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Descendo a ladeira da tristeza

Olivia Rodrigo participou do Saturday Night Live neste fim de semana e, além de participar de alguns quadros e cantar mais uma vez “Drop Dead”, primeiro single de seu próximo álbum, You Seem Pretty Sad for a Girl so in Love, revelou mais uma música, a primeira que dá o tom do adjetivo que parece ser central no novo disco. A triste balada “Begged” é a mesma que ela cantou ao lado de Weyes Blood num show fechado que fez em Los Angeles no outro fim de semana, e mais uma vez Natalie Mering estava ao seu lado, só que como apenas uma das integrantes dos grupo dos vocais de apoio, frisando sua participação como coadjuvante. E parece que a tristeza do título é real.

Assista abaixo:  

Shakira ♥ Maria Bethania

Shakira abalou o Rio de Janeiro no terceiro ano consecutivo que a prefeitura daquela cidade transforma um morno outono num quente réveillon fora de hora, repercutindo na imprensa internacional ao mesmo tempo em que faz as redes sociais tornarem-se monotemáticas durante um fim de semana. E por mais que a colombiana tenha um rosário de hits, que seu português seja perfeito, que tenha feito uma enorme celebração latina no palco e convidado celebridades brasileiras do naipe de Anitta, Caetano Veloso e Ivete Sangalo, nenhum instante foi mais intenso do que quando ela chamou ninguém que Maria Bethânia para cantar “O Que É O Que É” – e sentido a força do público brasileiro cantando um de seus hinos informais num de seus maiores palcos, a praia de Copacabana. Que momento!

Assista abaixo:  

Parteum sobre a volta do Emicida

Com a volta aos palcos do Emicida na semana passada ainda reverberando, compartilho o texto que seu mestre e compadre Parteum publicou em sua conta no Instagram ao comentar o fato do rapper ter tocado uma música sua neste mesmo show:

“Quando um líder, num ato de generosidade, canta uma música de sua autoria no retorno aos palcos. Quando a música que nunca foi feita em shows ganha um bom lugar pra existir. Quando duas gerações do Rap Nacional não se estranham.

A música ‘A Moral Provisória’ foi escrita quando descobri que Cora, minha filha, estava vindo. O segundo verso foi escrito logo depois do primeiro ultrassom. Ela faz parte do álbum/mixtape Magus Operandi, tem 18 anos de vida.

O que eu digo e repito é que a coragem e a perspicácia do @Emicida, além do talento e do olhar pra cultura, são muito dignos. Da minha geração do rap, os que sobraram e seguem criando, poucos se gostam minimamente. Entretanto, decidir memorizar uma música inteira de outro artista e apresentá-la no show de retorno da carreira revela outro grau de amizade, respeito, carinho e, repito, generosidade. A verdade mora nos fatos. E o fato é que a cultura é construída e reconstruída por gente que tem compromisso com o que se propôs lá, no começo. Ritmo, poesia, dança, harmonia, comunidade, artes visuais e conexão. Congratulações, Leandro! Eu lembro tudo que disse no McDonald’s da República, quando você e mano Fernando (DJ Nyack) se preparavam para um dos primeiros shows!”

E essa volta tá só começando…

Todo o show: A volta do Sugar no Webster Hall, em Nova York (2.5.2026)

Aconteceu! Bob Mould, David Barbe e Malcolm Travis voltaram aos palcos como Sugar depois de 31 anos neste sábado, quando deram início à turnê de retorno em uma apresentação lotada no Webster Hall, em Nova York, quando tocaram músicas de seus três discos – Copper Blue e File Under: Easy Listening e a coletânea de lados B Besides – e as músicas novas que lançaram no início do ano, estas executadas pela primeira vez ao vivo. O baterista Malcolm Travis passou mal no meio do show, mas felizmente foi algo breve e logo ele voltou ao kit para encerrar a apresentação como previsto. E felizmente alguém gravou a íntegra do show, assista abaixo:  

Raimundo Rodrigues Pereira (1940-2026)

Morreu neste sábado um dos nomes mais importantes do jornalismo independente brasileiro e uma das principais vozes de oposição à ditadura militar dos anos 60 e 70, o pernambucano Raimundo Rodrigues Pereira. Fez parte da fundação da revista Veja, onde começou a revelar as torturas feitas pelo regime do período (negada por seus ditadores), seguiu na resistência ao participar da equipe de dois periódicos independentes que marcaram a época: o jornal Opinião (onde começou a trabalhar em 1972) e o jornal Movimento (que fundou em 1975 e o manteve até 1981, sempre sob forte repressão da ditadura), conhecido por se apresentar como “um jornal sem patrões” – por isso mesmo um dos veículos que mais cobriu as greves no ABC paulista no fim daquela década, que acabaram por desestabilizar a ditadura. No Movimento contava com colaboradores como Perseu Abramo, Chico Buarque, Jacob Gorender, Nelson Werneck Sodré, Fernando Henrique Cardoso, Moniz Bandeira e Elifas Andreato. Após a ditadura, criou o jornal diário Retratos do Brasil (que teve vida curta de poucos meses, em 1988) e seguiu colaborando com alguns veículos tradicionais, até fundar a Editora Manifesto, em 1997, que manteve até sua morte. Um herói.

Duas estreias numa mesma sexta-feira

Na edição desta sexta-feira do Inferninho Trabalho Sujo no Redoma, duas atrações estrearam na festa mostrando seus primeiros trabalhos solo. A noite começou com uma versão reduzida do show de Joni, que em vez de trazer sua banda completa, optou por ele mesmo tocar guitarra enquanto cantava e contar com as participações do baterista Biel Moreira e da tecladista Priscila Rosa, com um repertório inteiro autoral de canções que vão do R&B moderno ao soul clássico, com toques de samba e uma pitada de rap.

Depois foi a vez de Lara Zanon mostrar as canções de seu primeiro disco pela primeira vez ao vivo, no palco do Redoma. Acompanhada de Laura Mendes (vocalista da banda Nevoara), do próprio Joni que abriu a noite na guitarra, do baixo de Rafaela Reoli (que também toca na Malvada) e da bateria de Thamires Miranda, ela preferiu não tocar todo seu álbum Venusa – que, ainda em fase de mixagem, deve chegar às plataformas nos próximos meses – e passear por canções de outros autores mostrando a amplitude de suas influências, passando pela banda Zimbra (“Breve”), por Sophia Chablau e Uma Enorme Perda de Tempo (“Segredo”) e Paramore (e justo duas pra deixar escancarada sua principal referência, “(One Of Those) Crazy Girls” e “Parachute”). Revezando-se entre o teclado e à linha de frente do palco, ela esbanjou voz, carisma e está pronta para mostrar seu primeiro trabalho.

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Inferninho Trabalho Sujo apresenta Lara Zanon e Joni @ Redoma (1º.5)

O próximo Inferninho Trabalho Sujo acontece na sexta que vem no Redoma, quando a cantora Lara Zanon mostra seu primeiro álbum, Venusa, com influências de Fiona Apple e Hayley Williams, antes de seu lançamento. E para começar a noite, ela chamou seu amigo Joni, que vem do R&B, para fazer o show de abertura. Como sempre, discoteca antes, entre e depois dos shows. O Redoma fica na Rua Treze de Maio, 825-A no Bixiga e a casa abre a partir das 21h. Quem vem? Os ingressos já estão à venda.

Floating Points mais uma vez com uma orquestra

A primeira vez que o sagaz produtor inglês Sam Shepherd – que conhecemos melhor como Floating Points – arriscou-se a tocar ao lado de uma orquestra sinfônica foi antes da pandemia, quando selou sua nova amizade com o mago do free jazz Pharoah Sanders, 40 anos mais velho que ele, no projeto Promises, gravado com a London Symphony Orchestra em janeiro de 2020 e só lançado em março de 2021, um ano antes de Sanders nos deixar, num dos disco mais ousados e importantes desta década. Em 2023, Shepherd voltou a reunir-se com outro time sinfônico, desta vez para compor sua primeira trilha sonora para um balé, e estreou Mere Mortals ao lado da San Francisco Ballet Orchestra em janeiro de 2024, num espetáculo inspirado pelo mito de Pandora. E ele acaba de lançar a faixa de abertura desta apresentação, que será lançada em breve como disco, ao mostrar o single de 13 minutos “Falling to Earth”, um épico ambient com sintetizadores pesados dando o tom apocalíptico do espetáculo. Impressionante.

Assista abaixo:  

Helado Negro ♥ Sly & The Family Stone

Desde o início de abril, o senhor Helado Negro vem usando seu Instagram para mostrar demos de músicas que está compondo (mostrou inclusive uma colaboração com sua nova amiga, a mineira Luíza Brina), abrindo processos de gravação e tornando pública sua rotina como autor, algo que nunca havia feito. E começou o mês de maio com sua primeira novidade fonográfica desde o EP The Last Sound on Earth, lançado em setembro do ano passado, mostrando uma versão lo-tech para o hit soul funk “Dance to the Music”, do Sly & The Family Stone, que rebatizou “Dance 2 Tha Music”. Ficou fino.

Ouça abaixo: