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E a versão que a Mitski fez pra “Bella Ciao”?

“Tentei fazer uma versão em inglês para essa canção italiana tão importante chamada ‘Bella Ciao'”, escreveu a cantora norte-americana Mitski em sua conta no Instagram. “Claro que não falo nada de italiano então usei o tradutor do Google sem constrangimento e também me inspirei na versão em inglês que Tom Waits e Marc Ribot fizeram para essa música. Mas aí que está: mesmo que você fale italiano, diferente de mim, eu tenho certeza que pode escrever uma tradução melhor que a minha. E se você for um destes, faça isso! Ou ao menos tente! E grave, filme, compartilhe. Eu quero ver”. Veja a versão dela abaixo:  

Toumani Diabaté (1965-2024)

Mestre de um instrumento único, o músico Toumani Diabaté nos deixou nesta sexta após uma breve doença. Representante da 71ª geração de griots, casta de músicos do Mali, ele tocava a korá – instrumento que mistura harpa e alaúde – desde os cinco anos de idade e foi autodidata, apesar da criação em uma tradição tão ancestral. Diabaté foi um dos grandes bastiões desta cultura secular ao lado de nomes como Ali Farka Touré (1939-2006, com quem gravou o álbum In the Heart of the Moon, em 2005) e Salif Keïta (que saudou a passagem do amigo em post no Twitter), e era conhecido como “príncipe do korá” pois seu pai, Sidiki Diabaté (1922-1996) era reverenciado como o rei do instrumento. Começou acompanhando a diva Kandia Kouyaté, mas também foi influenciado pela música pop de seu tempo, ao absorver influências de Jimi Hendrix, Jimmy Smith, Miles Davis e Led Zeppelin. Enveredou pelo jazz nos anos 90 quando gravou o celebrado disco Djelika ao lado de Bassekou Kouyaté (ngoni) e Keletigui Diabaté (balafon) e também flertou com o pop contemporâneo, gravando com Damon Albarn (no projeto Mali Music) e Björk (no disco Volta). Também estabeleceu conexões com músicos brasileiros, ao gravar o disco A Curva da Cintura ao lado de Arnaldo Antunes e Edgard Scandurra.

Bate-papo no Picles neste domingo

O que você vai fazer neste domingo? Participo da série de bate-papos que o Picles está fazendo para falar sobre música e mídia ao lado do grande Luiz Thunderbird, a partir das 18h30. O papo com o Thunder é apenas uma das atrações do dia, que ainda conta com uma conversa sobre gestão de selos e casas de show com o Rafael Farah (que toca o selo Balaclava e é um dos sócios do Bar Alto) e Roberta Youssef (que traalhou no Studio SP e no Z Carniceria) a partir das 17h e uma conversa sobre os desafios da carreira artística com Tiê e Maurício Pereira a partir das 20h. Todos os papos terão mediação do grande Juka Tavares e tanto antes quanto depois das conversas o som fica por conta do DJ Gabo. O Picles fica no número 1838 da Cardeal Arcoverde, em Pinheiros, e abre desde as quatro da tarde. A entrada é gratuita, mas é preciso se inscrever neste link. Vamos?

Blues na sua cara

Corri dali pro Porta Maldita, mas não consegui assistir ao show das catarinenses Dirty Grills, mas pelo menos cheguei a tempo de ver o Orange Disaster, a banda do Carlão Freitas – que também toca comigo no Como Assim? – mais difícil de fazer shows pois seu baterista, Davi Rodriguez, não está morando no Brasil. Foi o primeiro show do grupo que vi, com Carlão fazendo as vezes de guitarra e baixo mesmo tocando só guitarra, enquanto o outro guitarrista, Vini F., se joga no noise, mas sem nunca perder a base musical do quarteto, enfiando um blues elétrico na sua cara a poucos centímetros de cair no caos sonoro dos Stooges, matendo a tensão necessária pra manter a paisagem sonora ideal para o vocalista J.C. Magalhães agir como um pregador apocalíptico, de chapéu, óculos e dedo em riste, hipnotizando o pequeno público que encheu o Porta Maldita.

Assista abaixo:  

Com grandes poderes…

O cearense Mateus Fazeno Rock sentiu o peso da responsabilidade na apresentação que fez nesta quinta-feira na Casa Natura Musical. Reunindo um time de peso para mostrar seu Jesus Ñ Voltará, um dos grandes discos do ano passado, em grande estilo, ele quase escorregou na saída e bambeou quando um problema técnico o fez parar a apresentação para recomeçar do zero. Podia ter atropelado o erro e seguido em frente, mas sabendo da importância da apresentação, preferiu fechar as cortinas e voltar com tudo – invertendo inclusive o repertório para não simplesmente repetir a abertura original. E nestes momentos que você percebe a grandeza de um artista. Visivelmente nervoso na abertura que deu errado, ele voltou com sangue nos olhos e crescia a cada nova música – e a cada novo convidado. E que time: Fernando Catatau, Don L, Jup do Bairro, Brisa Flow e Mumutante, todos eles entrando no universo dramático do autor da noite, mesmo quando cantavam músicas próprias. A vocalista Mumutante era mais que participação especial e esteve durante todo o show com o grupo de Mateus (que ainda conta com os excelentes dançarinos Larissa Ribeiro e Raffa Tomaz e o DJ Viúva Negra), funcionando como segunda voz e calçando perfeitamente com o domínio que Mateus ia tendo do palco, seja só rimando ou tocando guitarra ou violão. E ele segue vindo…

Assista abaixo:  

Come Ahead: O primeiro disco do Primal Scream em oito anos!

“Dizem que somos os impossibilstas, sonhadores românticos que não crescem, que nossas exigências são ingênuas e tolas, que nossas crenças são uma religião falida”, diz uma voz em italiano ao final do single que anuncia o novo disco do Primal Scream, o primeiro do grupo escocês em oito anos! Come Ahead (já em pré-venda) será lançado no dia 8 de novembro e traz músicas que seu líder, Bobby Gillespie, compôs e gravou ao lado do guitarrista Andrew Innes e do produtor e DJ David Holmes, mas ao contrário do que os primeiros teasers pareciam fazer entender, a dançante “Love Insurrection” parece pender o disco para um lado mais soul e de rock clássico do que a vibe eletrônico-punk que caracterizam seus discos mais políticos. Mas a mesma fala em italiano que encerra o single não diminui o teor do disco, falando que “o espírito humano não pode ser derrotado! Viva o amor! Não passarão!”. Ouça a nova música abaixo, além de ver a capa do disco (que traz uma foto vintage do pai de Bobby, Robert Gillespie Sr., estampada na capa) e o nome das músicas:  

Hard Quartet: Um supergrupo indie liderado por Stephen Malkmus

Líder do Pavement e dos Jicks, Stephen Malkmus sempre gostou de trabalhar coletivamente, reunindo músicos para ajudar suas canções crescerem ainda mais – e ele acaba de anunciar o Hard Quartet, supergrupo indie que montou ao lado de Matt Sweeney (que já tocou no Chavez e no Zwan de Billy Corgan, além de ter tocado no disco solo de Malkmus de 2020, Traditional Techniques), Emmett Kelly (da banda Cairo Gang, que já tocou no C.I.A. com Ty Segall e trabalhou com Bonnie “Prince” Billy e Angel Olsen, entre outros) e Jim White (baterista do Dirty Three). Os três primeiros dividem-se entre vocais, baixo e guitarra, enquanto Jim (que também toca com Kelly na dupla The Double) toca bateria. Malkmus passou a semana passada postando mensagens cifradas que fizeram sentido com o novo anúncio, mas não há nenhuma informação sobre o tipo de som, datas de lançamentos ou shows marcados – mas tudo indica que saberemos disso em breve…

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De volta ao Galaxie 500

Banda fundamental tanto no cânone do indie rock mundial quanto na tradição nova-iorquina de fundir melodia e ruído, o Galaxie 500 anunciou o seu primeiro lançamento em quase 30 anos. Formado pelo guitarrista e vocalista Dean Wareham, pela baixista e vocalista Naomi Yang e pelo baterista Damon Krukowski, o grupo teve uma vida curta entre os anos de 1987 e 1991, gravou três discos essenciais (Today de 1988, On Fire do ano seguinte e This is Our Music de 1990) e até hoje influencia gerações inteiras de aficionados por noise atmosférico e canções perfeitas. O novo disco, a coletânea de lados B, versões para músicas do New Order, do Velvet Underground e dos Rutles e canções arquivadas Uncollected Noise New York ’88​-​’​90 chega para o público no próximo dia 20 de setembro (e já está em pré-venda) e traz oito músicas do grupo que nunca foram lançadas, entre elas “Shout You Down” e “I Wanna Live”, que o grupo adiantou para mostrar o material que vem por aí. Ouça as novas músicas abaixo, além de ver a capa do disco e o relação com todas as 24 canções lançadas na nova coletânea:  

Uma parceria de meio século

Você sabia que o Centro da Terra agora tem uma curadoria de cinema? Pois fui assistir a um dos filmes pautados pela Chica Mendonça, a curadora das quartas-feiras, pois teria uma surpresa musical ao final. O documentário A Música Natureza de Léa Freire, de Lucas Weglinski, está entrando em circuito comercial e teve sua pré-estreia no nosso teatro num dia que muita gente ficou pra fora, pois a protagonista do documentário, compositora, arranjadora e musicista histórica que felizmente está tendo sua importância resgatada recentemente, estava presente na sessão. E não apenas na plateia, ao final da exibição, Lea Freire subiu ao palco do teatro primeiro tocando piano ao lado do baixista Fernando Brandt, mas logo passou para seu instrumento do coração, a flauta transversal, quando convidou o mestre Filó Machado para dividir o palco com os dois. O violonista foi um dos primeiros parceiros de Lea, que transita entre a música erudita, a bossa nova e o choro e transpõe barreiras entre gêneros musicais com uma leveza e graça impressionantes – e vê-la ao lado de Filó, que comemorou os 50 anos da parceria, logo após assistir a um filme que, entre outras coisas, celebrava aquele encontro foi emocionante. Então já anota aí na agenda que toda quarta-feira tem filme lá no Centro da Terra – e algumas vezes podem vir boas surpresas como a desta quarta à noite…

Assista abaixo: