Trabalho Sujo - Home

Entre o pós-punk e o glam rock

Foi bonito ver o grupo cearense Jonnata Doll e seus Garotos Solventes finalmente deixar a sombra do passado recente de lado para começar uma nova fase nesta terça-feira, no Centro da Terra, quando apresentaram o espetáculo A Próxima Parada composto quase integralmente por canções inéditas. Como todos os artistas, o grupo demorou para sair do período pandêmico e ainda sentiu a perda do amigo Felipe Maia, baterista da banda que partiu há um ano, o que tornou ainda mais complicado retornar às atividades. Mas com Clayton Martin – o maior cearense da Mooca, único paulistano do grupo Cidadão Instigado – assumindo as baquetas, o grupo aos poucos começou a voltar a fazer shows, mas ainda não tinha mostrado nenhum material novo ao vivo, o que finalmente aconteceu nesta apresentação, que ainda contou com a participação da cantora Yma, que participou ao lado da banda cearense do primeiro volume do projeto Colab que o selo Risco criou para reunir dois artistas distintos numa residência em estúdio – e reza a lenda, que o projeto, no forno há anos, finalmente sai esse ano. Yma entrou completamente no clima da noite, mais pós-punk do que nunca. A química entre o novo baterista e o baixista Joaquim Loro Sujo é típica das bandas inglesas da virada dos anos 70 para os 80, quando ondas de grooves retos encontravam o pulso metronômico e minimalista de uma bateria quase eletrônica, temperada pelo esperto uso dos pratos que Clayton traz de sua bagagem de rock clássico. Escondido quase como uma arma secreta, Edson Van Gogh tornou-se o guitarrista que queria ser quando era adolescente: andrógino, sério e fazendo vocais discretos e observando tudo como se estivesse à parte, ele usa seu instrumento como uma batuta elétrica, regendo o grupo entre jorros de ruído, ecos hipnóticos, marcações grooveadas e uma aura hipnótica. À frente da banda, esta força da natureza chamada Jonnata Doll derruba quilos de cores e glitter na máquina pós-punk que são os Garotos Solventes, puxando sua banda como uma mistura de Mick Jagger com Marc Bolan e Jerry Lewis, professor aloprado do glam rock que brilha tanto quando usa seu corpo como instrumento musical em performances individualíssimas quanto como um Jonathan Richamn poseur, quase uma contradição, quando toca sua guitarra. A seu lado, Yma deixou seu brilho natural e espertamente preferiu ficar de coadjuvante, deixando o holofote brilhar mais em Doll, esse Iggy Pop cearense, mesmo ao dividir vocais e o protagonismo com ele – que certamente foram alguns dos melhores momentos do show, a ponto do próprio Jonnata reforçar, no fim do show, fora do palco, que quer compor ainda mais músicas com a cantora para seu próximo disco. Bota na sua cabeça que isso aí vai render…

Assista abaixo:  

Jonnata Doll e os Garotos Solventes: A Próxima Parada

Quem sobe ao palco do Centro da Terra nesta terça-feira é a banda cearense Jonnata Doll e os Garotos Solventes, que começa a mostrar o material que fará parte de seu próximo álbum, que ainda será gravada. O grupo ainda aproveitará para mostrar o material que gravaram para o projeto Colab do selo Risco em que foram produziram canções, ainda inéditas, ao lado da cantora Yma, que também participará do show. O espetáculo A Próxima Parada mostra os rumos futuros do grup num espetáculo inédito, que começa pontualmente às 20h e ainda tem ingressos à venda pela bilheteria ou pelo site do Centro da Terra.

#jonnatadolleosgarotossolventesnocentrodaterra #jonnatadolleosgarotossolventes #centrodaterra2024

Essa dupla…

Depois corri pro Bona pra conseguir assistir à Sophia Chablau ao lado de seu novo chapa, o baiano Felipe Vaqueiro, vocalista dos Tangolo Mangos, em apresentação apenas com vozes e guitarras. Ela abriu a noite sozinha, cantando músicas próprias como “Hello” e “Baby Míssil”, além de músicas novas, como “Venha Comigo”, recém-gravada por Dora Morelenbaum, antes de chamar Vaqueiro para o palco, quando os dois dividiram algumas músicas, como “Quem Vai Apagar a Luz?” e “Grilos” de Erasmo Carlos. Depois foi a vez do guitarrista ficar sozinho no palco, quando visitou algumas músicas próprias, entre inéditas e algumas de sua sua banda, como “Hipóteses, Telhas, Pandas, Ovelhas”, e depois chamou Sophia de volta para repassarem mais músicas, entre elas a primeira composição dos dois, mostrando que a química entre os dois pode evoluir para além destas apresentações ao vivo. A noite terminou com os dois tocando músicas de seus respectivos grupos, começando por “Segredo” e terminando com a bela “Pocas”. Muito astral.

Assista abaixo:  

De tirar o fôlego

Acompanhada apenas do violão erudito do músico Luca Frazão, a cantora e compositora Loreta Colucci tirou o fôlego do público na segunda noite da temporada do grupo Gole Seco está fazendo no Centro da Terra. Revendo as músicas de seu primeiro disco, Antes Que Eu Caia, em arranjos ao mesmo tempo simples, diretos e rebuscados, ela hipnotizou o público com sua voz magnética e seu inevitável carisma, passeando não apenas por suas próprias composições, mas também de outros autores, como “Mechita” de Manuel Raygada Ballesteros (via Sílvia Pérez Cruz) e “Gostoso Veneno”, imortalizada por Alcione. No meio da apresentação, suas companheiras de Gole Seco Niwa, Giu de Castro e Nathalie Alvim, subiram ao palco para primeiro cantar primeiro sozinhas “Pega Que é Teu” do disco que o grupo lançou ano passado e depois, acompanhadas de Luca, “Derramou”, de Alessandra Leão, em primoroso arrannjo vocal. Foi bem bonito.

Assista abaixo:  

James Earl Jones (1931-2024)

Morreu uma das vozes mais importantes da história do cinema. Embora fosse reconhecido por seu carisma incomparável e por atuações firmes e emblemáticas, James Earl Jones entrou para a história ao dar voz a um dos grandes vilões do mundo do entretenimento, Darth Vader, que o tornou popular. A princípio ele nem queria o crédito pela voz do pai de Luke Skywalker por considerar um papel menor, mas a popularidade do vilão o fez assumir a dublagem a partir do filme O Retorno de Jedi. Sua inconfundível voz grave o levaria para outras paragens e ele acabou dublando outro pai de heroi, desta vez em animação, quando deu vida Mufasa, pai do protagonista do desenho Rei Leão, além de ser um dublador recorrente nos Simpsons e de ser a voz que diz “This is CNN” no canal de TV norte-americano especializado em notícias Além de atuar em filmes como Campo dos Sonhos, Dr. Fantástico, Jogos Patrióticos, Conan O Bárbaro e nas duas versões de Um Príncipe em Nova York, ele também foi uma das poucas pessoas a ganhar o quarteto de prêmios mais cobiçado do entretenimento norte-americano, faturando um Oscar, um Emmy, um Tony e um Grammy (este último não em música, mas por ter narrado um áudio-livro). A causa de sua morte não foi revelada.

E a Billie Eilish reverenciando a Peggy Lee ao lado da Debbie Harry?

Não tinha visto essa: no dia 27 de julho de 2022, a Billie Eilish foi convidada para participar de um show tributo a Frank Sinatra e Peggy Lee que aconteceu no Hollywood Bowl e, acompanhada pela Count Basie Orthestra, ela cantou uma versão fodona para a clássica “Fever” emendando uma versão para “Is That All There Is” com ninguém menos que Debbie Harry. Sente o drama:  

Prontos pro Thom Yorke sozinho no palco?

Como uma espécie de aquecimento psicológico para a primeira turnê em que subirá sozinho ao palco, Thom Yorke vem compartilhando em sua conta no Instagram a série de vídeos que publicou entre 2018 e 2019 tocando três músicas da trilha sonora que fez para o remake de Suspiria dirigido por Luca Guadagnino (“Suspirium”, “Unmade” e “Open Again”) e uma do Radiohead (“Bloom”) gravada no estúdio nova-iorquino Electric Ladyland, somente ao piano e ao violão. Lindo demais, confere abaixo:  

Herbie Flowers (1938-2024)

Você talvez não conheça Herbie Flowers, que morreu nesta segunda-feira, mas certamente ouviu seu baixo. Músico inglês que começou tocando jazz nos anos 60, foi adotado pela geração 70 do rock da ilha britânica e tocou em músicas tão emblemáticas quanto “Space Oddity” do David Bowie (com quem também tocou no clássico Diamond Dogs) quanto “Walk on the Wild Side” de Lou Reed (ele quem inventou o baixo duplo do único hit de Lou a chegar ao topo da parada de vendas, além de tocar por toda a obra-prima Transformer), além de ter sido integrante do T. Rex, ter gravado no melhor disco de Elton John (Tumbleweed Connection), tocado em discos de três Beatles em carreira solo (tocou em Give My Regards to Broad Street do Paul, Somewhere in England, Gone Troppo e Brainwashed do George e Stop and Smell the Roses do Ringo) e trabalhado com nomes como Al Kooper, Olivia Newton-John, Bryan Ferry, Cat Stevens, Roy Harper, David Essex, Camel (tocando tuba), entre outros… Além destes momentos perto do estrelato pop, ele também tinha uma carreira solo que o aproximava de sua primeira paixão musical, o jazz.

“It Ain’t Me Babe” cinco anos depois

Como de praxe, Bob Dylan vem mexendo no setlist de sua atual turnê ao seu bel prazer, mas está aproveitando para desenterrar músicas que não tocava faz tempo. Na primeira noite da última etapa da Outlaw Festival Tour, que aconteceu neste sábado, o maestro não só desenterrou a ancestral “Silvio”, gravada em 1988 e tocada ao vivo pela última vez vinte anos atrás, como ressuscitou um clássico da maioria de seus shows que não era tocado desde 2019, “It Ain’t Me Babe”. Assista às duas abaixo: