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Beck reverencia Bob Dylan no festival de Newport

O tradicional festival folk norte-americano de Newport começou nessa sexta-feira e Beck fez uma aparição surpresa quando fez questão de reverenciar o cânone musical que construiu a reputação do evento, em especial a importância do mestre Bob Dylan, de quem ele cantou a clássica “Maggie’s Farm” logo na abertura. No resto da apresentação, ele ainda saudou Fred Neil (cantando “The Other Side of This Life”), Jimmie Rodgers (com “Waiting for a Train”) e Blind Willie Johnson (com “God Moves on the Water”), além de canções de seu próprio repertório que passeiam por esta seara – como “John Hardy”, “Stagger Lee”, “The Golden Age”, “Lost Cause” e “One Foot in the Grave”, para encerrar a noite com uma versão country de sua clássica “Loser”. Mandou bem!

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J. Borges (1935-2024)

Perdemos um dos maiores artistas populares do Brasil, o xilógrafo pernambucano J. Borges, que também fez fama como cordelista, poeta e pintor. Dono de um estilo que consagra uma tradição secular, ele também levou a literatura de cordel a um patamar impensável no início do século passado, quando começou a exercer a sua arte, tornando a xilogravura nordestina uma referência mundial. Um mestre.

Boogarins abstrato

Só quem foi sabe. Os Boogarins levaram o público que lotou o Picles no aniversário de primeiro ano do Inferninho Trabalho Sujo para lugares distantes dentro de si mesmo ao improvisar por quase duas horas em mais uma Sessão de Cura e Libertação – estava lembrando com eles, após a sessão, que a última que eles fizeram com público presente foi quando os chamei para tocar no Centro Cultural São Paulo quando fazia curadoria de lá. De alguma forma, portanto, o quarteto goiano estancou o pesadelo que atravessamos nos últimos anos, com Dinho soltando na voz os demônios em nome de todos os presentes, Benke derretendo-se nas paredes enquanto sua guitarra rasgava o ambiente, Fefel entre o baixo e o synth criando linhas melódicas que funcionavam como bases para o metrônomo preciso – e free – do baterista Ynaiã Benthroldo. Uma noite épica que continuou comigo e a Fran naquela pistinha que todos conhecemos bem. E em breve teremos grandes novidades sobre o Inferninho…

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Música em São Paulo depois da pandemia

Encerrei o curso Do Disco ao Ouvido nesta quinta-feira no Sesc Vila Mariana quando coloquei um microscópio para analisar o estado primeiro do mercado da música e depois o da música independente a partir do ponto de vista paulistano. Foi uma oportunidade para comentar sobre como o protagonismo de São Paulo na vida cultural brasileira cresceu drasticamente com o século 20 e como a cidade tem funcionado como uma incubadora de possibilidades – boas e ruins – para uma transformação que ainda está acontecendo e para a reconstrução do mercado do midstream, que foi destruído pelo biênio do covid.

Black Future: “Eu Quero Tocar a Lapa”

E quem diria que ouviríamos uma música nova do Black Future, um dos principais nomes do pós-punk brasileiro, em pleno 2024? A culpa é do diretor Paulo Severo, que dirigiu o documentário Black Future: Eu Sou o Rio, que esteve na edição deste ano do festival In Edit, e usou uma música inédita do grupo, gravada depois do período em que banda estava em atividade, para encerrar seu filme. “Eu Quero Tocar a Lapa” já existia, mas só foi registrada em 2006, quando o grupo se reuniu para tentar relançar seu único LP, Eu Sou o Rio, de 1988, com produção de Thomas Pappon, algo que nunca aconteceu, até hoje. Não conseguiram chegar a um acordo com a gravadora multinacional que detém os direitos do disco e gravaram a música inédita, que finalmente vai ser lançada nessa sexta-feira, em todas as plataformas digitais, e que você ouve em primeira mão – com direito a assistir ao clipe divulgado pelo diretor – aqui no Trabalho Sujo. “Essa música surgiu com a ideia de reunir a banda em estúdio, depois de muito tempo sem se apresentarem juntos, e acabou virando o videoclipe que encerra o documentário”, explica o diretor. “E está valendo pois a música do Black continua atual 38 anos depois.” Severo reforça que Eu Sou o Rio nunca foi lançado em nenhum outro formato desde seu lançamento original. “Nem em CD e também não está em nenhuma das plataformas de streaming de música, continua existindo apenas em vinil e só é encontrado em sebos e na mão de colecionadores – e não são baratos”, continua o diretor, que anima-se com a possibilidade de um novo interesse no grupo permitir não apenas o relançamento do disco, mas também dos clipes que fizeram nos anos 80. “Nada está descartado, nem a volta da banda, nem músicas novas.” Tomara que role!

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Airporto

Imagina você chegando em Paris e o Air está tocando “Playground Love” com o vocalista do Phoenix em pleno terminal? Mais um vídeo fodaço do Blogothèque, que filmou esse encontro – que não acontecia ao vivo há 20 anos – no terraço do aeroporto parisiense. Assista abaixo:  

Um século em uma aula

Na primeira aula do curso Do Disco ao Ouvido, que dei nesta quarta-feira no Sesc Vila Mariana, condensei parte do meu curso anterior – O Ecossistema da Música -, contando a história de como a música gravada criou um novo mercado ao redor do disco e como esse mercado foi se moldando às novas transformações tecnológicas – como o rádio e a televisão – até ser desmantelado pela internet, o que deu origem ao mercado independente em escalas nacioanais e global. Mas a rede aos poucos foi sendo cooptada pelo antigo mercado de discos e em parceria com os gigantes da tecnologia e a pandemia só acelerou um processo contrário ao que estava acontecendo até então – e este é o tema da segunda aula, que acontece nesta quinta-feira, gratuitamente, no auditório daquela unidade do Sesc, a partir das 19h – e nem precisa se inscrever, só retirar os ingressos meia hora antes.

O Colinho de Maria Beraldo

Eis a capa de Colinho, segundo disco solo de Maria Beraldo, que sua autora vem cozinhando há algum tempo e que finalmente está prestes a colocar no mundo. O sucessor do ousado Cavala é mais uma parceria da compositora com o produtor Tó Brandileone, contará com participações especiais (e pelo teor de um repost, Ana Frango Elétrico é uma delas), tem em Kendrick Lamar uma de suas principais referências (como contou em um stories) e terá seu primeiro single lançado na semana que vem. São as boas notícias do segundo semestre que não param de chegar!

“Lá vem o temporal!”: Timothée Chalamet canta “A Hard Rain’s a-Gonna Fall” no primeiro trailer da cinebiografia de Bob Dylan

Eis o que esperávamos: finalmente o gostinho de Bob Dylan que teremos da interpretação do fenômeno pop Timothée Chalamet, escalado para viver o menestrel norte-americano em sua primeira cinebiografia, no primeiro trailer de A Complete Unknown, de James Mangold, que estreia no final deste ano – e ele vem com música. Depois de vagar de óculos escuros na noite nova-iorquina do início dos anos 60, passando por lugares-chave do período com o Café Wha? e o Chelsea Hotel, o Dylan de Chalamet sobe ao palco para cantar o início de “A Hard Rain’s a-Gonna Fall” e… não faz feio. Não é nada estarrecedor, no entanto, mas não compromete nem a imagem de Dylan para as novas gerações nem a reputação do ator como talento em ascensão. É claro que poucas cenas não fazem um filme, mas o pouco que é mostrado neste primeiro aperitivo faz a aguçar a expectativa para um outro tipo de filme… Muito bem…

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John Mayall (1933-2024)

Se hoje ouvimos blues com toda essa reverência, não há dúvidas que John Mayall, que nos deixou nesta terça-feira, tem uma forte importância nisso. Mais do que fundador de uma das principais bandas do revival de blues que assolou Londres no início dos anos 60 – o John Mayall’s Bluesbreakers -, o guitarrista inglês era um dos principais entusiastas do resgate do gênero musical norte-americano em seu país, a ponto não apenas de incentivar novos talentos como a descobrir e revelar nomes que hoje pertencem ao panteão da música gravada. Nomes como Eric Clapton, Peter Green, Mick Taylor, Jack Bruce, John McVie, Mick Fleetwood e Aynsley Dunbar foram apenas alguns dos músicos que passaram por sua banda – e que deram origem a outros grupos – com o Cream e o Fleetwood Mac – em que deram continuação ao legado de seu mestre. A importância de sua presença na música inglesa foi crucial para dar corpo à febre pop iniciada pelos Beatles e graças à sua paixão pelo blues, grupos próximos como os Rolling Stones, o Spencer Davis Group e os Animals, conseguiram ampliar ainda mais seu público. Mayall não alcançou o estrelato de seus pupilos mas sua reputação atravessou décadas, tendo trabalhado com artistas tão diferentes – e reverentes à sua autoridade musical – como os jovens Paul Butterfield, Patti Smith, Steve Miller, Chris Rea e os mestres Mavis Staples, Buddy Guye John Lee Hooker. Morreu aos 90 anos, na Califórnia, nos EUA, cercado pela família, que anunciou sua passagem num post no Instagram.