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A volta do Trabalho Sujo

Mas até a próxima segunda a volta é em câmera lenta

Pronto, voltei. Descansado, casado, feriado, pronto pra mais um ano postando sem parar (com algumas pausas estratégicas, porque mesmo quem é de ferro corre o risco de enferrujar). Mas voltar no meio de feriado tem dessas – por isso não espere muitas novidades nesta primeira semana, só um soft opening “minhas férias” com updeites rápidos em áreas que ficaram paradas por mais tempo que precisava (t-girls, Link, Vida Fodona). O Twitter também segue gelado, com um ou outro sinal de vida. A volta de verdade acontece em uma semana, dia 18.

Pogue no Link

Entrevistei o David Pogue, novo colaborador do Link, para a capa desta edição.

MSN, TVs de tela plana, laptops, YouTube, smartphones, Google, MP3 players, e-readers, streaming, redes sociais, câmeras digitais, Wi-Fi, Twitter… É estranho imaginar que há dez anos nada disso existia de fato. E nesta primeira década do século 21 um jornalista viu toda essa história sendo escrita em primeira mão e de um posto privilegiado. A partir de hoje, os leitores do Link poderão acompanhá-lo perto: David Pogue, colunista de tecnologia do New York Times, estreia seu blog em nosso site no endereço http://blogs.estadao.com.br/david-pogue/.

“Muita coisa mudou nestes últimos dez anos”, diz o jornalista norte-americano, em entrevista por e-mail. “No ano 2000, nenhum dos sites da hoje onipresente web 2.0 existia: nem Facebook, nem YouTube, nem Twitter, nada. Outra mudança dos últimos dez anos foi o enorme declínio nos canais tradicionais de mídia e comunicação: jornais, revistas, telefones fixos, audiência na TV. E o tempo gasto online cresce cada vez mais.”

Formado em música na Universidade de Yale (sim, ele é maestro e apresentou-se tocando teclado num TED em 2007!), Pogue começou a escrever sobre tecnologia em 1988, na coluna Desktop Critic da revista Macworld. Em novembro de 2000 foi contratado pelo New York Times para escrever a coluna State of the Art, que mantém até hoje no caderno de negócios do jornal. Ele ainda assina a newsletter From the Desk of David Pogue e mantém o blog Pogue’s Posts, que passa a ser republicado com exclusividade no site do Link.

É natural que ele seja publicado em um caderno de tecnologia que, há seis anos, percebeu que esse assunto não é mais coisa de geeks sem vida social ou fanáticos por aparelhos. “As pessoas são tão, ou mais, importantes do que as máquinas”, diz, questionado sobre as principais mudanças da última década. “Se a tecnologia não agrada ou serve às pessoas, morre rapidamente.”

Para ele, o melhor ícone desta primeira década digital é o iPhone: “Pois ele combina muitos componentes como nenhum outro aparelho fez – entrada e saída de áudio e vídeo, GPS, sensor de movimento, de proximidade e de luz, Bluetooth… Ele criou toda uma nova categoria de produtos, que eu chamo de ‘telefone de aplicativos’. Foi-se o tempo em que o celular servia para fazer chamadas ou checar e-mails – agora rodamos aplicativos nele”. E continua, festejando a cria mais popular da Apple. “O iPhone fez mais do que isso: antes dele, as operadoras de celular controlavam o design de softwares. Steve Jobs insistiu para que a Apple tivesse todo o controle criativo – e quando as operadoras perceberam que era boa ideia permitir que fabricantes pensassem o interior do telefone, todo o ecossistema mudou”.

Ele não conhece nada sobre a cultura digital brasileira. “Mas se eles vão ler o meu blog, é óbvio que têm um gosto excelente! Quero conhecê-los, ainda que digitalmente!”. Bem-vindo, Pogue. Sinta-se em casa.

Retrospectiva Pogue:

2000

MSN
A Microsoft mudou sua estratégia para o MSN de novo, e, desta vez, pode ser que tenha acertado. O MSN Explorer empacota as melhores funções de internet em uma única e colorida janela. Ter um painel de controle unificado poupa o esforço de aprender a usar um programa para cada função.

2001

HD externo
Até um dia desses, a Iomega deu a todos os seus produtos nomes onomatopaicos: Jaz, Click, Buz. O primeiro produto batizado assim, o Zip drive, foi um sucesso. Mas o tempo passou (whooosh!): um disco Zip hoje não dá conta de coleções de MP3, arquivos de Photoshop ou vídeos digitais. Pior, alguns discos tiveram problemas graves (crash!). Usuários moveram ação coletiva contra a Iomega (crunch!). Depois que a poeira baixou, a empresa fez duas mudanças. Primeiro, abandonou as onomatopeias. Segundo, lançou um novo tipo de disco removível, o Peerles. O nome é adequado: não há nada como ele.

Windows XP
A Microsoft vem liberando versões de teste há alguns meses, e na última semana apresentou o produto final. E até a boa notícia é grande: o Windows XP é muito atraente e extremamente estável.

iPod
A Apple não costuma mandar cartões de boas festas. Então, quando a companhia enviou cartões para os repórteres na semana passada, muito cedo para o Natal, muito em cima da hora para o Halloween, dá para entender a curiosidade gerada. A mensagem alardeava a revelação de um “aparelho revolucionário”. O que poderia ser? A Apple anunciou o iPod, basicamente um tocador de música portátil. Ou melhor, o mais sofisticado tocador de música portátil jamais produzido.

2002

TV tela plana
Recentemente, Sharp, Samsung e Panasonic inauguraram uma nova categoria de telas widescreen caras, mas de tirar o fôlego: painéis planos de cristal líquido. Estes aparelhos só são acessíveis a quem espera ganhar na loteria para pagá-los, mas merecem ser vistos mais de uma vez. Se você já viu um deles, sabe o efeito que causam: o pulso acelera, os olhos não piscam e surge uma súbita vontade de vender seu carro para conseguir mais dinheiro.

2004

Gmail
Como estudantes de Stanford constroem uma empresa que fatura bilhões de dólares por ano em cinco de existência? Parte da resposta vem de uma ótima tecnologia de buscas. Mas outra parte vem do lema da empresa: “Não seja mau”. Isso explica porque a página do Google é quase vazia: anúncios e gráficos tornam a navegação mais lenta. Também explica porque os anúncios são claramente separados do resultado das buscas. Se você colocar anúncios pagos no meio da busca, como fazem Microsoft e Yahoo, você pode ser mau. Mas quando o Google disse que seu novo Gmail, que mostrava anúncios relacionados a sua correspondência, estava em teste, a reação foi de choque.

BlackBerry
Nos anais do consumo de eletrônicos, alguns aparelhos são tão presentes que criam cultos entre seus compradores. Você sabe: maníacos por Mac, malucos pela Palm. Entre a multidão engravatada, um aparelho em particular ganhou apelido próprio: Crackberry. É uma referência ao Blackberry da RIM, um palmtop altamente viciante que permite que você cheque seus e-mails em tempo real.

2006

Web 2.0
Em 2006, a grande tendência da internet foi a web 2.0 – sites que pedem a participação do público, como YouTube, MySpace, Wikipédia, Digg e Flickr, que eram abastecidos com conteúdo gerado por seus usuários. Nesses sites, a web não é só um ambiente de publicação – é um diálogo global.

2007

iPhone
Lembra da fada-madrinha de Cinderela? Ela balançava sua varinha de condão e transformava algo comum, como uma abóbora, em algo glamouroso, como uma carruagem. Ela certamente mora em algum lugar na Apple. Toda vez que Jobs vê algo desesperadamente feio, qualquer máquina complexa que chore pelo toque da Apple – como computadores ou tocadores de música –, ele a deixa sair. E na Macworld deste ano, Jobs mostrou o mais novo produto de sua fada madrinha. Ele satisfez os desejos de milhões de fãs da Apple ao transformar o celular… no iPhone.

Kindle

E-readers vêm e fracassam. O da Sony segue sendo vendido até hoje, às dúzias. Então a Amazon resolve lançar seu aparelho, chamado Kindle. Estão malucos? O Kindle é uma prancheta de plástico branco fina, que vem com uma capa de couro. Não é, er…, lindo: é tudo de plástico, tem ângulos duros e lembra uma pastiche do Commodore 64.

2008

Twitter
Por muito tempo, meus leitores me incomodaram para checar esta coisa chamada Twitter. Tentei evitar, pois parecia mais uma destes drenos de tempo online que viram moda. E-mail, blog, chat, RSS, Facebook… Quem ainda tem tempo para mais um bate-papo? Mas, para falar a verdade, não há nada como o Twitter.

2009

Netbook
O termo netbook é um eufemismo que tende a salientar as principais atividades a que ele é destinado: checar e-mail, navegar na internet, chat, Skype e processadores de texto. Talvez seja a intenção de distrair de tudo o que o netbook não faz bem: Photoshop, edição de vídeos, games etc.

Bing

Nos últimos 15 anos, o plano de negócios da Microsoft deve ter sido “espere alguém conseguir um sucesso e depois copie”. Parece maldade, mas vamos lá – a lista de cópias feita pela empresa é tão grande quanto seu braço: PalmPilot/Pocket PC, Netscape Navigator/Internet Explorer, Mac OS X/Windows Vista, iPod/Zune. E agora vemos outro esforço “eu também” da Microsoft. Chama-se Bing e é o mais novo representante na tentativa da empresa em imitar o Google.

2010

TV 3D
Há um interesse explosivo na TV 3D. Por parte das empresas, fique claro. Se as pessoas vão querer isto ou não, segue como uma grande pergunta.

iPad
Nos dez anos em que analiso produtos nunca vi algo que polarizasse tanto as opiniões quando o iPad da Apple. “Este aparelho é um absurdo risível”, disse um comentarista num blog de tecnologia. “Como eles querem que as pessoas levem a sério um computador sem mouse?”, “É uma revolução mágica”, disse outro, “eu não posso imaginar porque qualquer um queira voltar a usar mouse e teclado depois de experimentar a interface visionária da Apple”.

Impressão digital #0028: A cultura do remix

Minha coluna para o Caderno 2 que eu fiz antes de sair de férias…

A arte de recombinar
Remix: Parte da cultura popular

“Tudo é remix”, diz o diretor nova-iorquino Kirby Ferguson no título da série de minidocumentários que lançou online nesta semana, Everything Is a Remix. “O ato de remixar sempre fez parte da cultura popular, independentemente do tipo de tecnologia usada”, explica o diretor no site do projeto, everythingisaremix.info. “Mas coletar material, combiná-los e transformá-los são ações que fazem parte de qualquer nível de criação.”

Mas antes que você torça o nariz achando que Ferguson está se referindo às intervenções que DJs fazem em músicas alheias, tome tento. O próprio diretor começa o primeiro capítulo de seu documentário explicando isso: o remix de músicas é só a parte mais conhecida de um evolução criativa que acompanhou a história da humanidade e, devido às leis de direitos autorais criadas durante o século 20, foi interrompido pois ficou impossível usar partes de obras alheias sem que isso significasse
pagamento ao artista original. Mas o pequeno filme conta duas situações que ocorreram no século passado que ajudaram a arte a se livrar da proibição que passou a pairar sobre o processo de criação.

Primeiro, ele cita o escritor beat William Burroughs, que, no início dos anos 60, em Paris, inventou um novo método para escrever livros. Ele datilografava páginas e páginas, depois as recortava e grudava umas nas outras, fazendo nascer, desta forma, novas palavras, frases e expressões – muitas sem sentido, mas e daí? Ferguson sai de Paris em direção a Londres, no final da mesma década, quando surge a banda Led Zeppelin. Incensada em seu país de origem, o grupo, no entanto, demorou para ser
levado a sério nos Estados Unidos porque boa parte de suas músicas “pegava emprestado” riffs, letras e melodias de clássicos do blues. Everything Is a Remix mostra as semelhanças entre velhos blues e músicas do Led Zeppelin.

E frisa que a diferença entre o que a banda de Jimmy Page fazia e o conceito de remix atual é que hoje a recombinação e recontextualização das obras quase sempre apontam quem é o autor original – ao contrário da banda inglesa. Que, por sua vez, teve trechos de suas músicas usados à exaustão por diversas bandas de hip hop – citados no filme.

Vida Fodona #229: Até outubro!

Sem conversa, porque eu tou saindo de férias! Juízo, hein!

Pomplamoose – “September”
Lissie – “Pursuit of Happ”
Music Go Music – “Warm in the Shadows”
Richard Hawley – “Tonight the Streets Are Ours”
Darwin Deez – “Up in the Clouds”
Pacific! – “Hot Lips”
Camera Obscura – “Lloyd, I’m Ready to be Heartbroken”
Belle & Sebastian – “I Want the World to Stop”
Cut Copy – “Where I’m Going”
Breakbot + Irfane – “Baby I’m Yours”
Kylie Minogue – “Slow (Chemical Brothers Remix)”
Two Door Cinema Club – “What You Know (Redlight Remix)”
Chromeo – “Hot Mess”
Bird & the Bee – “I Can’t Go for That”

E até lá!

Três semanas sem Trabalho Sujo

Agora é oficial: desligo o Trabalho Sujo por três semanas, vou ali casar e já volto. Mas se você não consegue ficar sem (eu sei, mal consigo imaginar como deve ser duro viver sem mim), espera um tico que já já eu dou umas dicas de como aproveitar este site enquanto eu estou fora, saia clicando nas tags (aquelas palavrinhas que ficam no final do post – você tem que entrar no post em si para vê-las) e nas categorias (estas tarjas aí em cima, debaixo do logo do site). Cada categoria abre um lado específico do Sujo – MP3 o transforma em um blog de MP3, JPG o transforma num Tumblr, AHAHAHA é só bobagem, Fora de Controle são textos gigantes, Talagadas posts curtos, Hmmm… é só gatas, Ficção Científica é, óbvio, scifi na veia, a categoria Loki é sobre psicodelia e por aí vai. Saia clicando – explore o site, os banners, os links, vá até o final da página e escolha um número de página qualquer, uma tag nada a ver, um mês do passado e descubra que o meu site não é só uma avalanche de informação nova – é pura diversão disfarçada de obsessão. Repito: saia clicando – e até outubro, quando trarei boas novidades!

13 grandes momentos do Rraurl, por Gaía Passarelli



O Rraurl completa treze anos neste fim de semana e devido às minhas férias (hehe, “adooooro”) não vou poder comparecer. O site é uma das melhores iniciativas tanto em relação à cena cultural brasileira quanto como veículo de comunicação nativo da era digital. Acompanhei essa história desde o começo, quando ainda era só um fanzine do Camilo e da Gaía e tive até uma coluna – de curta duração, só três edições – em que indicava treze MP3s para download por vez. Sim, treze – a idade que o Rraurl completa hoje e, justamente, o nome da minha coluna. Aproveitando o gancho, pedi pra Gaía me mandar uma lista com os treze momentos mais importantes, para ela, da história do site. É uma lista bem pessoal – e eu preferi que fosse assim. Parabéns, Rraurl! Que venham outros tantos treze anos!

1) Uma reunião com Camilo e Gil no gramado de uma rave no começo de 1997 foi o começo da história.
2) A entrada minha e do Gil na lista de emails (quem lembra disso?) chamada br-raves, também em 1997. Era lista irmã de outras do mundo, como uk-raves ou ar-raves, mas aqui era mais focado em techno, depois house. Foi importantíssimo pro site crescer, sabendo que tinha tanta gente legal tocando música e fazendo festa longe de Rio e São Paulo, e nós fizemos amigos que amamos até hoje.
3) O inesperado troféu Noite Ilustrada, pela Erika Palomino, como “melhor iniciativa da cena”. Ajudou a chamar a atenção pro site. E o troféu é lindo e enfeita minha casa até hoje.
4) O primeiro Skol Beats, no Autódromo. Lembro de ficar emocionada vendo tanta gente numa festa de música eletrônica. Mal sabia eu que a coisa ainda ia crescer muito mais que isso.
5) As festas em Brasília, onde se tocava house music de primeira e o povo dançava até de dia, num clima amistoso e simpático muito diferente do que reinava em SP na época. Coisas da br-raves.
6) As entrevistas feitas pela jornalista Jamille Pinheiro, de Belém-PA, que fez o site enxergar um outro nível de conteúdo.
7) As festas Circuito e Colors, que dominaram o mundo techno/house no começo dos anos 00 e com as quais o rraurl se envolveu muito.
8)A festa de 10 anos do rraurl, no Clash Club, com o Tittsworth, vindo de Baltimore, tocando uma mistura de booty techno com electro e rock. Até Bon Jovi tocou. Era 2007. Os puristas odiaram, a gente teve uma das noites mais divertidas da vida.
9) A Giuliana Viscardi, minha “Emily” como a gente brinca, que apareceu para colocar ordem na casa e teve uma passagem longa pelo escritório que se transformou numa amizade que mantemos até hoje.
10) A cobertura do Coachella 2008, minha primeira (!) ida pra festival na gringa, pra ver o Justice despontar como a coisa mais empolgante da música na época.
11) A “fase Jade” no rraurl, que eu considero a melhor época do site, com ele, Marcus Brasil (hoje na Época SP – n. do Matias – o Marcus passou pelo Link, hein!), Alisson Gothz e Raphael Caffarena na redação, além dos blogs em ótimas fases do Camilo Roch), Clau Assef e João Anzolin.
12) O apoio ao núcleo Crew, que fez os leitores da facção “eletrônica de verdade” torcerem tanto o nariz mas que ajudou a gerar uma nova geração de artistas da eletrônica nacional. É muito feliz ver que o núcleo ganhou tantos apoios ao longos desses anos e que as festas continuam cheias e divertidas.
13) O fechamento do QG do rraurl para um esquema home-office e o patrocínio da SKYY Vodka, já em 2010, uma relação profissional muito bacana que esperamos ver crescer com o tempo.