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Como foi o primeiro dia do C6Fest 2026: Wolf Alice na cabeça, Xx no coração

C6Fest mais uma vez confirma sua dianteira como melhor festival em São Paulo. Finda sua quarta e mais ousada edição no fim de semana, o evento quase tirou os pés do indie rock e do neo soul que pautaram as edições anteriores, reforçando seu compromisso com a contemporaneidade do pop nos quatro palcos. Não fui nos shows da quinta e sexta e temi, como muitos, que o fim de semana fosse consagrado com uma tempestade daquelas, o que felizmente só comprometeu poucos shows (especialmente no início do sábado). Perdi Horsegirl e Amarae, mas cheguei a tempo de ver o fanfarrão do Baxter Dury mostrar sua persona sobre a base pós-punk dançante, começando bem o festival. Depois emendei com o melhor show da noite, quando meus favoritos Wolf Alice – donos do melhor disco do ano passado, The Clearing – mostraram que ainda é possível fazer rock clássico no século 21 sem soar datado ou referencial – e sua vocalista, a gigantesca Ellie Rowsell, é uma estrela perfeita deste gênero. O BaianaSystem mostrou porque é uma das melhores bandas do Brasil e foi quem soube melhor usar o telão nas costas do Auditório Ibirapuera em todo o evento, culminando com uma fala fulminante da atriz Alice Carvalho. O vocalista do National, Matt Beringer, foi comendo pelas beiradas e no meio do show se jogou no meio da plateia e foi até o fundo do público, cantando com o microfone sem fio, para encerrar com uma versão rock de “Blue Monday” do New Order. O Xx quase fechou o sábado com um show maravilhoso. Sem inéditas e vários números solo de seus integrantes, afagaram os fãs com músicas de seus três discos, cantadas às vezes em coro, outras ouvidas em silêncio (se você estivesse perto do palco). Mas o melhor momento do show foi quando o produtor Jamie Xx pegou pesado no som ao soltar seus dois números solo, transformando o palco a céu aberto numa pista de dança. A violoncelista guatemalteca Mabe Fratti fechou o sábado inaugurando o palco Lab no Auditório Ibirapuera num show aquém do resto da programação, com alguma ousadia, mas por vezes monótono – e pouco público. Mas no domingo as coisas seriam bem diferentes…

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E esse roquinho da Charli?

Pelo jeito é a regra do novo jogo de Charli XCX: depois de lançar um novo single, lance um lado B em seguida, de preferência completamente antagônico ao lado A. Foi assim com a singela “I Keep Thinking About You Every Single Day and Night”, lado B da afrontosa “Rock Music”, quando tornou público sua segunda conta no Instagram justamente para mostrar esses segundos tempos (chamada, didaticamente, de @b.sides). E agora depois de “SS26”, ela vem com o punk-pop “Playboy Bunny”, roquinho dançante ainda mais perto do gênero que batizava o single anterior. Ela vai só deixando as pistas…

Assista abaixo:  

Temos Mike D!

Toma mais uma música do beastie boys Mike D solo, “What We Got”, dentro de seu projeto (e possível futuro álbum) Mike D 5D, que está gravando com seus filhos. Só vem!

Ouça abaixo:  

Earth Wind & Fire em cartaz

O documentário que o Questlove dirigiu sobre o Earth Wind & Fire já tem data de lançamento na HBO, dia 7 de junho. Mas não há previsão se será exibido no Brasil… Sempre isso…

Assista ao trailer abaixo:  

Sobre a Virada Cultural de 2026

Vou cobrir o C6Fest e por isso não vou conseguir ir na Virada Cultural deste ano, mas lamento perder duas atrações: a monstra sagrada Lydia Lunch e o mago Jorge Mautner. Lunch, nome importante do pós-punk dos EUA e central na cena no wave de Nova York faz show no CCSP ao lado do baixista Tim Dahl e do saxofonista Matt Nelson à uma da madrugada. E logo depois, às 2h30, o documentário Artists – Depression, Anxiety & Rage da própria performer será exibido no mesmo local. O filme volta a ser exibido horas depois, às 14h, quando o curador de cinema do CCSP Carlos Pegoraro conversa com Lydia, que também participa de outro bate-papo, às 17h30, na Sala Mário de Andrade, no encontro com Sandra Coutinho das Mercenárias chamado No Wave Agora. Mautner, por sua vez, é um dos vários homenageados que farão shows celebrando seus legados no Theatro Municipal (como Eduardo Araújo, Evinha, Claudya, Fausto Fawcett, Mundo Livre S/A, Mercenárias e Di Melo). O mestre pós-tropicalista toca às 15h, acompanhado de Ava Rocha, Negro Leo, Rubinho Jacobina, Celso Sim, José Miguel Wisnik, José Roberto Aguillar e Cecília Beraba, numa apresentação que certamente emocionará a todos. E já que estamos falando de Virada Cultural, vale dar uma sacada na reportagem que Agência Pública sobre os gastos bizarros e artistas desconhecidos bancados pela atual gestão durante as três edições mais recentes do evento.

O Balaclava Fest deste ano vem aí…

A gente discutindo C6Fest, Virada Cultural, Primavera e eis que a Balaclava anuncia o elenco de seu próximo festival na terça que vem. Será que eles fecharam algum nome que poderia vir para a versão paulistana do festival catalão? Queria tanto o My Bloody Valentine… Façam suas apostas!

Veja o teaser abaixo:  

Olivia Rodrigo: “I thought I found the antidote…”

Quem deu o segundo passo de um novo disco nesta sexta-feira foi Olivia Rodrigo, que revelou sua “The Cure” como novo degrau – para baixo – de seu vindouro terceiro disco, You Seem Pretty Sad for a Girl So in Love. E depois de filmar “Drop Dead” no Palácio de Versailles como uma princesa Disney – símbolo do pop perfeito -, ela começa a descida rumo à tristeza enunciada em seu título em uma ode folk emoldurada em um hospital dos anos 50 nos Estados Unidos, em que, fantasiada de enfermeira de publicidade, vai mostrando suas vísceras como um personagem de desenho animado num filme de terror. Ao batizar a faixa com o nome da banda de seu ídolo e agora camarada Robert Smith, ela sintoniza a melancolia agridoce do papa do gótico pop ao mesmo tempo em que acena para a geração seguinte à do Cure, imediatamente influenciada por eles, a quem ela vem tateando contato, do rock alternativo dos anos 90, soando como uma balada acústica de bandas tão diferentes quanto Smashing Pumpkins, Hole, Weezer e Foo Fighters. Resta saber se este será o disco em que ela, de uma vez, abraçará o rock, tornando-se um improvável ícone para o gênero. Mas ao final do clipe, ela revela que o hospital vintage que é o cenário do clipe é (como era o palácio do clipe anterior) uma ilusão, pisada por ela mesma ao mostrar-se sem fantasias numa casa encaixotada, como se tivesse acabado de chegar de uma mudança. Vamos ver o que ela nos mostrará a seguir…

Assista abaixo:  

Viagens eletrônicas!

Duas viagens eletrônicas nesta quinta-feira no Inferninho Trabalho Sujo no Picles. A primeira começou com a dupla Pão de Ló, formada pela dupla de cientistas malucos da Tubo de Ensaio Lorenzo Zelada e Lorena Wolthers. Lorenzo deixa a guitarra de lado para dedicar-se apenas aos synths que monta, enquanto Lorena derrama-se pelos teclados e synths, além de tocar uma guitarra com baquetas e soltar alguns vocais esporádicos. O clima psicodélico e eletrônico vem de bases techno e electro que logo são convertidas em loops hipnóticos em que efeitos sonoros deslizam para deleite da noite. Nesta sua segunda apresentação ao vivo, a dupla ainda contou com a participação de dois cúmplices: Gibaa, que tocou um theremin fabricado em casa acoplado a alguns pedais de efeitos, e Gabriel Golfetti, ex-Stratus Luna, que assumiu o baixo e efeitos para encorpar ainda mais a loucura da dupla. Trip pesada!

Depois foi a vez da também recém-formada Canaflash FX, formada por Charlie Tixier e Lello Bezerra, que funde os beats do primeiro, tocados numa MPC em chamas, e os riffs em loop do segundo, que, por mais que caiam nas raias do improviso livre, mantém-se preso ao ritmo ditado pelo beatmaker, que puxa mais pra pista de dança do que para a abstração sonora, deixando tudo muito aterrado e sacolejante. Enquanto Charles esbalda-se enfurecidamente (mas sempre com um sorriso no rosto e sem parar de dançar) na bateria eletrônica, Lello vai abrindo frases melódicas que se repetem em outras frases, abrindo parênteses musicais com outras melodias, que ecoam tanto as guitarras do Mali quanto levadas caribenhas e nordestinas, que vão ao delírio psicodélico à medida em que vai cortando o tempo e acelerando tudo com o ritmo – tocando a guitarra com as mãos e com os pés, que não param de acionar os pedais. O mais legal é ver os dois claramente se divertindo com essa parceria recém-descoberta. Delírio!

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Inferninho Trabalho Sujo apresenta Canaflash Fx e Pão De Ló @ Picles (21.5)

Na quinta, dia 21, o Picles vai fritar com uma edição eletrônica do @inferninhotrabalhosujo, quando reunimos duas duplas que se apresentam pela primeira vez na festa. A noite começa com o duo Pão de Ló, experimento de fritação synth formado por dois lokis da Tubo de Ensaio, Lorenzo Zelada e Lorena Wolthers, que mergulham nos sons sintéticos pra todo mundo viajar bonito. Depois é a vez de outro experimento elétrico, mas formato por beats, efeitos e guitarra, quando o guitar hero Lello Bezerra une forças com o produtor Charles Tixier, que fazem todos dançar com seu recém-formado Canaflash FX, em que grooves latinos sintéticos misturam-se com riffs em loop e não deixam ninguém parado! E depois dos dois é a vez de eu e a Fran seguirmos com a pista de dança até altas madrugadas. Lembrando que quem pegar o ingresso online e chegar antes das 21h30 não paga pra entrar! Vamos?