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O que fazer com o Trabalho Sujo nas minhas férias

Como vocês devem ter percebido, saio de férias em uma semana, mas já começo a reduzir o ritmo de posts a partir da semana que vem. E, na seção nostalgia que me fez redescobrir os velhos Sujos, também achei um HD cheio de textos dessa e de outras épocas. Cogitei deixar uns posts programados para as duas semanas em que estarei fora, mas, não, não irei publicar nada durante esse período, ao menos se der na telha -e vou fazer vocês sentirem saudades de propósito. Aí, na volta, reduzo o ritmo tumblr e equlibro-o com a republicação desses textos todos. É bom porque calha com a fase 2 dOEsquema.

Mas segue uma dúvida: o que fazer nos 15 anos do Trabalho Sujo, que acontecem dia 20 de novembro. Pensei numa festa, mas onde…? Queria um lugar fora do comum…

Interpol para o Rio Fanzine

Essa entrevista com o Paul Banks eu fiz em 2003:

Etéreo e abrupto

Como grande parte da dita “volta do rock” atual é baseada na regurgitação retrô de elementos do passado recente do gênero (especificamente o período 1979-1982), parece ser difícil resistir à tentação de rotular o Interpol como “o novo Joy Division”. Preguiça, má vontade ou falta de informação: basta ouvir o recente Turn On the Bright Lights e perceber que, fora o timbre grave do vocalista Paul Banks e o ímpeto trôpego da banda quando engata a terceira, há muito mais do que o fantasma de Ian Curtis assombrando as ondas musicais do grupo nova-iorquino.

“Crescemos ouvindo este tipo de música, no meio dos anos 80”, explica Paul, pelo telefone, em meio à parte final da turnê americana de lançamento do grupo, que começou no fim do ano passado. “Por isso é natural que ela reapareça agora. O público que consome este tipo de música hoje é o mesmo que consumia na época – a diferença é que hoje há ouvintes mais novos, que estão sendo apresentados agora a este tipo de som”. Mas além do Joy Division, é possível ouvir todo um séquito de bandas pós-punk que pavimentou o caminho para o grupo. Pelas faixas do disco, que se equilibra entre o etéreo e o abrupto, passeiam timbres e andamentos de nomes como Wire, Cure, U2 no começo, Echo & the Bunnymen, Buzzcocks. O próprio estigma de vestuário – o Interpol se veste com ternos escuros bem cortados – parece vir destes grupos, embora Paul desconverse: “Apenas gostamos de nos vestir bem”.

Além de suas raízes musicais inglesas, a banda ainda bebe na fonte do noise escocês: há My Bloody Valentine e Jesus & Mary Chain nas entrelinhas do jogo de guitarras do grupo, um senso pop digno do Teenage Fanclub em dias de ressaca e não é por acaso que um de seus três primeiros EPs foi lançado pela Chemikal Underground, a mesma gravadora do Mogwai. E embora a influência britânica seja decisiva, o DNA do grupo é o mesmo do típico popstar indie da Costa Leste americana – e o fato de serem artistas da Matador não deixa dúvidas quanto a isso.

“Não posso reclamar”, Banks fala do recente assédio que a banda vem sofrido desde o lançamento americano do primeiro álbum, em setembro do ano passado, “há um ano eu estava num emprego que eu não gostava, num café, e escrevia de graça para revistas de conhecidos. Parece engraçado que todo mundo resolva te reconhecer ao mesmo tempo, porque as pessoas tendem a falar sobre os mesmos assuntos. Mas isso é bom – do mesmo jeito que os Strokes abriram caminho para que as pessoas procurassem novas bandas, como nós, acredito que abriremos caminho para outras bandas”.

Mesmo sem uma posição definida sobre a troca de arquivos de músicas pela internet, Paul concorda que o sucesso do Interpol aconteceu devido aos programas P2P e músicas em MP3. “É claro que é um péssimo negócio para quem investe muito dinheiro em publicidade, campanhas de mídia e outras estratégias de mercado. Como trabalhamos em outro nível, não nos afeta tanto – muitas pessoas compram nossos discos após nos ouvir em MP3. Se não fosse o MP3, talvez ele não nos ouviria. Ou copiaria o disco de um amigo, como fazíamos há vinte anos, com fitas cassete. Como as tendências musicais, as de mercado tendem a ser muito cíclicas. Mas os executivos de gravadora acham que conseguem parar isto com dinheiro. E não dá”.

Preparando-se para enfrentar nova bateria de shows pela Europa, Paul dedica as horas fora do palco à audição de discos de outras bandas de Nova York. “Adoro os Warlocks, tocamos em uma turnê com eles, o disco novo do Walkmen é excelente e o do Coup, de hip hop, é outro que não paro de ouvir. Mas quase sempre retorno para o melhor disco de todos os tempos, Teenager of the Year, do Frank Black. Aquilo sim, é perfeito”.

Yo La Tengo para o Rio Fanzine

Essa do Yo La Tengo saiu no ano 2000.

Um triângulo equilátero de não-rock

Simplicidade instrumental, sensibilidade artística e bom senso pop são as armas do Yo La Tengo

Eles não têm refrões memoráveis. Nem pirotecnia no show. Não esbanjam estilo, não vendem milhões de disco. Não há nada no grupo que possa ser chamado de músico virtuoso, símbolo sexual, salvador do rock ou mau exemplo para as futuras gerações. Então o que raios há de tão bom neste tal Yo La Tengo?

Deixe as nuvens de desenho animado feitas pela voz sussurrada da baterista Georgia Hubley te responderem. Ou o acúmulo de microfonia nova-iorquina forma nas paredes de ruído da guitarra de Ira Kaplan te explicar. Ou aquele teclado fora de moda, tocado em apenas duas teclas; sublinhado pela velha e insistente bateria, acompanhado por um vocal que tomba entre o pesar e o sono. O casal de Hoboken (terra de gente que sabe o que é bom, como Sinatra e os Feelies) e o rotundo guitarrista James McNew formam a mais improvável banda de rock de todos os tempos. Um trio cuja simplicidade instrumental casa com a sensibilidade artística e o bom senso pop, mesmo que nada os classifique como tal: não há riffs, refrões, solos, rima e métricas são menosprezadas – no máximo conseguimos tirar o groove.

O pacote lançado pela Trama cobre quase toda a farta discografia do grupo, cujas origens remontam ao meio dos anos 80, quando eram simples mas esforçados emuladores do Velvet Underground (ouça a estréia Ride the Fader, o mais velho da leva). A dupla de álbuns que o seguiu (New Wave Hot Dogs e President Yo La Tengo) ensinou ao grupo o macete do crescendo motorizado bolado pelo krautrock, abusado à vontade a partir deles. O brasilização do Yo La Tengo pula dois discos (o só de covers Fakebook e o quase escocês May I Sing With Me?) e reencontra-se em Painful, que oficializa a entrada de McNew, tornando o triângulo instrumental do grupo de isósceles a equilátero.

E é com tal pé direito que entram em sua melhor e mais celebrada fase, começada com o magistral Electr-O-Pura e seguido pelos igualmente irresistíveis I Can Hear the Heart Beating as One e And Then Nothing Turned Itself Inside-Out (lançado este ano). Entre os dois discos ainda houve espaço para o álbum duplo de sobras Genius + Love = Yo La Tengo, com versões para Wire, John Cale, Jackson Browne, Beat Happening e uma excelente versão surf de Blitzkrieg Bop, dos Ramones. A coletânea é uma boa porta de entrada para o lado B do grupo, onde encontramos EPs, mini-álbuns e maxi-singles cheios de raridades, versões bizarras, instrumentais e remixes. Mas pedir para esses discos sair no Brasil é demais – ou não? Se não for, seguem as dicas: Strange But True, com o Half Japanese Jad Fair, o EP Little Honda, os remixes de Autumm Sweater (MBVmaníacos já sabem do remix de Kevin Shields, né?) e o recente Danelectro. Boas línguas dizem que o grupo vem aí no começo de 2001 pro Brasil. Mas é preciso ver e ouvir para crer – não custa, no entanto, torcer.

Bob Dylan para o Rio Fanzine

Achei outros textos que fiz para o Rio Fanzine, mas no HD. Todos saíram na versão impressa (já no formato mais recente, dentro do guia de programação do jornal, o Rio Show), mas eu não as achei por aqui, por isso seguem apenas os textos. O primeiro é uma entrevista com fiz em 2002 com o Howard Sounes, biógrafo de Bob Dylan. Tentei achar o link no site do jornal mas não achei, por isso não lembro o título com que essa matéria saiu nem a data precisa de quando foi publicada.

Dylan sem máscara

“Se ele não quisesse ser famoso, viveria em um chalé em Woodstock escrevendo músicas pros outros cantarem e ninguém se interessaria por ele”. Sucinto, o pesquisador e escritor inglês Howard Sounes explica a vaidade do biografado de seu último livro. Em Dylan – A Biografia (Conrad Livros), Sounes tira a máscara do velho Bob em busca de uma só pessoa – o autor e compositor épico, que marcou toda uma geração com suas canções, e o sujeito que maquinava friamente formas de se dar bem e fazer sucesso.

Este é o maior trunfo do livro – mostrar que ambos personagens são a mesma pessoa. Disposto a desmitificar o personagem que o cantor criou para se manter no topo, Sounes mostra um Dylan mais humano e menos utópico. “Hank Williams, Woody Guthrie, Jack Kerouac, James Dean”, lista o escritor, “estes eram os heróis e modelos seguidos por Dylan desde começo, em atitude e estilo. Mais do que todos, ele se moldou em Woody Guthrie, claro. Há muito sobre isto no livro, com comentários dos filhos de Woody, Nora e Arlo”.

“Não”, responde secamente ao perguntado se sente alguma culpa por desmascarar o mito Dylan para uma geração de leitores. Os fanáticos pelo bardo dividiram-se: “Uns gostaram, outros não. Mesmo assim, fico pasmo com a forma descuidada que estas pessoas leram e como eles entendem as coisas errado”.

Dylan, obcecado pela própria imagem, criou uma série de mitos para tornar-se mais misterioso e isolado. “Havia muito material para se trabalhar”, conta Sounes, “como o que realmente aconteceu no meio dos anos 60, quando sofreu seu famoso acidente de motocicleta e a história extraordinariamente opaca e complexa de sua vida pessoal e familiar”.

Sounes traça um paralelo entre os dois protagonistas de seus últimos livros, Dylan e o escritor Charles Bukowski. “Bukowski e Dylan são poetas marginais, na mesma forma que os beats e Rimbaud também eram marginais. Há um elemento poético e intelectual em comum. Interessante é o fato que ambos tem amigos em comum – os escritores beat, o ator Harry Dean Stanton e outras pessoas do cinema, por exemplo. Um dos filhos de Dylan conheceu Bukowski. Muitos dos músicos que trabalharam com Dylan gostam de Bukowski. Alguns, como T-Bone Burnett, até leram o meu livro”.

“Contudo, as diferenças entre Bukowski e Dylan são maiores que os fatores que têm em comum”, continua. “Pelo que eu me lembro, Bukowski não pensava muito no trabalho de Dylan e nunca ouvi falar o que Dylan pensa dos textos de Bukowski – apesar de ter certeza que ele o leu, como seus filhos. Bukowski era, no fim, um poeta relativamente marginal que passou a maior parte da vida na obscuridade e Bob Dylan é uma celebridade internacional de primeira grandeza desde quando era jovem. Eles vêm de gerações e classes diferentes. E, mais importante, um é um artista, um cantor enquanto o outro escrevia em particular para um público que nunca conheceu (sei que Bukowski fez leituras em público no fim da vida, mas ele odiava fazê-lo e não era seu trabalho, como era o de Dylan). Pessoalmente, parte das razões que eu escolhi escrever sobre Bukowski e Dylan é que eles são muito diferentes”.

Voltando ao assunto principal, o autor fala dos momentos-chave da carreira de Dylan: “Eu acho que são seus primeiros trabalhos acústicos, por volta de 62 e 63, seguido por seus discos elétricos: Highway 61, Blonde on Blonde. E depois Blood on the Tracks e, no final, Time Out of Mind. Aquele período de Woodstock também foi rico, as Basement Tapes, etc… Esta foi a época em que ele escreveu suas melhores canções. Provavelmente 65 e 66 foi a época mais forte. No livro, tento focalizar nestes períodos criativos. Assim, épocas menos interessantes de sua carreira, merecem menos atenção. Por isso, a narrativa vai devagar ou acelera à medida que Dylan faz bons discos”.

E qual sua canção favorita de Bob Dylan? “”Buckets of Rain”, do disco Blood on the Tracks”.

Quando o Trabalho Sujo era uma central de caderno de jornal

Não resisti e resgatei umas edições velhas do Trabalho Sujo impresso, tirei umas fotos e redimensionei pra colocar aqui no site. As fotos estão com cores diferentes não por conta da idade do papel, mas porque parte delas eu fiz de dia (as mais brancas) e a outra de noite (as amareladas). Dá uma sacada como era…


Nesta edição, dois segundos discos: o do Planet Hemp e o do Supergrass.


Nesta eu falei do Panthalassa, disco de remix que o Bill Laswell fez com a obra de Miles Davis, o segundo disco do Garbage, entrevista com Virgulóides, disco de caridade organizado pelo Neil Young e uma explicação sobre um novo gênero chamado… big beat.


Entrevistei os três integrantes do Fellini (Jair, Thomas e Cadão) para contar a história da banda, numa época em que eles nem pensavam em voltar de verdade (depois disso, eles já voltaram e terminaram a bandas umas três vezes). Também tem a história do Black Sabbath, uma entrevista que eu fiz com o Afrika Bambaataa e o comentário sobre a demo de uma banda nova que tinha surgido no Rio, chamada Autoramas.


Disco de remix do Blur, disco póstumo do 2Pac, Curve e entrevista com Paula Toller.


Discos novos da Björk, dos Stones, do Faith No More e do Brian Eno.


Discos novos do Wilco (Summerteeth), Mestre Ambrósio, coletâneas de música eletrônica (da Ninja Tune, da Wall of Sound – só… big beat – e de disco music francesa), resenha da demo da banda campineira Astromato e entrevista com o Rumbora.


Resenha do Fantasma, do Cornelius, do Long Beach Dub All-Stars (o resto do Sublime), do Ringo e do show dos Smashing Pumpkins em São Paulo, com a entrevista que fiz com a D’Arcy.


Vanishing Point do Primal Scream, disco-tributo ao Keroauc, Coolio e a separação dos irmãos da Cavalera.


Reedição do Loaded do Velvet Underground, Being There do Wilco e o show em tributo á causa tibetana.


Especial Bob Dylan, sobre a fase elétrica do sujeito no meio dos anos 60, com direito à entrevista com o Dylan na época, que consegui através da gravadora e um texto de Marcelo Nova escrito especialmente para o Sujo: Quem é Bob Dylan?


30 anos de Sgt. Pepper’s e o boato da morte de Paul McCartney.


Terror Twilight do Pavement, Wiseguys (big beat!), o disco de dub do Cidade Negra (sério, rolou isso), a demo do 4-Track Valsa (da Cecilia Giannetti) e entrevista com o Rodrigo do Grenade.


Pulp, Nação Zumbi, Ian Brown e Seahorses, uma coletânea de clipes ingleses e entrevista com Roger Eno, irmão do Brian.


30 anos de Álbum Branco, show do Man or Astroman? no Brasil, primeiro disco do Asian Dub Foundation, entrevista com a Isabel do Drugstore e demo do Crush Hi-Fi, de Piracicaba.


Os melhores discos de 1997: 1 – OK Computer, 2 – Vanishing Point, 3 – When I Was Born for the 7th Time, 4 – Homogenic, 5 – O Dia em que Faremos Contato, 6 – Dig Your Own Hole, 7 – Sobrevivendo no Inferno, 8 – I Can Hear the Heart Beating as One, 9 – Dig Me Out, 10 – Brighten the Corners… e por aí seguia.


20 anos de Paul’s Boutique, do Beastie Boys, disco do Moby, demo do Gasolines e entrevista com Humberto Gessinger.


Rancid, Superchunk e entrevista com o Mac McCaughan (do Superchunk), Deftones e Farofa Carioca (a banda do Seu Jorge).


Simpsons lançando disco e a lista dos 50 melhores do pop segundo Matt Groening, segundo disco do Dr. Dre, entrevista com Júpiter Maçã que então lançava seu primeiro disco.


A coletânea Nuggets virou uma caixa da Rhino, a cena hip hop brasileira depois de Sobrevivendo no Inferno, disco dos Walverdes e entrevista com Henry Rollins.


Sleater-Kinney, Fun Lovin’ Criminals, Little Quail, demo do MQN e entrevista com o Mark Jones, da gravadora Wall of Sound (o lar do… big beat).


25 anos de Berlin do Lou Reed, disco novo do Pin Ups, disco do Money Mark e entrevista com Chuck D, que estava lançando um livro na época.


Especial soul: a história da Motown e da Stax (lembre-se que não existia Wikipedia na época) e caixas de CDs do Al Green e da Aretha Franklin.


Retrospectiva 1998: comemorando um ano que trouxe artistas novos para a década…


…e os melhores discos de 1998: 1 – Hello Nasty, 2 – Mezzanine, 3 – Fantasma, 4 – Jurassic 5 EP, 5 – Carnaval na Obra, 6 – Deserter’s Songs, 7 – This is Hardcore, 8 – Mutations, 9 – The Miseducation of Lauryn Hill, 10 – Samba pra Burro. Em minha defesa: só fui ouvir o In the Aeroplane Over the Sea em 1999. Não tente entender visualmente, era um método muito complexo de classificação dos discos, um dia eu escaneio e mostro direito.


Beastie Boys, Scott Weiland e Boi Mamão.


A história do Kraftwerk (que vinha fazer seu primeiro show no Brasil), o acústico dos Titãs, Propellerheads (big beat!) e entrevista com Ian Brown.


Segundo disco do Black Grape, coletânea de 10 anos da Matador e entrevista com o dono da gravadora, Gerard Cosloy.


A carreira de Yoko Ono, disco novo do Ween, coletânea de Bauhaus, John Mayall e Steve Ray Vaughan e a trilha sonora de O Santo (cheia de… big beat).


Stereolab, Racionais, Metallica e 3rd Eye Blind (?!).


Disco de remixes do Primal Scream, caixa do Jam, entrevista com DJ Hum, Sugar Ray e disco solo do James Iha.


Cornershop, show à causa tibetana vira disco, Bob Dylan, Jane’s Addiction, Verve e entrevista com Lenine.


Disco de remixes do Cornelius, Sebadoh, Los Djangos, Silver Jews, entrevista com o Lariú e demo do Los Hermanos.


Disco de remixes da Björk e o novo do Guided by Voices.


Disco novo do Sonic Youth, reedição dos discos do Pussy Galore e entrevista com Edgard Scandurra.


Cobertura dos shows do Superchunk no Brasil, Pólux (a banda que reunia a Bianca ex-Leela que hoje é do Brollies & Apples e a Maryeva Madame Mim), Prince e Maxwell, coletânea da Atlantic e entrevista com os Ostras.


…e na cobertura dos shows do Superchunk eu ainda consegui que a banda segurasse o nome do Trabalho Sujo para servir de logo na página.

Editei o Sujo impresso entre 1995 e 2000. Durante esse período, ele teve vários formatos. Começou como uma coluna na contracapa do caderno de cultura de segunda e em 1996 virou uma coluna bissemanal ocupando 1/6 da página 2 do mesmo caderno. No mesmo ano, voltou a ter uma página inteira, nas edições de sábado e entre 1997 e 1999 ocupou a central do caderno de domingo. Neste último ano, voltou a ter apenas uma página, nas edições de sábado. Na época em que eu fazia o Sujo impresso, eu era editor de arte do Diário do Povo e, por este motivo, participei da criação do site do jornal em 1996 – e garanti que o Sujo tivesse uma versão online desde seu segundo ano. Foi o suficiente para que ele começasse a ser lido fora de Campinas (onde já tinha um pequeno séquito de leitores, que compravam o Diário apenas para ler a coluna) e ganhasse algum princípio de moral online, que carrego até hoje.

Na época, eu dividia o gostinho de fazer a coluna com dois outros compadres – o Serjão, que era editor de fotografia do jornal e que hoje está no Agora SP, e o Roni, um dos melhores ilustradores que conheço. Os dois são amigos com quem lamento não manter contato firme, mas são daquelas pessoas que, se encontro amanhã, parece que não vi desde ontem. Juntos, éramos uma minirredação dentro da redação – tínhamos reunião de pauta, discussões sobre o layout da página e trocávamos comentários sobre os discos que eu trazia para resenhar. No fim, eu fazia tudo sozinho na página (como faço até hoje), da decisão sobre o que entra ao texto, passando pela diagramação. Sérgio e Roni entravam com fotos e ilustras, mas, principalmente, com o feedback pra eu saber se não estava viajando demais ou de menos. Nós também começamos a discotecar juntos, mais um quarto compadre, o William, e, em 97, inauguramos o Quarteto Funkástico apenas para tocar black music e groovezeiras ilimitadas, em CD ou em vinil. Não era só eu quem escrevia no Sujo (eu sempre convidava conhecidos, amigos e alguns figurões), mas Roni e Serjão, por menos que tenham escrito, fizeram muito mais parte dessa história do que qualquer um que tenha escrito algo com mais de cinco palavras.

No ano 2000 eu fui chamado pelo editor-chefe do jornal concorrente, o Correio Popular, maior jornal de Campinas, para editar seu caderno de cultura, o Caderno C, cargo que ocupei durante um ano, antes de me mudar para São Paulo. Neste ano, para evitar confusões entre os dois jornais sobre quem era o dono da coluna (e não correr o risco de assistir a alguém depredar o nome que criei no jornal que comecei a trabalhar), decidi tirar o Sujo do papel e deixá-lo apenas online. Criei minha página no Geocities para despejar os textos que publicava em outra coluna dominical, no novo jornal, chamada Termômetro. Mas, online, seguia o Trabalho Sujo -até que, do Geocities fui para o Gardenal, e isso é ooooutra história.

Um dia eu organizo tudo bonitinho, isso é só pra fazer uma graça – e matar a minha saudade.

Trabalho Sujo + Rio Fanzine

Falando nessas minhas colaborações para o Rio Fanzine, desenterrei duas edições impressas por aqui. Uma sobre os dez anos da Matador, em que entrevistei o dono da gravadora, Gerard Cosloy:

E outra sobre o pós-rock, em que fiz uma cronologia das “subversões” na história do rock:

Ah, minha juventude…