Trabalho Sujo - Home

Vince Collins – Quando psicodelia e desenho animado viram a mesma coisa

Vince Collins, meus amigos. Creize é pouco.

Esse Life is Flashing Before Your Eyes eu até já tinha linkado aqui, por culpa do Memory Tapes.

E esse é o cara na Vila Sésamo:

Abaixo, trechos de uma entrevista que ele deu à Vice em 2009:

The films reflect the spirit of the times; I made 60s-style films in the 70s. The last three blocks of Haight Street, before the park, were lined with drug dealers. As you walked by they would whisper, “Grasssss, LSDeeeeee, cooocaine,” and occasionally, “Oooopium.” That’s what I heard all the time. The drug scare of the time was media sensationalism. The people in media were all old, they grew up before electricity and automobiles. Young people were certainly not taken seriously. Film directors were all in their 70s, assistant cameramen were in their 60s, there was nobody younger than that on the set. George Lucas grew a beard to appear older. That time was the first youth culture.

After I had made six or seven movies, the independent film scene disappeared, in the late 70s, but I kept making films anyway. That’s what I liked to do, but I wanted to make something sensational to mark the end of that era – a porno. Malice in Wonderland was the porno. Maybe it’s not considered one now, but it was a porno then.

Malice in Wonderland was actually the least known film I had made, as it turns out, because most of the theatres that showed independent films had disappeared by that point. There were no VHS or DVDs, you had to be there to see It. And it got booed anyway. Then 25 years later it started appearing on YouTube and got more views per day than it did in its entire theatrical career.

These days, it’s, “Dude, what the fuck is that shit?” Whereas back then, it was, “You are exploiting women, you filthy sexist pig!” Thus booing and hissing.

Sex has some really good shapes and actions for animation. Most of my stuff is a non-stop flow of images, start to finish – non-stop climaxes, involving the entire screen without a background/foreground concept. The Alice in Wonderland story has some great opportunities for this type of animation. Once, Malice in Wonderland was rented by a woman’s club by mistake to show at their meeting. There was an actual occurrence of “the aghast audience running from the room”. On the upside, when Malice was in post-production, the guy there told me that it was the only time his crew of tape machine operators had ever actually watched one of the projects they were working on.

Pois então, eis Malice in Wonderland, que é melhor que você assista em algum lugar que não corra o risco de ser surpreendido vendo “pornografia psicodélica de desenho animado”. Em alguns lugares, isso deve dar justa causa. Ou até cadeia.

E como eu vi no about me do vídeo acima: não assista a esses filmes chapado de ácido. Faça-se esse favor.

O Anthology dos Rolling Stones

O blog da Cosac & Naif me convidou para falar sobre esse livro que eles estão lançando por aqui, o According to the Rolling Stones, e o texto segue abaixo:

A história da maior banda de rock de todos os tempos

Quando a revista Bizz tentou sua última incursão às bancas como uma revista mensal de notícias sobre o mercado da música, fui chamado para assinar a matéria de capa da edição de reestreia, em setembro de 2005, que coincidia com o lançamento da nova turnê dos Rolling Stones. Mick Jagger havia sido o primeiro personagem da primeira edição da revista, o número zero, que só veio encartado em outras publicações da editora Abril para anunciar a nova revista, que trouxe Bruce Springsteen na capa de sua primeira edição. Vinte anos depois do lançamento da revista, Springsteen seguia sua carreira como o herói da classe trabalhadora favorito dos executivos norte-americanos que possuem uma Harley Davidson na garagem e sua importância histórica foi reduzida a um personagem menor de um cenário com cada vez mais protagonistas. Vinte anos após a primeira edição da Bizz, a trupe de ciganos mais conhecida do mundo, liderada pela dupla Mick Jagger e Keith Richards, ainda é tão importante quanto antes. E isso que, em 1985, eles já caminhavam rumo à terceira década de atividade!

Incumbido de tal tarefa, restou-me mergulhar na história do maior nome da história do rock. O superlativo inclui todos seus contemporâneos, um panteão que nenhuma outra geração conseguiu equiparar – Beatles, Dylan, Hendrix, Velvet Underground, Doors, Zappa, Clapton, Pink Floyd, Led Zeppelin. Todos sucumbiram ao tamanho, a disputas judiciais, à obesidade mórbida dos egos dos envolvidos ou à morte, menos os Stones – e, claro, Bob Dylan. Mas enquanto o septuagenário Bob carrega a fama e o fardo de não agradar a seu público (o que gerou uma audiência inteira de fãs infiéis), os Rolling Stones seguem extrapolando números, cifras e dimensões, transformando o espetáculo rock’n’roll em um parque temático em movimento. Daí tal denominação – até existem bandas melhores que os Stones (o que dizer da discografia irretocável do Velvet, por exemplo? Isso sem citar os Beatles), mas nenhuma delas aspirou tanto o gigantismo sem perder-se no próprio tamanho – que aconteceu com o Pink Floyd e o Led Zeppelin, por exemplo.

E lá fui eu atravessar horas de filmes e quilos de livros, além de reouvir, cronologicamente e depois cada disco com atenção, além de coletâneas, discos solo e singles. É um método kamikaze, mas costuma funcionar: deixo para me especializar em determinados assuntos quando eles me vêm em forma de trabalho, onde consigo transformar uma mania em processo, domar uma obsessão. E é muito fácil afundar nas histórias dos Rolling Stones – afinal de contas, material bruto para isso é o que não falta.

E entre todas as biografias, filmes piratas e entrevistas, o livro mais completo sobre a história da banda é o luxuoso volume According to the Rolling Stones, lançado originalmente em 2003 e que finalmente chega às prateleiras das lojas brasileiras em versão nacional, lançada pela Cosac Naify. O subtítulo do conjunto de entrevistas organizado por Dora Loewenstein e Philip Dodd é autoexplicativo – A banda conta sua história -, mas antes que alguém venha apontar o dedo para mostrar que até isso eles copiaram dos Beatles, uma coisa é fácil de perceber: chamar According to the Rolling Stones de outra Anthology é comparação simplista (a Cosac Naify também lançou no Brasil, em 2001, esta antologia dos Beatles, que hoje está esgotada).

Afinal, o que une as duas obras é apenas o fato de serem livros de entrevistas com as duas maiores bandas de seu tempo. O projeto dos Beatles é mais abrangente, pois, além do livro, ele também vem acompanhado de uma caixa de DVDs e de uma série de três álbuns duplos contendo material que ainda não havia sido lançado oficialmente. No entanto, ao contrário do livro dos Beatles, o dos Stones ganha por uma série de motivos. Primeiro, ele trata da vida integral de seus personagens, não apenas de um período de dez anos vividos por eles enquanto banda. Os Stones são considerados um grupo de rock desde o início dos anos 60 até hoje em dia, enquanto os Beatles abandonaram esse rótulo no fim daquela década, partindo para suas carreiras solo. Então o tom das entrevistas e do livro está longe da distância sentimental e do tratamento cirúrgico dado às emoções de fatos que já são parte da história do rock. Sem contar que apenas três dos quatro Beatles estavam vivos para contar sua história – e as partes de Lennon, assassinado em 1980, foram recuperadas através de entrevistas que deu nos anos 70, sem o distanciamento crítico e o tom nostálgico das entrevistas, feitas nos anos 90, de seus ex-companheiros de banda.

No caso dos Stones, não há essa frieza nem esse sentimentalismo burocrático – e a história gira em torno dos quatro Stones remanescentes, Keith Richards, Mick Jagger, Ronnie Wood e Charlie Watts. As entrevistas não têm uma perspectiva histórica alheia à carreira atual de cada um deles, pois em momento algum de suas vidas eles abandonaram o fato de que eram os Rolling Stones.

Some a isso capítulos intermediários com depoimentos de personalidades que foram cruciais na história da banda: o dono da gravadora Atlantic Ahmet Ertegun; Giorgio Gomelsky, dono da casa noturna em que começaram a virar lenda, o Crawdaddy Club; o fotógrafo David Bailey (que fez várias capas da banda); o amigo da banda Christopher Gibbs; Marshall Chess, que presidiu a Rolling Stones Records; o vocalista Peter Wolf e o produtor Don Was, entre outros. E, além dos depoimentos e das entrevistas, fotos inacreditáveis – algumas selvagens, outras lindíssimas, mais umas cândidas e algumas reveladoras -, ajudam a transformar o volume em uma obra que, ao mesmo tempo em que se dispõe a ser definitiva, revela-se intensa e emocionante, como a própria história do grupo.

Quem é o cara do Information is Beautiful

Falando nisso, todo mundo deveria conhecer o melhor site de infografia da internet – que seu próprio criador, o jornalista inglês David McCandless, nem chama de infográfico e sim de dataviz (visualização de dados). A Diana o entrevistou para uma edição do Link de semanas atrás:

É por essa razão que ele faz questão de mencionar todas as suas fontes em seu blog, o InformationIsBeautiful.net, e abrir espaço para comentários e discussões. Para David, a audiência é parte importante do processo e o ajuda a refinar os seus gráficos. Segundo ele, quando a pesquisa tem bases sólidas, proposta e significado, a imagem tem apelo para todo tipo de pessoa. “Acho que um dos melhores efeitos colaterais da visualização é apresentar novas realidades para pessoas que originalmente não se interessariam por determinados assuntos. Pessoas que não teriam saco de acompanhar meses de notícias para entender aquilo que está sendo lindamente contado através de uma imagem”, argumenta. Até hoje, ele não teve de fazer inimigos para ter acesso às informações que precisou, mas admite que a abertura e a transparência política estão longe de ser uma realidade quando se trata de números. “É uma linda bandeira para governos democráticos. ‘Nossos dados estão todos disponíveis, façam suas pesquisas online’, mas será que a história é essa mesmo? Quais são os dados que o governo nos permitem ver? Quem decide o que pode ser visto?”, pergunta.

A entrevista completa está aqui.

Três hora e meia de Cure: Robert Smith toca seus três primeiros discos na íntegra, na Austrália

Vi no Bragatto. Olha o setlist, de chorar:

Three Imaginary Boys (1979)

“10:15 Saturday Night”
“Accuracy”
“Grinding Halt”
“Another Day”
“Object”
“Subway Song”

“Foxy Lady”
“Meat Hook”
“So What”
“Fire In Cairo”
“It’s Not You”

“Three Imaginary Boys”

Seventeen Seconds (1980)

“A Reflection”
“Play For Today”
“Secrets”
“In Your House”
“Forever”
“The Final Sound”

“A Forest”
“M”
“At Night”
“Seventeen Seconds”

Faith (1981)
“The Holy Hour”

“Primary”
“Other Voices”
“All Cats Are Grey”
“The Funeral Party”

“Doubt”
“The Drowning Man”
“Faith”

Bis

“World War”
“I’m Cold”
“Plastic Passion”

“Boys Don’t Cry”

“Killing An Arab”

“Jumping Someone Else’s Train”

“Another Journey By Train”
“Descent”
“Splintered In Her Head”
“Charlotte Sometimes”
“The Hanging Garden”
“Let’s Go To Bed”
“The Walk”
“Lovecats”

Dá até tilt se você pensar demais nisso, show da vida pra pelo menos umas três gerações de fãs. Quem é que ia trazer os caras pro Brasil? Bem que podia ser o Sesc.