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Gente Bonita na Avenida Paulista

Muito tempo sem Gente Bonita, nem conseguimos comemorar direito os primeiros quatro anos da festa, que passaram em branco entre setembro e outubro. Mas voltamos a dar as caras neste sábado, em plena avenida Paulista, quando a Livraria Cultura do Conjunto Nacional realiza sua minivirada cultural. Além de shows, autógrafos, exposições e debates, o evento ainda terá uma madrugada voltada para a pista de dança e convidou só gente fina pra cuidar do baile noturno. A noite começa à 1h da madruga com todo o remelexo brazuca do Baile Veneno (do Ronaldo), seguido do groove cabeçudo dos Chaka Hotnightz. A Gente Bonita desfila seu preview de hits da temporada primavera 2010/verão 2011 a partir das 3h da madruga e logo depois entra a festa Boom Boom, do compadre Lucas Santtana. A madruga chega ao fim com os sets da Balada Mixta e dos broders da Funhell, que entram às 6h. Toda essa programação acontece naquela rampa da livraria pro lado de fora da loja, virado pra alameda Santos, então há o pressuposto baile, em vez da mera trilha sonora para megastore. E o melhor: é de graça. Estão todos convidados.

Gente Bonita @ Vira Cultura
Na Avenida Paulista
DJs convidados: 1h: Baile Veneno, 2h: Chaka Hotnightz, 3h: Luciano Kalatalo & Alexandre Matias (Gente Bonita Clima de Paquera), 4h: Boom Boom, 5h: Balada Mixta e 6h: Funhell.
23h45
Sábado, 27 de novembro de 2010
Local: Livraria Cultura do Conjunto Nacional. Av. Paulista, 2073. São Paulo.
Preço: R$ 00

O papel do artista

“Não acho que seja fundamental, para mim o único dever do artista é fazer seu trabalho bem feito. Mas acho que eles podem apoiar causas sim, e se for a favor de uma causa legal, funciona, é ótimo. Eu mesmo já apoiei muita causa beneficente, social, ambiental. Política é beeem mais complicado aqui no Brasil. Nos Estados Unidos, eles praticamente só tem aqueles dois partidos, é algo bem definido, bem mais simples. Já aqui se você disser que apoia alguém, todo o resto se volta contra você. E aqui a gente vive essa situação bem desacreditada, né? Eu mesma não me empolguei com ninguém nessa eleição. Agora, se aparecesse um nome que eu sentisse que poderia salvar o Brasil, apoiaria totalmente, deixaria usar meu nome e tudo mais.”

Sandy, em entrevista ao Camilo.

Tropa de Elite 3

Kibei o post do Nelson de Sá, na caruda, além de ripar um trecho da versão impressa de seu blog, sobre a repercussão internacional do 25 de novembro carioca no exterior:

Pouco antes das 17h, seis dos dez “trending topics” mundiais do Twitter tratavam da operação no Rio. Entre outros, BOPE, Vila Cruzeiro e Complexo.

Na cobertura externa, a atenção foi para a entrada em cena de tanques e outros blindados. Foi o destaque dos sites dos canais de notícias BBC e Al Jazeera.

E tomou as páginas iniciais do francês “Le Monde”, dos espanhóis “El País” e “El Mundo” e dos argentinos “Clarín” e “La Nación”, sempre abrindo fotos dos veículos militares.

Na chamada, o “El País” afirmou ser “a batalha decisiva contra o narcotráfico”. Já o britânico “Telegraph” ressaltou o uso de “táticas duras e suaves” no Rio, com Bope e as UPPs.

Lembrei também de um tweet que a Helô comentou ontem no cigarro: “Esperto é o Padilha, que filmou o Tropa de Elite 3 ao vivo para não ser pirateado”. Quem disse isso?

Kraut São Paulo

Hallogallo 2010
Sesc Vila Mariana @ São Paulo
Terça-feira, 26 de novembro de 2010


“Hallogallo”

Durou quase uma hora e meia, mas pareceu menos de um segundo ou uma eternidade. Ao encarnar o robótico motorik no palco do Sesc Vila Mariana na terça-feira passada, o alemão Michael Rother parecia que iria levar o público para os anos 70 do krautrock, o influente rock psicodélico alemão de bandas como Can e Faust. Um dos protagonistas daquela cena, Rother era metade do Neu!, a dupla alemã que completava o Kraftwerk original no início daquela década, mas que, após romper com o núcleo-duro dos pais da eletrônica moderna (Ralf Hutter e Florian Schneider), resolveu seguir uma carreira própria. Formada apenas por Michael na guitarra e efeitos e Klaus Dinger na bateria, o Neu! não foi apenas uma das principais bandas deste período alemão como sintetizava sua essência rítmica em peças intermináveis que insistiam no mesmo ritmo, metronomômico, que seria associado eternamente ao gênero. E o pulso preciso e quadrado do krautrock, personificado essencialmente no Neu!, mas presente em todas as bandas deste período, talvez seja a principal contribuição musical daquela cena – o ritmo industrial e monótono como base para criações sonoras abstratas. É como se alguém tivesse tirado uma chapa do pulmão musical do século 20 e expusesse aqueles estranhos, mas calmos, padrões repetitivos como um mesmo fluxo sonoro – que pode ser alinhado ao próprio ritmo da vida…


“Karussell”

O problema é que o Neu! não durou muito tempo e gravou apenas três discos, no meio dos anos 70. Rother e Dinger tentaram uma volta nos anos 80, mas novas brigas fizeram o disco da segunda vinda ser arquivado e posteriormente pirateado. Desde então Rother insiste em voltar ou relançar o catálogo da banda, mas Dinger era categórico em não querer saber de nada do Neu!. O máximo que concedeu foi a autorização para o relançamento dos discos da banda, mas nada fora do que havia sido lançado originalmente, como Rother insistia.


“Neutronics 98”

Mas Dinger morreu há dois anos e Rother finalmente pode revirar a tumba do Neu!. A expedição arqueológica não apenas garantiu o relançamento de todo o catálogo do grupo em uma caixa cheia de extras, como garantiu a reencarnação ao vivo das músicas gravadas com o grupo. Para isso chamou o engenheiro de som Aaron Mullan, com quem trabalhou em uma apresentação de outra reencarnação vivida por Rother, o trio Harmonia, do qual fez parte após terminar o Neu!. Mullan também trabalhava com o Sonic Youth e imediatamente fez a conexão entre Rother e Steve Shelley, um baterista à altura do legado de Dinger, e assim os três deram vida ao projeto Hallogallo 2010, dedicado à obra de Rother no Neu!.


“Delux”

Há uma certa nobreza de Rother em não colocar seu nome no título da banda ao mesmo tempo em não querer dizer que o novo trio é uma reencarnação do Neu!. O grupo é batizado com o nome de uma das faixas mais emblemáticas do repertório associado à mitologia do original alemão, que batizou dois discos com o ano de seus lançamentos após o próprio nome. Mas ao mesmo tempo há um recorte específico sobre a obra do Neu! (nem todas as músicas são da banda, algumas são de seus discos com o Harmonia, umas de seus discos solo), pois foram escolhidos temas em que o baixo e a bateria seguram o ritmo de forma incessante, submetendo o público (repleto de artistas de música experimental da cidade) a um transe abstrato mas vivo, de fazer bater o pé ou balançar a cabeça. E isso era apenas um dos elementos do Neu! – a outra metade eram experimentações com velocidades de rotação e texturas sonoras, muitas delas com vocais. Esta segunda parte do Neu! ficou completamente de fora do show de terça passada.

Assim, o show em São Paulo primou pela presença dos convidados, uma cozinha segura e pesada, o baixo de Mullan sendo lentamente transformado em ritmo enquanto a bateria de Shelley alternava entre os pratos tocados com baquetas de ponta de feltro e o ritmo motorizado que logo mais conduzia as faixas. Quase todas elas começavam com Rother nos efeitos sonoros, manipulando texturas e microfonias até chegar a um ciclo específico de som, que dava margem para Shelley e Mullan determinarem o compasso dos próximos dez minutos. Dez minutos que pareciam ser meia hora ou um som eterno, que bate no pulsar da vida do planeta e que, por alguns instantes na semana passada, foram sintonizados eletricamente por dois nova-iorquinos e um alemão.


“Negativland”

Leia mais:
Neu!
Krautrock
Kraftwerk

Bichano beat

Holy Fuck, cortesia da Marina K, pra espantar esse tempo de merda que tá fazendo e começar a aquecer o fim de semana…

Vida Fodona #237: Vida Fodona Clássico

Depois de três programas praticamente monotemáticos, vamos de volta à já clássica rotina de seu podcast favorito, com músicas de todas as épocas, nacionalidades e estilos musicais diferentes.

Rita Lee & Tutti Frutti – “Luz del Fuego”
Ultrasom – “Eveready”
La Roux – “In It For the Kill (Lifelike Remix)”
Jupiter Apple – “Collector’s Inside Collection”
Nuuro – “Diamante”
Ike & Tina Turner – “Whole Lotta Love”
Ruído/mm – “Sanfona”
Franz Ferdinand – “Dream Again”
Olivia Tremor Control – “Jumping Fences”
Yeasayer – “Sunrise”
Memory Cassette – “Asleep at a Party”
Javiera Mena – “Cámara Lenta”
Honeycut – “Tough Kid”
Buffalo Springfield – “For What’s Worth”
Nara Leão – “Deixa”
Beck – “MTV Makes Me Wanna Smoke Crack”
Phil Collins Big Band – “Sussudio”

Por aqui.