Trabalho Sujo - Home

Trabalho Sujo All Stars + Como Assim? | 8.7.2024

O que você vai fazer nesta véspera de feriado? É, nesta segunda-feira não tem Centro da Terra e aqui em São Paulo os caras têm um feriado dedicado à famosa avenida 9 de julho, digna de ser homenageada com um dia sem trabalho. Por isso, vamos pra mais uma Trabalho Sujo All-Stars no Bar Alto, com o famoso plus a mais adicional: o quarto show do conjunto musical Como Assim?, da qual faço parte ao lado dos comparsas Carlão Freitas, Pablo Miyazawa e Mateus Potumati. A noite começa às 20h, o grupo não-autoral toca a partir das 21h e depois sigo discotecando com convidados surpresas – não tão surpresas se você for um tico perspicaz – até às quatro da madruga. O Bar Alto fica no número 194 da rua Aspicuelta, na Vila Madalena, e não precisa pagar pra entrar – é só chegar! Vamo nessa?

Um documentário sobre Brian Eno gerado por inteligência artificial

Ainda passando nos festivais e sem data de estreia comercial, eis o trailer do documentário generativo Eno, dirigido por Gary Hustwit. O cineasta norte-americano é autor de uma trilogia de documentários sobre design que começou por investigar tipografia (Helvetica, 2007), seguiu pelo design industrial (Objectified, de 2009) e terminou com o desenho das cidades (Urbanized, 2011) e resolveu contar a história do não-músico mais importante da história da música do século 20 ao desenhar um programa que ajudasse-o a editá-lo continuamente, gerando inúmeras versões aleatórias geradas por inteligência artificial a cada nova exibição. Uma leitura futurista e ímpar, bem como é característico a esse personagem, que começou mixando a banda glam Roxy Music ao vivo (tocando sintetizador e a própria mesa de som no palco, como um integrante do grupo) para abraçar a carreira de produtor e provocador criativo, inventando a música ambient enquanto ajudava diferentes ícones da música pop a se reinventar – de David Bowie aos Talking Heads, passando pelo U2, Devo, Coldplay, Peter Gabriel, Laurie Anderson, Grace Jones, Damon Albarn, entre muitos outros. O documentário de Hustwit mistura cenas dessa história a diferentes trechos de entrevistas com seu objeto de estudo, fazendo com que Brian Eno seja a única voz e, portanto, o narrador do filme. O salto criativo do filme, no entanto, veio quando o diretor associou-se ao programador e artista digital Brendan Dawes, que criou o software Brain One (Cérebro Um – e também anagrama óbvio do nome do protagonista) para recortar diferentes partes da entrevistas ilustradas com cenas de arquivo do próprio Brian editadas em tempo real. Há marcos pré-estabelecidos no filme e segundo seu diretor 75% dele é visto por todos os espectadores. Os 25% restantes é que são publicados aleatoriamente e em ordens que, como no filme, não seguem cronologia, cogitando diferentes surpresas a cada vez que você assiste ao filme. Embora ainda não tenha previsão de estreia nos cinemas para além dos festivais, o teaser criado para Eno dá uma boa ideia do que poderemos ver…

Assista abaixo:  

Laércio de Freitas (1941-2024)

Um dos maiores nomes da música instrumental brasileiro despediu-se de nós nesta sexta-feira. O mestre Laércio de Freitas – o “Tio”, para os mais chegados – pode ter se tornado conhecido do grande público ao interpretar um pianista na novela da Globo Mulheres Apaixonadas, em 2003, mas décadas antes disso já tinha deixado sua marca em nossa música. Nascido em Campinas, estudou no Conservatório Carlos Gomes e enveredou pela música erudita antes de ser apresentado ao chorinho, do qual tornou-se maestro. Seus primeiros trabalhos profissionais foram ao lado de gigantes de nossa música – participou da Orquestra Tabajara de Severino Araújo e do Sexteto de Radamés Gnatalli, muito por conta de sua excelência às teclas, que o transformaram em músico internacional e gabaritado o suficiente para substituir Luiz Eça no Tamba Trio no final dos anos 60. Entre este período e o começo dos anos 70 esteve em discos-chave daquele novo gênero musical que aos poucos começavam a chamar de MPB: tocou nos discos homônimos de estreia de Clara Nunes e de Elza Soares, no Mustang Cor de Sangue de Marcos Valle, em Carlos Erasmo de Erasmo Carlos, Quem é Quem de João Donato e Contrastes de Jards Macalé, além de ter acompanhado em shows nomes do peso de Maria Bethânia, Emilio Santiago, Ivan Lins, Ângela Maria, Wilson Simonal, Martinho da Vila, entre outros. Apaixonado fervoroso pelo choro, encabeçou uma série de projetos com o gênero a partir dos anos 70, quando começou a gravar seus próprios discos, aproximando o gênero da música erudita e do jazz. Tal ponte o tornou arranjador e parceiro de outro pianista, Arthur Moreira Lima, com quem trabalhou em diferentes discos. Trabalhou com instrumentista, arranjador e diretor musical de projetos que celebravam o choro brasileiro e seus grandes nomes, como Pixinguinha e Jacob do Bandolim e junto a instituições como o Museu da Imagem e do Som de São Paulo, Centro Cultural Banco do Brasil e Sesc Pompéia. Também atuou como regente e arranjador junto à Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo (Osesp) e Banda Mantiqueira, além de fazer trilhas para cinema e trabalhar em diferentes gravadoras. Segundo sua filha, a cantora e atriz Thalma de Freitas, “morreu dormindo”. Axé!

Desaniversário | 6.7.2024

Que tal começar o semestre dançando sem parar? Pois abrimos julho com mais uma Desaniversário, desta vez fechando uma das noites da Feira do Livro em parceria com a editora SeteSelos. Aquela festa perfeita pra se acabar de dançar que eu, Clarice, Camila e Claudinho fazemos todo mês no Bubu, ali no Estádio do Pacaembu, acontece neste sábado, dia 6, e, como sempre, trazemos nosso já clássico alto astral pra esquentar ainda mais o fim de semana. E você sabe que a gente começa cedo, às 19h, pra acabar cedo também, lá pela meia-noite, pra que todo mundo possa curtir o after do jeito que melhor entender: na sequência da festa ou pra curtir o domingo inteiro. O Bubu fica na marquise do Estádio do Pacaembu (Praça Charles Miller, s/nº). Vem dançar com a gente!

Mais uma vez discotecando só Beatles

O Wilsera tá puxando uma festa nesse sábado dedicada à beatlemania e me chamou pra discotecar só Beatles nesse Baile de Eleanor Rigby, que acontece a partir das dez da noite no Cineclube Cortina. Além de mim e do anfitrião da festa, Wilson Farina, também discotecam as DJs Cranmarry e Dina Mesma, e deixaram até tocar músicas do pop britânico dos anos 60, das carreiras solos dos Beatles e até versões, mas quando eu começar a discotecar – lá pelas duas da manhã, porque até a meia-noite estou tocando no Desaniversário – vou tocar apenas músicas gravadas por John, Paul, George e Ringo enquanto eram uma unidade só, entre 1962 e 1970. Os ingressos já estão sendo vendidos neste link.

Os 25 melhores discos do primeiro semestre de 2024 segundo a comissão de música popular da APCA

Terça passada aconteceu mais uma premiação da Associação Paulista dos Críticos de Arte (desta vez transmitida online, dá pra conferir aqui) e esta semana a comissão de música popular da APCA, da qual faço parte ao lado de Adriana de Barros (TV Cultura), Bruno Capelas (Programa de Indie), Camilo Rocha (Bate Estaca), Cleber Facchi (Música Instantânea), Felipe Machado (Istoé), Guilherme Werneck (Meio e Ladrilho Hidráulico), José Norberto Flesch (Canal do Flesch), Marcelo Costa (Scream & Yell), Pedro Antunes (Estadão e Tem um Gato na Minha Vitrola) e Pérola Mathias (Poro Aberto), escolheu os 25 melhores discos do primeiro semestre deste ano. Uma boa e ampla seleção que não contou com alguns dos meus discos favoritos do ano (afinal, é uma democracia, todos têm voto), mas acaba sendo uma boa amostra do que foi lançado neste início de 2024. E pra você, qual ficou faltando?

Confira abaixo os indicados:  

O quarto filme da série Antes, com Ethan Hawke e Julie Delpy

A cada quase dez anos, o diretor Richard Linklater se juntava aos atores Ethan Hawke e Julie Delpy para contar a história de uma paixão que atravessou décadas entre o norte-americano Jesse e a francesa Céline. A série de filmes Antes – composta pelos títulos Antes do Amanhecer, de 1995; Antes do Por do Sol, de 2004; e Antes da Meia-Noite, de 2013 – foi interrompida pela pandemia, mas não por seus protagonistas. Há quatro anos, Rob Stone, professor de estudos cinematográficos da Universidade de Birmingham, na Inglaterra, resolveu fazer um estudo com o efeito Kuleshov, que, ao justapor imagens alternadas à de um rosto imóvel, faz com que o público perceba emoções diferentes a partir do contraponto entre o rosto e a imagem mostrada. Ele misturou cenas de duas entrevistas online feitas pelos dois protagonistas dos três filmes feitas separadamente, as emparelhou com a música “Come Here”, de Kath Bloom (trilha de uma das melhores cenas do primeiro filme) e as transformou em uma vídeo-chamada característica do período pandêmico que atravessamos no trágico 2020, criando um quarto filme chamado Antes do Fim, que dá pra ser visto abaixo. Também traduzi e publiquei logo em seguida a descrição que o professor faz do vídeo:  

Trabalho Sujo Apresenta: Ava Rocha em Femme Frame no Belas Artes

Retomando a sessão Trabalho Sujo Apresenta no Belas Artes, desta vez tenho o enorme prazer de receber nossa musa Ava Rocha em mais uma apresentação de voz e piano ao lado do Chicão Montorfano. Femme Frame começou em 2022 como uma temporada no Centro da Terra em que a cantora carioca soltava seu lado intérprete ao lado de queridos como Tulipa Ruiz, Filipe Catto e Negro Leo, e ampliou-se em um show maravilhoso que passou pela Casa de Francisca e pelo Bona, entre outros lugares. Agora é a vez de trazer Femme Frame ao Belas Artes, quando ela apresenta-se no clássico cinema de rua paulistano mostrando algumas de suas pérolas e versões para clássicos da música brasileira. A apresentação acontece no dia 11 de julho e os ingressos já estão à venda neste link.

Vibe boa

Yann Dardenne, Otto Dardenne, Thales Castanheira e Martin Simonovich ainda não sabem se sua atual banda é formada só pelos quatro ou se terá mais integrantes nem sequer qual é o nome deste novo projeto, mas usando o epíteto Protoloops – e contando com uma ajudinha dos amigos – colocaram em pé uma transformação musical que vêm acalentando desde antes da pandemia, quando começaram a desconstruir o projeto anterior que tinham – a banda psicodélica Goldenloki – em algo que soasse brasileiro, eletrônico e dançante, mas sem perder o gostinho lisérgico que é característico de quando tocam juntos. E assim apresentaram o espetáculo inédito Protoloops nesta terça-feira no Centro da Terra, mostrando poucas faixas já fechadas, que flertam com a bossa nova internacionalista de Sergio Mendes e Marcos Valle, com os experimentos político-eletrônicos do Stereolab e uma dance music de fim de século que abraça tanto a lounge music como o drum’n’bass. E a partir dessa vibe boa, reuniram outros amigos – como o videoartista Danilêra, que trouxe TVs e mais TVs para o palco do teatro, trazendo um clima retrô VHS para a noite, a dupla ténica Retrato (Beeau Gomez no som e Ana Zumpano na luz), as vozes de NIna Maia e Marina Reis, o violão de Felipe Vaqueiro e os synths Valentim Frateschi, todos comparsas de vida e com links diretos com seu próprio selo, o Selóki Records, enquanto revezavam-se entre instrumentos elétricos, acústicos e eletrônicos, forjando uma nova sonoridade à medida em se sentiam mais à vontade no palco. Uma noite astral.

Assista abaixo:  

Protoloops

Maior satisfação ao realizar, nesta terça-feira, o primeiro passo de uma nova jornada, ainda sem nome definido. O espetáculo Protoloops é o primeiro passo de uma nova fase dos músicos que antes faziam parte da Goldenloki, que desfez-se antes da pandemia e agora ressurge em nova formação. Otto Dardenne, Yann Dardenne e Thales Castanheira reuniram-se a Martin Simonovich para criar este novo projeto, que em sua primeira aparição pública contará com várias participações especiais, como as cantoras Nina Maia e Marina Reis (da banda Pluma), Felipe Vaqueiro e Valentim Frateschi, além de ter projeções feitas pelo Danilera e a dupla Retrato (Beeau Gomez e Ana Zumpano) cuidando da parte técnica de luz e som. A noite promete! O espetáculo começa pontualmente às 20h e os ingressos estão à venda na bilheteria e no site do Centro da Terra.

#protoloopsnocentrodaterra #protoloops #centrodaterra2024