formação até a virada do século, quando seu clássico vocalista Catalau deixou a banda. Dez anos depois foi a vez do baterista Paulo Zinner sair do grupo, que só foi encerrar as atividades quando outro de seus fundadores, o guitarrista Helcio Aguirra, faleceu. Brito retomou a banda em 2016 e seguia como motor do grupo, que gravou apenas dois discos desde então, mas seguia fazendo shows. O baixista, no entanto, foi internado às pressas após descobrir que tinha um tumor no intestino no início do mês passado e não resistiu à doença, falecendo nesta sexta-feira, um dia após seu aniversário.

Força e leveza

Começamos as comemorações de um ano de Inferninho Trabalho Sujo nesta sexta-feira ao reunir duas jovens deusas do rock que estão começando a mostrar seus trabalhos e colocar as garras de fora. A carioca Janine apresentou-se pela primeira vez fora de sua cidade com um convidado na segunda guitarra Marco Antônio Benvegnú, o homem por trás do codinome Irmão Victor, e mostrou que sensibilidade e peso podem caminhar lado a lado e mesmo que sua aparência frágil parecesse indicar ao contrário. Além de Marco, ela contava com sua banda habitual (Bauer Marín no baixo e Arthur Xavier na bateria) e alternava seus vocais entre um microfone e um gancho de telefone, que distorcia sua voz, fazendo uma apresentação concisa e na mosca.

Depois de Janine foi a vez de Luiza Pereira (ex-vocalista da banda Inky) mostrar toda a força de seu novo projeto solo, Madre. Formando um trio ao lado da baixista Theo Charbel e do baterista Gentil Nascimento, ela aumentou consideravelmente o volume e transformou seu trio em uma usina noise que ia pro extremo oposto da leveza de sua voz, rugindo eletricidade como se sempre tivesse feito isso da vida. E só quando passou da meia-noite – e quando comecei mais uma pista daquelas com a comadre Francesca Ribeiro – que alguém veio me cumprimentar pela escolha de duas bandas pouco convencionais para comemorar o dia do rock – e eu nem me lembrava que tinha isso! Mas quando o assunto é comemoração, aguarde que a próxima edição do Inferninho, dia 25, será épica e histórica! Aguarde e confie.

Assista abaixo:  

Inferninho Trabalho Sujo apresenta Madre e Janine

O primeiro Inferninho Trabalho Sujo do semestre também marca o início das comemorações de um ano da festa no Picles! E nessa sexta-feira, 12 de julho, tenho o prazer de receber duas deusas do rock em um encontro que promete: primeiro, direto do Rio de Janeiro, temos a elétrica Janine e, daqui de São Paulo, a intensa Madre, que farão duas apresentações irmãs e intensas, acendendo o fogo que vai queimar a noite toda. E depois das apresentações ao vivo, eu e Fran mais uma vez tomamos conta da pista incendiando a noite com hits que não deixam ninguém parado! O Picles fica no número 1838 da Cardeal Arcoverde, no coração de Pinheiros, os shows começam a partir das 22h e a noite vai até alta madrugada! Queima!

Feitiço cinematográfico

Foi bonito demais ver Ava Rocha transformar uma sala de cinema em seu palco no espetáculo Femme Frame que ela fez dentro da sessão Trabalho Sujo Apresenta que fizemos nesta quinta-feira no Cine Belas Artes. Com seu cúmplice Chicão Montorfano no piano elétrico, ela conduziu o público que encheu uma das salas do tradicional cinema de rua paulistano por canções suas e de outros autores, regendo-o com seu corpo e voz ao mesmo tempo em que era ornada pelas luzes de Mau Schramm e pelos vídeos projetados por Carol Costa, que usou animações feitas pela própria Ava e imagens captadas por Jade Monteiro e Otávio de Roque, na tela do cinema, criando um clima única para a realização da show, que ainda celebrou o primeiro ano de seu disco mais recente, Néktar, que acaba de ganhar nova versão em vinil, e teve participações improvisadas da percussionista Victória dos Santos e do tecladista Vini Furquim, ambos parceiros de Ava, que subiram para cantar duetos no final da noite. Foi maravilhoso.

Assista abaixo:  

Shelley Duvall (1949-2024)

Uma das maiores atrizes de sua geração, Shelley Duvall nos deixou nesta quinta-feira, depois de anos de reclusão longe da vida artística, v vivendo bem e sem rancores. Apesar de mais conhecida por sua soberba (e polêmica) atuação no filme O Iluminado, de Stanley Kubrick, grande parte de seu trabalho foi feito ao lado do diretor Robert Altman, que sempre a chamou para fazer filmes nos anos 70. Ao lado de Altman atuou em filmes como Quando os Homens São Homens, Renegados até a Última Rajada, Nashville e Três Mulheres, este último lhe valeu a Palma de Ouro em Cannes por melhor atuação. Também fez Noivo Neurótico, Noiva Nervosa de Woody Allen, Roxanne com Steve Martin e Bandidos do Tempo com Terry Gilliam. Se aproximou do teatro no final do século e seguiu fazendo atuações pontuais em filmes até se aposentar em 2016.

Prestes a ligar outro disco…

Marcelo Cabral desligou seu primeiro disco solo, Motor, nesta quarta-feira, no Auditório do Sesc Pinheiros, quando reuniu-se com Maria Beraldo e Guilherme Held para revisitar mais uma vez seu disco de 2018 pela última vez ao mesmo tempo em que começa a mostrar seu próximo trabalho, ainda sem título definido, mas já em fase de finalização. Entre as canções sóbrias e melancólicas deste seu disco de estreia, Marcelo, tocando guitarra e não seu instrumento de origem, o contrabaixo, entrelaçou o clarone e o sax de Beraldo à guitarra de Held criando uma atmosfera ao mesmo tempo ambient e noise, com o auxílio de seu vocal conciso, pedais, microfonia e do técnico de som, Bernardo Pacheco. E entre as músicas do disco novo, que está sendo gravado com o baterista Biel Basile, d’O Terno, mostrou composições feitas com Rodrigo Campos e Rômulo Froes, além de uma canção composta com um novo parceiro, quando entregou “Tarde Azul” para ganhar letra de Fernando Catatau. Foi bem bonito.

Assista abaixo:  

A segunda temporada de Ruptura só vem em 2025!

E conforme previsto, a Apple TV anunciou – com um teaser que não revela praticamente nada – a data de estreia da segunda temporada do seriado Ruptura: 17 de janeiro do ano que vem! Sim, ainda tá muito longe, mas se lembrarmos que essa temporada quase não sai por problemas internos da produção, só o fato de terem anunciado uma data já é ponto a favor.

Assista abaixo:  

Bar Italia no Brasil!

Mais uma bola dentro da Balaclava, que acaba de anunciar a vinda do grupo inglês Bar Italia para o Brasil – e não apenas para São Paulo. O trio londrino pisa em solo brasileiro pela primeira vez numa pequena turnê que acontece entre os dias 7 e 14 de dezembro, quando passam pelo Recife (dia 7, no festival Coquetel Molotov), São Paulo (dia 10, na Casa Rockambole), Curitiba (dia 12, no Jokers, com abertura do grupo Terraplana) e Belo Horizonte (dia 14, dentro do festival Música Quente, na Autêntica). Bebendo tanto do rock alternativo dos anos 80 quanto do indie rock dos anos 90, o grupo conta com a vocalista Nina Cristante como sua arma secreta e lançaram dois discos pela gravadora nova-iorquina Matador, Tracey Denim e The Twits. E os ingresoss já estão à venda por este link.