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Centro da Terra: Dezembro de 2025

Na reta final do ano, eis que chegamos ao último mês e, como de praxe, não fazemos temporada no Centro da Terra pois o teatro só funciona nas duas primeiras semanas do mês. Assim, a programação de música do mês começa na segunda, dia 1º, quando recebemos o grupo português Linda Martini, que traz o espetáculo intenso e intimista, como descrevem, Somos os Linda Martini! Prazer! para dar início às atividades do mês. Depois vem o projeto João 1958, em que Rodrigo Coelho e Marina Nemésio visitam as gravações caseiras que João Gilberto fez antes de seu primeiro álbum Chega de Saudade, trazendo músicas inéditas ou nunca gravadas em disco pelo papa da música brasileira, com minha direção. A apresentação acontece na terça, 2 de dezembro, que também é o aniversário de Marina. Na segunda seguinte, dia 8, é a vez da banda Saüna mostrar pela primeira vez seu show inteiramente autoral. Formada por artistas de diferentes áreas (a vocalista Carol Borelli é atriz, o tecladista Gabriel Spinosa é produtor musical, o baixista Mano Bap toca no Karnak e na Central Scrutinizer , o artista visual o guitarrista Marcelo Polletto é artista visual e educador e o baterista Felipe Marini é designer), eles já ameaçavam suas composições próprias nos shows em que tocam músicas alheias e agora dedicam o espetáculo Toda Letra Que Se Atreva às suas próprias composições. E fechando o ano temos a cantora e compositora paraense Natalia Matos inaugura sua nova fase com o espetáculo Abduzida, em que experimentará músicas que estarão em seus próximos trabalhos, com arranjos em definição. As apresentações começam pontualmente às 20h e os ingressos já estão à venda no site do Centro da Terra.

Robert Plant no Tiny Desk!

Outro nome de peso passou pelo Tiny Desk da NPR essa semana, quando a voz do Led Zeppelin não apenas passeou por seu disco mais recente como visitou alguns clássicos. Robert Plant acaba de lançar o primeiro disco ao lado da banda que o acompanha há seis anos, Saving Grace, num álbum solo batizado com o nome do grupo .O álbum, com várias versões, foi a base do repertório da apresentação, com saudações à banda psicodélica Moby Grape (“It’s a Beautiful Day Today”), ao grupo indie Low (“Everybody’s Song”), à cantautora estadunidense Martha Scanlan (“Higher Rock”) e à canção tradicional (“Gospel Plough”). Plant, que virá ao Brasil no ano que vem no C6 Fest, encerrou o programa visitando o próprio Led Zeppelin na versão que ele e Page fizeram para outra música tradicional “Gallows Pole”, que Plant lembrou ter conhecido na versão do bluesman Lead Belly.

Assista abaixo:  

Inferninho clássico

Um festa clássica nessa sexta-feira quando baixei o Inferninho Trabalho Sujo no Picles trazendo duas bandas que já haviam tocado em outras edições da festa, mas nunca no sobrado da Cardeal Arcoverde. A noite começou com o trio Saravá em ponto de bala, incendiando a sexta-feira com seus hits instantâneos que em breve estarão prontos para conhecer seus ouvintes para além dos shows quando Joni, Roberth e Ito finalmente lançarem seu primeiro álbum, no começo do ano que vem. Sua apresentação ainda contou com duas participações já conhecidas de seus shows, quando primeiro trouxeram Bru Cecchi, vocalista da banda irmã Devolta ao Léu para o palco para em seguida chamar outra participação familiar, essa literalmente cossanguinea, quando a irmã do baixista subiu no palco para cantar duas músicas. E a galera foi ao delírio.

Depois foi a vez do quarteto de Maringá Tutu Naná soltar sua bruma densa e doce sobre o público, hipnotizando a todos com doses cavalares de microfonia entremeadas por canções sussurradas. A química entre os integrantes da banda é invejável e eles mal precisam se olhar para cavalgar sobre o pulso de suas canções. E sempre é impressionante ver como suas personalidades individuais musicais crescem à medida em que se amalgamam ainda mais: Akira deixando sua guitarra mais pesada e clássica, com solos e riffs que vão do virtuosismo hard rock ao ruído branco elétrico, Jivago alternando entre o baixo e a guitarra e buscando os pontos em comum entre os dois instrumentos, com graves linhas circulares de ritmo, Fernando alternando entre os espasmos de rock clássico, bossa nova acelerada e free jazz e Carol enfeitiçando todos com seu vocal, flauta transversal e efeitos sonoros, várias vezes ao mesmo tempo. O grupo ainda ousou embarcar na onda do Massive Attack ao reler a versão que o grupo inglês fez para “Girl I Love You” do Horace Andy na apresentação que fizeram esse mês em São Paulo e não deixaram a bola cair. Absurdo. Depois restou a mim e a Fran domar a rebelde pista daquela noite, visitando extremos distintos da música para dançar.

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Inferninho Trabalho Sujo apresenta Saravá e Tutu Naná @ Picles (21.11)

Vamos a mais um Inferninho Trabalho Sujo no Picles nessa sexta-feira, quando recebemos duas bandas que já passaram por diferentes palcos da festa, mas que tocam pela primeira vez no sobrado da Cardeal Arcoverde! A primeira delas é o trio fulminante Saravá, que antecipa o que será seu primeiro álbum, que será lançado no ano que vem, num show em que mistura rock clássico, MPB e indie brasileiro. Depois é a vez do quarteto Tutu Naná, que também mistura as mesmas referências mas por um outro viés, enterrando suas canções em camadas de microfonia e vocais sussurrados. Depois dos shows é a vez de eu e a Fran nos reencontrarmos mais uma vez no Picles para incendiar a pista de lá até altas da madrugada. E quem comprar ingresso antes paga mais barato. Bora?

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Eis o trailer do novo filme da Charli XCX

Eis o trailer do novo filme da Charli XCX, The Moment, um documentário de mentira sobre o fenômeno Brat, que ela “concebeu a partir da ideia de ser pressionada a fazer um documentário” sobre como ela dominou o verão do ano passado no hemisfério norte a partir de seu disco mais recente. É mais um projeto de sua nova fase cinematográfica, anunciado na semana seguinte em que ela revelou que seu próximo álbum é a trilha sonora da nova adaptação para a telona do clássico O Morro dos Ventos Uivantes. The Moment está marcado para estrear lá fora no dia 30 de janeiro e ainda não tem data de lançamento para o Brasil.

Assista abaixo:  

My Bloody Valentine… ao vivo em 2025!

O My Bloody Valentine está preparando sua volta para os palcos que não frequentam desde 2018 e que, tecnicamente, aconteceria neste sábado, quando a banda tocaria em Dublin, na Irlanda, pela primeira vez desde 1992. Mas ninguém esperava que eles fossem fazer um show de aquecimento, como fizeram para 2 mil pessoas na mesma cidade nesta quarta-feira. O show aconteceria em um lugar ainda menor, mas o auê em torno da aparição-surpresa tomou as ruas da capital irlandesa e foi transferido para o National Stadium, que apesar do nome, é um ringue de boxe conhecido por sediar shows de médio porte na cidade desde os anos 70. O grupo passou por várias pérolas de seu repertório num show que teve quase 20 músicas, a estreia ao vivo de “Off Your Face” (do EP Glider, de 1990) e encerrou com “You Made Me Realise”. Depois de pegar todo mundo de surpresa, a banda de Kevin Shields prepara sua turnê, que segue por Dublin (no sábado), Manchester (na segunda), Londres (na terça) e Glasgow (na quinta), saindo do Reino Unido para o outro lado do mundo, quando tocam em Hong Kong, dia 7 de dezembro. Eles retomam a turnê em fevereiro do ano que vem no Japão, com duas datas em Osaka (3 e 4) e duas em Tóquio (6 e 9), e uma única outra data já anunciada, quando estarão no elenco do Primavera em Barcelona (tocam dia 6 de junho). Provavelmente outros shows serão anunciados e Kevin Shields voltou a falar em novo disco, mas sabemos que é mais fácil eles tocarem no Brasil… (Aliás, falando nisso, alô Balaclava!)

Assista a algumas músicas do show e veja o setlist completo abaixo: