Thundercats brasileiro: plágio!
Fabio avisa no comentário do post dos Thundercats do SBT que o original era de Riberão, sente só:
Fabio avisa no comentário do post dos Thundercats do SBT que o original era de Riberão, sente só:
…e pra variar, ele humilha os conservadores que, desta vez, reclamam sobre o movimento.
Olha aí os anos 90 pedindo peloamordedeus pra voltar a serem lembrados.
Mais aqui.
…remixada pelo Joy Orbinson.
O fim de semana teve shows do Cut Copy e do João Donato (depois falo mais deles), mas nenhum superou o encontro do Cidadão Instigado com o Fagner, que aconteceu em dose dupla no fim de semana. Fui no sábado e encontrei a choperia do Sesc Pompéia tomada por um público bem mais velho que o do Cidadão – era o público do Fagner, que veio assisti-lo sem mesmo se dar conta que teria uma outra banda. O show marcou a conexão cearense dos dois artistas mais como uma celebração à obra de Fagner, mesmo ele tendo cantado duas músicas do Cidadão – “Deus é uma Viagem” e “Lá Fora Tem”, do que propriamente uma passagem de bastão.
Fagner + Cidadão Instigado – “Deslizes” / “Quem Me Levará Sou Eu” / “Borbulhas de Amor” / “Noturno” / “Canteiros”
E nem era o caso, afinal, por mais estabelecido que o Cidadão Instigado já esteja, ele ainda não atingiu a altura de vôo conseguida por Fagner em seus primeiros dez anos de carreira (que é menos que a idade do Cidadão, que vi ao vivo pela primeira vez no Abril Pro Rock de 1998, em Recife), embora caminhe para isso. A diferença crucial entre os dois, claro, está na abordagem: enquanto o Cidadão nitidamente caminhe em paragens pinkfloydianas, Fagner é um bardo sensível, um Johnny Cash que prefere lamentar o pé-na-bunda a fazer juras de vingança. E quando pega o violão sozinho para desfilar seu rosário de canções é que ele mostra que é um dos principais cantores da tristeza na música brasileira recente, puxando um coro de contemporâneos que choraram tantas fossas com suas músicas.
Junte as músicas tristes e conformadas de Fagner ao transe instrumental do Cidadão e temos, mais do que um grande show, uma promissora parceria no futuro. Para, aí sim, Fagner coroar a nova geração do pop do Ceará.
Mais vídeos do show aí embaixo.
Minha coluna no 2 de domingo foi sobre a “autencidade” (wtf) de Lana Del Rey.
Mentira ou fantasia
O misterioso caso de Lana Del Rey
“It’s you, it’s you… It’s all for you…”. A voz lânguida de Lana Del Rey escorrega-se pelo refrão de “Video Games” como uma diva entediada deslizaria-se numa chaise longue. A música, seu primeiro single, apareceu há dois meses, num vídeo filmado pela webcam e editado por ela mesma, misturando cenas próprias com imagens de arquivo. Em pouco tempo, surgiam novas músicas, todas em vídeo – “Blue Jeans” e “Kinda Outta Luck” –, todas seguindo a mesma estética: Lana fazendo biquinho para mostrar seus beiços grossos, deixando o cabelo cair sobre o rosto para enfatizar o clima retrô, como se fosse uma Jessica Rabbit de carne e osso, sempre com imagens que remetem a uma nostalgia dos anos 50, tão em voga nesses tempos de Mad Men.
Foi o suficiente para que começassem a falar dela, primeiro em blogs de MP3 e depois nos sites, jornais e revistas. E, sem ao menos ter nem um single lançado, ela já era candidata a título de diva de 2012.
E, em seguida, veio a reação. Não era possível que o hype todo viesse sozinho e começaram a fuçar no passado de Lana – e descobriram que esse nome era um pseudônimo e que não era sua primeira incursão ao mercado fonográfico. Chamava-se Lizzy Grant e circulava pelos corredores da indústria – além de ter lábios bem menos cheios. E logo as especulações sobre seu passado se tornaram um certeiro “arrá!” quando, antes mesmo de ter seu single lançado, a cantora anunciou que havia assinado com a gravadora norte-americana Interscope.
E aí chegamos ao ponto central da coluna de hoje: Lana é um artista menor ou pior simplesmente por ter sido “fabricada” por uma gravadora para “enganar” o público que se orienta por música via internet? Reforço as aspas nos verbos pois essa “fabricação” não é necessariamente artificial (Britney Spears é fabricada? E Lily Allen? E Amy Winehouse, também era?) nem essa “enganação” é trapaceira.
Nos tempos de reality show em que vivemos graças à internet – que permite acompanhar passo a passo a vida de qualquer celebridade –, os limites entre realidade e ficção ficaram tão borrados que nos tornamos céticos em relação a qualquer novidade ou notícia que apareça. Há quem diga que esse é o motivo do sucesso dos próprios reality shows, uma vez que novelas, filmes e seriados já foram assimilados a ponto de os distanciarmos da realidade – e não nos envolvermos emocionalmente com eles.
O mesmo acontece na música. E o desafio que Lana Del Rey (seja a artista, seja “o projeto Lana Del Rey”) nos propõe independe do fato de ela ser uma artista de verdade ou um produto fabricado em estúdio. Como escreveu Amy Klein, da banda Titus Andronicus, em seu blog. “Não importa se ela tem algo de real para nos vender porque Lana Del Rey nos fez pensar sobre a relação entre vender uma fantasia e vender mentira. Ela é a mentira que nós mentimos para nós mesmos – e é isso o que os Estados Unidos sempre foram e sempre serão, essa mulher maravilhosa que pode fazer nossos sonhos virarem realidade. Então não importa se ela te ama ou te odeia, porque ela vai pegar todo seu dinheiro e você vai deixá-la ir. Essa é a realidade dela.” Amy está falando dos EUA, mas também sobre o que é música pop.
* A coluna Impressão Digital, do editor do Link Alexandre Matias, é publicada todos os domingos, no Caderno 2
Via Fuck Yeah Dementia.
No show que fizeram essa semana em São Paulo. Quem filmou foi o grande Tiago!