
Além de participar segunda-feira do Roda Viva desta semana, o cantor-sensação João Gomes também foi um dos convidados do programa de fim de ano de Roberto Carlos, exibido nesta quarta-feira, quando dividiu sua “Eu Tenho a Senha” com seu autor pernambucano, e dividiu os vocais de sua “Fé”. Coisa fina…

O Queen aproveitou o natal deste ano para desenterrar uma canção natalina gravada para seu segundo disco que até hoje não tinha sido lançada. “Not For Sale (Polar Bear)” foi composta pelo guitarrista Brian May para o grupo que tinha anteriormente, o Smile, e foi gravada em 1974, mas não entrou na seleção final de Queen II. E à medida em que preparam o relançamento deste álbum para o ano que vem, acharam uma boa oportunidade ressuscitar a faixa, lançando-a na véspera do natal de 2025. Apesar de não soar como se espera de uma canção festiva desta época, a música é boa e prepara o terreno para a nova edição do citado disco.

O grupo Yo La Tengo encerrou sua celebração contínua neste domingo, quando, depois de um set tocando várias músicas próprias com um naipe de metais, teve como convidada surpresa a cantora Susanna Hoffs, do grupo Bangles, que, acompanhada do trio nova-iorquino, cantou clássicos de sua banda (como “In Your Room” e “Manic Monday”), outro do Dylan (“I’ll Keep it With Mine”) e a eterna “Mrs. Robinson”, de Paul Simon e Art Garfunkel. Depois de despedir-se da cantora, o grupo chamou para o palco do Bowery Ballroom, em Nova York, o rabequeiro Peter Stampfel do Holy Modal Rounders para revisitar “Griselda” do grupo do amigo em homenagem a outro integrante daquela banda, Michael Hurley, que morreu em abril, contando com a presença da mãe do guitarrista Ira Kaplan, Marilyn Kaplan, que cantou esta canção com o grupo e, como é tradição, encerrou a oitava noite e o todo o Hannukah do grupo, cantando “My Little Corner of the World”. Abaixo seguem vídeos que encontrei online desta derradeira apresentação:

A última vez que havia visto Ney Matogrosso ao vivo foi em novembro de 2023 quando, ao lado do pianista Leandro Braga, ele realizou uma apresentação deslumbrante no palco do Sesc Pinheiros. E por mais comedido que o formato voz e piano poderia parecer, ele ultrapassou o recato da formação e facilmente dominou o público, conquistando, mestre que é, a plateia apenas com sua presença formidável e sua impactante e encantadora voz. Dois anos depois e novamente o reencontro num ambiente completamente diferente, quando encerrou o ano memorável – puxado pelo filme Homem com H, de Esmir Filho – hipnotizando uma multidão gigantesca com seu corpo e voz no estádio do Palmeiras. O repertório é o mesmo que ele vem tocando nos shows mais recentes, passeando por clássicos da música brasileira fora do cânone tradicional e só o trio de canções na abertura (a arrebatadora “Eu Quero é Botar Meu Bloco na Rua” de Sérgio Sampaio, que batiza o novo show; a empolgante “Jardins da Babilônia” de Rita Lee e o groove latino dos Palaramas em “O Beco”) já deixou o público aceso. A partir daí pode visitar canções menos manjadas (como duas de Itamar Assumpção – “Já Sei” e “Já Que Tem Que” -, “Tua Cantiga” de Chico Buarque, a parceria de Chico com Fagner em “Postal de Amor”, “Estranha Toada” de Martins e “A Maçã” de Raul Seixas) temperada com outras bem conhecidas da plateia (como “Yolanda” de Pablo Milanés, “Pavão Mysteriozo” de Ednardo, “Mesmo Que Seja Eu” de Erasmo Carlos, “O Último Dia” de Paulinho Moska e “Na Rua, Na Chuva, Na Fazenda” de Hyldon), sempre seduzindo a massa com os movimentos de seu corpo, seu olhar penetrante e sorriso sincero. Sem contar a voz: como canta esse Ney! E seu timbre parece não ter envelhecido um milímetro desde que entrou na história da cultura brasileira há mais de meio século. A partir daí, este senhor de 84 anos voltou-se para as canções que lhe deram fama, emendando três dos Secos e Molhados (“Fala”, “O Vira” e uma versão roqueira demais pra “Sangue Latino”), “Pro Dia Nascer Feliz”, que ele tornou famosa para o Barão Vermelho e “Homem Com H”, que encerrou a noite, que ele ainda embrenhou “Como Dois e Dois” de Caetano Veloso, “Poema” também do Barão, “A Balada do Louco” dos Mutantes e uma irresistível versão para “Roendo as Unhas”, do Paulinho da Viola. Falando pouquíssimo com a audiência, ele soltou o verbo mais pro final do show, quando, emocionado, disse que não iria fazer o mis-en-scene do bis e ficou direto no palco, eletrizando a todos em quase duas horas de show. Um momento mágico para encerrar um ano intenso. Obrigado, Ney!
#neymatogrosso #allianzparque #trabalhosujo2025shows 288

Chegando ao fim da programação de shows de 2025, encerrei minha leva de apresentações ao vivo no ano com um programa duplo neste domingo. Começando com a festa de fim de ano da Casa de Francisca, que entra em 2026 prestes a comemorar duas décadas de cultura, música, beleza e resistência cultural. E a celebração aconteceu, claro, na rua, quando uma pequena multidão tomou conta da calçada fechada em frente ao Palacete Tereza para uma dose pesada de boas energias, tanto pra descarregar o peso deste fim de 2025 quanto para recarregar forças para o ano que vem. A primeira leva aconteceu com o show do mestre Sapopemba, que fez todo mundo chacoalhar em frente à Francisca e ainda convidou sua comadre Alessandra Leão para fechar a noite com uma sequência de clássicos nordestinos: “Cintura Fina”, “Numa Sala de Reboco” e “Espumas ao Vento”. É luxo só!
Depois foi a vez do Metá Metá tomar as rédeas do palco, enquanto caía a noite. Kiko, Thiago e Juçara fizeram a chuva que ameaçava desabar sobre o centro da cidade desviar e soltaram sua sequência de relâmpagos em forma de canções eletrizando apenas com voz, violão e sax o público que se aglomerava em frente ao Palacete Tereza. Com força e presença característicos, o trio soltou a dose de energia positiva que estava precisando para fechar os trabalhos de 2025. Pena que não pude ficar até o fim pois tinha que chegar à parte final do domingo para assistir a um mago mestre enfeitiçar uma multidão gigantesca apenas com voz e corpo num estádio da zona oeste da cidade.
#sapopemba #alessandraleao #metameta #casadefrancisca #trabalhosujo2025shows 286 e 287

E na reta final de sua celebração contínua do Hannukah no Bowery Ballroom em Nova York, o Yo La Tengo chamou a mestra da country music Lucinda Williams como atração surpresa desta sétima data, a penúltima da série de shows de fim de ano do grupo. Além de tocar na abertura da noite, ela voltou no bis do show do trio, quando, depois de tocar “Love Comes in Spurs” (mais uma homenagem ao Richard Hell), o grupo tocou “Yummy Yummy Yummy” (é, aquela mesma do Ohio Express), “Tears Are In Your Eyes” (do próprio Yola) e “Pale Blue Eyes” (do Velvet Underground), sempre acompanhados do violinista David Mansfield. Eis alguns vídeos que achei online abaixo:

Quem diria que veria o primeiro show do Noel Pagan mais de três décadas após começar a discotecar seus hits “Silent Morning” e “Like a Child” nas festinhas de escola ainda no segundo grau. Foi uma oportunidade também de conhecer o novíssimo Suhai Music Hall, na zona sul, gigantesca casa de shows do lado do shopping SP Market, que estava lotada para assistir à noite flashback com Noel, Thea Austin (a vocalista do Snap!) e Information Society. Falando em inglês e espanhol, o latino nova-iorquino Noel fez um show curto mas emocionado, principalmente ao ver a multidão cantando o refrão de “Silent Morning”. Infelizmente não consegui ficar para assistir aos shows seguintes, mas valeu pelo reencontro com esse fugaz ídolo dance de nossas juventudes.
#noel #noelpagan #suhaimusichall #trabalhosujo2025shows 285

A celebração de fim de ano do Yo La Tengo não para nem suas surpresas. Quem subiu ao palco do Bowery Ballroom com o trio de Nova York nessa sexta-feira foi o líder do Wilco Jeff Tweedy, que fez um show de abertura anunciado na hora ao lado de seus filhos Spencer (na bateria) e Sammy (nos teclados). Pai e filhos seguiram no palco no show do Yo La Tengo, quando tocaram versões para Bob Dylan (“Love Minus Zero/No Limit”) e outra música que Jeff fez com a cantora Mavis Staples (“You Are Not Alone”), além de passar várias músicas menos conhecidas do Yola e clássicos inevitáveis como sua irresistível versão para “You Can Have it All”, “Tom Courtney” e sua tour de force “I Heard You Looking”, com quinze minutos de noise. O bis dessa vez foi só com a banda, dedicado aos Herman’s Hermits, com versões do grupo para “I’m Into Something Good”, “Hold On!”, “Just a Liittle Bit Better”, “No Milk Today” e “My Reservation’s Been Confirmed”. Fino demais, veja alguns vídeos abaixo:

E essa versão de “Place to Be” do Nick Drake cantada pelo Cameron Winter do Geese? O vídeo é de 2022, quando a banda ainda contava com o guitarrista Foster Hudson (que acompanha o vocalista nesta gravação) em sua formação, e foi gravado pra ONG de prevenção ao suicídio Sounds of Saving.