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Magdalena Bay… de novo!

Há pouco mais de um mês a dupla Magdalena Bay vem conduzindo um interessante experimento pop, lançando, quase semanalmente, duas músicas novas. Nessa sexta-feira eles chegam com mais duas (a doce “This Is The World (I Made It For You)” e a etérea “Nice Day”) que se juntam ao conjunto de seis músicas que lançaram há pouco tempo (pra quem não tá anotando, “Black-Eyed Susan Climb”, “Unoriginal”, “Paint Me A Picture”, “Human Happens”, “Second Sleep” e “Star Eyes”). Com oito músicas eles já têm um EP tranquilamente, talvez até um álbum, mas falta da um título comum que entrelace essas canções para além da estética visual, enunciada no clipe de “Second Sleep” e seguida nas artes de cada uma das músicas. Mas precisa ser uma obra conjunta? É uma fase de transição? Sobras do disco passado ou prenúncios de um novo álbum? Lançando músicas com pouco intervalo de tempo, os dois encontram uma forma esperta de manterem-se em público sem necessariamente estarem fazendo shows ou alimentando as redes sociais. É um bom teste sobre como mostrar um novo trabalho para seu público e tentar ampliá-lo sem precisar realizar um grande evento, como a expectativa do lançamento de um novo álbum ou nova turnê. O mais importante é que as músicas são boas e vasculham novos aspectos do universo musical da banda – elas são o centro dessa discussão, não há truque, gracinha ou sacada pra vender o que eles sabem e gostam de fazer.

Ouça abaixo:  

Luiza Lian + Bixiga 70 de graça no Parque da Luz!

Luiza Lian e Bixiga 70 retomam a parceria que iniciaram no final da década passada, quando colaboraram num single conjunto que seria o prefácio do disco que a cantora paulistana lançaria no ano seguinte, caso a pandemia não tivesse adiado seu ótimo 7 Estrelas | Quem Arrancou o Céu? por três anos. Os dois artistas voltam a se reencontrar em momentos completamente distintos, mas reconectando-se num show conjunto a partir do single “Alumiô”, que faz parte da programação do aniversário de 120 anos da Pinacoteca de São Paulo. O show acontece neste domingo, às 16h, no Parque da Luz (que, por sua vez, completa 200 anos!), e é de graça! Mais informações aqui.

Courtney Barnett segue na mesma faixa

Courtneyzinha lançou single novo há um mês e não deu mais nenhum pio pra dizer se tem algo novo em vista ainda pra esse ano ou se só lançou “Stay in Your Lane” pra nos deixar pilhados em relação a 2026. E ela reforça o lançamento ao lançar um vídeo que fez numa sessão que gravou no estúdio do Levon Helm no fim do mês de setembro. Como essa mina é foda…

Assista abaixo:  

Pulp no Tiny Desk!

Olha que maravilha esse Tiny Desk com o Pulp: além de reunir sua banda com direito a cordas e tudo, Jarvis Cocker ainda fez uma bela seleção pinçando músicas de diferentes fases da banda num minirrepertório que abre de forma surpreendente com “This is a Hardcore”, passa por uma das minhas favoritas da banda (“Something Changed”, que eles não têm vergonha de recomeçar depois de se confundir) e puxa uma do disco desse ano (“A Sunset”) e outra de um passado pré-britpop (“Acrylic Afternoons”). É pedir demais que o Pulp tenha ao menos um quinto da popularidade que o Oasis conseguiu em seu revival? Porque bagagem pra isso eles têm de sobra…

Assista abaixo:  

Entre a melancolia e a doçura

Em uma semana cheia de shows já considerados clássicos e de artistas de peso, foi muito bom poder ver outro de uma artista que vem se firmando como um dos novos nomes da música internacional. A cantora e compositora Nilüfer Yanya ainda é desconhecida do público brasileiro, mas mesmo assim reuniu um bom público nesta quarta-feira para vê-la no Cine Joia. Com sua voz grave e suave e canções entre a melancolia e a doçura, ela conquistou o público – que cantou várias de suas músicas em coro – acompanhado do sax derretido de Jazzi Bobbi, que faz às vezes dos solos de guitarra com um som alongado e metálico e além de músicas encantadoras como “My Method Actor” (faixa-título de seu ótimo disco do ano passado), “Like I Say (I Runaway)”, “Wingspam”, “Call it Love” e “Midnight Sun”, ainda encontrou uma brecha para celebrar uma de suas musas, PJ Harvey, na faixa que batiza seu primeiro álbum, “Rid of Me”. E apesar do show não ter bis, Yanya desceu para cumprimentar o público ao final do show, conversando com quase todos os fãs que foram vê-la, sempre com o mesmo sorrisão agradecido que atravessou seu rosto na maior parte do show..Muito bom.

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Charli XCX ♥ John Cale

“Elegante e brutal”: a descrição que John Cale fez no pacto com Lou Reed para criar o Velvet Underground, descrita no documentário com o nome da banda dirigido por Todd Haynes em 2021, mexeu com Charli XCX a ponto de, quando foi convidada para compor uma das músicas da trilha sonora da nova versão para o cinema de O Morro dos Ventos Uivantes (dirigida por Emerald Fennell, o mesmo de Saltburn), ela chamar ninguém menos que o próprio Cale para trabalhar junto. A descrição também serve para “House”, música que marca sua nova fase cinematográfica (ela está envolvida em oito – ! – longa metragens, além de ter hypado sua conta no Letterboxd) e que ela revelou essa semana e que consagra sua parceria com o mestre do Velvet Underground e que é o avesso de sua fase dance, eternizada com o Brat que marcou o ano passado. Fino demais.

Assista abaixo:  

Um ano de Lindo Delírio

Às vésperas de completar o aniversário de um ano do lançamento de seu primeiro disco, Muitos Caminhos Prum Lindo Delírio, a banda paulistana Miragem resolveu fazer um evento para consolidar as versões alternativas conduzidas pelo grupo em suas festas particulares, quase sempre conduzidas pela líder da banda, a guitar heroine Camilla Loureiro, assumindo as músicas ao piano. “Tantas vezes vi Camilla desconstruir e reconstruir as canções do disco ao piano, floreando e dramatizando os arranjos conforme ditava o clima e o grau de embriaguez dos presentes ao redor…”, explica Mariana Nogueira, que começou na banda cuidando da parte de audiovisual e entrou para o grupo em alguns shows como tecladista. Ela idealizou a ideia de uma sessão audiovisual de aniversário, que estreia nesta quinta-feira e que o grupo antecipa em primeira mão para o Trabalho Sujo. Serão quatro músicas que compõem Outros Delírios (Fim de Festa): “Ócio”, “Apelo”, “Nada é Urgente” e a faixa-título, escolhida para ser mostrada antes do lançamento.  

Primal Scream firme e forte

Confesso ter ido ao show do Primal Scream nessa terça-feira na Áudio sem muita convicção. Fui mais para saudar o senhor Bobby Gillespie e seu conjunto como uma forma de agradecer por ter feito a trilha sonora de vários momentos foda da minha vida – de paixões arrebatadoras a chapações pesadas, pistas frenéticas, acabação rock’n’roll e estradas intermináveis, a gama de estilos musicais e vibes díspares em que o grupo atua sempre abre espaço para todo tipo de curtição da vida, quase sempre de forma intensa. Autores de discos que carregam eras da história da música em canções quase sempre sobre desafios, revelações e jornadas, já vi shows ensurdecedores ou completamente lisérgicos da banda, mas sua última vinda ao Brasil, em 2018, com integrantes a menos e uma certa má vontade no palco, me fez crer que o grupo havia se tornado uma caricatura de si mesmo que só sobrevivia graças aos sucessos do passado. Não poderia estar mais errado. Logo ao ver a banda completa no palco – com vocalistas de apoio, saxofonista e tudo que tinha direito -, percebi que o show recente foi mais um mau momento da banda do que o início da decadência. Com a casa de shows incrivelmente cheia para uma terça-feira, Gillespie e companhia não tiveram dificuldades em conquistar o público, seja saudando a psicodelia, o rock clássico, o country, a música eletrônica, o rock industrial ou a folk music, mesmo com mais de um terço do show tirado do disco mais recente da banda, Come Ahead, que é apenas OK. Mas mesmo com músicas sem tanta personalidade dos clássicos na primeira parte do show, o grupo conseguiu eletrizar o público, esquentando o clima a cada nova música. Bobby estava visivelmente extático, eletrizando o público na marra, enquanto bradava contra a política estrangeira dos Estados Unidos e do Reino Unido, provocava de sacanagem dizendo que a platéia de Buenos Aires estava mais animada ou dedicando uma canção ao presidente Lula. Mas a partir de “Loaded”, com quase dez minutos, o show foi ficando mais tenso e esfuziante, com “Swastika Eyes” descendo feito uma pedrada, “Movin’ On Up” incendiando a pista de dança e “Country Girl” fazendo todo mundo cantar junto. Veio o bis com a lenta “Damage”, a gospel “Come Together” e a autoexplicativa “Rocks” e parecia que o show havia encerrado com chave de ouro. Mas Bobby mesmo puxou a volta da banda para um novo bis, quando escancararam uma versão destruidora de “No Fun” dos Stooges, mostrando que, como vários de seus contemporâneos dos anos 90, eles já são uma banda de rock clássico. E muito obrigado Bobby Gillespie, você ainda é o cara.

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Chapada adentro

É a segunda vez que Felipe Vaqueiro cutuca sua Saga Diamantina no palco do Centro da Terra. Na primeira vez, em abril do ano passado, essa história, contada ao violão, sobre a vida no garimpo na Chapada Diamantina que também é o projeto de conclusão de curso do compositor baiano no formato audiovisual, foi uma das partes de sua apresentação, que ainda contou com a semente de sua dupla com Sophia Chablau (que deu no ótimo disco Handycam, que os dois lançaram esse ano) e várias outras canções próprias. Dessa vez ele resolveu transformar essa parte no todo, contando com projeções que contavam a história que estava expondo, e, novamente, a participação do percussionista de sua banda Tangolo Mangos – Bruno “Neca” Fechine – como único parceiro instrumentista no palco. Entre canções épicas de natureza sertaneja e histórias contadas que seguia passando em frente como música, ele mostrou que esse trabalho já tem corpo para tornar-se algo autoral em breve, possivelmente um álbum-visual de sua banda. Mas além dessas, ele ainda arriscou canções de outras cepas, como a versão que fez para o hit viral “Young Girl A”, do japonês Siinamota, uma música instrumental de Vítor Araújo que ele colocou letra e “Campo Minado”, do disco com Sophia, que também estava presente, mas dessa vez apenas na plateia. E ele já mandou a letra que quer fazer um show só tocando outros compositores. Vamos falar sobre isso aí…

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Felipe Vaqueiro: Ensaios Diamantinos

Enorme satisfação de receber nesta terça-feira, no Centro da Terra, mais uma apresentação solo do baiano Felipe Vaqueiro, que desta vez mostra seus Ensaios Diamantinos acompanhado apenas de seu violão. O espetáculo é um mergulho no universo do garimpo da Chapada Diamantina a partir do ponto de vista do ex-garimpeiro Leôncio Pereira, e é o piloto da Saga Diamantina, álbum visual que Vaqueiro irá apresentar com seu grupo Tangolo Mangos, com as conversas com Leôncio funcionando como fio da meada de canções criadas por Felipe. A apresentação também contará com imagens que serão projetadas por Gabriela Cobas. O espetáculo começa pontualmente sempre às 20h e os ingressos estão à venda no site do Centro da Terra.

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