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A vinda de Phoebe Bridgers

O novo disco de Phoebe Bridgers finalmente desponta no horizonte. Toda a movimentação da heroína indie no mês passado – quando fez shows em que proibia celulares em cidades pequenas pelos Estados Unidos até culminar numa apresentação igualmente sem registro no Madison Square Garden, em Nova York, seguida de um anúncio de uma extensa turnê – indicava que ela estava vindo com disco novo aí e eis que ela torna públicos capa, título e data de lançamento de seu terceiro álbum, lançado fielmente pela mesma gravadora indie que a acompanha desde sua estreia, Dead Oceans. Lost Weekend será lançado no dia 14 de agosto e tem o mesmo título de um dos primeiros clássicos de Billy Wilder, o filme de 1945 sobre alcoolismo estrelado por Ray Milland (lançado no Brasil como Farrapo Humano) que também batizou o período devasso que John Lennon passou longe de Yoko Ono, no meio dos anos 70, quando enfiou o pé na jaca com uma turma que morava em Los Angeles formada por titãs como Harry Nilsson, Keith Moon, Ringo Starr, Bernie Taupin, Mickey Dolenz e Alice Cooper (inspiração deste último para sua banda Hollywood Vampires) por dezoito meses entre 1973 e 1975. Não sabemos se o título do disco de Bridgers ecoa essa tradição antialcóolatra e ela deixou um vídeo no YouTube sem título agulhado para estrear nesta quinta-feira – mas nem o nome do novo single sabemos de fato. Vamos ver.

Às cordas com Gismonti

Sempre um prazer receber Daniel Murray e seus violões no palco do Centro da Terra e nem o frio e chuva implacáveis desta terça-feira tiraram o público do recital que fez em homenagem a um de seus mestres, Egberto Gismonti. No espetáculo Universo Musical de Egberto Gismonti, o renomado violonista passeou pela obra do mestre mexendo com suas referências eruditas e brasileiras, em interpretações incitadas pela convivência com um dos maiores eruditos das cordas no Brasil, que lhe mostrou conexões com grandes nomes de nossa música, em especial com uma de suas maiores inspirações, o imortal Baden Powell. Entre interpretações de números como “Água e Vinho”, “Baião Malandro”, “Forrobodó”, “Maracatu”, “Choro” e “Carmen”, Daniel trocou de violões por duas vezes, a última delas assumindo um assombroso instrumento de onze cordas onde pode mostrar inclusive uma obra própria, endossada por Gismonti, chamada “Ciranda Imaginária”, que encerrou a apresentação.

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Daniel Murray: Universo Musical de Egberto Gismonti

Em mais uma apresentação no Centro da Terra, o violonista e compositor Daniel Murray desta vez apresenta sua faceta de intérprete ao mergulhar no universo musical do mestre Egberto Gismonti, seja nas diferentes afinações do tradicional violão de seis cordas ou no ímpar violão de 11 cordas, parceiros musicais com o qual o instrumentista desbrava a complexidade harmônica, melódica e polirrítmica do mestre, com quem já vem trabalhando desde 2015, inclusive nos palcos. A apresentação também é uma oportunidade de entrar na raiz deste universo musical, quando Murray conversa com os brasileiros Heitor Villa-Lobos, Antônio Carlos Jobim, Radamés Gnattali e Baden Powell e os estrangeiros Leo Brouwer, Igor Stravinsky, Carlo Gesualdo e Claude Debussy, todos influentes na obra de Egberto. O espetáculo começa pontualmente às 20h e os ingressos estão à venda no site do Centro da Terra.

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Death Cab For Cutie ♥ Hüsker Dü

Depois de lançar seu décimo primeiro álbum no início do mês (I Built You A Tower, o primeiro pela gravadora Anti-), o grupo norte-americano Death Cab For Cutie segue divulgando o disco e, ao passar pela rádio SiriusXM resolveu fazer um tributo a uma de suas principais influências, quando o líder da banda, Ben Gibbard, acompanhado do guitarrista Dave Depper e do tecladista Zac Rae, resolveu dar um salve ao célebre Hüsker Dü revisitando “Green Eyes” do disco Flip Your Wig enfatizando a melodia em detrimento do peso da versão original. Ficou bonito.

Ouça abaixo:  

Mais uma da Olivia Rodrigo: Um festival só com artistas mulheres

Olivia Rodrigo não para e ao mesmo tempo que, com seu recém-lançado You Seem Pretty Sad for a Girl So in Love, se tornou a primeira artista a estrear no topo da parada de vendas da Billboard com seus três primeiros álbuns, acaba de anunciar um festival formado inteiramente por artistas mulheres – e não é pouca coisa! O festival Daisy Chain Fields acontece em apenas um dia (dia 29 de agosto) no Great Park da cidade de Irvine, na Califórnia, e reúne artistas de peso como Bikini Kill, Mitski, Breeders, Garbage, Katseye, Santigold, Doechii, Not For Radio, Chappell Roan e artistas menores como Die Spitz, Rachel Chinouriri, Quiet Light e Eli, além de trazer três ícones como “convidadas especiais”: ninguém menos que Stevie Nicks, Sarah McLachlan e Karen O dos Yeah Yeah Yeahs. Como se não bastasse tudo isso, ela ainda se compromete a repassar toda a renda do festival para entidades que ajudam mulheres e meninas. As vendas começam nesta quarta-feira no site oficial do evento e já deu pra ver que Olivia não está pra brincadeira…

Tame Impala ♥ Smashing Pumpkins

Kevin Parker torna público seu amor pelos Smashing Pumpkins ao liderar com sua banda Tame Impala o elenco de artistas que fazem tributo à banda de Billy Corgan no disco Sending Hearts To All My Dearies – A Tribute To The Smashing Pumpkins, que será lançado pela gravadora norte-americana Sumerian Records no dia 14 de agosto (e já está em pré-venda). O grupo australiano relê “Hummer”, do clássico Siamese Dream, e infelizmente é mais uma prova de que a fase atual do grupo de Parker não é das mais inspiradas – tanto que a segunda parte do single soa melhor do que a primeira, que perde a força da música original. Não ajuda muito o fato do Tame Impala ser a única banda de peso da compilação, que ainda conta com versões feitas por grupos menores como Alice Glass, Nita Strauss, Yonaka, Des Rocs, Meg Myers, Between The Buried and Me, The Midnight, Palaye Royale e Starbenders (além da capa do tributo ser medonha). Mas se a coletânea seguir o caminho da versão do Tame Impala, tá no lucro – pois não muda a vida ninguém, mas vale a audição. Confira abaixo esta versão e que artista toca o que neste disco:  

A criação na tradução

Gustavo Galo puxou outra noite tocante em sua temporada Um Bis no Abismo ao convocar velhos compadres para fazer suas próprias versões de canções alheias numa apresentação dedicada a músicas estrangeiras vertidas para o português e já pegou na veia ao puxar “Traduzir”, de seu mestre camarada Luiz Chagas (ele mesmo um tradutor) para dar a tônica no palco. Ao seu lado, Peri Pane (entre o cello e o violão) e Lucas Gonçalves (com sua guitarra meio Velvet meio Beatles), o ladearam abrindo vozes, criando climas e recebendo os convidados que trouxeram para o palco, seja em forma de canção ou em pessoa. Entre os convidados traduzidos, os três puxaram versões em português para “Perfect Day” de Lou Reed, “Bless the Telephone” de Labi Siffre e “Because the Night” de Patti Smith, antes de convidar o primeiro convidado da noite e André Mourão já entrou subindo o sarrafo, primeiro ao reescrever a temática de “My Love” de Paul McCartney sem mudar seu sentido e depois numa ousada versão para “A Hard Rain’s A‐Gonna Fall” de Bob Dylan. Depois foi a vez de receber Péricles Cavalcanti, que Galo não mediu elogios ao defini-lo como um farol para suas subversões líricas – e Péricles não deixou barato, primeiro ao trazer um clássico nesta área (a dylanesca “It’s All Over Now, Baby Blue”, que tornou-se a imortal versão “Negro Amor”) e sua versão para “Back to Black” de Amy Winehouse (que tornou-se “Eu no Breu”). Galo chamou a última convidada, Camila Mota, que cantou uma belíssima versão para “O Amor” do poeta russo Maiakóvski, traduzido por Haroldo de Campos e musicada por Caetano Veloso e Ney Costa Santos, antes de encerrar a noite com Leonard Cohen (traduzindo “Dance Me to the End of Love”), com o chines Li Bai (701-762) e com uma versão brasileira para o hino antifascista “Bella Ciao”. Tudo isso ornado pela bela luz de Gabriela Luíza, que deu uma outra dimensão à noite.

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Linn da Quebrada ♥ Gal Costa

Linn da Quebrada aos poucos começa a mostrar seu esperado próximo álbum Fogo Fátuo revisitando “Nuvem Negra”, clássico de Djavan eternizado por Gal Costa, como se usasse a canção para limpar os caminhos para seus próximos passos. “Essa música me acompanha há muito tempo e agora, chegou o momento de compartilhá-la com vocês”, escreveu ao revelar o clipe da nova canção, produzida por Fernando Catatau com coprodução de Giovani Cidreira. “Ela foi e continua sendo um amuleto para mim, reconectando-me com o que há de mais íntimo e sagrado na arte”.

Ouça abaixo:  

Alto nível

O tratamento que a dupla Juçara Marçal e Thais Nicodemo dá ao repertório escolhido para sua apresentação conjunta já colocava as canções – compostas basicamente por novos nomes da moderna música brasileira – em um outro patamar. O piano preparado de Thais e os efeitos sonoros que Juçara dispara enquanto solta sua voz implacável abriam uma nova camada de ousadia e risco natural das músicas de Maria Beraldo, Kiko Dinucci, Rômulo Fróes, Rodrigo Campos, Negro Léo, Kauê Batista, Eduardo Climachauska, Guilherme Held e Thiago França quando elas ainda faziam seus primeiros encontros no palco e depois quando o levaram para o disco, com o primoroso Dessemelhantes, lançado no mês passado. Mas ao levar o disco para um palco tão emblemático quanto o do teatro do Sesc Pompeia, elas ampliaram ainda mais o nível do encontro, deixando tudo suntuoso e clássico ao mesmo tempo em que arrojado e arriscado, sem perder o minimalismo inato do abraço dado entre voz e piano. E assim as duas puderam se jogar mais intensamente no público – Thais usando o “microfone da Madonna” para cantar enquanto toca em algumas canções pontuais, Juçara fisicamente, ao deixar microfone e palco em segundo plano e caminhar para a plateia por dois momentos da noite. Mas o centro da apresentação estava no detalhismo sutil que as duas propunham a si mesmas ao fazer o público entrar num refúgio emocional delicado que fazia-nos esquecer todo o mundo lá fora, como por exemplo quando nos puxaram para tão dentro de “Maria” de Maria Beraldo a ponto de suspender o fôlego coletivo – e tão bom ouvir depois Juçara explicar que, ao gravar os vocalises fantasmagóricos que disparava enquanto cantava a canção original, cantarolou músicas com outras Marias conhecidas, citando Ary Barroso, Tom Jobim, Chico Buarque, Biu Róque e a recente “Maria Esmeralda”. Alto nível.

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