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Radiohead 2.0

Vídeo recria íntegra do show da banda no Brasil do pondo de vista do público apenas com gravações dos fãs

A temporada de shows internacionais no Brasil sempre esquenta no segundo semestre, mas, para muita gente, o melhor show de 2009 já aconteceu quando o Radiohead fez duas apresentações, no Rio de Janeiro e em São Paulo, em março passado. Entre as milhares de pessoas que assistiram aos shows, centenas levaram câmeras e celulares que filmam, registrando, de diferentes ângulos, praticamente a íntegra das duas apresentações.

O paulistano Andrews Ferreira Guedis, no entanto, não levou câmera – mas ao chegar em casa após o show passou a procurar, no YouTube, os vídeos da apresentação. “Quis aproveitar a empolgação pós-show juntando vídeos que apareceram na internet para uma edição multicâmera da música ‘Paranoid Android’”, explica. “Depois disso fui bombardeado com perguntas sobre a edição de outras músicas. Nunca tinha pensando em fazer um projeto desses, apenas editava vídeos de shows da minha própria banda – a Refink”.

Pilotando dois programas (o Adobe Premiere e o TMPGEnc 4.0 Xpress), ele começou a organizar uma tarefa ainda mais ousada: editar todo o show de São Paulo usando apenas o conteúdo capturado pelas câmeras dos fãs. O áudio saiu da própria mesa de som do show – arquivo que foi parar na internet menos de um mês depois da apresentação. E agora Andrews disponibiliza seu árduo trabalho para download no site que abriu para o projeto, chamado Rain Down (www.raindown.com.br).

O nome do projeto veio do momento mais emocionante do show em São Paulo, após a banda ter tocado a primeira música que Andrews editou. “‘Paranoid Android’ foi o grande momento do show. Em ‘Karma Police’, o público tentou chamar a atenção de Thom Yorke cantando o trecho ‘For a minute there, I lost myself’, mas isso mesmo só se concretizou ao final de ‘Paranoid Android’, em que o próprio Thom não resistiu à cantoria e começou a acompanhar os fãs com o trecho ‘rain down, rain down, come on rain down, on me’”. Já seu vídeo favorito, depois de editado, foi o de “Idioteque” – “ela conversa com a música, tem várias câmeras e mostra a agitação de Thom Yorke no vocal e todo o público vibrando”.

O processo de edição não foi simples e Andrews ressalta que o mais complicado foi sincronizar áudio e vídeo. “É difícil fazer um projeto desses com um equipamento amador como o meu”, explica. “O meu computador levava dias para deixar todos os vídeos convertidos para o formato ideal. Já passei horas sincronizando os vídeos, principalmente aqueles que tinham muitas câmeras, tinha que lidar com o travamento do PC constantemente”.

Da mesma forma que o grupo inglês disponibilizou seu último álbum, In Rainbows, gratuitamente na internet, Andrews também não irá cobrar por seu trabalho. Até porque os direitos autorais das músicas são do grupo.

“Essa questão começou a ser discutida e causou um grande mal estar, que me fez pensar em desistir”, conta. “Não filmei nenhum trecho do show e obtive autorização da maioria dos colaboradores do projeto para utilizar os vídeos. Meu trabalho foi juntar esses vídeos. Não ganhei um centavo, nem pretendo. Foi feito de fãs para fãs, com câmeras e celulares. Acredito que essa questão deve ser repensada, principalmente porque a internet revolucionou o jeito de se comunicar e criar”.

Depois do lançamento, o próximo passo é fazer que a banda assista ao show. Andrews diz que está se mexendo para fazer que seu trabalho chegue à banda. “A banda ficou impressionada com o público e deve rever isso do ponto de vista dos fãs brasileiros. Acredito que o Radiohead apoia o meu projeto, por isso que vou até o fim”.

Link – 7 de setembro de 2009

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Um guia para a semana sem Trabalho Sujo

Como disse, vou tirar a semana que vem para pegar uma praia e curtir uma família e só volto à ativa dia 14. Mas não garanto uma desconexão completa. Deixei uns posts aí em aberto justamente para completá-los aos poucos, sem pressa, e ao mesmo tempo devo voltar segunda para atualizar a capa do Link (se eu fosse você, comprava o Estadão pelo menos segunda…). Não garanto Vida Fodona, Leitura Aleatória (esse eu garanti, tou atualizando com posts antigos, não sei se deu pra sacar), Cinco Vídeos, nada. Quem sabe eu pinte no apavoro para comentar algo de bobeira, mas só tem um jeito de saber: é esperar.

Hein? Franz? “Take Me Out”.

Caetano, Jane e Serge

E esse show da Gainsbourg Imperial, hein? Que show! A Orquestra Imperial travestiu-se de big band de jazz funk e, sob a batuta de Jean-Claude Vannier, visitaram parte da obra de Serge Gainsbourg com uma desenvoltura inacreditável. Por enquanto deixo a música (não consegui filmar o palco, ficou só o áudio mesmo) que a viúva não-oficial de Serge, Jane Birkin, dividiu o microfone com o monsieur Caetanô, “Je Suis Venu Te Dire Que Je M’en Vais” – só consegui gravar o áudio (e quando será que o Sesc irá abrir seu baú com este tipo de gravação, hein…). O delicado dueto não chegou perto da explosão de energia dos momentos mais memoráveis do show, mas foi um dos menos irônicos e mais tocantes – à exceção da interpretação final do show, quando Jane Birkin cantou “La Javannaise” a capella. Depois eu falo mais do show.

Vou emendar o feriadão

E esticar uma semaninha fora do ar, hein. Não vá faniquitar de abstinência, taí o arquivo pronto para ser fuçado. Se você estiver em Floripa no fim de semana, dê uma esticada amanhã na Livraria Saraiva do Shopping Iguatemi da ilha que eu vou participar de mais uma edição do Lero Lero Musical, organizado pelo grande Marquinhos Espíndola, que toca a coluna Contracapa no Diário Catarinense. Ele me chamou para falar sobre música e internet numa mesa que, além da minha presença, ainda conta com os ilustres Jean Mafra (do Música Pra Baixar) e Zimmer (do SC Conectada). Vamo lá, então. Porque depois do papo e pouco antes do início de uma semana de pernas pra cima tem…

Back to Floripa

Depois de uma esporádica temporada de outono/inverno de 2009 – muito trabalho e compromissos no exterior acabaram por reduzir a quantidade de festas no meio do ano – Gente Bonita volta para começar a prever os acontecimentos de 2010, o ano que vai mudar tudo pra melhor. Mas como Mãe Dinah só tem uma, preferimos apresentar apenas alguns aperitivos do que vai ser o verão que começa no início do ano. O calor já começou, você percebeu. E escolhemos a melhor praia possível para recepcionar o aquecimento global de nossas cabeças. Floripa, a ilha da magia, mais uma vez recebe Gente Bonita para derreter cérebros, corações e quadris, entre graves emborrachados, beats insistentes, riffs de guitarra, gritaria ablué e refrões pegajosos. A invasão acontece no Jivago Lounge, no centro, e conta com a participação dos heróis locais Tiago Franco e Isaac Varzim, além dos incansáveis Falcatrue (alcunha dos meliantes Marcos Espíndola, Emerson Gasperin e Fábio Bianchini). Alguém duvida do tamanho do estrago? Ainda bem que tem dois dias de folga depois!

Gente Bonita @ Florianópolis
Primeiro preview da Primavera 2009/Verão 2010
DJs: Luciano Kalatalo & Alexandre Matias (Gente Bonita Clima de Paquera), Isaac Varzim, Falcatrue e Tiago Franco
23h45
Sábado, 5 de setembro de 2009
Local: Jivago Lounge, Rua Leoberto Leal, 04, Centro. Florianópolis
r$13 c/nome na lista, r$20 sem
Preço: R$ 20, R$ 13 com nome na lista (mande um email para adevassa@gmail.com com o assunto “convida”

Planeta Terra x Maquinária

E aí, já definiu pra qual dos dois festivais você vai? Planeta Terra ou Maquinária?

Eu já: vou pro Planeta Terra. Primeiro porque o festival vem provando há duas edições que dá pra fazer um festival decente, cobrando um único preço razoável para assistir a várias atrações na mesma e única noite. Segundo porque estou curioso pra saber como fazer funcionar um festival no Playcenter às vésperas do renascimento da Barra Funda. O bairro está passando por uma evolução imobiliária de larga escala e é questão de anos para vermos aquela região dos galpões transformar-se em um dos melhores lugares de São Paulo. E terceiro porque mesmo sem fechar as atrações principais (por enquanto, além do Maximo Park, do Metronomy e do Primal Scream, a especulação caía sobre a possibilidade de trazer Neil Young – imagina… -, Snow Patrol ou Sonic Youth – e acho que essa última leva), o festival ainda me parece mais interessante do que o Maquinária.

Esse, por sua vez, me parece acumular defeitos – quase todos vindo pela via pessoal. Não estou entre as viúvas do Faith No More, muito menos das do Jane’s Addiction, dois shows facilmente perdíveis (embora esteja cogitando pegar o FNM em outra praça), mas um festival que inclui estas duas bandas e ainda adiciona o Evanescence à mistura me parece o oposto de uma boa noite. Junte isso ao fato do evento acontecer na mesma Chácara do Jóquei que viu o fiasco de produção pós-show do Radiohead esse ano e já tenho ingredientes para deixá-lo fora da minha mira.

Há quem diga que um dos festivais vai dar com os burros n’água. Exagero. São Paulo é uma cidade grande o suficiente para comportar dois – ou mais – eventos de tais proporções no mesmo dia. Fora que eu acho que, além de não competir diretamente, os dois festivais ajudam a fazer uma separação que não diz respeito especificamente a gênero musical ou a faixa etária, mas a uma combinação dos dois misturada com o momento atual do pop no Brasil.

Não são dois festivais de música pop e pronto. Um soa mais pesado e tem apelo mais juvenil, o outro soa mais indie e tem um enfoque um pouco mais adulto. O problema é que, no Brasil, não existe a possibilidade de se encarar música pop e idade adulta ao mesmo tempo. Aqui ou você gosta da Alta Cultura ou é apenas um moleque. É uma piada de mau gosto que faz com que aconteça alguns absurdos que já nos acostumamos: a ausência de uma revista de música num país essencialmente musical, a insistência de artistas juvenis de outrora em continuar insistindo no mesmo hit do passado, a existência da MPB como gênero musical (e chancela instantânea de bom gosto), o melhor da cultura brasileira dos últimos 30, 40 anos sendo tratado como descartável e passageiro, até ser descoberto por algum gringo desavisado.

E você, vai em qual dos dois?