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Leonardo Irian (1993-2024)

Baita perda para o rap nacional: Leonardo Irian, o MC Leo do grupo Síntese, faleceu nesta sexta-feira. Fundador do grupo de São José dos Campos ao lado do MC Neto, Leo entrou para a história do rap brasileiro com o disco Sem Cortesia, lançado em 2012, com faixas curtas, de produção crua e sem refrão, que lançou a banda para o resto do país no mesmo ano em que ele descobriu que era esquizofrênico. Esta condição colocou sua carreira em pausa, fazendo o grupo seguir principalmente na voz de Neto, que ainda mantinha o parceiro por perto, levando sua palavra e tentando, quando pode, trazê-lo de volta aos discos e aos palcos, que sofria com internações e até um período que ficou desaparecido em 2020. A causa de sua morte não foi informada.

E o Picles no Rio de Janeiro?

Nós vamos invadir sua praia! O Picles acaba de anunciar sua primeira incursão para fora de São Paulo e o foco inicial é o Rio de Janeiro, quando promovem, entre os dias 5 e 9 de dezembro um festival itinerante passando pro quatro diferentes casas de show do balneário fluminense. Dia 5 eles levam O Grilo e Chorões da Pisadinha para o Agyto, no dia seguinte Anelis Assumpção, BNegão e Tulipa Ruiz tocam no Sacadura 154, no sábado tem Esteban Tavares, Jonas Sá e Julia Mestre no Galpão Ladeira das Artes e encerram a invasão dia 8 com shows de Rafael Castro e Silvia Machete, além de DJ set de Alice Caymmi no MotoCerva. Os ingressos já estão à venda e tem mais informações no Instagram que eles criaram pra divulgar a nova fase. Mas será que eles teriam coragem de abrir um Picles no Rio?

Inferninho Trabalho Sujo apresenta Maria Esmeralda

E o Inferninho Trabalho Sujo tem o prazer de apresentar o disco Maria Esmeralda ao vivo como parte das comemorações dos 29 anos do Trabalho Sujo no próximo mês. A oportunidade única de ver ao vivo em 2024, em São Paulo, a obra-prima feita por Thalin, Cravinhos, Pirlo, VCR Slim e Iloveyoulangelo acontece na edição do dia 14 de novembro no Cineclube Cortina. Corre que os ingressos são limitados e se você ficar de fora dessa, vai saber quando é o próximo…A festa é a primeira atração das comemorações dos 29 anos do Trabalho Sujo, que acontece no mês que vem. Os ingressos são limitados e já estão à venda aqui.

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Um passado à mostra

Forte, bonito e triste: assim é Ainda Estou Aqui, o novo filme de Walter Salles sobre a história de Eunice Paiva, mãe de Marcelo Rubens Paiva (autor do livro original), e mulher do ex-deputado Rubens Paiva (Selton Mello genial, humanizando um nome que ficou associado apenas à política), sequestrado pela ditadura militar brasileira dos anos 70. Com uma atuação soberba de Fernanda Torres como a protagonista do filme e uma direção de arte impecável, Salles recria o clima tenso do início dos anos 70 no Brasil, nos atira nos porões da ditadura num segundo ato devastador e depois nos embala entre a beleza da resistência insistida por Eunice e a tristeza da inevitabilidade de sua situação, nos fazendo pensar sobre esse momento de trevas que ainda atravessamos no país, mais de meio século passado – e começa a ser visto pelo exterior a partir do dia 17 de janeiro, quando estreia nos cinemas dos Estados Unidos. De ver com olhos marejados.

Que tal assistir à Olivia Rodrigo fora do Lollapalooza?

Eu queria tanto ver o show da Olivia Rodrigo sem precisar ir ao Lollapalooza e parece que essa vontade vai ser realizada em Curitiba, quando ela faz seu show solo no estádio Couto Pereira no dia 26 de março junto com a St. Vincent! Os ingressos começam a ser vendidos nessa sexta-feira, neste link.

Um Dia Um Show Salvou Minha Vida, com Marcelo Costa

E o convidado desta semana do podcast que faço com o Levino sobre a importância dos shows em nossas vidas é o grande Marcelo Costa, do eterno Scream & Yell, que viaja no tempo para lembrar de apresentações ao vivo que o emocionaram, destacando seu encontro com o grande Leonard Cohen.

Ouça abaixo:  

Sem embaraço

Desembaraçou! Sempre é bom ver um artista desabrochar e nesta terça-feira tivemos mais uma oportunidade no Centro da Terra de ver outra carreira musical tomando corpo naquele palco pela primeira vez. Quando Leon Gurfein me falou que queria soltar seu canto profissionalmente no palco, minha intuição disse que seu senso estético espalharia-se facilmente para a música. Há uma década convivendo com artistas de diferentes portes pelos bastidores (Leon faz cabelo, maquiagem e produção visual para nomes como Ava Rocha, Liniker, Tulipa Ruiz e Johnny Hooker, entre outros), ele mostrou sua familiaridade com o palco a partir de sua paixão pela música, que começou pela coleção de discos do pai nas proximidades daquele mesmo teatro, como fez questão de contar nos vários momentos em que conversou com o público e transformava o palco em seu salão e num divã ao mesmo tempo. A apresentação começou com uma cama ambient proposta por sua banda, que Leon batizou de Las Gatas Embarazadas, e Helena Cruz (guitarra, baixo e synthbass), Lauiz (teclas e MPC) e M7i9 (sintetizador, flauta, guitarra e saxofone) emudeceram a plateia por longos minutos, deixando a expectativa palpável para que a estrela da noite entrasse e cantasse suas próprias músicas – parte delas em espanhol – e versões, duas delas divididas com Manu Julian, que subiu ao palco para cantar duetos com Leon em versões em castelhano para “Little Trouble Girl” do Sonic Youth e em português para a clássica “Sea of Love”. Leon encerrou a noite misturando músicas de Ava Rocha, d’O Terno, Portishead e Luiza Lian a “Lágrimas Negras” e “Jorge da Capadócia”, como se invocasse proteção de seus orixãs pessoais da música para aquele momento, antes de cantar mais uma canção própria para fechar a noite. Ele nem esperou sair do palco para anunciar o bis, quando voltou à primeira música da noite acompanhado de um coral estelar formado por Manu, Lorena Pipa, Thiago Pethit, Laura Lavieri, Luiza Lian e Ana Frango Elétrico, espalhando a catarse que claramente sentia para o resto do teatro. Agora já está no mundo!

Assista abaixo:  

Leon Gurfein: Leon y Las Gatas Embarazadas

Que satisfação poder não apenas anunciar que o primeiro show da carreira musical de Leon Gurfein acontece no Centro da Terra, como também comemorar que a sessão de estreia já está esgotada. Depois de anos fazendo cabelo, maquiagem e produção visual de artistas como Luiza Lian, Liniker, Tulipa Ruiz e Johnny Hooker, ele agora solta sua voz e sua produção audiovisual no espetáculo Leon y Las Gatas Embarazadas, quando, ao lado de uma banda composta por Helena Cruz (baixo), Lauiz (teclas e MPC) e M7i9 (sintetizadores e saxofone), passeia por um prólogo visual seguido de momentos autorais e versões inusitadas para músicas alheias. O espetáculo começa pontualmente às 20h e os ingressos estão esgotados.

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Acariciando traumas

“Músicas são como tatuagens”, Jair Naves comentou no meio do seu segundo show da temporada que está fazendo às segundas-feiras no Centro da Terra, ao subir no palco do teatro ao lado de seu velho comparsa Renato Ribeiro para burilar velhas canções como quem acaricia uma cicatriz para lembrar da dor original ou mergulha no próprio inconsciente para encarar um trauma adormecido. “Quando a gente foi passando por esse repertório eu me lembro exatamente quem eu era quando fiz essas músicas, o que eu tava vivendo, o que tava me afligindo, por quem eu estava apaixonado e obviamente se você tem muitas tatuagens, você gosta mais de umas do que de outras, mas hoje escolhi minhas melhores”, comentou enquanto tocava mais violão que na primeira noite, quando preferiu cantar sem tocar nenhum instrumento, e acompanhado apenas pela guitarra delicada de Renato, passeando por canções de seu repertório ou que nunca tinha tocado ao vivo ou que há muito não encarava nos palcos. Nisso, pinçou pérolas como “Silenciosa” (de seu disco de estreia, Araguari, de 2010), a faixa-título de seu disco de 2011, Um Passo por Vez, várias de seu E Você Se Sente numa Cela Escura, Planejando a Sua Fuga, Cavando o Chão Com as Próprias Unhas de 2012 (“Poucas Palavras Bastam”, “Vida Com V Maiúsculo, Vida Com V Minúsculo”, “Guilhotinesco”, “No Fim da Ladeira, Entre Vielas Tortuosas” e “Eu Sonho Acordado”, que conectou com o filme Ainda Estou Aqui para falar sobre a ditadura militar brasileira), uma de Trovões a Me Atingir de 2015 (“Um Trem Descarrilhado”), duas do Rente de 2019 (“Veementemente” e “Gira” esta tocada com Renato ao metalofone) e uma de Ofuscante A Beleza Que Eu Vejo de 2022 (“A Luz Que Só Você Irradia”), além de cantar só no gogó a novíssima “Névoas”, de onde tirou o verso que batiza a temporada (“O Significado se Desfaz no Som”) e em que fez um comentário sobre um comentário que leu na internet sobre a música. Apesar da delicadeza da apresentação ter sido ainda mais intensa que a da primeira, ele conseguiu convencer o público a cantar junto e deixou emoções desaguar enquanto cutucava as próprias feridas. Uma noite especial.

Assista abaixo: