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Weyes Blood está vindo…

Há um tempo sem dar notícia, Natalie Mering, nossa querida Weyes Blood, mandou um salve em sua conta do Instagram para falar do sumiço, anunciando disco novo em breve. “Caso vocês esteja pensando… Estive no estúdio… Esse demorou um pouco mais pra assar porque está… extradelicioso. Espero que estejam com fome…”, escreveu na legenda da série de fotos que tirou durante a gravação deste novo álbum, que foi gravado no clássico Electric Lady Studios em Nova York, única informação palpável sobre seu próximo trabalho inclusive na entrevista que deu para a revista Rolling Stone no dia em que revelou sobre sua volta. O novo disco ainda não tem título nem data de lançamento e será o sétimo álbum da cantora e compositora, além de ser o primeiro após o lançamento de And in the Darkness, Hearts Aglow, lançado no final de 2022, este mesmo sucessor do soberbo Titanic Rising, de 2019. De lá pra cá, além de um showzaço no Brasil em maio de 2023, sua única volta aos fonogramas aconteceu no ano passado, quando participou da trilha sonora do filme Marty Supreme, composta pelo produtor Oneohtrix Point Never. Pode vir, Natalie!

Entre a música, a física e a matemática

Quando Guilherme Held e Kiko Dinucci subiram ao palco do Centro da Terra apenas com seus instrumentos, todos os presentes sabiam que íamos, como nas segundas anteriores de sua temporada Abriu o Fuzz (quando recebeu Fernando Catatau e Lúcio Maia para duelos da mesma natureza), mergulhar no universo da guitarra elétrica sob os auspícios de dois magos das seis cordas. O encontro, porém, foi muito além dos timbres, solos e riffs característicos no manejo daquele instrumentos, quando os dois usaram suas guitarras para explorar os limites e possibilidades da eletricidade sonora, usando a guitarra mais como um cajado sobrenatural do que condutor de melodias e indutor de harmonias e ritmos. Enquanto Kiko enfiava objetos entre as cordas – tocando-a até com um arco de viola – e trabalhava com texturas fantasmagóricas e bordoadas rítmicas, Held repetia loops de notas sequenciais que acelerava ou desacelerava de acordo com as vibrações sísmicas no palco. Na maior parte do show as guitarras não soavam como guitarras, refletindo a reverberação elétrica dos efeitos e texturas manipulados pelos dois, mas em alguns momentos soava como uma conversa alienígena, uma linguagem robótica testando as fronteiras de possibilidades entre a música, a física e a matemática. A ausência do laser de Paulinho Fluxuz, que não pode participar desta única apresentação da temporada, deixou a iluminação mais estática e pensativa, reforçando a transposição sonora da dupla. Tá doido!

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Beck sozinho

Beck prometeu e eis como ele começa essa semana, com a melancólica e solitária “Ride Lonesome”, em que evoca o espírito folk de discos lançados com o espaço de doze anos – primeiro Sea Change em 2002, depois Morning Phase em 2014 e agora, doze anos depois, esse single acústico e ensolarado, embora ao mesmo tempo triste e pensativo. Não há nenhum anúncio de disco… por enquanto.

Ouça abaixo:  

Como Assim? e Earl Greys @ Aurora (19.4)

O fim do Estúdio Aurora também encerra um ciclo para a Como Assim?, banda que montamos eu, Pablo, Carlão e Mateus durante a baixa pandemia em 2021, usando o estúdio, que estava parado por motivos de quarentena e isolamento social, como ponto de partida para um passatempo que aos poucos cresceu e tornou-se público, fazendo até shows primeiro no Aurora e depois além. Por isso não tinha como não encerrar essa fase fazendo mais uma apresentação no próprio Aurora, ao lado dos nossos velhos camaradas do Earl Greys. O show acontece no próximo domingo, dia 19, no próprio Aurora e não espere música autoral: enquanto os Earl Greys passeiam por décadas de pop britânico, nós sintonizamos a rádio na madrugada voltando da noite entre a Alpha FM e a Kiss FM. O Aurora fica na Rua João Moura, 503, sala 12, em Pinheiros, a noite começa a partir das 18h e os ingressos já estão à venda. Onde vamos ensaiar? Quando será o próximo show? Não temos a menor ideia, mas por enquanto venha comemorar o morto com a gente!

Charli XCX via shoegaze

Enquanto a Charli XCX fica dando entrevista por aí falando sobre o fim da pista de dança e como ela vai cair no rock, Becca Harvey, que também atende pelo codinome Girlpuppy, já atirou uma das músicas do Brat (a triste balada “I Might Say Something Stupid”) num pântano shoegaze que só peca pela curta duração. A faixa é um dos extras da versão deluxe do disco Sweetness que ela lançou no ano passado e que chega encorpada às plataformas digitais no fim do mês que vem. Ficou joia.

Ouça abaixo:  

Sabrina Carpenter ♥ Madonna

Na primeira noite do segundo fim de semana do Coachella, Sabrina Carpenter subiu o sarrafo e tirou onda ao chamar ninguém menos que Madonna para dividir o palco com ela, quando cantaram juntas “Vogue”, “Like a Prayer” e a inédita “Bring Your Love”, que pode estar no recém-anunciado novo disco da madre superiora, Confessions II, que será lançado em julho.

Assista abaixo:  

Cine Imaginal Disk

A dupla Magdalena Bay anunciou há algum tempo que sua obra-prima de 2024 – o soberbo Imaginal Disk – tornaria-se filme, mas só agora cravou a materialização deste sonho, quando estreia seu longa, dirigido por Amanda Kramer, estreia na edição deste ano do festival nova-iorquino de Tribeca, que acontece no próximo mês de junho. “That’s my floor! I’m coming up to the party and I want more!”

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Massive Attack com o dedo na cara!

Lançada dias após a prisão em Londres de um de seus líderes por protestar contra o genocídio na Palestina, “Boots on the Ground”, a nova canção do grupo Massive Attack coincide em ser a primeira canção inédita de Tom Waits em quinze anos. “Um dia, há muitos anos, aceitei o convite do Massive Attack para colaborar”, escreveu Waits sobre o lançamento do single. “O longo atraso no lançamento nunca me preocupou. Hoje, como em toda a história da humanidade, é garantido que esse tipo de música nunca sairá de moda e que a tolice humana de cometer fracassos é um banquete para as moscas”, explicou antecipando que o grupo inglês ainda lançará o single em vinil com outra música, chamada “The Fly”, como seu lado B. O clipe ainda traz uma série de imagens maravilhosas do fotógrafo estadunidense @thefinaleye, que vem cobrindo protestos em seu país desde o assassinato de George Floyd aos protestos contra a milícia de Trump contra os imigrantes daquele país, mostrando que, mesmo que as tensões políticas do mundo pareçam pairar sobre a Europa, a América Latina, os países árabes e a Ásia Central, o pau anda comendo nos Estados Unidos há muito tempo… Detalhe: a música não está no Spotify.

Assista abaixo:  

“Drop Dead” é um cavalo de Troia

Além da vontade de ouvi-la só mais uma vez (e outra e outra), “Drop Dead”, primeiro single do novo disco de Olivia Rodrigo, me parece mais um cavalo de Troia do que uma amostra do que será seu novo álbum. Especificamente por não espelhar a tristeza presa em seu título: You Seem Pretty Sad for a Girl So in Love, que traduz-se por “você parece bem triste para uma garota tão apaixonada” e, apesar de seu título (que pode ser traduzido livremente como “Morra”), a nova música vem carregada de uma felicidade rara nos discos anteriores de Olivia, fazendo-a literalmente dançar como uma princesa num palácio (e qual deles senão o mais famoso do mundo?). A impressão é que ela está empolgando seu público para uma descida emocional ainda mais profunda e dolorida que a dos outros discos, agora ciente que sua estatura como estrela pop ultrapassou as proporções do modismo passageiro. É como se, inclusive ao citar Cure e mostrar aparelhos do passado (o laptop e o fone de ouvido com fio) no clipe, ela tivesse consciência de que está fazendo seu primeiro disco clássico. E que época foda é essa que uma garota de 23 anos pode ter a disposição de fazer isso, diz aí…

Assista abaixo: