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Vida Fodona #208: Alma brasiliense`

Atrasado de novo, mas sempre na sincera e na humilda – desta vez peço a benção à minha Nossa Senhora pessoal, a cidade em forma de avião que me viu nascer e virar gente, a capital do terceiro milênio e palco maior das principais ficções que por enquanto só existem em minha cabeça. Brasília completou 50 anos na quarta passada e eu sampleio nosso maior trovador para sublinhar um tipo de comportamento, uma complexidade social, um elemento à distância, que torna o ser brasiliense tão particular e específico – além de único.

Há muito de goiano, de nordestino, de carioca e de mineiro na formação da personalidade candanga. Mas existe um choque de realidade que começa com a presença de embaixadores e deputados e senadores de todos os estados do Brasil e países do mundo em uma cidade em que o horizonte em 360 graus é regra e o verde onipresente contorna mármores brancos, concreto, vidraças e uma arquitetura dos anos 70. Hoje Brasília vem sendo comida pelo vírus estético que faz shopping centers e condomínios fechados de arquitetura neo-clássica brotarem pelo chão feito erva-daninha (perigoso resquício da cafonice dos anos Fernando), mas ainda há uma mentalidade completamente diferente sob as manchetes sobre parlamentares (eleitos pelos outros estados, não custa lembrar) e os clichês dos desinformados (tipo o papo das esquinas ou do índio).

E ninguém cantou melhor este lado da cidade do que Renato Russo – daí a seleção de faixas do programa desta semana ser toda de músicas do Legião Urbana. Fugi dos hits para dar ênfase a este outro lado da discografia do grupo, mas não tem como falar em catar Brasília e não citar “Eduardo e Mônica” ou “Faroeste Caboclo”. Mas “Dezesseis”, “Música Urbana 2” e “Baader-Meinhoff Blues”, entre outras, traduzem bem este espírito. Para ornar esta homenagem, uma foto do Érico Vieira da quadra em que ele mora – a mesma que eu ainda chamo de “casa”.

Legião Urbana – “Central do Brasil”
Legião Urbana – “Andrea Doria”
Legião Urbana – “Teatro dos Vampiros”
Legião Urbana – “On the Way Home” / “Rise”
Legião Urbana – “A Via Láctea”
Legião Urbana – “Eduardo e Mônica”
Legião Urbana – “Marcianos Invadem a Terra”
Legião Urbana – “Petróleo do Futuro”
Legião Urbana – “Tédio (Com Um T Bem Grande Pra Você)”
Legião Urbana – “L’Age d’Or”
Legião Urbana – “Metrópole”
Legião Urbana – “Baader-Meinhoff Blues”
Legião Urbana – “Mais do Mesmo”
Legião Urbana – “Dezesseis”
Legião Urbana – “Metal Contra as Nuvens”
Legião Urbana – “O Passeio da Boa Vista”
Legião Urbana – “Faroeste Caboclo”
Legião Urbana – “Perdidos no Espaço”
Legião Urbana – “Teorema”
Legião Urbana – “Conexão Amazônica”
Legião Urbana – “Eu Era um Lobisomem Juvenil”
Legião Urbana – “A Montanha Mágica”
Legião Urbana – “Vento no Litoral”
Legião Urbana – “Música Urbana 2”
Legião Urbana – “A Dança”
Legião Urbana – “Travessia do Eixão”
Legião Urbana – “Por Enquanto”

Vem.

Islã x South Park

Era só o que faltava – e isso porque o Maomé está fantasiado de urso e sequer aparece!

Fringe tá foda

Mas uma série que tá valendo muito acompanhar é Fringe. Ela já passou há tempos do nível de comparação com Arquivo X e em duas temporadas já tem mais cenas memoráveis e casos esquisitos do que Mulder e Scully em quase uma década. Fora que o Walter Bishop já tá na galeria dos melhores cientistas loucos da ficção – desde Doc Brown não se via um personagem tão crível sobre o tema. O nível de nerdice e paranóia por cultura pop pode ser medido nessa abertura retrô que eles fizeram prum episódio da segunda metade da temporada atual – que tá acabando.

Acho que eu tou vendo muito “V”…

E olha que eu nem tou vendo direito essa série tosca. Acho que é só saudosismo mesmo. Fora que histórias de alienígenas são tipo filmes do Godzilla: são sempre legais, mesmo sendo toscas.

E essa trilha a la John Carpenter? Boards of Canada perde.